22/12/2011
Muitos Jyotishis tem a incoerência de dizer que seguem fielmente aquilo que Parasara publica no seu tratado de Astrologia, o Brihat Parasara Hora Sastra quando, na verdade, eles seguem apenas parte desse livro, além de deturparem alguns princípios pela simplificação.
Para um autor dizer que "honra" Parasara seguindo integralmente seus preceitos, ele tem que integrar os seguintes itens na sua análise:
- Calcular as pontuações dos aspectos em virupas, e não estimá-los aproximadamente: deixar de ignorar os aspectos que não sejam completos (aqueles com 1/4, 2/4 ou 3/4 de aspecto);
- Calcular e interpretar o Shad Bala no seu contexto adequado;
- Calcular e interpretar todos os Avasthas (vou fazer um artigo a respeito) e empregá-los num contexto adequado;
- Calcular e interpretar os Upagrahas (planetas "imaginários" com ação secundária no mapa, como Gulika, Upaketu, etc.)
- Usar todos os mapas divisionais num contexto adequado e a depender da demanda preditiva (exemplo, usar Navamsa em questões de casamento, Dasamsa para grandes feitos da pessoa, etc.)
- Calcular o índice auspicioso/inauspicioso (Subha/Asubha) de um planeta.
Normalmente, as coisas acima são omitidas na análise dos astrólogos que dizem seguir Parasara.
Se acaso o leitor pesquisar sobre os conceitos da lista, notará uma tendência em incluir matemática dentro da interpretação. Talvez por isso, muitos evitem lidar com os temas acima porque, na astrologia contemporânea, só se usa matemática para calcular as posições dos planetas.
Incluir matemática na interpretação até hoje é mal-visto porque há a idéia errônea de que isso vise substituir o astrólogo por uma calculadora. A intuição, sentido que é menosprezado pela ciência moderna, encontra seu reino na astrologia, e tem uma certa aversão a números. Todavia, os números em Parasara têm um papel acessório, complementar.
Todos os escores que possam ser dados pelas técnicas acima não são capazes de gerar resultados padronizados. Eles apenas indicam estimativas que, para serem interpretadas, a figura do astrólogo é sinequanon. Portanto, esse temor do astrólogo ser substituído por um computador é incabível.
Se a maioria não segue Parasara na sua totalidade, aplicando os escores e todas as outras técnicas acima, quem ou o que influenciou e moldou a Astrologia Indiana como conhecemos hoje? Na verdade, a maioria dos Astrólogos hoje se inspiram (talvez sem saber) em Varahamihira, autor do Brihat Jataka.
Durante muito tempo, Varahamihira e os Astrólogos Medievais da Índia foram decisivos na transmissão escrita do conhecimento astrológico. Isto porque só houve uma edição escrita do BPHS no final do século XIX. Até então, a transmissão do BPHS era oral, mestre-discípulo, o famoso Parampara.
Somente com a compilação do BPHS em texto é que ele pode ser mais divulgado. Portanto, há séculos esse livro não é tão popular como hoje, e cabe às gerações recentes desbravá-lo "nas trincheiras da prática astrológica".
Além de ter sido compilado há pouco tempo, historicamente falando, o BPHS tem de vencer uma resistência natural do ser humano ao que seja mais complexo: as pessoas estão familiarizadas com uma versão mais simplificada da Jyotisha (astrologia indiana), que foi difundida na Idade Média, através de textos como o Brihat Jataka, o Jataka Parijata ou o Sarvartha Cinthamani, dentre outros. Aquilo que estes textos apresentam não se comparam em complexidade matemática ao BPHS.
Que fique bem claro que esses textos são muito úteis e nos trouxeram verdadeiras pérolas da Astrologia."Sarvartha Cinthamani" significa, numa tradução liberal, "a jóia que desceu dos céus para resolver todos os problemas". Varahamihira, autor do Brihat Jataka, simplesmente foi um dos astrólogos mais influentes da Índia. O Jataka Parijata é uma das melhores compilações de autores que o antecederam. Mas eles não incluem muitos elementos da teoria do BPHS.
No próximo post, darei uma breve introdução aos Avasthas.
20/12/2011
Quem já leu Parasara, pode ter uma noção que a quantidade de conhecimento da Astrologia Indiana é vastíssima. Isso gera algumas dificuldades para sua transmissão no Brasil.
Um bom curso de Jyotisha tem de ser extensivo. Dois anos seria um tempo razoável - não para que o aluno domine o conhecimento, mas para que seja apresentado ao material mais relevante e possa entender os conceitos para, daí sim, praticar com segurança.
No Brasil, porém, ainda não temos uma cultura difundida de cursos de extensão em Astrologia. Carlos Holanda mudará esse panorama ao criar em conjunto com a Universidade Cândido Mendes (no Rio de Janeiro) o primeiro curso universitário de Astrologia, com uma base filosófico-histórica invejável e nunca antes vista no Brasil.
Desejo ao Carlos sorte e, mais do que isso, sagacidade, para criar métodos que mantenham a persistência do aluno brasileiro em levar o curso até o fim. Isto porque a Astrologia, no Brasil, ainda é um bem supérfluo, e seu interesse flutua conforma crises financeiras - sejam elas pessoais ou coletivas.
A maioria dos alunos não usam o que aprendem para fins profissionais, embora muitos deles - eu incluso - tenham plena capacidade de cobrarem pela sua prática. Por não terem a visão de potencial mercadológico desse saber, um curso como esse é encarado como hobby e é a primeira coisa a ser evadida pelo aluno em caso de uma crise financeira.
Diante de tudo que foi exposto, a Astrologia indiana ainda tem de ser dada em doses homeopáticas ao aluno brasileiro, já que há uma probabilidade de evasão alta caso se crie um curso de extensão.
