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Como fazer previsões precisas em horárias? [PARTE 2]

Você viu aqui minha epopeia astrológica para saber quando meus livros chegarão. Após uma primeira previsão certeira, deve estar pensando se a minha segunda previsão se concretizou ou não.

Sendo sucinto: não.

Eu não recebi o livro Carmen Astrologicum no dia em que previ. Escrevi que seria na segunda passada, dia 26 de junho. Não aconteceu nada neste dia.

Não vou esticar as regras que usei para me justificar. Errou, errou.


3 dias depois, ainda não recebi o maldito livro - o que me motivou a procurar perspectivas diferentes sobre o tema para responder à bendita questão.

Então me deparo com o site RubiCon, organizado pela velha conhecida Nina Griphon, uma astróloga obcecada por horária e astrologia tradicional como eu (ela mistura urano, netuno e plutão à interpretação clássica - coisa pra qual eu torço o nariz - mas no geral tem ideias que coadunam bem com a tradição).

O RubiCon, na verdade, é uma espécie de audibly de palestras de astrologia.

Para quem não entendeu a comparação: audibly é a plataforma de venda de audiolivros da Amazon. O RubiCon vende não propriamente audiolivros, mas palestras de astrologia, dos mais variados temas, em áudio e vídeo, mas em inglês, meu caro monoglota teimoso em não aprender inglês em pleno século XXI.

Quem tiver essa ideia no Brasil não vai ficar rico como o Jeff Bezos (dono da Amazon), mas pode ganhar um dinheiro decente. Uma sugestão pro Espaço do Céu, Gaia e Regulus, dentre outras escolas de astrologia: levantem seus traseiros e façam conteúdo para internet, por favor!

Mas eu me desviei do tema principal. Desculpem.

No RubiCon, deparei-me também com a excelente aula de timing em horárias do astrólogo pouco conhecido em terras tupiniquins Wade Caves.

A professora de Caves fala por ele. Trata-se da Deborah Houlding, astróloga dona do site Skyscript, que há alguns anos atrás tinha simplesmente o melhor fórum de astrologia clássica, onde testemunhei Steven Birchfield sambando na cara da sociedade astrológica com suas interpretações certeiras das mistery charts - mapas cuja identidade do dono eram desconhecidas.

Essa aula me fez observar coisas que não tinha levado em conta na hora de fazer o timing da minha segunda horária. E é isso que vou compartilhar com vocês agora.

Não tudo, porque isso aqui deixaria de ser uma postagem de blogue para virar um artigo de mais de vinte páginas!

A urina de John Pym e o “planeta interficiente” de William Lilly

Pediram pra William Lilly analisar a urina de John Pym, membro do parlamento que estava doente - procedimento banal dos astrólogos e médicos da época. (Geralmente, a pessoa exercia ambos os ofícios).

A hora e o local em que o astrólogo recebia a urina era usada no mapa chamado decumbitura, basicamente uma horária com finalidades médicas, usada para definir o prognóstico do doente.

A decumbitura depende imensamente de timing - afinal de contas, é muito importante saber quando a pessoa morreria ou se curaria. Bom, se eu estivesse doente, gostaria de saber!

Como se pode ver nessa figura, Lua era o regente do ascendente, o que facilita muito as coisas. Ela estava a 7º de distância da sua combustão do Sol, considerado um sinal de morte.

(embora o mapa mostre 6º, o parâmetro usado por Lilly foi de 7º. Ainda estou tentando entender essa diferença, penso que seja a paralaxe ou outro cálculo moderno da lua)

A priori, era para Lilly considerar 7º = 7 dias (não vamos abordar aqui o raciocínio que levou Lilly a considerar que seriam dias ao invés de semanas, meses ou anos) e concluir que, uma semana depois, John Pym morreria. Só que ele veio com uma pérola, que descrevo a seguir:

…Mas ao perceber que a Lua, no sétimo dia, não veio a se encontrar com nenhum planeta interficiente, disse que seriam 8 dias; e assim foi.

O que seria o planeta interficiente? Talvez essa palavra nem exista na língua portuguesa. Esse neologismo descreveria um planeta que tivesse relação com a questão e que ditasse o timing do dia da morte.

O planeta interficiente, nessa questão, foi Saturno. Isto porque, no oitavo dia, a lua ingressa em Áries e dá de cara com ele no primeiro grau.

Saturno não rege nenhuma casa que tenha a ver com a questão, mas ele é maléfico, e isso, por si só, basta para que o mesmo seja relacionado a uma questão de doença.

No dia anterior, a lua estava em Peixes. Nesse signo, não havia nenhum planeta, tampouco algum que tivesse a ver com a questão. Marte estava em quadratura com Peixes, mas isso foi entre o sexto e o sétimo dias, quando o prazo ainda não tinha acabado.

Parece que a regra é clara. Não havendo planeta interficiente no signo onde a lua estiver no dia prometido pela orbe do aspecto, seria interessante considerar os próximos signos que abrigassem esse tal planeta - ou, pelo menos, um aspecto do mesmo.

Voltando para minha horária que errei - mas que ainda posso acertar:


Não vou dizer os detalhes ainda, mas guarde o que vou falar para jogar na minha cara se eu errar novamente.

Usando o conceito do planeta interficiente de William Lilly, há uma grande chance de receber o livro depois de amanhã, na próxima sexta-feira.

Na próxima semana, vou explicar meu raciocínio - errando ou acertando!

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