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O aprendizado do pensamento astrológico

Se tem uma coisa que me fascina - e que é difícil de se achar - é algum livro que te ensine a pensar. Mais difícil ainda é um livro que te ensine a pensar astrologicamente.

Depois de ler trocentos livros por aí, você vai chegar à conclusão de que a maioria deles - se não for todos - não te ensina a raciocinar em cima do mapa, a fazer conclusões. Nem mesmo nos cursos de astrologia que se vendem por aí você vai encontrar isso.

Parece que a resposta à pergunta "como pensar astrologicamente" é um subproduto de tudo que você lê por aí. É algo a ser construído pelo leitor, nos recantos obscuros da sua mente, e que não pode ser compartilhado.

Duas pessoas terão Vênus na casa 12. Uma delas fará strip-tease como atividade profissional, e a outra será apenas uma pessoa que durante algum tempo sofreu horrores com sua vida amorosa. Além do fato de que elas tem vidas e ambientes diferentes, poderíamos inferir pelo mapa de cada uma por que essa Vênus se manifesta de modos diferentes? É possível, mas ninguém ensina.

É quase um dogma: o livro de astrologia tem que te ensinar os fundamentos. Depois, você que se dane tentando juntar todos eles num todo significativo. É como ensinar alguém a ser pedreiro apenas com os tijolos, sem instruí-lo a mexer no cimento que une todos os blocos. Pois, nesse momento, minha maior missão no campo astrológico é: como ensinar a usar o "cimento" astrológico?

É possível dizer e ensinar às pessoas como juntar as peças astrológicas? Como combinar técnicas? como combinar testemunhos? No momento, minha hipótese é que isso é possível. Então, por que ninguém o faz? Talvez deve haver alguém por aí que o faça, mas nos livros, eu diria que isso não existe. Já li MUITO livro de astrologia pra ver que isso é uma triste verdade.

Por que ninguém ensina a "juntar as peças"?

Os autores não ensinam a ligar os pontos da interpretação porque não há espaço para isso em seus livros. Antes de colocar a parte boa do livro para astrólogos experientes, eles abarrotam os livros de conhecimento introdutório, para neófitos. É triste isso, mas a pura verdade: com tudo que já se escreveu de astrologia até hoje na humanidade, ela ainda é um saber pouco difundido e os editores sempre acham que os leitores não entenderão o livro se ele não tiver 80% do seu conteúdo de conhecimento teórico básico. Os outros 20%, se você tiver sorte, são exemplos de interpretação - sendo que, nesses exemplos, a linha condutora, o "cimento" por assim dizer, nunca é dito, tendo de ser deduzida pelo leitor.

Há também uma longa tradição - bota longa nisso - em explicar apenas os princípios básicos. Se você pegar um livro de Abu Ma'Shar ou Māshā'allāh, você vai ver muito pouco dedicado a isso. A maioria do conteúdo se resume a uma lista de interpretação de posicionamentos planetários do tipo "Se o planeta A estiver no signo B, acontece C". Mas nem Abu Ma'Shar, nem Māshā'allāh, nem Sahl, nem Ptolomeu, nem o diabo, te ensinarão a ligar um conjunto dessas frases para se chegar a um julgamento.

É por isso que tem muita gente que leu trocentos livros de astrologia mas sabem apenas os rudimentos desse saber e nunca progridem, como se fossem uma pessoa que aos quarenta anos de idade repete a quinta série desde os onze. Com tanto conhecimento básico se difundindo, não se vai adiante e sempre se adia o debut na prática astrológica.

Se eu tenho a solução para isso?

Ainda não, mas estou mirando minhas flechas nessa direção. A partir de hoje, tentarei mostrar o que nenhum autor de livros de astrologia conseguiu: a linha condutora de uma interpretação, o conhecimento secreto.

Se fosse fácil, todo mundo conseguiria. Mas existem coisas que muitos não conseguem dizer. Flaubert tentou escrever um livro sobre o nada, e não conseguiu. Meu intento é menos ambicioso, mas nem por isso é fácil.

Vamos em busca do aprendizado do pensamento astrológico. 

Comentários

  1. Avanti, Rodolfo! Vais prestar um grande serviço a muuuita gente! Fraternal abraço :-)

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