A escolha do Regente do ano
Este ano, segundo Teófilo, três planetas podem ser os regentes neste mapa:- Júpiter faz uma estação a menos de cinco dias antes do ingresso
- Marte fará uma ascensão helíaca sete dias depois do ingresso
- Mercúrio apareceu nos céus - ou seja, fez uma ascensão heliacal - três dias antes.
Mercúrio em queda na 10
1. Erros Técnicos e Falhas em Políticas Públicas
O exemplo mais direto de "erro técnico" mercurial ocorreu no final de abril com a Receita Federal. Uma mudança no sistema de coleta de dados para as declarações pré-preenchidas do Imposto de Renda causou um transtorno massivo: cerca de 257 mil contribuintes foram enviados indevidamente para a malha fina. A falha ocorreu na transição da antiga Dirf para os novos sistemas eSocial e EFD-Reinf, gerando uma onda de reclamações e a necessidade de correções urgentes em uma das políticas públicas mais sensíveis para a classe média.2. Falhas de Comunicação e Articulação (Humilhação Política)
A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o símbolo da falha de cálculo e comunicação entre o Palácio do Planalto e o Senado. Apesar de avisos prévios de que o nome não teria apoio suficiente, o governo insistiu na indicação. Resultado: Em 29 de abril, o Senado impôs uma rejeição histórica, com projeções de até 50 votos contrários. A última vez que a indicação de um ministro do supremo pelo governo foi rejeitada ocorreu em 1894, durante o governo Floriano Peixoto! A mídia política classificou o episódio como a "segunda maior humilhação" do mandato atual, evidenciando uma desconexão profunda entre a estratégia do governo e a realidade legislativa.3. Problemas Legislativos e Contradições
Em 30 de abril, o governo sofreu outro revés significativo com a derrubada do veto à "Lei da Dosimetria". O Congresso Nacional rejeitou a decisão presidencial, mantendo um texto que altera o cálculo de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Essa medida é vista como uma derrota política direta, pois abre caminho para a revisão de condenações e beneficia figuras da oposição, gerando uma percepção de fraqueza na agenda de justiça e segurança do governo.4. Crise Financeira e Desconexão de Narrativas
Dados divulgados no final de abril indicam uma "epidemia de endividamento": 67% das famílias brasileiras possuem dívidas, e o superendividamento tem sido o principal ponto fraco da popularidade governamental. Contradição Mercurial: Existe um abismo entre o discurso oficial de "melhora macroeconômica" (queda do desemprego e alta do PIB) e a percepção popular de perda de poder de compra e estrangulamento financeiro. No pronunciamento de 1º de maio, o governo tentou reagir a esse cenário anunciando o "Novo Desenrola", mas a sensação de "correção tardia" de um problema já instalado reforça a ideia de uma comunicação que corre atrás do prejuízo.5. Retórica e Autocrítica Tardia
Durante a Reunião da Mobilização Progressista Global em Barcelona (18 de abril), o governo apresentou um discurso de autocrítica sobre a dificuldade de converter conquistas econômicas em apoio popular. Analistas políticos apontaram que essa percepção de que a "comunicação falhou" chega em um momento de estreitamento do espaço de manobra, corroborando a tese de uma inteligência estratégica (Mercúrio) que não está operando em sua plenitude.Marte na Casa 10
Aqui saímos da falha técnica e entramos na demonstração de poder bruto e no conflito direto entre as cadeiras mais altas da República.- A "Guerra das PECs" contra o Judiciário: Em abril, o Congresso avançou com a PEC que limita decisões monocráticas e mandatos para ministros do STF. Uma instituição (Legislativo) usa sua força máxima para "enquadrar" outra (Judiciário).
- Retaliação Pós-Messias: Após a rejeição de Jorge Messias, o governo não recuou para negociar. A resposta foi uma série de exonerações rápidas de cargos indicados por senadores que votaram contra o governo. É a "decisão dura vinda do topo" para punir a insubordinação.
- Uso da Força Nacional: Houve um aumento crítico no envio da Força Nacional para conflitos de terra e áreas de fronteira em março, uma resposta "marcial" e centralizada para tentar conter crises de segurança que a articulação política não resolveu.
