31/03/2011
De vez em quando, é bom dar margem aos mitos urbanos da Astrologia e mostrar se eles podem ou não ser verdadeiros na prática. Essa abordagem é a mais comum por aí, porque seguramente é aquela que mais dá mais audiência aos sites.

Os termos e perguntas que mais pipocam na internet são "inferno astral", "Ascendente começa a funcionar depois dos trinta", etc. Um tema que entra nessa lista de celebridades míticas é o famigerado Retorno de Saturno.

Eu poderia ter escrito sobre isso há muito tempo. Como se pode ver na coluna de postagens mais populares, os títulos mais apelativos são os que tem mais acessos. Só que minha diretriz para escolha de temas é sempre deixar o leitor a par das minhas últimas reflexões, vivências e estudos astrológicos - sendo que isso nem sempre é apelativo...

Por exemplo, o artigo sobre Tajaka foi criado porque estou estudando o mesmo livro que indiquei no site scribd. Como no dia 27 de março de 2011 eu completei 29 anos, estou próximo do meu retorno de Saturno, então estou vivenciando certas coisas que já se repetiram na minha vida e que gostaria de compartilhar.

Vamos desmistificar (ou não) o retorno de Saturno:
O Retorno de Saturno é simplesmente o momento em que esse planeta retorna à mesma posição que ocupava no mapa natal.

Saturno é o planeta mais lento da astrologia tradicional, e portanto isso acontece a cada vinte e nove anos, aproximadamente.
Essa expressão já foi usada por alguns artistas, como Renato Russo:
E aos vinte e nove, com o Retorno de Saturno,
Decidi começar a viver.
(Música 'Vinte e Nove', Legião Urbana, álbum "O Descobrimento do Brasil")
Ou, pela banda canadense R.E.M., com a música do homônima:
Saturn return when you chase down its moons
Throw them into a new gravity.
(Música 'Saturn Return', REM, álbum 'Reveal')
Ou seja, há uma aura de 'misticismo poético' cercando esse conceito. Se astrologia já é mística pra cacete, imagina o Retorno de Saturno!

O astrólogo faz do retorno de Saturno mais um dos seus inúmeros instrumentos de trabalho. Como tudo dentro da astrologia, existe mais de uma maneira de trabalhar com ele. Eu vou citar o modo mais moderno e depois o modo clássico.

Na Astrologia moderna, independente do que Saturno significar no mapa da pessoa, o momento do retorno de Saturno serve para a pessoa colher aquilo que ela plantou durante os vinte e nove anos e meio anteriores e de começar um novo ciclo de maturidade. É um momento de peso na vida de alguém.

Já ouvi gente dizendo que, depois dos trinta, as pessoas ficam mais interessantes, etc. Trinta é um número arredondado para o retorno de Saturno que, na verdade, ocorre com vinte nove anos e meio.

E quem sou eu para definir o que ocorre a partir dessa idade! Talvez muitos escritores tenham arranhado a borda dessa significância, e não seria um simples astrólogo que definiria isso. De qualquer modo, eu humildemente posso dizer que nos trinta, fazemos uma chamada em nós mesmos: continuar tendo comportamento infantilóide em algumas áreas da vida ou amadurecer a alma o mínimo possível?

Com 18 anos, o corpo já está pronto, mas a alma, longe disso. Os trinta anos são a primeira chance da alma ter alguma maturação para encarar a vida adulta com dignidade, vida na qual sobrevivia com sofreguidão desde os dezoito.

E haverá outros ciclos de Saturno: o homem moderno vive no mínimo dois deles. O homem medieval tinha a expectativa de vida de apenas um ciclo de Saturno. Moliére, quando queria representar velhos caquéticos em suas peças, escolhia pessoas de quarenta anos de idade!

Eu acho que o estudo do ciclo de Saturno sem a análise do mapa natal reflete o processo genérico de amadurecimento do homem, mas existem pessoas que fogem dele. Pessoas que sofreram muito e foram obrigadas a amadurecer muito cedo. Pessoas que acham a vida uma Disneylândia e que nunca amadurecerão, no sentido positivo da palavra.

