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quando começar a cobrar?

Resposta direta: quando você precisar cobrar e/ou quiser se dedicar a isso.

Não existe um momento específico de começar a se chamar de profissional. Para diferenciá-lo dos picaretas, é claro que existe um conhecimento mínimo que você deve saber (12 signos, 12 casas e 7 planetas e suas interpretações). Após saber isso e ver alguns exemplos de mapas, qualquer mapa que você interpretar pode ser uma ajuda que presta a outro ser humano, de modo a aliviar sua ansiedade (ou aumentá-la, se você não for sábio ou a pessoa sofrer de ansiedade generalizada). Porque a astrologia, num mundo onde a ciência tomou seu lugar, serve basicamente pra isso: aliviar a ansiedade das pessoas, colocando-as no seu devido lugar dentro do cosmos.

Se eu quero saber se o recém nascido vai sobreviver, eu não preciso mais ver o mapa natal da criança, porque já existe ultrassom e a ciência já nos deu vários parâmetros para medir a vitalidade fetal. E o exemplo do feto apenas é um dentre milhares que só nos provam uma coisa: astrologia não é essencial, no sentido de ser um item de primeira necessidade. Saindo dos domínios da ciência moderna, contudo, ela pode ser utilíssima: mostrar o sentido da vida de alguém por exemplo, nem o mais renomado cientista é capaz de fazê-lo, pois esta não é uma pergunta científica. A astrologia pode dar pistas claras disso.

Na comunidade astrológica, existe um movimento tímido para exigir alguma qualificação do astrólogo, algum teste de proficiência. O sinarj fazia um teste para isso que envolve, além da avaliação dos cálculos de mapas, a avaliação das técnicas de interpretação (não consegui mais achar o teste no site, talvez não se faça mais ou eles não o divulgam). Esse é um teste para que a pessoa faça parte do Sinarj, e por motivos óbvios: qualquer picareta pode se autoproclamar astrólogo e sair por aí vaticinando impropérios, e ainda querer se filiar ao Sindicato. E abrigar um picareta mancha a imagem de qualquer instituição.

Há pessoas que desejariam estender as aplicações dos testes de proficiência para além dos domínios dos sindicatos, mas eu não sei como isso seria realizado. Qualquer teste de proficiência na astrologia será incompleto, pois não se consegue abarcar todas as astrologias. Até mesmo dentro da astrologia tradicional, existem discordâncias, que vão das mais sutis até as mais grosseiras, capazes de mudar a interpretação radicalmente. Ou seja: pro Sinarj, eu posso ser capaz de praticar astrologia, mas Robert Zoller (um dos maiores praticantes de astrologia tradicional ainda vivos e que tinha um curso com seu nome) pode discordar disso. E vice-versa!

Um argumento contrário a isso seria o de que os testes são sim adequados para se mensurar o conhecimento de um astrólogo sobre uma determinada escola de astrologia. Isso é verdadeiro para uma ou duas escolas: para a maioria, ainda NÃO há teste de proficiência. Então, um belo dia, o astrólogo que for desses ramos terá de dar o primeiro passo, sozinho, rumo à profissionalização. E o que mais dá medo nas pessoas que estudam astrologia é a sensação de não estar pronto para isso.

Acredito que, com anos de prática, essa sensação se dissipe. Porém, quase que invariavelmente - não estou sendo radical - TODAS as pessoas que comecem a praticar profissionalmente sentirão que não sabem o suficiente para tal. Porque o céu é o limite, e o universo, infinito. Então, o mais comum é se adiar o começo da profissionalização, usando de desculpas como "eu vou fazer mapas de amigos e, quando estiver me sentindo mais seguro, vou começar a cobrar."

As pessoas pensam que, após tudo isso, a linha entre os amadorismo e o profissionalismo se apagará lentamente, até que não existirá mais. O problema da proposição acima é que, mesmo após dezenas de horárias para amigas, dezenas de mapas natais para conhecidos da internet, é comum se ver pessoas adiando o momento de se profissionalizar.

E eu tenho uma visão muito radical desse adiamento: você pode ficar incontáveis anos praticando sem cobrar mas, uma vez pisada a linha que separam os amadores dos profissionais, o frio na barriga será inevitável. Porque a única coisa que muda dos amadores para os profissionais, é o dinheiro, e dinheiro dá medo. Você não deve supor isso, mas adia a prática porque dinheiro é um tabu para você.

Mas acalme-se. Mesmo cobrando, você tem o direito de errar. Você é humano

A maioria das pessoas que me procuram perguntam se eu dou consultas, e eu digo que não. Eu me conheço o bastante pra saber que vou procrastinar a entrega dos resultados devido às razões supracitadas. Evito interpretar mapas ao máximo, porque quando você se compromete, é bom cumprir sua palavra. Por ter errado nisso algumas vezes, eu prefiro não me comprometer. Cada um sabe até onde chega sua corda...

Eu tive épocas de me dedicar um pouco mais à astrologia e de cobrar por isso, pois o dinheiro ganhado me ajudava. A primeira foi a interpretação de um ou dois mapas de astrologia moderna. Interpretei apenas os planetas nas casas, os trânsitos, e foi bem satisfatório (pela reação do consulente...). Depois, quando quebrei a perna e ainda não tinha nem me formado, precisava de uns extras e ficava interpretando horárias e mapas natais. Depois disso, tive clientes esporádicos, porque não me colocava inteiramente à disposição (como vocês podem ver no blogue, eu não coloco explicitamente que dou consultas, porque sou médico e chego morto de cansado em casa. Mal dá pra ler e fazer meus cursos de astrologia).

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