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Square One

via-se dentro de uma névoa e era soldado medieval. Aqui era um herói de causas nobres e honradas.

Mas os fichas acabaram. E se dirigiu para a saída da LAN house. A luz forte do sol agrediu sua visão, e teve de visá-la com braço.

A cidade se descortinou a sua frente. Essa LAN possuía a vista mais bela, não fosse a sua solidão poderia compartihar dela com alguém.

Mal sabia ele que há um quilômetro de distância uma menina não tinha coragem de se matar. Ostentava fraqueza ao lado do vidro de Prozac.

Eram assim, lindos e tristes, ciosos de uma causa nobre e justa. Um brincava de guerreiro medieval, outra de Rapunzel. Chorava de si no alto de uma torre de marfim.

Ela

Ela veio de uma luz elétrica e vários pontos quadriculados formaram uma figura antes do piscar. Bela. Hesitei.

Num segundo a luz e o som se fundiram numa angústia do não-ter. Pronto, estava de novo naquela estrada que não leva a lugar algum, mas onde se pára em alguma margem para gozar. E o quanto desejou compartilhar desse gozo com essa figura, esse perfume digital que ressaltava das formas suaves e dissimuladas, pensou em quantos homens morreram e renasceram só de vislumbrar essa possibilidade. Quanto maior a multidão de homens sentia ao seu redor, mais muçulmano na meca se sentia, mas numa meca bizarra, a adorar uma deusa pagã, de mil bocetas e seios, uma imagem irrepresentável pelo escultor, o cheiro mais doce dos incensos desse mundo. E a vida sem ela agora não passava de bossa nova, menino de calças compradas no alfaiate vendo a bela dona rica passar.

Sua mão segurava o falo imaginado. A potência máxima a se oferecer para ser devorado em suas entranhas lubrificadas. Via uma face …
Tinha de ser sempre assim, um ciclo de dor e luz, a iluminação das causas criadas, com o intuito de se traçar um caminho até algum abcesso moral e psicológico que nunca chegara.

Tinha de ser a dor, o lamento, a perda do que nem chegou a se conquistar, a lamúria, a menos valia, o rancor dos felizes, o ranger de dentes, o chicote sobre até o que lhe salva, para um dia surgir uma esperança de sair do front sem levar uma bala. Tímida, cambaleante menina que ganha um vestido de chita de natal.

Odeio ser assim sendo. E sigo torturosamente a agrura de se ver todos os dias de uma câmera. Observar, castigar, punir, inativar-se, tornar-se frio, seco, estéril e desprognosticado. Diminuir os movimentos de todas as moléculas de meu corpo, a ponto de chegar ao zero absoluto, e se os senhores de indagarem porque o escritor não irrompe o silêncio com uma bala da cabeça este dirá que somente a vida em seus anseios mais insondáveis insiste em pulsar. A vida, enquanto palavra descarnada se apega a algum…

o dono da palavra

Quem detém o direito de dizer as palavras? Aleatoriamente, aléias de palavras se alinham frente ao cortejo de uma dor. Mas um dia alguém ridicularizou o cortejo de uma dor pomposa, imperial, e se entregou aos caprichos de uma puta insofismável no porto onde não se vislumbra mais nada além do mar. Puta dor. A existência perdeu sua coroa, cravada de Platãos, Aristóteles e Paulos, Agostinhos e Manilli. E vergonhosamente o poeta se orgulha de citá-los, pois hoje os jeitinhos alcançaram seu posto ao lado da filosofia e da poesia, e flertam-se assumidamente. A confusão entre jujubas rock e tartes de minuetos.

Sustentando as vísceras remexidas com a última verdade, continuo a escrever com alguma persistência, calcada na esperança de que o sustentar de um lento gozo é possível. Espero o aplauso passivamente, e dolorosamente sei residir nessa expectativa o recomeço de um lento ciclo da purificação de um brâmane que vê a miséria do alto de sua murada. De vislumbrar todos os gozos possíveis, até …

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Pensou nos dias de seus pais, em um instante eternizado ritalee cantava "pra onde eu vou..." e as pessoas eram felizes, mas havia a angústia da morte sondando a todos, e os risos tornavam-se debilóides, um rir sem razão, frente a um medo infantil do desconhecido. O riso sugeria, vamos comprar um doce na esquina e entrar em decomposição, diziam as calças boca-de-sino, os cortes de cabelo, as ilusões sem pé nem cabeça, o infeliz cantando "segura na mão de deus e vaaaai"...

A travessia começou. A música batia na mesma tecla, "pra onde eu vou", pra onde eu vou, pra onde eu vou, lembrou da travessia dos heróis mitológicos, mas era simplesmente a travessia rotineira da baía, entre duas cidades banais.

Sozinho com seu irmão ao lado, restava um debilóide, um aleijado mental do qual se condoía, chorava pelos cantos miserável de si. Chorava de si. Vazio vazio vazio.

leveza plúmbea

Chega a hora da verdade. Mostre sua vontade, corra um risco tremendo. Sua posição, seu sim, seu não, encrava nos desejos de uns, despedaça os dos outros. Ouça-os claramente. Ouviu? Agora grite, torne sua alma surda. Grite até chegar naquele limiar em que a voz vacila.