Como eu sou um astrólogo de inspiração árabe-medieval, meu modo de proceder com o retorno de Saturno seria o mesmo de Abu Ma'shar:
'Quando um planeta retorna à sua posição natal, realiza-se as coisas que ele representa na natividade'.
(Abu Ma'shar, on solar revolutions)
Agora você tem o dever de interpretar o seu Saturno no mapa natal. Quando chegar o seu retorno, saberá como ele funcionará.


O mapa acima tem dois zodíacos: o sideral é o mais externo. O mais interno é o tropical.

Veja, por exemplo, o meu caso: Saturno está nos ângulos. Maléficos nos ângulos são difíceis porque o nativo se identifica com eles, vivenciando na carne todas as qualidades que eles representam.
Saturno é trabalho e maturidade, austeridade e estoicismo, mas também é melancolia, depressão, misantropia, peso.
No meu caso, acho essa posição de Saturno problemática porque está na Casa 7 (relacionamentos e desejos, para os indianos). Minha relação com meus desejos e parcerias é bastante complicada. A tendência é desistir deles, só que assim eles voltam pra você de alguma forma: é fundamental lutar por eles para se dar movimento à vida!

Mais problemático ainda é que o Sol, o significador de vitalidade, está em oposição a Saturno. Todos os trânsitos de quadratura e oposição de Saturno sobre o Sol me são acachapantes. Eu sinto fisica e mentalmente que estou carregando três sacos de cimento nas costas.

Talvez essa descrição de Saturno esteja lhe amedrontando, mas acalme-se: Saturno pode ser muito melhor pra você. Tudo depende das casas que ele reger.
Um Saturno regente de casas maléficas (6, 8 e 12) acentua a malícia de Saturno para deprimir e extenuar. (Para saber quais casas ele rege, identifique onde estão os Signos de Capricórnio e Aquário). No meu mapa (zodíaco sideral), Aquário está na 12.

Já a sua regência sobre as outras casas implica bons resultados, mas com muito trabalho e constante reorganização e vigilância.

Se no mapa natal, Saturno estiver ligado ao Sol de forma tensa (quadratura e oposição), a pessoa experimenta muito peso na sua rotina nos períodos de Saturno e do Sol, ou quando Saturno entrar em trânsito com o Sol.

Saturno em configuração com a Lua não é tão ruim, mas a pessoa pode ser muito isolada, ser extremamente organizada e/ou não ter grandes interesses materiais. A palavra chave dessa combinação é ascetismo.
É claro que falamos de um modo simbólico. Saturno não faz, mas representa essas coisas.





30/03/2011
A palavra 'Tajaka' pertence ao vernáculo Urdu, uma língua do Norte da Índia que possui muita influência do árabe na sua escrita e pronúncia.
'Tajaka' normalmente é referido como a astrologia transmitida pelos Persas aos indianos. De fato, as evidências são muito grandes para se descartar essa conclusão.
A Índia sofre invasões na Idade Média pelos árabes, com o intuito de conquistar territórios e propagar o Islã. Nesse encontro forçoso, nasce Tajaka, e a língua Urdu sofre grandes influências. As técnicas de astrologia árabe foram transmitidas e até hoje podem ser apreciadas na Tajaka com uma similaridade incrível ao que se lê nos autores do período árabe-medieval. Por exemplo, o conceito de 'aplicação' de um planeta recebe o nome de 'ithasala yoga', enquanto o original árabe recebe o nome de al-ittisal. Retirando o prefixo 'al' que faz parte da maioria das palavras do árabe quando citadas, a transliteração do termo para o sânscrito é fiel.
Tudo isso para dizer que é tentador concluirmos que Tajaka é astrologia medieval árabe pura e aplicada dentro do contexto muito específico da Astrologia Indiana, a saber, a Revolução Solar.
É curioso que as teorias árabes não se propagassem massivamente para outras áreas da astrologia indiana. Na verdade, a única coisa que 'colou' fora da Tajaka e que pertence à mesma são as famosíssimas Partes Árabes (que os astrólogos de inspiração clássica chamam de 'Lotes'). Nesse caso, mais uma vez a semelhança dos termos é absurda: os árabes chamavam as Partes de Sahim, enquanto os indianos se referem a uma parte como Saham!
O indispensável Lote da Fortuna recebe na Índia o nome de Punya Saham.
A palavra 'punya' significa fortuna, no sentido de ação auspiciosa que acontece ao nativo, de um modo passivo. Punya pode ser encontrado em termos como poorvapunya, que é a sorte que o nativo recebe nesta vida pelas ações em vidas passadas.

