2 de mai. de 2026

Carta de ingresso do Sol em Áries para o Brasil em 2026

1º de Maio completou-se 21 anos da existência desse blogue e, em comemoração à sua maturidade, apresento este artigo.

Vamos delinear a carta de ingresso do Sol em Áries para 2026 no Brasil usando de alguns princípios de interpretação descritos por Teófilo de Edessa, astrólogo da corte Abássida no século VIII d.C.


O Ascendente da Carta é Gêmeos, signo mutável. Segundo autores como Abu Ma'Shar, quando o Ascendente é mutável, o ano é melhor explicado por duas cartas de ingresso: a carta do Sol em Áries definiria melhor o que acontece até o 21/22 de setembro, enquanto a carta do Sol em 0˚Libra definiria melhor o que acontece até 20/21 março de 2027. Entretanto, Teófilo não considera tal distinção.

A escolha do Regente do ano

Este ano, segundo Teófilo, três planetas podem ser os regentes neste mapa: 
  • Júpiter faz uma estação a menos de cinco dias antes do ingresso
  • Marte fará uma ascensão helíaca sete dias depois do ingresso
  • Mercúrio apareceu nos céus - ou seja, fez uma ascensão heliacal - três dias antes.
Não há necessidade de “desempatarmos” os três. Cada um pode ter indicações importantes para o ano. E o fato de haver três regentes demonstra que o ano será muito intenso, com vários acontecimentos importantes. Considero que Mercúrio ganha mais destaque do que Marte e Júpiter por reger o Ascendente, embora a força de Júpiter seja maior por estar visível, estacionário e exaltado. Além disso, Júpiter conta com um número surpreendente de testemunhos: quatro dos seis outros planetas se aplicam a ele, comprometendo a ele suas disposições e virtudes. Para astrólogos árabes, isso era um sinal inequívoco da importância desse planeta este ano. 

Apesar de termos três planetas importantes para o ano, há dois núcleos de significação. Isto porque Marte e Mercúrio estão em conjunção no 10º signo, enquanto Júpiter está no segundo signo, avançando em direção ao Ascendente. 

Primeiramente, gostaria de delinear a combinação Mercúrio + Marte.

Mercúrio em queda indica que os significados mercuriais geram humilhação, vergonha e dejeção ao governo, uma vez que ele se encontra na casa 10 anual. Indica falhas de comunicação oficial, declarações contraditórias ou mal interpretadas, erros técnicos em políticas públicas, problemas em comércio, finanças ou legislação. Essas coisas são ajudadas pelo dispositor de Mercúrio, ao qual ele se aplica, garantindo salvação.

Marte na 10 pode significar aumento de medidas coercitivas (polícia, força, repressão), decisões rápidas e duras vindas do topo do poder, conflitos entre governo e outras instituições.

A combinação (Mercúrio + Marte) representa decisões agressivas baseadas em cálculo falho, crises políticas geradas por fala ou informação, uso de retórica combativa que piora conflitos, medidas duras que provocam reação ou instabilidade. Mercúrio/Marte também é uma mistura tradicionalmente relacionada a trapaceiros e ladrões.

Estamos em 2 de maio. Passados quase um mês e meio desde o ingresso em 20 de março, é impressionante o número de fatos que podem corroborar os posicionamentos planetários descritos. Claro que, para fazer essa pesquisa, contei com a ajuda de inteligência artificial para fazer um Survey de notícias rápido e eficaz. Eu uso IA como uma preciosa ferramenta, e não como substituta do meu cérebro. 

Mercúrio em queda na 10

1. Erros Técnicos e Falhas em Políticas Públicas

O exemplo mais direto de "erro técnico" mercurial ocorreu no final de abril com a Receita Federal. Uma mudança no sistema de coleta de dados para as declarações pré-preenchidas do Imposto de Renda causou um transtorno massivo: cerca de 257 mil contribuintes foram enviados indevidamente para a malha fina. A falha ocorreu na transição da antiga Dirf para os novos sistemas eSocial e EFD-Reinf, gerando uma onda de reclamações e a necessidade de correções urgentes em uma das políticas públicas mais sensíveis para a classe média.

2. Falhas de Comunicação e Articulação (Humilhação Política)

A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o símbolo da falha de cálculo e comunicação entre o Palácio do Planalto e o Senado. Apesar de avisos prévios de que o nome não teria apoio suficiente, o governo insistiu na indicação. Resultado: Em 29 de abril, o Senado impôs uma rejeição histórica, com projeções de até 50 votos contrários. A última vez que a indicação de um ministro do supremo pelo governo foi rejeitada ocorreu em 1894, durante o governo Floriano Peixoto! A mídia política classificou o episódio como a "segunda maior humilhação" do mandato atual, evidenciando uma desconexão profunda entre a estratégia do governo e a realidade legislativa.

