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Postagens

As minguadas oportunidades de inclusão digital do escritor do blog

Realmente, o título é uma denúncia de um garoto de classe média aos maus tratos a que a exclusão digital lhe relega! Um ultraje!

Brincadeiras e mimos à parte, escrever nesse blog é uma oportunidade de ouro. É muito difícil achar um computador vazio na faculdade, no qual você possa entrar sem a culpa de tirar a oportunidade de alguém que poderia estar precisando dele, para fazer um trabalho ou uma pesquisa de internet. Aí você descobre os privilégios de ser monitor. Isto porque, se você tem um departamento com dois computadores razoáveis, e geralmente vazios, pode se deliciar com a tentadora oportunidade sempre a um andar de distância de sua sala de aula...

Mas as coisas não são como parecem. Existem períodos em que o departamento lota, as reuniões de pesquisa preenchem as salas - e os computadores... Você, que criou um afeto e um costume de visitar a máquina regularmente, precisa controlar seu ciúme, e aceitar que as pessoas fazem coisas nele mais úteis que seu blog - ou seu emulador de…

bloqueios mostram que você não é escritor!

Todos possuem geralmente uma sensação de não dispor de grandes idéias quando tem a oportunidade de desfrutar por um breve instante dos meios de criá-las. O inconsciente é safado.

Comigo não é diferente. Tenho idéias e sensações que gostaria de exprimir aqui. Cadê elas quando sento na frente do computador da faculdade?

Ai, minha linguagem tá muito como-era-antes.

Todavia, pensei agora numa idéia interessante para post. Publicá-la-ei num tópico à parte.

bitelo

Agora o blog vai ser psicoléxico de verdade. Vocês terão acesso ao vernáculo familiar obscuro da família Tinoco.

O verbete "bitelo" designa uma qualidade de comer muito, ou de se mostrar aproveitador de uma situação, não necessariamente desonesta. Se você visita tia Mariquinha e come grande parte da tigela de bolinhos de chuva oferecida por ela, pode vociferar, brincando:

-BITELO! Tá gostando dos bolinho!

Então perpassa em "bitelo" o oportunismo bem recebido, pois a tia se alegra em lhe fazer um agradinho (isto é, se ela lhe espera...) e você tem um verdadeiro tesão bucal em devorar os bolinhos de chuva.

A princípio, eu relacionava "bitelo" ao oportunismo instintivo, pois em todas as situações que eu escutara tal verbete, ele fazia menção a comida ou ao sono. Depois perebi que bitelo, sem dúvida, sempre tende ao oportunismo, mesmo que indiretamente você o realize visando a agraciação instintiva.

BITELO!

Data da reformulação do blog

Esse blog já foi todo desconjuntado e agora está do jeito que eu quero. Sua reformulação deu-se no dia do post "muda, não semente", às 11:45 am. Horário de sol na casa dez pode dar certo, hein?! (depois eu explico).

Agora ele é verde e se assumiu como diário, embora um diário público é a última coisa que faria. É "diário" porque reflete algumas coisas que pensei durante a semana, e como "semanário" fica estranho, resolvo com "diário".

É verde porque "green is the color". Essa não vou explicar, tem que conhecer pink floyd...

(color ou colour? Gente, esqueci!)

medinhos e medões

tenho o medinho do leitor tomar algumas coisas que escrevo como ridículas. De fato, proteger-me disso não implica que o leitor possa vir a achá-las.

Por isso que algumas pessoas se protegem gritando um FODA-SE sonoro a tudo e a todos.

Meu medão? Não tenho nenhum pra compartilhar assim, agora... Te conheço!?

A autópsia da múmia

É o nome de um programa do Canal Discovery.
Nele você pode assistir coisas do gênero: "Esta múmia viveu em 250 d.C. porque o Carbono 14 vaticinou".
Eu escuto veredictos como esse todos os dias. "Esse tumor é um ependinoma porque a sinaptofisina é positiva." Entendeu?
Isso, na linguagem da verdade de Enéas, semiótico inveterado, representa: Calma, a ciência nos dá certeza que é assim, então foi assim que aconteceu. Pode ficar tranqüilo.