Para a realidade brasileira, a plataforma de ensino da Jyotisha tem de ser semelhante àquela do "iTunes", no qual o consumidor paga pela música que ouvir e, no seu próprio passo, ouve todas as músicas do álbum quando desejar, ao invés de comprar de imediato um pacote completo de músicas (embora nada impeça dele comprar o álbum completo de uma vez se quiser).
Por que tanto tempo assim para uma "adivinhação"?
Para quem acha que estou superestimando o tempo de aprendizado da Jyotisha, precisa comparar com cursos no exterior, como o de Sanjay Rath, cuja duração é de quatro anos. Jyotisha não é um saber ordinário.
Como acontece com toda pessoa que se aproxima de um saber desconhecido, criam-se ilusões acerca da Astrologia Indiana. A primeira ilusão é achar que basta aprender o que cada planeta, casa e signo representam para em seguida misturar isso intuitivamente na leitura e já ser considerado um Astrólogo.
De fato, se o currículo do curso somente englobasse esses três elementos, três meses seria um tempo razoável. O grande problema é que não funciona assim.
Aqui, eu vou apresentar o que seria um esboço de um curso de Astrologia Indiana, sem levar em conta o viés espiritual desta - coisa pela qual muitos me apedrejarão:
- Grahas: O que eles representam, as muitas dimensões de suas ações, suas funções enquanto karakas e regentes de Casas, sua função no esquema de seis forças (Shad Bala), Drist (aspectos) e o modo de trabalhar com eles, os vários tipos de Avasthas.
- Rasis e Bhavas: Significados dos bhavas em várias dimensões da existência (física, social, psicológicas). Os Rasis e sua função; O contraste e a diferenciação entre as funções dos Rasis (Signos) e Bhavas (Casas); os sistemas de Casas que levam em conta os quadrantes; o sistema de Signos Inteiros.
- Mapas divisionais: abordar as diversas maneiras de se trabalhar com eles (incluindo as escolas que entram em conflito umas com as outras), como calculá-los (não dando tanta ênfase à matemática, pois temos computadores capazes de calcular os mapas em milésimos de segundos).
- Grahas interagindo com Bhavas e divisões: Como conjugar o conteúdo das duas partes acima para esboçar uma interpretação.
- Yogas: Nabhasa Yogas, Yogas com resultados específicos (em temas como casamento, filhos, etc).
- Técnicas preditivas: Vimshottari Dasha, Dashas Acessórios, Yogini Dasha, Kalachakra Dasa: Como usá-las?
Se fizesse um curso de Astrologia Indiana que pudesse abarcar toda a teoria básica dada no Brihat Parasara Hora Sastra, considero que um ano, com aulas semanais ou quinzenais, seja o mínimo. Mesmo assim, o aluno sairia dessa maratona ainda um pouco confuso sobre como aplicar tudo isso, requerendo mais um ano de prática diária.
Mesmo assim, não seria dada Muhurta, Jaimini, nem Tajika, pois cada uma dessas consome um tempo importante que distrairia o aluno do foco em Parasara.
Somente levando-se em conta todos os itens acima é que o aluno terá um alicerce razoável de Jyotisha - disse razoável. Só que, por incrível que pareça, Parasara não é a melhor maneira de começar
Jaimini, simples e genial.
Se alguém me perguntasse hoje: Rodolfo, estou começando do zero a aprender astrologia e queria aprender um estilo coeso e que vise resultados práticos nas previsões, sem muito foco no comportamento. Pelo subtítulo, você já deduziu que eu indicaria a esse neófito o aprendizado de Jaimini.
Jaimini é conciso e belo. Pode ser dado num curso no formato que eu disse acima (tipo "iTunes"), mas, melhor ainda - pode virar um livrinho muito útil e conciso, daqueles que você pode levar a qualquer lugar consigo.
Jaimini não depende de uma interpretação matemática como Parasara, o que o torna muito mais acessível para quem nunca teve de lidar com Jyotisha.
Existem várias técnicas de Parasara que levam em conta pontuações, escores que medem a capacidade de um planeta em diversos contextos. O aluno tem ao menos de aprender como se chega a esses escores, o que pode assustar os desprovidos de treinamento matemático quotidiano.
Em Jaimini, nada disso é usado, se assemelhando nesse sentido à Astrologia Ocidental, pois considera apenas aspectos e posicionamentos de planetas em relação a Casas - sendo essas Casas contadas não em relação ao Ascendente (Lagna), mas sim em relação ao Atmakaraka e aos Padas (chamados por outros de Arudhas). Por exemplo, planetas na primeira casa dos Padas ou do Atmakaraka dizem muito a respeito da profissão da pessoa - talvez a maneira mais fácil de se deduzir a profissão de alguém pelo mapa natal.
Contrastando os resultados proporcionados pelas técnicas com a simplicidade delas, Jaimini é a Astrologia mais genial, pois gera resultados complexos com análises simplificadas.
Eu tenho muita vontade de escrever um livro sobre Jaimini, mas isso vai depender de uma série de coisas, principalmente de fortificar meu mercúrio em queda, que é péssimo para por as coisas em prática. Mas é uma idéia que sempre me vem à mente.
Talvez você esteja pensando que eu seja alguém muito experiente em se tratando de Astrologia para escrever um livro. De fato, não sou, mas se não divulgar o que sei, o conhecimento não ganha adeptos e não se enriquece para representar a realidade brasileira. Vamos nos esforçar para que a Jyotisha não represente apenas tigres e elefantes, mas tamanduás-bandeira, onças pintadas...
12/12/2011
O livro Brihat Parasara Hora Sastra apresenta um capítulo intrigante para os ocidentais, no qual define quais planetas são auspiciosos e quais são inauspiciosos para cada Lagna (Ascendente).
