19/05/2011
Até onde eu pude conhecer da astrologia indiana, posso dizer que há cinco escolas notórias:


  1. Parasara

  2. Jaimini

  3. Bhrigu

  4. Nadi

  5. Tajika


Cada uma delas tem muitas coisas em comum com a astrologia ocidental, embora não suficientemente para concluirmos que há apenas uma astrologia no mundo e que precisamos nos unir numa fraternidade universal de astrólogos...



Dentre as cinco astrologias acima, estou me dedicando no momento mais à segunda, Jaimini.



Não é muito difícil conseguir na internet os 'Jaimini Upadesa Sutras' ou os 'Sutras Iniciatórios de Jaimini'. Só que o leitor não terá, decerto, a dimensão da dificuldade que é traduzir Jaimini do sânscrito para uma língua moderna.



O Sânscrito é uma língua 'morta', tal qual o latim, porém seu estudo é continuado devido a razões religiosas e cerimoniais, pois é a língua viva dos vedas, dos deuses, da espiritualidade indiana. Há quem diga que o Sânscrito nunca foi falado nas ruas, sendo uma língua dos Brâmanes, a casta letrada, mais culta. Seu alfabeto - na verdade um silabário - é chamado "Devanagari", cuja tradução plausível pode ser 'cidade dos deuses'.



Saber Sânscrito, portanto, também será importante para quem deseja desbravar a astrologia indiana seriamente. Caso contrário, dependerá das opiniões de terceiros sobre a interpretação de um texto.



O texto de Jaimini talvez seja o mais fácil de ser traduzido. Daí a ser entendido é outra coisa diametralmente oposta... As frases são concisas, portanto de tradução fácil. O mistério reside justamente nessa concisão: Menos palavras, menos explicação, menos clareza, esta portanto se adquirirá com o tempo...



Apesar de ser um texto 'lacônico', Jaimini deixou pistas de como devemos entendê-lo dentro do próprio texto. Soma-se a isso que o autor possui um padrão de conexão das frases que possui poucas variações. É assim que linguistas preferem acreditar, caso contrário a coisa será mais difícil...



Na tradução de Jaimini feita por astrólogos, criou-se uma interdependência entra a prática astrológica e a tradução. Ao se estudar um sutra (frase), leva-se anos para entender seu sentido original, que é corroborado ou não pela análise dos mapas natais. Ao se optar por um determinado sentido, o astrólogo o testa várias vezes até que ele perceba que realmente corresponde à realidade; não havendo isso, retorna-se ao papel novamente...


Além do texto ser conciso, Jaimini usa um código para definir os signos e as casas. O próprio autor explicita isso no texto: não é delírio psicótico de nenhum tradutor nem ficção como no Código da Vinci...
Nesse código, a palavra é numerologicamente analisada, se convertendo num número que é dividido por 12. O número resultante é a casa ou signo do mapa. A decodificação é feita pelo sistema numerológico katapayadi, que você pode ver no blogue nas postagens desse ano.



Ainda assim, a decodificação não resolve todos os problemas. Por exemplo, quando é que o autor se refere a um signo, e quando é que se refere a uma casa? veja no exemplo abaixo: duas traduções para a mesma frase:





िबयचापयोिवशर् षे ने

kriyacāpayorviśeṣena.



Tradução de Sanjay Rath: se ketu (nodo sul) estiver na 4ª ou 12ª casas a partir do karakamsha (Posição do planeta com o maior número de graus no mapa natal porém visto na Navamsha), a emancipação final será garantida.



Tradução de Ernst Wilhelm: (...) em Peixes (12º signo) e Câncer (4º signo), particularmente.
O trecho acima quer dizer o seguinte: se essa configuração astrológica ocorrer, a pessoa atingiu um patamar de evolução tal que ao morrer não reencarnará mais. Para Sanjay, isso pode ser representado pelaa configuração do nodo sul na casa 4 ou 12 do planeta que rege a alma (Atmakaraka, aqui chamado de Karakamsha); enquanto Ernst traduz a mesma configuração como sendo o nodo sul no mesmo signo do planeta da alma, sendo esse signo Câncer ou Peixes.