Após a esporralha (neologismo?..), um silêncio denso de um cansaço profundo, sorriso cansado, a fronte se move como as sombras no dissipar das nuvens, ao emergir o sol.

Demorou tanto para ser... um imenso vazio me apetece. A partir de hoje farei o quê? Decidiu comer os dias tal qual as lagartas comem as folhas, da mesma forma que as formigas as carregam, leveza plúmbea. Relógio de sol, sinal estático de movimento.

As minguadas oportunidades de inclusão digital do escritor do blog

Realmente, o título é uma denúncia de um garoto de classe média aos maus tratos a que a exclusão digital lhe relega! Um ultraje!

Brincadeiras e mimos à parte, escrever nesse blog é uma oportunidade de ouro. É muito difícil achar um computador vazio na faculdade, no qual você possa entrar sem a culpa de tirar a oportunidade de alguém que poderia estar precisando dele, para fazer um trabalho ou uma pesquisa de internet. Aí você descobre os privilégios de ser monitor. Isto porque, se você tem um departamento com dois computadores razoáveis, e geralmente vazios, pode se deliciar com a tentadora oportunidade sempre a um andar de distância de sua sala de aula...

Mas as coisas não são como parecem. Existem períodos em que o departamento lota, as reuniões de pesquisa preenchem as salas - e os computadores... Você, que criou um afeto e um costume de visitar a máquina regularmente, precisa controlar seu ciúme, e aceitar que as pessoas fazem coisas nele mais úteis que seu blog - ou seu emulador de…

bloqueios mostram que você não é escritor!

Todos possuem geralmente uma sensação de não dispor de grandes idéias quando tem a oportunidade de desfrutar por um breve instante dos meios de criá-las. O inconsciente é safado.

Comigo não é diferente. Tenho idéias e sensações que gostaria de exprimir aqui. Cadê elas quando sento na frente do computador da faculdade?

Ai, minha linguagem tá muito como-era-antes.

Todavia, pensei agora numa idéia interessante para post. Publicá-la-ei num tópico à parte.

bitelo

Agora o blog vai ser psicoléxico de verdade. Vocês terão acesso ao vernáculo familiar obscuro da família Tinoco.

O verbete "bitelo" designa uma qualidade de comer muito, ou de se mostrar aproveitador de uma situação, não necessariamente desonesta. Se você visita tia Mariquinha e come grande parte da tigela de bolinhos de chuva oferecida por ela, pode vociferar, brincando:

-BITELO! Tá gostando dos bolinho!

Então perpassa em "bitelo" o oportunismo bem recebido, pois a tia se alegra em lhe fazer um agradinho (isto é, se ela lhe espera...) e você tem um verdadeiro tesão bucal em devorar os bolinhos de chuva.

A princípio, eu relacionava "bitelo" ao oportunismo instintivo, pois em todas as situações que eu escutara tal verbete, ele fazia menção a comida ou ao sono. Depois perebi que bitelo, sem dúvida, sempre tende ao oportunismo, mesmo que indiretamente você o realize visando a agraciação instintiva.

BITELO!

Data da reformulação do blog

Esse blog já foi todo desconjuntado e agora está do jeito que eu quero. Sua reformulação deu-se no dia do post "muda, não semente", às 11:45 am. Horário de sol na casa dez pode dar certo, hein?! (depois eu explico).

Agora ele é verde e se assumiu como diário, embora um diário público é a última coisa que faria. É "diário" porque reflete algumas coisas que pensei durante a semana, e como "semanário" fica estranho, resolvo com "diário".

É verde porque "green is the color". Essa não vou explicar, tem que conhecer pink floyd...

(color ou colour? Gente, esqueci!)

medinhos e medões

tenho o medinho do leitor tomar algumas coisas que escrevo como ridículas. De fato, proteger-me disso não implica que o leitor possa vir a achá-las.

Por isso que algumas pessoas se protegem gritando um FODA-SE sonoro a tudo e a todos.

Meu medão? Não tenho nenhum pra compartilhar assim, agora... Te conheço!?

A autópsia da múmia

É o nome de um programa do Canal Discovery.
Nele você pode assistir coisas do gênero: "Esta múmia viveu em 250 d.C. porque o Carbono 14 vaticinou".
Eu escuto veredictos como esse todos os dias. "Esse tumor é um ependinoma porque a sinaptofisina é positiva." Entendeu?
Isso, na linguagem da verdade de Enéas, semiótico inveterado, representa: Calma, a ciência nos dá certeza que é assim, então foi assim que aconteceu. Pode ficar tranqüilo.