Por que intrigante? Quando aprendemos astrologia ocidental, ninguém diz a nós que alguns planetas serão bons e outros maus a depender apenas do Signo Ascendente.
No Ocidente, saber se um planeta é bom ou ruim depende da análise do estado zodiacal e acidental (Casa) do planeta, e por isso não há uma resposta padronizada. Na Índia, é a mesma coisa, só que a técnica dos 12 Ascendentes, especificamente, se refere a um tipo específico de benefício ou malefício. Neste artigo, você entenderá como.
A explicação da técnica.
De acordo com Parasara, dentro dessa técnica, cada Ascendente possui planetas que são inauspiciosos e auspiciosos. Há regras para se definir isso, só que o próprio Parasara faz tantas exceções a elas que a melhor coisa é memorizarmos quais são os planetas ruins e os bons para cada Ascendente.
Se os planetas auspiciosos estiverem bem posicionados, o dono do mapa terá uma vida feliz e tranqüila, porque a expressão desses planetas não vem acompanhada de "efeitos colaterais".
Se os planetas inauspiciosos estiverem bem posicionados, a pessoa pode até conseguir coisas boas a depender do planeta, mas elas virão acompanhadas de estresse, perdas, vazio, descontentamento, etc. - os ditos "efeitos colaterais"
Dito isso, chegamos ao ponto nevrálgico da questão: para que essa técnica funciona?
Esse conceito, o dos "12 Lagnas", serve unicamente para ver a subjetividade do indivíduo frente aos eventos da sua vida, mas não determina o resultado de nenhum evento.
Eu vou citar os dois primeiros signos e explicar com exemplos:
Para o Ascendente Áries, Saturno, Mercúrio e Vênus são maléficos. Sol e Júpiter são os benéficos. Marte e Lua são neutros, e a qualidade das suas ações dependerá dos planetas com os quais eles se associam.
Para o Ascendente Touro, Sol, Saturno e Mercúrio são benéficos, Vênus, Lua, Júpiter maléficos, Marte é neutro e possui propriedades assassinas (isso não será abordado no artigo)(!?).
Vamos usar alguns maléficos para o Ascendente Áries e Touro como exemplos:
Todas as pessoas querem sucesso e renome, e essas coisas podem acontecer em QUALQUER ASCENDENTE. No meu caso, porém, do Ascendente Áries, o sucesso na carreira pode vir acompanhado de um grande descontentamento, porque no meu mapa Saturno é considerado maléfico (ou inauspicioso) e é o regente da Casa 10.
Para Áries, Saturno regendo a 10 é ruim porque a carreira por si só não traz felicidade e contentamento para a pessoa. Saturno é um Sudra, a casta preocupada com a gratificação corporal, e a carreira para Áries geralmente virá com o objetivo de se ter segurança financeira - em termos simples, ter dinheiro pra ter uma vida confortável e gratificar os sentidos. Todavia, com o passar do tempo isso passa a incomodar mais e mais a pessoa de Ascendente Áries. Ela começa a se indagar se poderia ser mais feliz fazendo uma coisa que ganhasse menos, mas que desse sentido e inspiração à sua vida.
Uma coisa comum com o Ascendente Touro é a sua relação com o corpo, principalmente as mulheres desse Ascendente. A maioria das mulheres querem e devem ser gostosas e atraentes mas, no caso da mulher de Ascendente Touro, essas coisas virão acompanhadas de muitos conflitos. Isso porque Vênus, a regente do Ascendente (que representa o corpo físico da pessoa) rege ao mesmo tempo a Casa 6 (Libra), uma casa que representa inimigos, atrasos e doenças.
Isso mesmo: para a mulher de Ascendente Touro, ser linda pode atrair inimigas ferrenhas - algo muito comum em mulheres, mas que esse Ascendente vai sentir com muito mais hostilidade. A inveja e hostilidade femininas ficam aqui intensificadas.
Ser bela, para uma taurina (Ascendente) pode também gerar doenças, ou no mínimo fazer com que ela entre num hospital para isso. As mulheres com Ascendente Touro se mobilizam mais do que as outras para tratamentos estéticos, dietéticos, emagrecimentos, cirurgias plásticas, etc. Vemos aqui o corpo (Casa 1) ligado ao contexto da solução de problemas e aprimoramento pessoal (Casa 6). Objetivamente, isso não seria ruim. Os maridos e namorados(as) agradecem...
Subjetivamente, porém, pode ser angustiante: Se Vênus estiver muito forte, o corpo pode ser tornar uma obsessão para Touro: com o passar do tempo, a força de Vênus pode fazer com que a mulher se torne mais e mais bela, porém mais e mais obcecada com beleza. Se outras indicações no mapa confirmarem, uma doença física ou mental pode se deflagrar. Não conseguirá fazer amizades com mulheres, porque atrairá mulheres invejosas e sabotadoras.
É por essas e outras que Parasara recomenda que os planetas inauspiciosos estejam fracos (por dignidade e posição). Com isso, a pessoa pode até não ganhar coisas boas, mas ela também não recebe os nefastos "efeitos colaterais".
Uma Vênus mais fraca para o Ascendente Touro pode ser boa porque vai tirar o foco da pessoa no seu corpo e valorizar o que vai dar mais realização à vida dela, indicado pelos planetas auspiciosos Sol, Saturno e Mercúrio. É claro que, para tudo mais que Vênus representar, sua fraqueza será ruim. Não podemos ter tudo nessa vida...
Existe outra maneira de tornar a expressão de Vênus mais positiva e feliz para o Ascendente Touro, como veremos a seguir.
Os planetas neutros e a suavização dos maléficos.
Parasara cita casos específicos nos quais o planeta só fica maléfico ou benéfico a depender da sua associação com outros planetas. Seriam os planetas neutros. É o caso de Marte para o Ascendente Áries.