3. Problemas Legislativos e Contradições

Em 30 de abril, o governo sofreu outro revés significativo com a derrubada do veto à "Lei da Dosimetria". O Congresso Nacional rejeitou a decisão presidencial, mantendo um texto que altera o cálculo de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Essa medida é vista como uma derrota política direta, pois abre caminho para a revisão de condenações e beneficia figuras da oposição, gerando uma percepção de fraqueza na agenda de justiça e segurança do governo.

4. Crise Financeira e Desconexão de Narrativas

Dados divulgados no final de abril indicam uma "epidemia de endividamento": 67% das famílias brasileiras possuem dívidas, e o superendividamento tem sido o principal ponto fraco da popularidade governamental. Contradição Mercurial: Existe um abismo entre o discurso oficial de "melhora macroeconômica" (queda do desemprego e alta do PIB) e a percepção popular de perda de poder de compra e estrangulamento financeiro. No pronunciamento de 1º de maio, o governo tentou reagir a esse cenário anunciando o "Novo Desenrola", mas a sensação de "correção tardia" de um problema já instalado reforça a ideia de uma comunicação que corre atrás do prejuízo.

5. Retórica e Autocrítica Tardia

Durante a Reunião da Mobilização Progressista Global em Barcelona (18 de abril), o governo apresentou um discurso de autocrítica sobre a dificuldade de converter conquistas econômicas em apoio popular. Analistas políticos apontaram que essa percepção de que a "comunicação falhou" chega em um momento de estreitamento do espaço de manobra, corroborando a tese de uma inteligência estratégica (Mercúrio) que não está operando em sua plenitude.

Marte na Casa 10

Aqui saímos da falha técnica e entramos na demonstração de poder bruto e no conflito direto entre as cadeiras mais altas da República.
  • A "Guerra das PECs" contra o Judiciário: Em abril, o Congresso avançou com a PEC que limita decisões monocráticas e mandatos para ministros do STF. Uma instituição (Legislativo) usa sua força máxima para "enquadrar" outra (Judiciário).
  • Retaliação Pós-Messias: Após a rejeição de Jorge Messias, o governo não recuou para negociar. A resposta foi uma série de exonerações rápidas de cargos indicados por senadores que votaram contra o governo. É a "decisão dura vinda do topo" para punir a insubordinação.
  • Uso da Força Nacional: Houve um aumento crítico no envio da Força Nacional para conflitos de terra e áreas de fronteira em março, uma resposta "marcial" e centralizada para tentar conter crises de segurança que a articulação política não resolveu.

A Mistura Mercúrio + Marte: O Cálculo Agressivo e Falho

É a agressividade baseada em informação errada ou em uma retórica que incendeia o que deveria apagar.
  • A PEC da Segurança Pública: O governo tentou empurrar uma centralização das polícias (Marte/Coerção) através de uma medida que foi tecnicamente muito criticada por governadores (Mercúrio/Falha). Tentaram ser duros, mas o cálculo político de apoio dos estados foi totalmente falho.
  • Retórica de Confronto (Lula e Boulos): As falas de abril, chamando o Congresso de "adversário do povo" e convocando militância para as ruas após derrotas legislativas, são o exemplo perfeito de retórica combativa que piora conflitos. Em vez de acalmar o mercado ou o Congresso para aprovar pautas econômicas, o governo usou o verbo (Mercúrio) como arma (Marte), o que travou ainda mais a pauta de finanças.

"Trapaceiros e Ladrões" (A Face Obscura)

A mistura Mercúrio/Marte tradicionalmente aponta para astúcia voltada ao ganho ilícito ou manobras de "espertalhões".
  • Escândalo das "Emendas Digitais": No final de março, estourou uma investigação sobre um esquema de desvio de verbas através de aplicativos e plataformas digitais de prefeituras (o uso da tecnologia/Mercúrio para o roubo/Marte).
  • O Caso da "Abin Paralela" 2.0: Novas descobertas em abril sobre o uso de ferramentas de espionagem para monitorar adversários políticos. É a inteligência (Mercúrio) a serviço da agressão e da vigilância (Marte), operando nas sombras como um "trapaceiro" institucional. O governo Lula não é o responsável, mas sofre com isso. A oposição argumenta que, ao assumir em 2023, o atual governo manteve quadros técnicos e parte da estrutura operacional que já utilizava esses métodos, demorando para realizar uma "limpa" interna. E existe a tese de que o governo atual sabia da existência de estruturas de monitoramento, mas, inicialmente, tentou usá-las para seus próprios fins antes de decidir que o custo político de mantê-las (após as denúncias da mídia) seria alto demais.