Variações:

"Calma, Deus está conosco"
"Calma, temos seguro de vida"
"Calma, temos plano de saúde"
"Calma, moramos nas montanhas" (em caso de onda gigante do estilo "impacto profundo")
"Calma, eu uso camisinha"
"Calma, temos um lençol freático" (caso a água acabe)

toddynho

Um sensação lhe inunda a boca. Leite. Apreciar o gosto longo do leite. O tato do pálato é todo coberto em sua extensão, o leite o cobre maternalmente para então espremer-se entre fossas abaixo da língua que lhe recebem plenas de dor. A dor das glândulas esguichando saliva. O doce e o amargo, como dizia Secos e Molhados, indistintamente. E o todynho se esvai como quem chega, mas seu mascote continua sorrindo pra mim na caixa já amassada. Bombeio os últimos goles do néctar e sinto-o areado pela pressão. O todinho acabou e não quero aceitar.

pimenta fugidia

Criam a criança, criam santidade
Sugando a gana triste da Trindade.

Calavas em vão nos vãos da porta
Espiando a festa entre as frestas

E aumentava o tédio do veneno
E a menta lhe esfriava a garganta
Da pimenta fugidia deglutida

(Se você soubesse que sou à beça)

muda, não semente

Prefiro muda, porque semente soa você-mente.

O blog cresceu,está verde-jante. Jante o manjar do cale-se, se o calar é ouvido vide a palavras que lavras dessa canja!

a sinopse é pequena e a postagem biônica, porque automática, sem devaneios. o blog é psicoléxico porque devaneios exigem a presença da lucidez para jogálas nas fossas obscuras da inquisição lingüística.

Um beijo a todososamigosdopeitoquelêemesteblog

Prometo poesias. Prometo raiva da donzela pragmática que amo. Pró-meto, prenuncio antes de meter.

Espero que esse blog seja uma gostosa trepada.

diálogo com o leitor

Gostaria de deixar aqui meu e-mail para que o leitor possa se corresponder comigo de um modo mais eficiente, já que os posts não podem ser comentados no momento.

Enquanto tento resolver esse problema pela terceira vez vocês podem mandar e-mails para dialogarem comigo no endereço

plantaleao@yahoo.com.br

Espero que usufruam do espaço para réplicas, críticas e elogios, que me farão muito bem, obrigado.

Aprendendo a escolher

Desde criança eu tinha a resposta automática de ser médico quando crescer.

É claro que as escolhas de uma criança tendem a mudança, pela sua impossibilidade. Eu também falava que queria ser maquinista de metrô. Do mesmo modo, acredito que a criança que queria ser médico não é o mesmo rapaz que ingressou, com 19 anos, na Faculdade de Medicina.

Com onze anos de idade, antes de escolher essa carreira, eu comecei a desenhar. Com dezessete anos, em vias de ingressar no primeiro vestibular, tive muita dúvida entre desenho industrial (pois tinha descoberto as maravilhas do designer) e medicina. Meus pais me presentearam com a liberdade e o apoio na carreira que escolhesse, presente este que veio numa caixa de Pandora, porque ao ser aberto, revelou que todas as dúvidas decorrem de mim mesmo, e não por pressão de outrem.

Ao me perguntarem se uma pessoa deve ter sempre certeza do que faz, diria que isso é impossível. De fato, assim como ser maquinista de metrô, estar sempre certo é uma impossibili…

A ocidentalização do Mangá

Paira sobre alguns desenhistas brasileiros a crença de que a anatomia dos personagens de mangá reflete o biotipo da mulher e do homem japonês. Eu concordo em parte com essa afirmação, porque para que o leitor se identifique com a história você precisa recriar a figura do "homem comum", que represente as angústias e alegrias de seu país, sua geração, faixa etária ou de quem tem um problema, seja ele social, sexual, ou de saúde.
Na criação desse homem comum, estabelece-se um biotipo e uma indumentária peculiar, que reflita o grupo do qual ele pertence.