Ter o regente do Ascendente neutro (Marte) para Áries representa uma coisa até um pouco triste: se marte não se configurar nenhum planeta, ele por si só não é capaz de produzir nada de notável. Pessoas com Ascendente em Áries, portanto, podem ser muito inexpressivos, pois um marte sem influências faz a pessoa pular de atividade em atividade, sem que termine nada.
Além dos planetas neutros, essa regra se estende até mesmo aos ditos "maléficos" dentro dessa técnica: quando um planeta maléfico para determinado Ascendente estiver configurado com um benéfico para o mesmo, ele pode indicar que a área da vida outrora desnecessária para a felicidade da pessoa passou a ser importante.
Por exemplo, os benéficos para Áries são Sol e Júpiter, os regentes das Casas 5, 9 e 12. Essas casas dão pistas das áreas que Áries precisa desenvolver para ser feliz: inspiração e espiritualidade/estudos superiores, tudo isso envolvido em entrega profunda, renúncia. Todos os planetas que estiverem configurados com Sol e Júpiter trarão felicidade a pessoa - inclusive os maléficos - deixando de ser uma distração ao objetivo maior para Áries.
Vênus seria uma dessas distrações. Ela é significadora de parcerias e casamento para os arianos e é considerada maléfica para o Ascendente Áries. Ela indica que relacionamentos não são um tema vital para esse signo, podendo até mesmo distraí-lo do seu dharma e inspirações (Casas 9 e 5). Todavia, se os benéficos para Áries (Sol e Júpiter) estiverem conectados de alguma forma a Vênus, isso indica que o nativo de Ascendente áries encontra também no casamento esses atributos.
Chegamos à conclusão lógica que Sol em conjunção com Vênus é bom para o Ascendente Áries. Vênus, os relacionamentos, estariam dotados de inspiração, criatividade, filhos. Em termos de felicidade para o Áries, essa conjunção é excelente, embora seja péssima para todas as outras coisas que Vênus representa: lembre-se que um planeta em combustão pelo Sol é considerado um grave impedimento, e isso não muda.
Na Astrologia, quando duas teorias diferentes se chocam, a contradição é apenas aparente.
Exemplos de Julgamentos Errados (devido a uma compreensão errônea da técnica).
Esse tipo de técnica sempre foi muito mal interpretado pelos autores, que confundiam o tipo de efeito auspicioso ou inauspicioso que ela indica. Se mal interpretada, ela pode confundir o astrólogo. Vejamos como a confusão pode surgir no exemplo de Saturno regendo a Casa 10 em Áries.
Saturno como regente da 10 (grandes feitos, carreira) em bom estado pode indicar um período excelente para o Ascendente Áries em termos mundanos. Porém, se levarmos em conta a natureza de Saturno para Áries Legna, ele é maléfico.
Dentro dessa técnica, se o astrólogo considerar o termo 'maléfico' como algo que impeça o sucesso mundano, ele não julgará o período de Saturno como próspero para a carreira, e errará sua previsão.
Infelizmente, os textos indianos em Sânscrito usam a mesma palavra para diferentes contextos.
Duas coisas podem ser maléficas de modos diferentes.
A mordida de um cão pode ser maléfica, mas também fazer sexo a madrugada toda com sua namorada pode ser maléfico, se você tiver vestibular no dia seguinte e disso depender sua vida. São malefícios diferentes, e o segundo é mais, digamos, sutil...
Nesta técnica, a palavra 'maléfico' apenas significa aquilo que distrai a pessoa do caminho mais feliz que ela pode trilhar nessa vida. Essa distração pode ser agradável se o dito maléfico estiver bem posicionado - mas, fazendo jus ao nome, vem acompanhada de consequências desagradáveis.
Para o Ascendente Áries, Saturno é maléfico e rege as Casas 11 e 10: ambição (11) e carreira (10) não devem ser coisas perseguidas por Áries se ele quiser plenitude. O Ariano deveria se fiar na sua inspiração, espiritualidade, devoção e criatividade, representados pelos benéficos Sol e Júpiter, regentes das Casas 5, 9 e 12.
Vênus, Júpiter e Mercúrio sempre serão sentidos como coisas agradáveis à pessoa. Mesmo que se tornem maléficos por essa técnica, continuarão assim. O que pode mudar é que as coisas agradáveis que eles indicam desviam a pessoa do caminho que a deixaria mais feliz.
Conclusão
Portanto, a "lista de planetas auspiciosos e inauspiciosos para cada ascendente" não é uma técnica para prever resultados mundanos e objetivos, como sucesso financeiro, carreira, etc. Por outro lado, dá para se ter uma noção se o sucesso que a pessoa conseguiu será agradável a ela ou não, se virá acompanhado de vazio, etc.
Para pessoas que valorizam a materialidade, esta pode ser uma técnica fútil. Muitos se aproximam da astrologia com o propósito de prever épocas de sucesso mundano, independentemente do que o nativo sentir durante essas épocas.
Eu mesmo durante muito tempo refutei a subjetividade dentro da astrologia. Achava que o subjetivo era uma maneira dos professores de astrologia se esconderem das previsões objetivas e de ensinar o "ouro", que é prever eventos. Embora ainda eu tenha apreço pela objetividade, estou mais "amolecido" para concordar que precisamos dizer aos clientes também como eles se sentirão nos períodos indicados pelos planetas.
Todavia, não se preocupem: nem todas as técnicas indianas serão assim subjetivas. Há muitas outras técnicas mais mundanas, que se preocupam mais com a amplitude das mudanças objetivas da vida de uma pessoa, por mais que ela esteja se sentindo miseravelmente vazia...
11/12/2011
Astrólogos indianos recomendam que os clientes usem no corpo pedras preciosas para melhorar áreas da vida que, segundo o mapa astral, estariam enfraquecidas ou impedidas. É a famosa solução milagrosa que requer o mínimo esforço por parte do cliente. Em outras palavras, um tratamento astrológico perfeito para ocidentais, que cresceram na cultura do menor esforço.