As Sahams foram os únicos elementos da astrologia árabe que 'extrapolaram' com sucesso para a astrologia natal indiana. Eventualmente, até hoje pode se flagrar um ou outro autor indiano as usando para propósitos específicos. Um exemplo disso é a Jalapathana Saham, que nada mais é do que o 'lote das viagens pelo oceano', usado para prever quando uma pessoa terá uma viagem intercontinental. Esse lote é calculado da mesma forma que na Astrologia Árabe, mas ele não é o único.

Mas as diferenças entre Tajaka e Astrologia Árabe param por aí... Atualmente, as evidências apontam que os astrólogos árabes não usavam um zodíaco sideral, como os indianos advogam. Essa conclusão, porém, é insegura, pois à época de florescimento dos autores árabes havia muita coincidência entre o zodíaco sideral (móvel) e o tropical (fixo).

Podemos ver, na Tajaka, um vislumbre de como praticaríamos astrologia com um zodíaco sideral, porém apenas no contexto da revolução solar.

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17/03/2011
O astrólogo só consegue prever o céu que ele observa atentamente. Não havendo observação, não há previsão!

Apesar de estudar japonês e de gostar da cultura japonesa em suas manifestações mais populares, eu nunca me liguei no Japão no que tange a Astrologia Mundial. Portanto, enquanto astrólogo, era incapaz de prever algo sobre aquele país.

Evidentemente, podemos aprender alguma coisa com eventos que já aconteceram, e é imbuído desse espírito que interpreto o mapa japonês, mas antes, um pequeno histórico dos Tsunamis do Oceano "Pacífico".


Os maléficos e os Tsunamis

Para vermos a situação de um determinado país, levantamos a carta do momento em que o sol entrar no primeiro minuto do signo de Áries. Só que isso nem sempre é suficiente.


Em 2004, Saturno estava no ascendente da Carta de Ingresso de Banda Aceh, na Indonésia, e representou com exatidão aquele Tsunami devastador. Saturno estava em Signo de Água no zodíaco tropical, o que tem total sincronia com o veículo pelo qual a tragédia se deu - água aos borbotões.
Os astrólogos medievais diziam que, quanto o Ascendente da Carta de Ingresso for um signo cardinal (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio), devemos dividir o ano em quatro partes, cada uma representada por um mapa.
Portanto, se em 2004 o Tsunami se deu em dezembro, o mapa acima não valeria para descrevê-lo. O mapa correto seria o ingresso do sol no primeiro minuto de capricórnio:

Coincidência? O Ascendente no mesmo signo E QUASE NO MESMO GRAU que aquele do Ingresso do Sol em Áries. Saturno lá ainda... Em signo de Água.
Quando Saturno ou marte ou os nodos estiverem no Ascendente da Carta de Ingresso de um determinado país, não espere por coisas boas.
No próximo mapa, você entenderá porque incluí os nodos dentre os supracitados.

Agora veremos o caso japonês.

Na carta de ingresso do sol em 00ºÁries calculada para o Japão, o nodo norte está em conjunção com o Ascendente.

Os astrólogos medievais, principalmente Abu Ma'shar, davam importância aos nodos lunares. Talvez porque Abu Ma'shar vivesse numa cidade que reunia Astrólogos árabes, helênicos e indianos, ganhando influências de várias vertentes.

Com o tempo, porém, a importância dos nodos lunares na astrologia ocidental foi diminuindo, mas continuou crescendo na Astrologia Indiana. Tanto que hoje os nodos são muito mais valorizados em livros modernos do que nos clássicos.
Abu Ma'shar dizia a mesma coisa que todos os outros astrólogos contemporâneos a ele:

O nodo norte é benéfico e tem as qualidades de Vênus e Júpiter e aumenta as coisas, enquanto o sul é maléfico, tem as qualidades de marte e de Saturno e diminui.