Não vamos aqui questionar a validade dessa afirmação, pois o exemplo foi citado apenas para percebermos como a mesma frase pode ser traduzida de dois modos diferentes: enquanto Sanjay considerou as casas, Ernst traduziu como signos! Tudo isso porque as palavras kriya e cāpayoh geram um número cada uma, 12 e 4, respectivamente. Esse número pode se referir tanto a um signo quanto a uma casa. Dependerá do contexto, que no caso se demonstra ambíguo, pois cada tradutor escolheu um viés diferente.


Jaimini é único e genial. Mesmo com algumas passagens ambíguas, é no consenso entre os diferentes tradutores que vemos o poder dessa técnica, ao mesmo tempo simples.

Já escrevi antes aqui que Parasara e Jaimini tem muitas coisas em comum e por isso não poderiam ser considerados escolas diferentes. Bem, não sou uma autoridade do sânscrito mas hoje já conheço gente que diz o contrário e que me fez pensar no que disse.



De fato, Parasara contém em seu texto algumas coisas de Jaimini, sendo essa a evidência que suporta a minha afirmação anterior, porém Ernst Wilhelm, meu professor atual de Astrologia Jyotisha e conhecedor do sânscrito, estudou anos e anos Jaimini e concluiu algumas coisas discordantes. Seu ponto de vista vale a pena, pois Ernst criou o curso de Astrologia Jaimini mais acessível que já tive o prazer de conhecer.



As conclusões de Ernst são baseadas na sua experiência particular e em evidências textuais. Segundo ele, provavelmente o trecho do texto de Parasara que lembra Jaimini na verdade foi uma inclusão tardia de algum escriba.


Apesar do texto de Parasara ser mais antigo do que Jaimini, somente no século XIX é que ele foi transcrito para o papel. Logo, está suscetível a inclusões astrológicas da antiguidade até o século XIX da nossa era que podem não corresponder ao texto original.


De acordo com Ernst, escribas que não se preocupavam em separar os conteúdos por autores podem ter incluído no mesmo texto atribuído a Parasara trechos significativos dos sutras de Jaimini, sob a lógica de ajuntar técnicas que funcionam num mesmo manuscrito, da mesma forma que fazemos em nossos cadernos pessoais.


Os sutras originais são muito mais concisos do que os encontrados em Parasara. Em outras palavras: encontramos em Parasara um Jaimini decodificado, no qual muitos autores se inspiraram para traduzir o Jaimini original, através de referências cruzadas.


Aparentemente mais enxuto e com um estilo peculiar, o texto supostamente original de Parasara se diferencia pela exacerbada matematização da astrologia. As técnicas de Jaimini não requerem matematização: com apenas uma olhadela, já sabemos a força de um planeta e podemos compará-la com a força de outros afim de escolhermos o mais influente em determinado assunto.



Em Parasara nós vemos um Jaimini decodificado. Em outras palavras: enquanto nós temos de sofrer para decodificarmos, o escriba que registrou a obra de Parasara incluiu nessa obra seu entendimento dos sutras codificados de Jaimini. Só que esse entendimento, na experiência de Ernst, é errôneo, já que seus achados na prática não o corroboram.



Antes do 'código da Vinci', de Dan Brown, há o Código Jaimini, que ao ser corretamente desvendado, pode revelar técnicas surpreendentemente simples (mas poderosas) de interpretação do mapa natal.
12/05/2011
Acho que uma das coisas mais interessantes da Astrologia indiana são as técnicas que dependem de certas condições para que sejam aplicadas no mapa em questão. Se o seu mapa não tiver os critérios determinados, simplesmente elas não se aplicam. Só que os critérios não são tão rigorosos e certamente pelo menos uma ou duas técnicas condicionais podem ser usadas, a depender do mapa analisado.
As técnicas condicionais servem para complementar as informações obtidas pelas técnicas que são usadas para todos os mapas.
As principais técnicas usadas em todos os mapas são o Vimshottari Dasha, Narayana Dasha e Yogini Dasha, dentre outras. Todas as pessoas podem ter seus mapas analisados por essas técnicas, porém, se o mapa da pessoa preencher um ou mais critérios, além dessas técnicas a pessoa pode contar com o uso dos Dashas condicionais.

Por exemplo: no meu mapa, duas técnicas condicionais podem ser usadas (tenho usado o zodíaco tropical mesmo para astrologia indiana):
Para sabermos quais técnicas devemos usar, é necessário o sistema de signos inteiros, no qual um signo inteiro será uma casa. Assim, o Ascendente será todo o signo de Áries porque a cúspide da 1 cai nesse signo. As outras casas serão signos contados a partir de Áries e não dependem de cúspides.