Variações:

"Calma, Deus está conosco"
"Calma, temos seguro de vida"
"Calma, temos plano de saúde"
"Calma, moramos nas montanhas" (em caso de onda gigante do estilo "impacto profundo")
"Calma, eu uso camisinha"
"Calma, temos um lençol freático" (caso a água acabe)

toddynho

Um sensação lhe inunda a boca. Leite. Apreciar o gosto longo do leite. O tato do pálato é todo coberto em sua extensão, o leite o cobre maternalmente para então espremer-se entre fossas abaixo da língua que lhe recebem plenas de dor. A dor das glândulas esguichando saliva. O doce e o amargo, como dizia Secos e Molhados, indistintamente. E o todynho se esvai como quem chega, mas seu mascote continua sorrindo pra mim na caixa já amassada. Bombeio os últimos goles do néctar e sinto-o areado pela pressão. O todinho acabou e não quero aceitar.

pimenta fugidia

Criam a criança, criam santidade
Sugando a gana triste da Trindade.

Calavas em vão nos vãos da porta
Espiando a festa entre as frestas

E aumentava o tédio do veneno
E a menta lhe esfriava a garganta
Da pimenta fugidia deglutida

(Se você soubesse que sou à beça)

muda, não semente

Prefiro muda, porque semente soa você-mente.

O blog cresceu,está verde-jante. Jante o manjar do cale-se, se o calar é ouvido vide a palavras que lavras dessa canja!

a sinopse é pequena e a postagem biônica, porque automática, sem devaneios. o blog é psicoléxico porque devaneios exigem a presença da lucidez para jogálas nas fossas obscuras da inquisição lingüística.

Um beijo a todososamigosdopeitoquelêemesteblog

Prometo poesias. Prometo raiva da donzela pragmática que amo. Pró-meto, prenuncio antes de meter.

Espero que esse blog seja uma gostosa trepada.

diálogo com o leitor

Gostaria de deixar aqui meu e-mail para que o leitor possa se corresponder comigo de um modo mais eficiente, já que os posts não podem ser comentados no momento.

Enquanto tento resolver esse problema pela terceira vez vocês podem mandar e-mails para dialogarem comigo no endereço

plantaleao@yahoo.com.br

Espero que usufruam do espaço para réplicas, críticas e elogios, que me farão muito bem, obrigado.

Aprendendo a escolher

Desde criança eu tinha a resposta automática de ser médico quando crescer.

É claro que as escolhas de uma criança tendem a mudança, pela sua impossibilidade. Eu também falava que queria ser maquinista de metrô. Do mesmo modo, acredito que a criança que queria ser médico não é o mesmo rapaz que ingressou, com 19 anos, na Faculdade de Medicina.

Com onze anos de idade, antes de escolher essa carreira, eu comecei a desenhar. Com dezessete anos, em vias de ingressar no primeiro vestibular, tive muita dúvida entre desenho industrial (pois tinha descoberto as maravilhas do designer) e medicina. Meus pais me presentearam com a liberdade e o apoio na carreira que escolhesse, presente este que veio numa caixa de Pandora, porque ao ser aberto, revelou que todas as dúvidas decorrem de mim mesmo, e não por pressão de outrem.

Ao me perguntarem se uma pessoa deve ter sempre certeza do que faz, diria que isso é impossível. De fato, assim como ser maquinista de metrô, estar sempre certo é uma impossibili…

A ocidentalização do Mangá

Paira sobre alguns desenhistas brasileiros a crença de que a anatomia dos personagens de mangá reflete o biotipo da mulher e do homem japonês. Eu concordo em parte com essa afirmação, porque para que o leitor se identifique com a história você precisa recriar a figura do "homem comum", que represente as angústias e alegrias de seu país, sua geração, faixa etária ou de quem tem um problema, seja ele social, sexual, ou de saúde.
Na criação desse homem comum, estabelece-se um biotipo e uma indumentária peculiar, que reflita o grupo do qual ele pertence.

Como exemplo do que foi exposto podemos citar keitarô, o protagonista de Love Hina, que tem as características típicas da figura construída do japonês adulto jovem: franzino, cabelos lisos, óculos grandes e retangulares, roupas em tom pastel, geralmente calça e camisetas com ou em estampas.

Apesar de se buscar essa identificação, a cultura japonesa entra em interseção com culturas estrangeiras, estabelecendo uma teia de opções que…

Eu desenho Mangá

Tudo que li de astrologia até hoje eu posso jogar fora. A cabeça muda, os hábitos e livros idem. Persiste, contudo, uma idéia fixa de, através dos elementos esotéricos que disponho, criar um roteiro de mangá. Neste texto vou falar um pouco da minha visão sobre esse estilo. Gosto muito de mangá; não sei se deixo isso transparecer em meus escritos. Sempre desenhei dessa forma. É a coisa simples mais difícil que já fiz. Um mangá engana muito quem o assiste, pois à primeira vista os desenhos são simples. Quem se embrenha por esse estilo chega a uma conclusão diferente. É muito tênue a diferença entre um braço sinuoso, bonito, esguio, e outro com saliências que não existem, com um traço espesso, feio às retinas. Há quem diga que devemos perceber as formas ao nosso redor para desenharmos bem. Pois eu lhes digo que o mangá em alguns momentos faz o olhar do observador aceitar piamente formas não humanas. A escola da observação dá lugar, após anos de aprendizado, a um estilo próprio que, mais ev…