Não é bem assim na minha experiência. Nesse caso, sou mais inclinado ao que os indianos reportam: os nodos são maléficos. O nodo sul é como marte, e o sul como Saturno.
Para os indianos, Rahu é como Saturno e ketu é como marte. Rahu é ambicioso e extrovertido, ketu espiritualizado* e introvertido.

*Independente da religião, pessoas com ketu na 1 são muito espiritualizadas, e as que o tem na 7 ou tem o parceiro assim ou simplesmente se mantém solteiras, pois ketu representa castidade.

Em matéria de nodos, fico com os indianos. Sendo assim, o nodo norte conjunto ao ascendente representa coisas tão maléficas quanto seria se Saturno estivesse ali.

Muitas pessoas como eu começaram a estudar astrologia indiana e, mais a frente, abandonaram a ocidental. Não é o meu caso. Eu tenho boas razões para isso, e uma delas é achar que a Astrologia mundial medieval é mais complexa que a astrologia mundial indiana.

O principal argumento para se jogar fora a astrologia do ocidente é o uso do que seria, para os indianos, um zodíaco errado. As opiniões sempre foram quase coesas na Índia, até a primeira década do século XXI, quando na Internet surgiram vozes esparsas de estudiosos indianos, que especulavam o uso do zodíaco tropical na astrologia indiana...

Há autoridades em sânscrito e em astronomia antiga que defendem o uso do zodíaco tropical nos sutras de Jaimini. Infelizmente, não tenho os artigos que postulam essas idéias - muito avançadas para a maioria dos astrólogos indianos e redigidos por intelectuais talvez avessos à Internet...
Na minha experiência pessoal, o zodíaco tropical funciona, principalmente na Astrologia Mundial. É o que podemos ver nos mapas acima.
Usando-se o zodíaco tropical, a maioria dos terremotos acontecerão quando o Ascendente das Cartas de Ingresso receber signos de terra ou de água, o que faz todo o sentido em se tratando do veículo pelo qual a tragédia se deu. A mesma correspondência se perde ao usarmos o zodíaco sideral.

Em alguns casos, porém, o elemento do signo no zodíaco sideral corresponde melhor ao evento, como é o caso do marte que figurou nas cartas de ingresso esse ano.

Leão é um signo de fogo, sendo o signo imediatamente anterior - Câncer - um signo de água. Marte está no primeiro grau de Leão, mas as tragédias não envolveram o elemento fogo, mas sim água.

Se usarmos a precessão dos equinócios, Marte vai para Câncer, signo que, na minha opinião, tem muito mais a ver com as tragédias envolvendo água esse ano, no Brasil e no Japão.

Podemos afirmar que marte tem relação com esses eventos porque ele está no ascendente ou no descendente das Cartas de Ingresso dos países que sofreram com enchentes ou Tsunami. Ou seja, nesse ano, as tragédias são melhor demonstradas com o zodíaco sideral do que com o tropical.

Enquanto você não encontrar uma resposta decente para esse dilema, continue no zodíaco que sempre usou. Independente do que você escolher, poderá prever muitas coisas. Isto porque grande parte da interpretação de mapas dependem da posição do planeta nas casas, e não nos signos. ou seja, marte e saturno no ascendente dos mapas em questão já são motivos de preocupação...
11/03/2011
O título desse post remete ao livro autobiográfico de Morin de Villefranche, embora eu queira abordar aqui minha relação com a astrologia, de modo que o leitor possa ter uma noção de como se deu minha trajetória até então.

O termo 'trajetória' soa um tanto pomposo, pois normalmente é usado nas biografias de grandes figuras. 'Trajetória' também é usado para se referir ao caminho percorrido pelos projéteis de armas de fogo, e por isso o termo me remete a um certo dinamismo. Talvez por isso é que seja freqüentemente usado nas biografias das personalidades de ascensão meteórica. Entretanto, é óbvio que todos tem sua trajetória, do lixeiro ao desembargador... E a minha dentro da Astrologia não é nada peculiar.