Os métodos de escolha dessas pedras variam muito de astrólogo a astrólogo. Não se chega a um consenso do que seria melhor, e dois astrólogos podem sugerir pedras de propriedades opostas para a mesma pessoa. Sem contar que é uma forma de terapia muito suspeita, pois a maioria das pessoas considera superstição e idolatria.
Se você pensa que eu acredito nisso, a resposta é: dependerá dos resultados, mas hoje eu estudo por curiosidade e pelo prazer de catalogar e difundir conhecimento. Foi assim que eu procedi com a Astrologia, e assim que eu procedo com qualquer saber polêmico para mim: primeiro, eu vejo se funciona. Em seguida, começo a investir, "comendo pelas beiradas".
Mas nem sempre foi assim com as pedras preciosas... Antes de entrar em contato com certos conhecimentos dessa área, eu acreditava que seria impossível eu fazer qualquer teste nesse sentido, porque as jóias recomendadas pelos autores eram muito caras. Agora que eu sei que pedras de 10 Reais podem surtir algum efeito, eu estou muito mais inclinado a estudar essa área.
À parte da astrologia, existe uma terapia com pedras e minerais no ocidente, com propósitos medicinais. Isso dá uma brecha para aproximarmos o uso de pedras da mentalidade ocidental: mostrar que essas pedras, indicadas astrologicamente, teriam também propriedades medicinais, embora, se considerarmos a astrologia, suas ações não se restrinjam somente a isso.
Dentro de um contexto medicinal, a pedra só teria a função de aliviar alguma dor, melhorar sintomas, dinamizar a função de certos órgãos, etc. Tudo isso teria uma hipótese científica para explicar tais efeitos, por mais surreal que ela se esboce. Porém, não há hipótese clara o bastante que explique um astrólogo receitar uma pedra dessas para melhorar o casamento da pessoa, diminuir as dívidas, prevenir acidentes, etc. Nesses casos, somente temos a astrologia para explicar tais efeitos. Experiências pessoais podem ajudar a nos convencer, se elas forem consistentes em número e qualidade.
Recentemente presenciei um testemunho pessoal de uma pessoa que melhorou uma dor lombar intensa com o uso de minerais, após vários tratamentos convencionais terem dado errado, o que a meu ver afasta a hipótese de sugestionabiliade pela histeria. Além desse testemunho de uma fonte confiável, outra razão para me deixar aberto a esses conhecimentos é a crença de que muitas interações energéticas entre o homem e os objetos ainda não foram descobertas.
Portanto, o parágrafo acima mostra que o uso de pedras pode surtir os efeitos desejados, e isso responderia ao título provocativo do artigo. Só que ainda não sei dizer ao leitor com certeza de astrologicamente isso teria algum efeito. Medicinalmente, tudo indica que sim, embora não seja um entusiasta da dita "medicina alternativa" (e não, não considero medicina chinesa alternativa. Com 5000 anos de tradição, nós é que somos alternativos a ela...).
Eu sou médico e não faço questão alguma de um dia abandonar o tratamento alopático (os remédios convencionais que encontramos na farmácia) e aderir somente a tratamentos alternativos. Ao contrário, sou um praticante ávido desse método.
Não tenho pudor de prescrever a medicação alopática que for necessária ao doente, por mais que isso seja criticado por alguns homeopatas e acupunturistas. Nunca deixaria de realizar um tratamento alopático no doente em detrimento de um alternativo, pois contra isso podem caber sanções legais pesadíssimas.
O grande problema é quando as medicações alopáticas não são suficientes. Conheço pessoas que precisam conviver com dores incômodas porque são praticamente refratárias a tratamentos com analgésicos ou porque temem seus efeitos colaterais. Nesse caso, eu abraço também os tratamentos ditos "alternativos", desde que eles não impeçam a medicina convencional de agir.
Mesmo sendo médico ocidental, não consigo ser suficientemente cético a ponto de desacreditar que as interações eletromagnéticas sutis causem reações no homem, embora um amigo meu, médico nuclear versado no estudo de ondas eletromagnéticas e radiatividade, rejeite toda e qualquer hipótese disto ser verdadeiro e use preceitos físicos para justificar sua argumentação.
Após essa introdução (criada especialmente para vencer a resistência do senso comum em estudar um assunto como esse), vamos ao corpo do artigo. Ele não visa ensinar a usar pedras preciosas, mas sim indicar se os mitos que circundam sua prática são verdadeiros ou não. São eles:
- Pedras preciosas são amplamente recomendadas pela tradição astrológica da Índia;
- De acordo com os clássicos, a escolha da pedra errada traz males piores do que se não fosse usada;
- Só devemos usar as pedras que estão nos clássicos.
Primeiro mito: As pedras são recomendadas pela maioria dos clássicos, sendo um tratamento bastante tradicional.
MENTIRA. De todos os textos indianos, apenas o Brihat Jataka e o Jataka Parijata citam o uso de pedras preciosas. Em nenhum outro texto, incluindo o mais influente de todos, o Brihat Parasara Hora Sastra, elas são citadas (muito embora isso não possa ser inteiramente verdadeiro, já que há várias versões de Parasara, a depender da região da Índia).
Portanto, essa idéia de usar pedras preciosas não é consensual como outras idéias mais difundidas em todos os textos, sendo retomada com mais força nos últimos séculos, por razões misteriosas.
Segundo mito: De acordo com os clássicos, a escolha da pedra errada traz males piores do que se ela não fosse usada.