No meu mapa, dois dashas condicionais podem ser usados: Dwisaptisama Dasha e Shastisama Dasha. Abaixo, vocês podem ver os critérios de aplicabilidade:
  • Shastisama Dasha: O Sol deve estar no Signo Ascendente. Tenho o Sol e Ascendente em Áries.
  • Dwisaptisama Dasha: O critério é ter o Regente do Ascendente no sétimo signo ou o regente do sétimo signo no Ascendente. No meu caso, o Regente do Ascendente é marte e ele se encontra no sétimo signo a partir do Ascendente, Libra.
Documentados por Parashara em uma das versões aceitas do Brihat Parashara Hora Sastra, existem 9 Dashas condicionais. No meu mapa, apenas dois se aplicam, embora isso seja mais que suficiente em termos de volume de trabalho para se prever alguma coisa...

O limite do Astrólogo é o tempo que ele tem de trabalhar sobre um mapa. A menos que você tenha dedicação exclusiva a um cliente (coisa que não existe desde as monarquias medievais...), não usará todas as técnicas preditivas possíveis, apenas as que você tem mais confiança e experiência.

E a maneira de se interpretar essas técnicas é exatamente igual ao modo de se interpretar o Vimshottari Dasha: o planeta que rege o período terá seus assuntos ativados pelas casas que rege em qualquer um dos mapas do indivíduo, sejam eles os mapas divisionais ou o mapa natal. O regente do subperíodo será o realizador do regente do período e deve ter suas casas contadas a partir da Casa onde está o regente do período.

Por exemplo: usando Shastisama Dasha, o meu casamento se deu na entrada do Dasha de Vênus. Isto mesmo: no subperíodo de Vênus dentro do período principal de Vênus, que pode ser abreviado como Vênus/Vênus. Vênus é significadora essencial (karaka) de casamento em qualquer mapa e no meu caso indicou o matrimônio com clareza e proximidade de datas. O início do dasha de Vênus ocorreu em 4 de abril de 2009 e o meu casamento aconteceu em 11 de abril!

Podemos ver a mesma coisa pelo Vimshottari Dasha, que pode ser usado em qualquer mapa. No meu caso, no dasha Lua/Marte o Casamento ocorreu, sendo a Lua regente da Casa 11 (ganhos e aquisições) da Navamsa (minha Navamsa - o mapa de Casamento - tem Ascendente Virgem usando o zodíaco tropical), enquanto marte era regente da Casa 11 a partir da Lua. Soma-se a isso que Marte é dispositor de Vênus.

A Casa 11 indica os ganhos do mapa e, assim sendo, a 11 na Navamsa representa ganho de casamento. Marte está exaltado e com isso havia a promessa de casamento dentro do seu período, pois o planeta regente do subperíodo precisa ser forte para promover os significados do regente do período, sendo que as casas deles devem ser contadas não somente a partir do Ascendente, mas também a partir do planeta regente principal. Esse é o principal segredo da interpretação de qualquer Dasha.

Se podemos ver o casamento no Vimshottari Dasha, para que usarmos outra técnica? A resposta é simples: confirmação. O período Lua/Marte mostrava uma chance de casamento. Diante dessa dúvida, analisamos os dashas condicionais para buscarmos confirmação. À época prévia ao casamento, a certeza do evento acontecer seria maior caso se usasse, somado ao Vimshottari Dasha, o Shastisama Dasha.
Depois de um certo tempo, você perceberá que uma técnica preditiva apenas é incapaz de revelar todos os eventos da vida de uma pessoa.
A vida da pessoa é como se fosse uma trilha de fios. Às vezes, pode ser apenas um fio, mas geralmente podem ser dois ou mais correndo em paralelo: por exemplo: Ao mesmo tempo em que uma pessoa cursa uma faculdade, ela pode se casar e seu pai pode falecer. Delinear todos esses eventos tendo como base apenas uma técnica requer um nível de conhecimento astrológico e evolução espiritual que está além do alcance da maioria dos mortais.

Se usarmos apenas uma técnica, não saberemos tudo que se passa, pois geralmente uma técnica preditiva nos revela apenas um desses fios.
Usando os dashas condicionais, além de poder confirmar o que vemos nas técnicas gerais, há a oportunidade de descobrirmos outros fios da vida de uma pessoa.
Não serão todos, é claro, pois a onisciência é um atributo divino.



