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Adaptando a astrologia à realidade

Astrólogos tem um desafio muito importante pela frente: Adaptar o que eles sabem de astrologia à vida da pessoa.

Há quem pense que isso é um problema apenas de astrólogos medievais, que lêem livros muito antigos e precisam adaptar aquele conteúdo aos dias atuais. Na verdade, esse tipo de astrólogo apenas tem um problema que é comum a todos os astrólogos, só que mais aparente.

Nós sempre temos que adaptar a astrologia que conhecemos à vida da pessoa, mas isso é muito difícil. Geralmente tentamos fazer com que a pessoa tenha a manifestação mais comum do planeta e, quando ela não tem, julgamos que a astrologia não funciona. Mas ela pode estar funcionando num nível totalmente inimaginado pelo astrólogo.

Recentemente vi o estudo de Robert Schmidt sobre o mapa de Einstein. Me impressionou o fato de que ele conseguiu uma bela interpretação dos símbolos astrológicos na vida de um físico moderno - alguém cujos duelos e questões mais importantes se passariam na mente.

Não vejo outra maneira de adaptar a astrologia à vida de Einstein sem considerar os símbolos astrológicos num nível mental. Com isso, não estou dizendo que ele não tinha vida fora da cabeça - ao contrário: digo que ignorar as questões teóricas que ele formulou é ignorar grande parte de sua vida - que se passou no cérebro, e não na realidade física.

Como intelectual, os dilemas de Einstein eram muito mais mentais do que físicos. Uma pessoa pode ter representada no mapa um verdadeiro dilema social, como por exemplo, ficar dividido entre a família e a esposa. Todos nós aceitamos que os símbolos podem ser capazes de representar isso. E se o dilema de uma pessoa estiver na sua mente? Simplesmente dizemos que a astrologia não alcança isso?

O lote do espírito é uma parte que diz sobre as ações da pessoa. No caso de Einstein, se encontra em Libra. Imediatamente, um astrólogo desavisado diria que o lote não pode funcionar, porque os empreendimentos mais notáveis de Einstein não seriam venuzianos - envolvendo mulheres, sexo e estética, por exemplo. Mas quando o astrólogo percebe que a Vênus de Einstein (dispositiva do lote) se encontra nos termos de Mercúrio dentro do signo de Áries, nota-se que essa Vênus estaria ao longo de sua vida mais dedicada a procurar a estética dentro do plano mercurial, a saber, dos cálculos e das teorias. E aí tudo faz muito mais sentido.

Einstein queria que as suas teorias fosse esteticamente agradável. Aqui temos uma clara noção de que a estética de Vênus pode traspassar qualquer plano de existência - incluindo o mental. Se a teoria dele não agradasse seu senso de estética, então não servia pra ele.

Com o passar do tempo, ele começou a desprezar sua abordagem mais naturalista da Física para dar lugar a fórmulas matemáticas - que eram matematicamente belas e logicamente corretas, mas que não encontravam substrato na observação da natureza. Mais uma vez, a estética entra em cena.

Outra coisa que tem muito a ver com Vênus seria a sua teoria unificadora da física. Enquanto Marte quer separar, Vênus unifica. Einstein tinha um grande desejo de unificar todas as forças físicas numa única teoria, pois era cada vez mais nítido que havia uma lacuna entre a física newtoniana e a física moderna.

Analisando-se a vida de Einstein, temos evidência suficiente para concluir que os símbolos astrológicos podem se manifestar em conceitos nos quais a pessoa prefere pensar e abordar a vida, e não há nada de errado nisso, mesmo que a maioria das pessoas ainda insistam em buscar com a astrologia eventos concretos e corriqueiros.



Comentários

  1. Interessante Rodolfo. Inclusive, pela Jyotisha se utilizarmos mapas como D-5, D-20, D-24 e D-27 podemos ter noções ainda mais claras da intelectualidade de Einstein.

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