MENTIRA. Apenas dois clássicos citam as pedras, e nos dois casos não se fala em tempo algum de efeitos adversos. Isso, porém, não significa que o praticante perceba efeitos das pedras que não foram citados pelos autores clássicos. Sanjay Rath, por exemplo, diz que não é bom que um casal use a Esmeralda. porque ela tem a propriedade de Mercúrio e, por Virgem (signo de mercúrio) ser a debilidade de Vênus (significadora de casamento), isso prejudica o sexo. Porém essa é uma conclusão dele e não está em clássico nenhum.
A despeito do que Sanjay disse, eu e meu professor (Ernst Wilhelm) achamos que a coisa mais negativa que uma pedra pode proporcionar é não ter efeito algum e fazer com que a pessoa se arrependa amargamente de tê-la comprado. Até porque as pedras recomendadas são caríssimas, o que nos remete ao terceiro e último mito.
Terceiro Mito: Só podemos usar pedras recomendadas pelos clássicos
POLÊMICO E RELATIVO. A mineralogia foi uma área que se expandiu enormemente no último século. Foram catalogadas mais de 10 mil espécies de minerais. Com tanto mineral assim, porque só devemos usar uns sete ou nove apenas?
À época em que os clássicos foram escritos, não havia esse conhecimento. Duas pedras eram consideradas iguais se tivessem a mesma coloração e dureza. Se duas pedras fossem verdes e com a mesma dureza, eram esmeraldas e pronto. Não havia o conhecimento da estrutura molecular de cada pedra, bem como de outras características que especificam um tipo de pedra.
Nenhum texto clássico é extenso o bastante para indicar maneiras de se classificar uma pedra. Podemos, então, escolher uma dentre duas posturas:
- Ficar preso aos clássicos e só usar as pedras citadas por eles.
- Descobrir maneiras de correlacionar os conhecimentos da mineralogia moderna à astrologia e gerar um conhecimento mais prático e acessível.
Estou mais inclinado à segunda opção... Com os novos conhecimentos de mineralogia, duas pedras de cores diferentes podem ser a mesma espécie, se as outras propriedades dela forem as mesmas. A cor é apenas uma das coisas a ser considerada frente a tantas outras.
Se usarmos esses conhecimentos e correlacionarmos com a astrologia, seria possível escolher uma pedra com as mesmas propriedades da esmeralda e que fosse muito mais barata do que ela. A mesma coisa com o diamante e as outras pedras.
Em outras palavras: sabendo a informação correta, os clientes deixariam de comprar jóias de 2 mil reais para escolher pedras de 5 reais na lojinha esotérica da esquina. Tudo isso baseado no fato de ambas as pedras terem a mesma coloração e estrutura.
Se você é tradicional demais e teme coisas novas, pense nisto: a astrologia (planetas e signos) tem a capacidade de representar qualquer coisa terrena. Se novos minerais foram descobertos nos últimos séculos, eles não terão representação planetária só porque não foram citados em livros cujos autores os desconheciam?
Como usar as pedras?
A maneira de usar as pedras não será dada aqui porque tem muitos detalhes e é injusto dar gratuitamente algo que é fruto de um trabalho de anos.
Eu recomendo a todos que saibam inglês que estudem o curso de jóias de Ernst Wilhelm. Ele tem uma grande experiência com pedras preciosas porque durante muito tempo ele mesmo preparava ornamentos com essas jóias para seus clientes.
Será suficiente dizer aqui que a pedra correta é aquela que mais representa a queixa do cliente, mesmo que o planeta que a representa esteja relativamente bem no mapa. O astrólogo precisa indicar a pedra baseado na combinação planeta + signo que representa a queixa, onde:
- O planeta indica a estrutura cristalina da pedra;
- O Signo indica a cor da pedra.
Engana-se quem pensa que os planetas indicam cores do espectro visível pelo homem. As únicas cores que os planetas representam são cores da pele das etnias humanas; quando se trata de qualquer cor (todo o espectro, do vermelho ao violeta), se consideram os signos. Isto porque os planetas representam coisas que tem incorporação física, materialidade.
Os Signos são considerados por Parasara a Representação inconsciente de Vishnu, e os planetas sua parte consciente. Em outras palavras: signos representam coisas mais sutis, que só são levadas à consciência do nativo na presença de um planeta dentro dele.
Os planetas representam objetos, e os signos onde eles estão indicam a cor, o ambiente e o comportamento desse objeto, detalhes sutis que enriquecem a interpretação mas que podem ser omitidos (como são omitidos pela maioria dos astrólogos tradicionais). No estudo das pedras, porém, os signos são essenciais para sabermos a cor adequada da pedra. Nem sempre os detalhes sutis são irrelevantes, e esse é um caso.
Um exemplo que posso citar do meu mapa é marte no signo de libra. Marte indica minerais cuja estrutura cristalina é rombóide; o signo de libra indica a cor verde. Assim, uma pedra interessante para melhorar a expressão de marte em libra teria essas duas características.
As cores usadas para os minerais podem ser usadas em qualquer outra representação astrológica da realidade. Se marte regesse a casa 4 (que representa veículos), sua presença em Libra indicaria um carro verde.
As cores dos signos estão no curso do Ernst, para quem deseja estudá-las. São baseadas no que a maioria dos clássicos dizem, porém discorda deles para alguns signos, baseados em razões filosóficas e práticas. Por exemplo, a maioria dos autores dizem que a cor de Leão pode ser traduzida como "violeta", embora na prática Leão indique melhor o amarelo. Violeta é representado por Aquário.
01/12/2011
Existem muitas coincidências entre a Astrologia Indiana e a Ocidental. Não são suficientes para concluirmos que a falta de amor entre os povos separa as duas vertentes, o que seria resolvido instaurando um fascismo astrológico. Até porque se pode lucrar intelectualmente muito com a diversidade. Gostaria de compartilhar uma dessas coincidências, que se situam na introdução das duas astrologias.