02/05/2011
Eu sou uma pessoa otimista. Acho sinceramente que a maioria das questões que causam rixas entre os astrólogos não passam de mal entendidos. Também penso que podemos, numa interpretação astrológica, enfatizar as coisas boas. Só que isso não significa que devemos ignorar eventos que possam causar preocupação e dano ao consulente.

Uma dessas coisas que nos ajudam a distinguir se os eventos serão agradáveis ou desagradáveis é o conceito de benéficos e maléficos. Antes de rebatermos as críticas dos astrólogos medievais, vamos perceber que planetas são maléficos e quais são benéficos:
  • Posto da maneira mais simples possível, na Astrologia Medieval Ocidental Marte e Saturno são maléficos e o restante dos planetas são benéficos até que se provem o contrário na análise do mapa.
  • Os indianos colocam junto a Marte e a Saturno como maléficos, também aos nodos, o Sol e a Lua, caso esta se encontre minguante.
  • Na Astrologia medieval, o Sol pode ser considerado maléfico se estiver muito perto dos planetas. O Sol queima os planetas que estiverem a menos de sete graus dele. De longe, porém, o Sol não causa mal.
Até aí, nada demais. Já temos a lista de benéficos e de maléficos. Resta saber o que fazer com esses conceitos, e entendermos por que ele pode ser alvo de críticas.

Os astrólogos modernos criticam o pessimismo da leitura astrológica feita pelos astrólogos medievais. Aproveitando o ensejo, eles criticam o conceito de maléficos e benéficos como se fosse um instrumento para o sombrio astrólogo clássico vaticinar seus prognósticos sadomasoquistas.

Eu nunca tive meu mapa interpretado por um astrólogo medieval, mas creio que exista pessoas assim, meio sombrias mesmo, que só vêem desgraça no mapa. A questão é se esse tipo de pessoa está somente no meio astrológico clássico ou se também podemos ver gente que fala besteira usando Urano, Netuno e Plutão, Eris e os asteróides. Estou certo de que a segunda hipótese seja mais evidente na minha experiência. O sadismo do astrólogo independe da sua técnica.

Esquecendo o sadismo inerente ao astrólogo, há um certo entendimento errôneo da astrologia clássica que pode gerar o seguinte:
Quem não entende bem Astrologia Clássica, fica pessimista.

Quem a entende por completo, fica realista.
O conceito de maléficos e benéficos serve para nos mantermos alertas em relação às coisas que todo ser humano não gosta muito. Antevendo essas coisas, o consulente pode se preparar, mesmo que só emocionalmente, para os eventos.

A Astrologia Medieval não é somente um sistema para vermos o que é melhor em cada ser humano. Ela vê o ser humano e sua experiência de um modo completo, com toda a dose de dor a gozo que isso possa ter.

A vida, posta de um modo simples, tem momentos que são agradáveis, e outros que são difíceis. Sentimos dor, prazer, ódio, rancor, alegria, tristeza, paixão, etc. Temos riquezas, carros, casas confortáveis, mas também temos miséria, fome, doenças, feridas, carências de toda sorte.

Como a Astrologia concebida pelos antigos era um sistema de representação da REALIDADE, ele tem que representar todas essas facetas da vida, toda essa miríade de sentimentos, sensações, emoções, experiências, objetos.
A experiência milenar dos astrólogos de uma vasta área da Eurásia - da Índia à Europa medieval - fez com que a lista de correspondências planetárias se sedimentasse nos livros, com poucas variações. Com o passar do tempo, um certo maniqueísmo passou a dividir os planetas em duas categorias:
  • Os planetas que indicam experiências desagradáveis e/ou extenuantes, sentimentos intensos e que fazem o nativo se sentir mal, práticas moralmente condenáveis, lucros obtidos por meios escusos.
  • Planetas que indicam experiências agradáveis, fáceis, moderadas, que trazem bem estar, práticas moralmente aceitas.
Eu pergunto ao leitor se essa divisão não passa de uma dedução lógica do que desagrada os seres humanos ou não.

A crítica dos astrólogos modernos ao conceito de maléficos parece residir na estereotipia dos planetas. Para eles, seria possível sentir as mesmas coisas de um benéfico mas incorporadas num maléfico, e vice-versa; logo, o rótulo não procede.