Como exemplo do que foi exposto podemos citar keitarô, o protagonista de Love Hina, que tem as características típicas da figura construída do japonês adulto jovem: franzino, cabelos lisos, óculos grandes e retangulares, roupas em tom pastel, geralmente calça e camisetas com ou em estampas.

Apesar de se buscar essa identificação, a cultura japonesa entra em interseção com culturas estrangeiras, estabelecendo uma teia de opções que…

Eu desenho Mangá

Tudo que li de astrologia até hoje eu posso jogar fora. A cabeça muda, os hábitos e livros idem. Persiste, contudo, uma idéia fixa de, através dos elementos esotéricos que disponho, criar um roteiro de mangá. Neste texto vou falar um pouco da minha visão sobre esse estilo. Gosto muito de mangá; não sei se deixo isso transparecer em meus escritos. Sempre desenhei dessa forma. É a coisa simples mais difícil que já fiz. Um mangá engana muito quem o assiste, pois à primeira vista os desenhos são simples. Quem se embrenha por esse estilo chega a uma conclusão diferente. É muito tênue a diferença entre um braço sinuoso, bonito, esguio, e outro com saliências que não existem, com um traço espesso, feio às retinas. Há quem diga que devemos perceber as formas ao nosso redor para desenharmos bem. Pois eu lhes digo que o mangá em alguns momentos faz o olhar do observador aceitar piamente formas não humanas. A escola da observação dá lugar, após anos de aprendizado, a um estilo próprio que, mais ev…

falando ao leitor

Tantas coisas percebo ao meu redor... Gostaria de levar meu blog pendurado no pescoço. Também gostaria de poder ouvir meus leitores. Aos seis que seguramente já leram este blog (deixe-me ver... Marina, Regina, PH, Giselle, Clarissa, Camila...) peço desculpas por não conseguir efetuar uma maneira de permitir comentários. Só tenho a dizer não depende mais de mim. Críticas, desde que não massacrantes, são bem-vindas. Não quero definir critérios de massacre. Acho o grupo de leitores homogêneo o bastante para crer que as críticas serão bem construtivas. Criticar é melhor que construir? Os dois são bem legais.

encargos dessa vida

Estou em uma fase de integração à faculdade nunca dantes vista. Só houve algo parecido no primeiro período, no qual, após sucessivas desilusões com a falta de praticidade das questões levantadas em aula, me sentia completamente desanimado, inclusive a montar um C.R. decente, que é construído mais facilmente nos primeiros períodos. Entretanto, isso não basta. Por mais que os professores percebam seu interesse, sua nota reflete o quanto você se lembra dos conceitos, em quantidade suficiente para tirar 6,0 ou mais em prova. O fato é que, após vários dias sem ter tocado em um livro não-didático de minha preferência, por ter estudado para duas provas, estou a poucos dias de uma prova de endocrinologia, teclando nesse blog. E tenho que estudar. Poucas coisas são justas nessa vida quando somos imediatistas, eu sei. p.s.: aos eventuais leitores da medicina: o cr só serve pra você não fazer aquele internato eletivo que você queria, ou ficar atrás na lista dos melhores plantões. Não se preocupem co…

meu amigo otimista

Você, que vive despretensiosamente, com calma, sem fazer alarde, deve ter um amigo como o meu, que passa por coisas que ele acha dificílimas, que são um sacrifício, etc. e tal. Ele gosta de falar daquele jeito "meudeusdocéu como sofro nessa faculdade" quase deve gozar com isso, principalmente diante de três ou mais pessoas que são do mesmo período que o dele. Os enforcados morrem suspensos.