Uma das primeiras coisas que o estudante aprende nos livros é contar o número de planetas nos elementos e nas modalidades (cardinal fixo e mutável). Isso é mais importante do que se pensa. O problema é que não aprendemos a sintetizar habilmente esse conhecimento.
O ideal seria que, no processo estruturado de síntese, conhecimentos inespecíficos do mapa servissem de alicerce para julgamentos mais complexos. Não é isso que acontece. Infelizmente, muitas vezes a mente caótica do astrólogo faz com que seu 'edifício astrológico da interpretação' falte uma coluna de sustentação ou duas, um verdadeiro "balança mas não cai" interpretativo. muitos julgamentos são tecidos com total insegurança, baseados em apenas uma ou duas configurações.
As modalidades dos Signos: Móvel, Fixa e Dual (ou, cardinal, Fixa e mutável)
Uma das primeiras coisas na interpretação - nas quais as subsequentes deveriam se pautar com segurança - é saber qual a modalidade mais forte na vida da pessoa. Para tanto, contamos quantas vezes os planetas 'portadores de luz' (os sete planetas tradicionais, da Lua a Saturno) aparecem em signos Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio), Fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) ou mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes). A modalidade que tiver mais planetas será a predominante na vida da pessoa.
Signos Cardinais (também chamados de "móveis") proeminentes: A pessoa tem uma vida muito instável. Os empreendimentos em geral tendem a ter seu tempo limitado pela vontade da pessoa de se mover e iniciar coisas novas. Se o mapa representar sucesso, não será devido à persistência da pessoa, mas sim à sua capacidade de abrir novas frentes - o pioneirismo. Por gostarem de movimento, essas pessoas podem fazer sucesso no exterior. Pessoas com proeminência nesses signos tendem a se mostrar obscuras e fracassadas em empreendimentos que exijam persistência e rotina.
Signos Fixos proeminentes - A pessoa tem a vida muito estável, sólida, fixa. Conseguem ser persistentes no que fazem, possuem energia para continuar uma atividade até o fim. Tem facilidade em repetir diariamente as mesmas atividades. Tem idéias pouco maleáveis e não se adaptam facilmente a novas circunstâncias. Quando faz uma mudança, geralmente ela é radical, definitiva e pode até chocar seus contatos imediatos. São considerados rudes porque não negociam seus ideais e princípios.
Os autores dizem que tendem ao sucesso, e isso é fácil de entender: na maioria dos casos, o sucesso depende unicamente de persistência, e isso os signos fixos têm de sobra. Mas fama é um fator extremamente individual e ter a maioria dos planetas em signos fixos nem sempre é suficiente.
A depender do que a pessoa faz, ter signos fixos proeminentes pode não indicar sucesso, mas somente fama. Para entender isso, basta imaginar a figura de um mendigo com signos fixos proeminentes no seu mapa: todos os dias ele fica no mesmo lugar, na mesma posição, e com isso ele se torna reconhecido por muitas pessoas que por ali passam. Não podemos dizer propriamente que há sucesso, mas sua fama é incontestável...
Signos mutáveis (também chamados de "duais") proeminentes - muitos consideram a melhor ênfase, porque reúne as naturezas extremadas das duas modalidades acima, e com isso há um estado de equilíbrio. Quando as circunstâncias requerem, essas pessoas mudam suas vidas, são adaptáveis, maleáveis; simultaneamente, podem realizar por anos a mesma atividade, se ela for favorável. Por serem flexíveis, são mais gentis no trato com o próximo. Podem ter uma ou duas idéias inflexíveis e mudar as outras conforme suas experiências.
Como saber qual é o seu excesso?
Para saber o seu excesso de modalidade, é necessário saber quais são os signos móveis, fixos e duais. Eles foram citados no início do artigo. Em seguida, veja qual modalidade tem o maior número de planetas. Simples assim.
A modalidade que abrigar o maior número de planetas é a vencedora. Os planetas que devem ser usados são os sete tradicionais (Sol, Lua, Marte, Vênus, Júpiter, Saturno, Mercúrio).
Como há três signos e sete planetas, uma distribuição comum é encontrar empate 3:3:1. Por exemplo, três planetas em signos móveis, três planetas em signos fixos e um em signo mutável. Nesse caso, como proceder?
Em caso de empate, há regras específicas para prevermos os resultados.
1 - Duais empatando com móveis = a pessoa é móvel.
2 - Duais empatando com fixos = a pessoa é fixa.
3 - Móvel empatando com Fixo = em tese, a pessoa seria dual, mas não é. Ela tende a ser dividida: certas facetas da sua vida ela tende a insistir na mesma postura, mesmo que não traga lucro para ela. Noutras, mudará muito, simplesmente pelo prazer da mudança.Agora precisamos entender os resultados acima.
Talvez você ainda esteja analisando os dois primeiros resultados e esteja um pouco intrigado com a resposta. Toda vez que há empate entre signos duais e um dos outros dois, a pessoa tende a ter proeminência do outro, e não do dual. Para entender isso, é preciso entender o signo dual como possuidor de duas naturezas, dividindo-o por dois. Uma analogia pode ser útil.
Se signos móveis fossem laranjas e signos fixos limões, signos duais seriam laranjas e limões, e não uma terceira fruta, mistura de laranja com limão. Se uma pessoa tem três planetas em signos móveis, e três em signos duais, ela teria 3 laranjas + (3 laranjas + 3 Limões), e assim, ela teria 6 laranjas e 3 limões. Ficou mais simples?
Quando a pessoa tem empate entre signos fixos e signos móveis, ela deveria ser mutável, mas na prática, não. Nesse caso de empate fixo+móvel, eles diferirão dos signos duais na medida em que nalgumas áreas da vida eles terão compulsão por movimento, mesmo que a situação lhe seja conveniente. Em outras áreas, eles insistirão nos seus comportamentos e desejos, mesmo que eles lhe tragam prejuízo.