Quanto ao que eles falam, não há nenhuma novidade... A própria astrologia medieval ensina que, se o maléfico estiver em bom estado, ele pode produzir vitória e ganhos à pessoa, porém os ganhos nunca serão produzidos de um modo suave. Da mesma forma, benéficos em mal-estado produzem problemas, só que eles virão por meios agradáveis. Seria aquela bela refeição, que vem envenenada...

Essa crítica à astrologia clássica, para mim, só mostra a falta de domínio que esses astrólogos tem dos significados dos planetas, uma das coisas mais básicas da astrologia. Embora eu concorde que dois planetas diferentes possam conseguir o mesmo objetivo, Vênus NUNCA produzirá a mesma coisa de uma forma igual a marte, e vice-versa. A mesma coisa com qualquer outra comparação de planetas que você realizar.

Ora, se maléficos podem fazer bem e benéficos podem fazer mal e, se os astrólogos medievais já sabiam disso, qual o propósito da divisão? Vou apresentar o exemplo do planeta marte e talvez será mais fácil distinguirmos.

De fato, marte pode indicar coisas muito boas. Uma delas é atividade física, esporte. Fazer atividade física é muito bom, mas eu pergunto ao leitor se inicialmente isso lhe será agradável. Decerto que não.

A atividade física, algo estritamente marcial (embora alguns defendam que seja jupiteriano) não causa mal ao ser humano, desde que seja feita moderadamente, de modo a não causar lesões musculo-articulares. Entretanto, se atividade física fosse algo prazeroso à primeira vez, decerto que não teríamos essa massa de sedentários que assolam os países industrializados.

Talvez as pessoas que criticam o conceito de maléficos não percebam que o astrólogo medieval não está alheio a sutilezas como a mencionada acima. Temos consciência disso e nos esforçamos em diferenciar as sutilezas. E todas essas críticas seriam menores ou desapareceriam se os astrólogos modernos soubessem de que nós temos consciência da seguinte diferenciação:
Os benéficos são sempre experimentados como coisas agradáveis, mas nem sempre essas coisas fazem bem, como o açúcar.

Os maléficos são sempre experimentados como coisas desagradáveis, mas nem sempre fazem mal, como atividade física e força de vontade.
Acredito que o melhor lado dos maléficos seja a insensibilidade que eles causam. Com o tempo, a pessoa pode sentir falta da atividade física que inicialmente causava tantas dores.

Marte e Saturno não serão ruins em qualquer mapa, mas até as coisas melhores que eles podem proporcionar vem acompanhadas de dor, sacrifício, conflito, dispêndio e energia e solidão.

Aqui, o conceito de benéficos e maléficos é usado não para discernir entre o mal e o bem, mas entre o agradável e o desagradável.

E é por isso que sou otimista, porque as palavras podem confundir se as pessoas usarem sentidos diferentes para elas num diálogo. Na astrologia medieval, os termos 'maléfico' e 'benéfico' são confundidos com suas acepções modernas da palavra. Qualquer pessoa hoje pensará que uma coisa maléfica faz muito mal, o contrário com uma coisa benéfica.

Na verdade, na astrologia clássica, essas duas palavras extrapolam o sentido moderno, porque podem representar não somente coisas que fazem bem ou mal ao ser humano, mas também coisas que consideramos agradáveis ou desagradáveis.

Júpiter e Vênus são coisas agradáveis, mas nem sempre são boas à saúde. O sabor de Júpiter é doce e, se ele estiver mal posicionado na figura, os doces podem fazer mal ao nativo.

Saber quando um planeta pode ser bom à pessoa depende de vários fatores, e graças a Deus todos eles passam longe de se ter intuição.

Benéficos regendo casas ruins da figura e mal posicionados e em aflição dos maléficos podem indicar coisas agradáveis que fazem muito mal, mesmo sendo experimentados de um modo bom ou por meio de uma pessoa que não seja (em tese) seu inimigo.

Maléficos regendo casas boas da figura e bem posicionados e sem aflição dos maléficos podem indicar benefícios por intermédio de faculdades pessoas que os separa da maioria, como conflitos, disciplina, solidão.

A astrologia representa a realidade. Muito cuidado com pessoas que não querem percebê-la, criando um mundo cor de rosa onde tudo são potenciais maravilhosos. Na maioria das vezes, um potencial é somente uma coisa que tem potencial de acontecer, mas que pode nunca surgir.

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