Júpiter exaltado na 2: o lado bom (e questionável) do ano.

Júpiter na Casa 2 exaltado e estacionário indica recursos financeiros e materiais abundantes para o país esse ano. Claro que isso não contraria a estrutura social definida na gênese dessa República. Levando-se em conta a manutenção do status quo de muita desigualdade social, as camadas menos favorecidas podem ter algum benefício módico a mais se comparado aos anos anteriores e, obviamente, as elites e os bancos prosperarão muito mais. Pode haver recorde nas produções de algumas safras, principalmente nos grãos indicados por Júpiter - mas, geralmente, os grãos beneficiados tendem a ser os mais cultivados no país, mesmo que eles não sejam significados por Júpiter. Júpiter rege as casas 7 (adversários e parceiros comerciais do país) e 10 (governante) e esses elementos se beneficiarão diretamente do que ocorre na Casa 2. 

A dodekatemoria de Júpiter está em queda na Casa 8, demonstrando que o Brasil terá um ano próspero comercialmente porque os nossos parceiros comerciais estão passando por uma crise - causado pelos conflitos no Oriente Médio e pela política externa norte americana.

E que notícias confirmam até agora esses fatos?

1. Júpiter na 2: Recordes no Agro e Lucros Bancários

A "exaltação" dos recursos materiais é visível nos dados de fechamento da safra e nos balanços financeiros de abril de 2026:

  • Recorde da Soja: As projeções da CONAB e do IBGE para a safra 2025/2026 confirmam que o Brasil atingiu um novo recorde histórico na produção de grãos, com a soja liderando o volume e o valor bruto de produção. O milho também apresenta desempenho excepcional, consolidando o Brasil como o "celeiro" que lucra em momentos de escassez global.

  • Bancos e Elites: Os balanços do primeiro trimestre (1T26) dos grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander) mostraram lucros líquidos que, somados, ultrapassaram os R$ 28 bilhões, um crescimento significativo em relação ao ano anterior. Isso corrobora a tese de que, enquanto a economia real patina, o topo da pirâmide financeira (Júpiter exaltado) prospera via juros e serviços.

  • Benefícios Módicos: Em 1º de maio de 2026, o governo anunciou o reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Embora apresentados com pompa, o ganho real é considerado "módico" por economistas, servindo apenas para manter o poder de compra básico das camadas menos favorecidas diante da inflação de serviços.

2. Júpiter rege a 7 e a 10: O Governante e os Parceiros

  • Casa 10 (Governo): O governo tem usado o superávit comercial gerado pelo agro para tentar equilibrar as contas públicas e manter programas de investimento. A figura do governante se beneficia da "sorte" jupiteriana de ter um setor exportador tão pujante, o que evita um colapso fiscal maior.

  • Casa 7 (Parceiros/Adversários): A diplomacia brasileira em 2026 tem focado em acordos bilaterais estratégicos, especialmente com o bloco do Sul Global, aproveitando a abertura de mercados que antes eram dominados por potências agora em crise.

3. Dodekatemoria na 8: Prosperidade via Crise Alheia

O Brasil está lucrando não apenas por mérito próprio, mas pela debilidade dos outros (Casa 8 - recursos dos outros/crises externas):

  • Conflitos no Oriente Médio: A escalada de tensões entre Irã e Israel e a instabilidade no Mar Vermelho em 2026 encareceram o frete global e a produção de energia em diversas regiões. O Brasil, sendo um exportador de alimentos e petróleo (Petrobras batendo recordes de exportação em março/abril), preenche o vácuo deixado por cadeias de suprimento rompidas.

  • Política Externa dos EUA: O endurecimento das taxas de juros americanas e o protecionismo comercial de Washington geraram uma fuga de capitais de mercados dependentes do dólar. O Brasil, com suas reservas cambiais robustas e produção física de alimentos (grãos), tornou-se um destino de "vôo para a qualidade" para investidores que buscam ativos reais em meio ao caos geopolítico.

  • A "Queda" na 8: Enquanto os parceiros comerciais enfrentam crises de dívida e inflação energética, o Brasil "bebe" desses recursos via balança comercial favorável. É a riqueza brasileira construída sobre a instabilidade externa.

Significador do governante - O lote real

O Lote Real é encontrado tomando a distância do Sol até a Lua e contando-se a partir do grau do Meio do Céu. Este ano, ele caiu aproximadamente em 10˚ Áries. É testemunhado por uma quadratura inferior de Júpiter e seu regente é Marte no 10˚ Signo.

