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Mostrando postagens de Agosto, 2012

A pesquisa de Gauquelin e a Astrologia Clássica

Michel Gauquelin foi um psicólogo francês que viveu no século XX e demonstrava grande interesse pela Astrologia. Como todo o estudioso da sua época, tinha de enquadrar esse interesse no paradigma cartesiano da ciência moderna. Para isso acontecer, realizou um dos mais famosos estudos estatísticos sobre astrologia do século XX, com um vasto banco de dados de mapas natais, categorizados por profissões e que contou como campo a França e a Bélgica. Hoje em dia, os estudiosos da astrologia não tem um interesse tão grande por estatística como havia na segunda metade do século XX. De fato, a pesquisa quantitativa e com gráficos deu lugar à pesquisa qualitatita, mapa-a-mapa, mais rica e subjetiva. Há muitas razões para se abandonar a velha pesquisa quantitativa de milhares de mapas; uma delas já foi dita: olhando-se mapa-a-mapa, percebe-se as sutilezas que se perderiam numa visão geral. Todavia, durante muito tempo, um dos poucos argumentos contra a pesquisa quantitativa se embasavam em opin…

Os cinco elementos na Astrologia indiana.

No ocidente, nós usamos os quatro elementos de Empédocles para se referir a todo e qualquer fenômeno do mundo sublunar (em outras palavras, a Terra). Na astrologia indiana, não é diferente.

Não sei como seria na Jyotisha ainda a relação conceitual entre planetas e elementos, mas no ocidente funciona da seguinte forma: os planetas e signos contém em si os arquétipos: as formas e idéias de todas as coisas. Quando os planetas agem no mundo sublunar, através da Lua, eles dão formas aos elementos e criam todas as coisas usando como matéria crua dos elementos.

Os elementos são uma maneira de descrever os objetos, pessoas e idéias. Quando dizemos que uma coisa é do elemento água, não quer dizer necessariamente que tenha muita água em sua composição (nesse caso, quase tudo na Terra contém água), mas sim que se comporta como o elemento água. Em verdade, o certo seria dizer até mesmo para a água das nossas bicas que ela se comporta como o elemento água - assim, não se confunde a água propriamen…

Casas 11 e 12 e o termo 'Daemon'

A astrologia do período clássico foi baseada nos preceitos filosóficos contemporâneos a ela e, por isso, quem tem uma formação filosófica clássica pode ter um grande subsídio no entendimento de alguns conceitos astrológicos. Um desses conceitos está implícito no termo 'Daemon', usado por Firmicus Maternus (astrólogo romano) para se referir às Casas 11 e 12.

Maternus chama as casas 11 e 12 de bônus daemon e malus daemon, respectivamente, combinando palavras latinas com gregas para descrever um conceito que, aos olhos dos leigos da pós-modernidade, soam vagos.

Felizmente, a Wikipedia um inglês nos fornece um bom resumo sobre o termo 'daemon', que vamos traduzir aqui, a título de facilidade para o leitor:

O uso por Homero das palavras theoí (θεοί: "deuses") e daimonos (δαίμονες), sugerem que, enquanto distintos, eles seriam similares em natureza. Escritores mais tardios desenvolveram a distinção entre os dois. Em Cratylus (398b), Platão especula que a etimologia d…

A Casa 6: um estudo compreensivo

Tenho percebido que a Casa 6 representa toda sorte de problemas e inimigos com os quais temos de lidar e tentar resolver, nas mais diversas instâncias da vida: da física à social. Por isso, fica difícil saber se a Casa 6 representa doença ou não, pois isso depende de outros fatores que devem ser analisados em conjunto.

Aprendemos com os indianos que a Casa 6 melhora com o tempo, e por isso é considerado uma casa Upachaya, o que é verdadeiro nas minhas observações. Por exemplo: pessoas com o Sol regendo a 6 podem ter uma relação horrível com o pai na infância e, com o tempo, ela pode melhorar substancialmente - não quer dizer que a pessoa subitamente vai amar o pai, mas talvez o pai pare de infortuná-la com o tempo e deixe de representar uma ameaça como o era na infância.

Doença não é somente uma atribuição da Casa 6, podendo ser encontrada pelo Ascendente, pelo Lote da Fortuna e pelo Lote das Doenças e do Sofrimento Persistente, cuja fórmula é:

Ascendente + Marte - Saturno, em mapas d…

Dos pudores que prejudicam a astrologia

Dedico esse artigo a falar dos pudores que minam nossa capacidade de interpretar um mapa eficazmente. Esse artigo não partirá do princípio de que a astrologia medieval é perfeita e que, se ela dá errado, a culpa é do astrólogo. Todavia, mesmo considerando-a como um saber tão falho como qualquer outro, vamos nos concentrar aqui nos impecílios psicológicos do astrólogo que minam seu saber, tornando-o inseguro diante do consulente e, com isso, subaproveitando o que ele já sabe.
O problema da linguagem Os livros de astrologia medieval tem uma linguagem muito explícita, e hoje isso soa como algo vulgar ou ofensivo. Nenhum cliente quer ser taxado de algum rótulo pelo astrólogo - o cliente procura orientações. Mesmo que os adjetivos sejam aplicáveis a ele, a resistência do consulente a aceitar a verdade pode por o trabalho todo a perder.

O astrólogo contemporâneo que se inspira em métodos clássicos ou medievais pode se sentir desconfortável diante desse impasse linguístico, e não falar tudo…

Voltando ao "trabalho"

Queridos leitores, é com grande alegria que afirmo: minha recuperação à fratura de úmero foi excelente. Agradeço pelas orações e votos de melhora, porque eles realmente funcionaram. Não sinto dores ao executar quase nenhum movimento, e provavelmente nos próximos dias a dor ao realizar movimentos de grande amplitude também desaparecerá.

Agora posso escrever aqui sem ter medo de inflamar meus tendões - ou qualquer outro pensamento hipocondríaco.

Voltemos às postagens!