Entendendo o nome do artigo.
Na astrologia indiana, o procedimento de se contar planetas nas modalidades citadas se chama Ashraya Yogas. Ashraya significa "o local de repouso dos planetas" e isso remete aos signos e suas qualidades (no caso, a modalidade). A palavra "yoga" significa união, e indica aquilo que
prende a pessoa aos frutos dos seus karmas (ações).
Portanto, toda vez que o termo "yoga" é citado em jyotisha, implica algum resultado na vida da pessoa, que pode se manifestar em qualquer plano de existência - isso depende do escopo do yoga. Existem yogas que repercutem na vida psíquica da pessoa apenas, e outros de abrangência maior, assim como os mais específicos para questões materiais.
Os Ashraya Yogas se situam dentro de um grupo maior de 4 tipos de yogas. Esse grupo é citado por vários autores - dentre eles, Parasara e Varahamihira. O grupo se chama "Nabhasa Yogas", e o termo Nabhasa significa "celestial". Esse nome nos dá pistas para o modo de se usar essas combinações.
Os yogas celestiais teriam essa denominação porque só seriam observáveis no céu do nascimento da pessoa, e portanto nenhum planeta que não emita luz deve ser incluído nessas combinações. Portanto, os nodos lunares (Rahu e Ketu), Sahams (partes árabes, por mais importantes que sejam) bem como o Ascendente e cúspides de Casas angulares estão fora.
Outra conclusão da aplicação do nome "nabhasa" seria não usá-los em "mapa divisionais" (como por exemplo a Navamsa) porque esses mapas não existem enquanto entidades físicas: eles não são visíveis no céu, são abstrações do que realmente acontece. O mapa chamado de Rasi (para os ocidentais, simplesmente é o mapa natal) é o que acontece nos céus no exato momento em que a pessoa tem sua primeira respiração e somente nele se deve usar tais yogas.
A semelhança com a Astrologia Ocidental.
Dentro dos Nabhasa Yogas, os Ashraya Yogas são ensinados quase do mesmo modo da maneira ocidental de contar planetas nas modalidades. A diferença é que no ocidente se costuma incluir o Ascendente e retirar planetas muito lentos da contagem. Isso contraria alguns preceitos indianos: o Ascendente representa o corpo físico, passível e inerte, sujeito aos planetas: são estes que dão movimento à vida e representam comportamento. Uma pessoa só é definida quando tem uma atitude, mesmo se essa atitude for a decisão de se manter estático.
Se um estudante começar a estudar jyotisha pelos Nabhasa Yogas já conhecendo Astrologia Ocidental, vai achar que está chovendo no molhado, tamanha a similaridade; mas muitas vezes as similaridades são tão superficiais quanto uma poça d'água... É por isso que acho melhor o estudante começar por outras coisas e depois partir pros Nabhasa yogas, SE ele já estudou astrologia moderna ocidental antes.
Por outro lado, deixar de aprendê-los pode não ser a atitude mais sábia, porque muitos clientes procuram astrólogos mais interessados em leituras astrológicas de comportamento e, para isso, os Nabhasa Yogas são perfeitos. Eles são o alicerce da interpretação e todos os outros julgamentos complexos e específicos serão neles baseados.
Nesse artigo, nós só falamos dos Ashraya Yogas, mas existem mais de 30 Nabhasa yogas além desse que, usados em conjunto, promovem uma descrição sintetizada do comportamento da pessoa e de como isso influirá no seu destino, mas em termos gerais.
Um exemplo dramático.

O nativo possui Sol, Lua, Vênus e marte em Áries, Saturno e Júpiter em Libra, Mercúrio em Peixes. Com isso, há um total de SEIS planetas em signos móveis (Áries e Libra) e apenas UM em signo dual (Peixes). Há claramente um excesso de planetas em signos cardinais, no eixo Áries-Libra.
Momentos nos quais o céu fica com muitos planetas numa mesma modalidade, como no caso acima, não são comuns. A maioria das pessoas tem predominância de uma modalidade, mas geralmente será uma predominância pequena, quase um empate. Quando a ênfase for grande (mais de quatro planetas), a modalidade fica evidente para quem convive com ela. De característica, passa a ser um problema incômodo, e tende a se encaixar nas descrições exageradas dos livros clássicos de astrologia. Em alguns casos, tende a ser confundida com uma compulsão.
Esse homem iniciou seus estudos na faculdade de medicina, mas não conseguia terminá-los, pensando que a carreira literária lhe seria melhor. Largou a faculdade mais de uma vez, seja devido a relacionamentos intensos com mulheres ou por considerar a vida literária, iniciando um emprego para ter independência financeira e escrever, no qual ficou por pouco tempo.
Ao invés de começar algo relacionado à literatura, se casou e foi morar num outro município, no qual se envolveu numa atividade cultural com sua esposa - atividade essa com a qual nunca tinha se envolvido anteriormente. Desconheço se ele continuou a faculdade ou não. Independente disso, torço para que ele esteja feliz a seu modo.
Se uma pessoa como essa se sentir frustrada porque não conseguiu terminar nada além do segundo grau, dizer a ela que há indicações claras de que seu destino é extremamente móvel pode ser reconfortante. Talvez a pressão para se enquadrar numa vida rotineira possa se abrandar.
Longe de estimular um posicionamento passivo perante a vida, algumas coisas precisam ser primeiramente aceitas para em seguida serem trabalhadas dentro do seu melhor potencial. Sua condição pode ser explicada por outros vieses além da Astrologia, mas é notável o quanto esse saber sintetizou algo que ele sempre percebe e por muitas vezes não compreende. Talvez a solução para esse homem seja legitimar o movimento em sua vida.
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