A Mistura Mercúrio + Marte: O Cálculo Agressivo e Falho
É a agressividade baseada em informação errada ou em uma retórica que incendeia o que deveria apagar.- A PEC da Segurança Pública: O governo tentou empurrar uma centralização das polícias (Marte/Coerção) através de uma medida que foi tecnicamente muito criticada por governadores (Mercúrio/Falha). Tentaram ser duros, mas o cálculo político de apoio dos estados foi totalmente falho.
- Retórica de Confronto (Lula e Boulos): As falas de abril, chamando o Congresso de "adversário do povo" e convocando militância para as ruas após derrotas legislativas, são o exemplo perfeito de retórica combativa que piora conflitos. Em vez de acalmar o mercado ou o Congresso para aprovar pautas econômicas, o governo usou o verbo (Mercúrio) como arma (Marte), o que travou ainda mais a pauta de finanças.
"Trapaceiros e Ladrões" (A Face Obscura)
A mistura Mercúrio/Marte tradicionalmente aponta para astúcia voltada ao ganho ilícito ou manobras de "espertalhões".- Escândalo das "Emendas Digitais": No final de março, estourou uma investigação sobre um esquema de desvio de verbas através de aplicativos e plataformas digitais de prefeituras (o uso da tecnologia/Mercúrio para o roubo/Marte).
- O Caso da "Abin Paralela" 2.0: Novas descobertas em abril sobre o uso de ferramentas de espionagem para monitorar adversários políticos. É a inteligência (Mercúrio) a serviço da agressão e da vigilância (Marte), operando nas sombras como um "trapaceiro" institucional. O governo Lula não é o responsável, mas sofre com isso. A oposição argumenta que, ao assumir em 2023, o atual governo manteve quadros técnicos e parte da estrutura operacional que já utilizava esses métodos, demorando para realizar uma "limpa" interna. E existe a tese de que o governo atual sabia da existência de estruturas de monitoramento, mas, inicialmente, tentou usá-las para seus próprios fins antes de decidir que o custo político de mantê-las (após as denúncias da mídia) seria alto demais.
Júpiter exaltado na 2: o lado bom (e questionável) do ano.
1. Júpiter na 2: Recordes no Agro e Lucros Bancários
A "exaltação" dos recursos materiais é visível nos dados de fechamento da safra e nos balanços financeiros de abril de 2026:
Recorde da Soja: As projeções da CONAB e do IBGE para a safra 2025/2026 confirmam que o Brasil atingiu um novo recorde histórico na produção de grãos, com a soja liderando o volume e o valor bruto de produção. O milho também apresenta desempenho excepcional, consolidando o Brasil como o "celeiro" que lucra em momentos de escassez global.
Bancos e Elites: Os balanços do primeiro trimestre (1T26) dos grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander) mostraram lucros líquidos que, somados, ultrapassaram os R$ 28 bilhões, um crescimento significativo em relação ao ano anterior. Isso corrobora a tese de que, enquanto a economia real patina, o topo da pirâmide financeira (Júpiter exaltado) prospera via juros e serviços.
Benefícios Módicos: Em 1º de maio de 2026, o governo anunciou o reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Embora apresentados com pompa, o ganho real é considerado "módico" por economistas, servindo apenas para manter o poder de compra básico das camadas menos favorecidas diante da inflação de serviços.
2. Júpiter rege a 7 e a 10: O Governante e os Parceiros
Casa 10 (Governo): O governo tem usado o superávit comercial gerado pelo agro para tentar equilibrar as contas públicas e manter programas de investimento. A figura do governante se beneficia da "sorte" jupiteriana de ter um setor exportador tão pujante, o que evita um colapso fiscal maior.
Casa 7 (Parceiros/Adversários): A diplomacia brasileira em 2026 tem focado em acordos bilaterais estratégicos, especialmente com o bloco do Sul Global, aproveitando a abertura de mercados que antes eram dominados por potências agora em crise.
3. Dodekatemoria na 8: Prosperidade via Crise Alheia
O Brasil está lucrando não apenas por mérito próprio, mas pela debilidade dos outros (Casa 8 - recursos dos outros/crises externas):
Conflitos no Oriente Médio: A escalada de tensões entre Irã e Israel e a instabilidade no Mar Vermelho em 2026 encareceram o frete global e a produção de energia em diversas regiões. O Brasil, sendo um exportador de alimentos e petróleo (Petrobras batendo recordes de exportação em março/abril), preenche o vácuo deixado por cadeias de suprimento rompidas.