Os regentes da triplicidade do Lote Real são, na ordem, o Sol e Júpiter. A primeira metade do ano será indicada pelo Sol, a segunda por Júpiter. As condições de ambos os regentes não são ruins, mas, representando a primeira metade, o Sol está em conjunção com um maléfico que ele recebe na sua exaltação, Saturno em Áries. Sol e Saturno são co-sectários, e o Sol recebe Saturno, que está fraco demais pela dignidade de queda. Isso indica o governante tentando fazer alguma coisa para encobrir as falhas de um ministro importante, indicado por Saturno em Áries na Casa 11. Soma-se a isso que Saturno rege a casa 9 (justiça e leis). Trata-se de uma representação muito convincente da rejeição à indicação de Messias como ministro do STF. 

A segunda metade do ano, para o governo, mostra uma bonança econômica e pode significar reeleição devido à excelente condição de Júpiter.

O Meio do Céu também é um significador do governante. Por estar num signo de água, seus regentes da triplicidade são, na ordem, Vênus e Marte. Vênus está em detrimento na casa 11 e Marte está em condição melhor no meio do céu. Portanto, o MC nos mostra a mesma coisa que o Lote Real: a primeira metade do ano será mais difícil para o presidente devido aos ministros - incluindo alguma figura feminina, representada por Vênus - em apuros. Vênus também rege a casa 5 este ano, significando que embaixadas ocorrerão em circunstâncias difíceis, ainda mais que Vênus rege conciliação e marte - regente do signo onde Vênus se encontra - significa exatamente isto: embaixadas em circunstâncias difíceis!

Como fatos que corroboram os posicionamentos dos regentes da triplicidade do meio do céu, temos:

Ministras femininas em apuros: O governo iniciou o segundo trimestre sob fogo cruzado por causa da gestão da crise de saúde e da área ambiental. Ministras como Nísia Trindade (Saúde) ou Marina Silva (Meio Ambiente) têm sido os alvos preferenciais do "fogo amigo" do Centrão e de falhas técnicas que geram desgaste público.

Embaixadas e Diplomacia (Vênus na 5): A situação diplomática do Brasil em 2026 é tensa. O país tem enfrentado "circunstâncias difíceis" com a escalada de conflitos no Oriente Médio e a pressão por posicionamentos mais duros, o que gera o efeito de "embaixadas em apuros". A conciliação (Vênus) está de fato enfraquecida diante de um Marte agressivo.

Vênus é regente do 5º signo (embaixadas) e está na Casa 11 (ministros). Teria alguma relação entre as dificuldades enfrentadas por alguma das ministras e as relações diplomáticas brasileiras? Sim. Embora a diplomacia seja tecnicamente da competência do Itamaraty, em 2026, a agenda ambiental tornou-se o principal motor da política externa brasileira. Marina Silva é o ponto focal de um detrimento venuziano (a incapacidade de conciliar ou de manter a harmonia):
  • O Problema da Gestão (Vênus na 11 - Casa dos Aliados/Congresso): A ministra enfrenta uma resistência feroz no Congresso. O modo como ela administra a pasta — muitas vezes vista como dogmática e resistente a acordos que envolvem exploração de recursos em zonas sensíveis — tem bloqueado pautas essenciais da base aliada.

  • O Impacto Diplomático (A "Embaixada Difícil"): As exigências rigorosas que ela impõe para a liberação de projetos de infraestrutura (como a exploração na Margem Equatorial) têm gerado tensão direta com parceiros comerciais. A percepção internacional é de que o Brasil tem uma "diplomacia paralela": enquanto o Itamaraty tenta vender uma imagem de abertura, o Ministério do Meio Ambiente impõe barreiras.

  • O "Modo" de Administrar: Ela é frequentemente criticada por não ceder, por manter uma postura de "isolamento" (o contrário da natureza sociável de Vênus). Em abril de 2026, isso culminou em episódios onde delegações estrangeiras, que buscavam acordos de investimento, deixaram o país frustradas, citando "falta de previsibilidade".

Conclusões

Os fatos mostram o poder que alguns planetas tem de fornecerem significados para os eventos mais importantes do ano. Para tanto, é necessário o princípio norteador do regente do ano. 

Acredito que seja necessário mais fatores para concluir se Lula se reelegerá ou não. Usando apenas os regentes da triplicidade do signo do Lote Real, sua condição é melhor no segundo semestre. Normalmente, a condição melhorada do governante no segundo semestre do ano é um sinal de continuidade. Em 2022, ano em que Bolsonaro não conseguiu se reeleger, o regente da triplicidade da segunda metade do ano era marte peregrino na casa 8.

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