Só teremos perspectiva de mercado cinco anos depois de formados, que médico é como sal, barato e tem em qualquer lugar, cinquenta e tantos por cento dos médicos se concentram no Sudeste, a residência tem de fazer 60 horas por semana, você ganha R$ 1.440 mas isso é uma ajuda de custo que não passa pelas leis trabalhistas, a solução é ir para o interior mas eles te prometem um salário de R$ 30.000 e você não recebe, enfim, um martírio.

Quão humilde é o médico! Desprovido de ambições e paixões, luta duro, na lida do dia-dia, despretensiosamente, apenas pelo prazer de ajudar o próximo! Oh! Bra…

o desterro sombrio da alma

Em seus sonhos repetitivos, permanecia a idéia de perseguição. Mas ele tinha exata certeza do tipo de perseguição que insistia, pegajosa. Não a idéia elaborada e fantasiosa das paranóias, mas uma constante autocrítica que sonda até as inescrutáveis extensões da vida; cada gesto, cada frase, cada olhar, cada pensamento, cada escrito, tudo passava em revista por essa voz superior, solene, masculina, que imperava sobre ele e lhe ditava sua sentença milimétrica e paradoxal: ora elogios calorosos que lhe transbordavam e lhe ditavam os passos de uma fanfarra maníaca, ora abismos de culpa, onde sabia que homem algum chegara antes, uma dimensão solitária e angustiante, no desterro sombrio da alma.

A casa vazia

Ao ver meus amigos veteranos pululando conhecimento médico, sinto-me tão atrasado que começo a pensar porque há tanta exigência se não há esforço da minha parte. Estou a par de muitas questões acerca do ensino médico; seus paradoxos, suas deficiências, seu limite. Talvez me certifique de tudo isso pelo simples fato de ser um aluno medíocre, e queira me armar contra um superego gigantesco. A promessa de ser um médico mais humano não deve se contrapor ao fato de se saber muito. O saber não transforma ninguém num robô, mas o modo como apreendê-lo sim. Nesse último episódio de Star Wars, George Lucas retratou os médicos que realizaram o parto de Padme como robôs. Eles captaram o que ela queria: "ela não quer mais viver", foi o que um deles disse a Obi wan Kenobi. Foi o primeiro robô médico, caridoso e preocupado com a essência de um ser humano que eu já vi no cinema (o menino de AI não era médico!). Fora da sala de partos, fora do centro hospitalar, talvez eles fossem desligados, …

as preferências musicais de plantaleão

Adoro rock progressivo e psicodélico.

Importante diferenciá-los, porque o psicodélico antecede o progressivo, pra quem não sabe. (Vou fingir que ninguém sabe de nada, e assim darei meu ponto de vista...)

Tecnicamente falando, o progressivo possui músicas de longa duração (mais de dez minutos), com submúsicas incluídas dentro dessa música enorme, tal qual os andamentos de uma sinfonia. As "submúsicas" geralmente tem pouca relação. Aí que está: poderiam ser encaradas separadamente, se não fossem tocadas em conjunto. Essa é a impressão que tenho. Ainda assim, nota-se um senso de conjunto. Esses andamentos do rock, ao invés de se chamarem allegro e andantino, recebem nomes estranhos, como funky dung (esterco funk) e mother fore (focinho da mãe), a depender da imaginação da banda.

O psicodélico envolve sons variados, bizarros, combinações contrastantes obtidas de instrumentos como apitos e chocalhos (Bike), bem como o arranjo desorganizado das composições; os tons reunidos sem rel…

Reverendo RR Soares, professor de ortopedia e pastor nas horas vagas

O professor que está me dando aula é a cara do reverendo RR Soares, não só a cara mas como também o jeito de falar.

Pena eu não dispor da foto dele para vocês conferirem. Também não encontrei uma maneira de mandar a foto do RR Soares: deu problema no picasa.

O que mais me irritava nele é o modo como conseguia passar de um assunto ao outro sem que percebamos. Que ódio!

Aos professores que conheçam o blog: tenham sensibilidade! Tenho às vezes a nítida impressão de que muitos de vocês dão aula pras paredes!