Política Externa dos EUA: O endurecimento das taxas de juros americanas e o protecionismo comercial de Washington geraram uma fuga de capitais de mercados dependentes do dólar. O Brasil, com suas reservas cambiais robustas e produção física de alimentos (grãos), tornou-se um destino de "vôo para a qualidade" para investidores que buscam ativos reais em meio ao caos geopolítico.
A "Queda" na 8: Enquanto os parceiros comerciais enfrentam crises de dívida e inflação energética, o Brasil "bebe" desses recursos via balança comercial favorável. É a riqueza brasileira construída sobre a instabilidade externa.
Significador do governante - O lote real
O Lote Real é encontrado tomando a distância do Sol até a Lua e contando-se a partir do grau do Meio do Céu. Este ano, ele caiu aproximadamente em 10˚ Áries. É testemunhado por uma quadratura inferior de Júpiter e seu regente é Marte no 10˚ Signo.Os regentes da triplicidade do Lote Real são, na ordem, o Sol e Júpiter. A primeira metade do ano será indicada pelo Sol, a segunda por Júpiter. As condições de ambos os regentes não são ruins, mas, representando a primeira metade, o Sol está em conjunção com um maléfico que ele recebe na sua exaltação, Saturno em Áries. Sol e Saturno são co-sectários, e o Sol recebe Saturno, que está fraco demais pela dignidade de queda. Isso indica o governante tentando fazer alguma coisa para encobrir as falhas de um ministro importante, indicado por Saturno em Áries na Casa 11. Soma-se a isso que Saturno rege a casa 9 (justiça e leis). Trata-se de uma representação muito convincente da rejeição à indicação de Messias como ministro do STF.
O Meio do Céu também é um significador do governante. Por estar num signo de água, seus regentes da triplicidade são, na ordem, Vênus e Marte. Vênus está em detrimento na casa 11 e Marte está em condição melhor no meio do céu. Portanto, o MC nos mostra a mesma coisa que o Lote Real: a primeira metade do ano será mais difícil para o presidente devido aos ministros - incluindo alguma figura feminina, representada por Vênus - em apuros. Vênus também rege a casa 5 este ano, significando que embaixadas ocorrerão em circunstâncias difíceis, ainda mais que Vênus rege conciliação e marte - regente do signo onde Vênus se encontra - significa exatamente isto: embaixadas em circunstâncias difíceis!
O Problema da Gestão (Vênus na 11 - Casa dos Aliados/Congresso): A ministra enfrenta uma resistência feroz no Congresso. O modo como ela administra a pasta — muitas vezes vista como dogmática e resistente a acordos que envolvem exploração de recursos em zonas sensíveis — tem bloqueado pautas essenciais da base aliada.
O Impacto Diplomático (A "Embaixada Difícil"): As exigências rigorosas que ela impõe para a liberação de projetos de infraestrutura (como a exploração na Margem Equatorial) têm gerado tensão direta com parceiros comerciais. A percepção internacional é de que o Brasil tem uma "diplomacia paralela": enquanto o Itamaraty tenta vender uma imagem de abertura, o Ministério do Meio Ambiente impõe barreiras.
- O "Modo" de Administrar: Ela é frequentemente criticada por não ceder, por manter uma postura de "isolamento" (o contrário da natureza sociável de Vênus). Em abril de 2026, isso culminou em episódios onde delegações estrangeiras, que buscavam acordos de investimento, deixaram o país frustradas, citando "falta de previsibilidade".
Conclusões
Os fatos mostram o poder que alguns planetas tem de fornecerem significados para os eventos mais importantes do ano. Para tanto, é necessário o princípio norteador do regente do ano.
Acredito que seja necessário mais fatores para concluir se Lula se reelegerá ou não. Usando apenas os regentes da triplicidade do signo do Lote Real, sua condição é melhor no segundo semestre. Normalmente, a condição melhorada do governante no segundo semestre do ano é um sinal de continuidade. Em 2022, ano em que Bolsonaro não conseguiu se reeleger, o regente da triplicidade da segunda metade do ano era marte peregrino na casa 8.

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