Eu comecei a estudar astrologia moderna mas, que eu me lembre, desde o início procurei aquilo a que se destinam todas as astrologias tradicionais, que é prever eventos. Eu queria prever as datas de casamento, dinheiro, filhos...

O termo 'astrologia moderna' é muito perigoso. Na minha definição, 'astrologia moderna' abarca tudo que se produziu de astrologia no século vinte e que não faça referência restrita aos clássicos da área, como Ptolomeu, Bonatti, etc.

Por dedução lógica, há que se concluir que o termo abarca um corpo teórico vastíssimo. É muita coisa dentro de um mesmo termo, havendo o risco de fazer injustiça a determinadas correntes da astrologia moderna ao se realizar algum juízo de valor. O termo é tão vasto que abarca correntes que até mesmo se antagonizam.

Por exemplo, se eu disser que astrologia moderna não tem como meta a previsão de eventos, cometo uma injustiça pois, dentro da astrologia moderna, muitos astrólogos modernos tem como meta das suas práticas prever o futuro.

(Se eu fosse sarcástico, diria que a prognose é a meta de qualquer astrólogo, se dividindo entre aqueles que admitem isso francamente e aqueles que disfarçam por considerarem o assunto um tabu...)

Infelizmente, as publicações mais disseminadas dentro do Brasil - a maioria delas sob o selo da editora Pensamento - são modernas e seguem uma linha que foge à prognose. A astrologia, para a maioria dessas publicações, se situa entre uma ferramenta para reconhecer padrões de comportamento, misturado a metas abstratas de desenvolvimento pessoal. E é aí que entra a minha crítica.

Não sou contra as pessoas que seguem essa linha da Astrologia, mas acho patético aqueles que 'amputam' teoricamente a ciência dos astros, limitando-a somente a esse tipo de papel e alegando que a prognose era um entendimento errado ou primitivo dos antigos.
Esse tipo de gente comete o erro de todas as civilizações que já ocuparam o planeta: a prepotência de se considerarem o ápice da história.
Astrólogos que criticam a Astrologia na sua função de prognose podem ser até mais radicais do que algumas pessoas e instituições que discordam da Astrologia, como vocês verão a seguir.

Eu sou de origem evangélica, ainda acredito em Deus e faço minhas orações em nome de Jesus. Por isso, sou alvo frequente de críticas da minha família às minhas práticas astrológicas. Há um ano, recebi um panfleto do meu irmão sobre a posição de um pastor acerca da astrologia.

Apesar de discordar das conclusões do panfleto, são louváveis algumas premissas que o pastor usou para construir sua tese. A que mais me chamou atenção é que ele admite a funcionalidade da Astrologia. Em tempo algum ele nega que a Astrologia não é capaz de prognose ou qualquer um dos seus papéis mais comuns, até mesmo o vago desenvolvimento pessoal.

O pastor conclui, a meu ver prematuramente, que a astrologia é um mistério divino e, como tal, não deve ser revelado aos homens. Obviamente, discordo dessa conclusão, pois o homem nunca se limitou a desbravar intelectualmente qualquer objeto de estudo por restrições divinas. Não haveria de ser na Astrologia que o homem cessaria sua busca intelectual.

Nenhum evangélico diz que se deve parar de estudar meteorologia, pois o conhecimento prévio das condições do clima é importante para várias atividades humanas.

A história mostra a relação da Igreja com a Ciência. O cristianismo, na figura da Igreja Católica Apostólica Romana, restringiu a produção de conhecimento ao longo da idade média, mas o fez de um modo regulatório, e não proibitório. De um modo que hoje podemos chamar de torpe, havia conhecimento, por mais que ele estivesse tingido de um verniz religioso!
Não existe conhecimento que não possa ser conhecido, e Deus (para quem acredita) nunca proibiu a busca humana pelo conhecimento, embora esse seja um tema sombrio até mesmo dentro da própria Bíblia, com passagens vagas e dadas a muitas interpretações.
Desprezando a associação de religião com ciência comum à modernidade, minha confrontação com a astrologia se dá no âmbito intelectual. Para mim é um estudo como outro qualquer. Não é religioso, não rezo mantras planetários porque não desejo a astrologia dessa forma. Assim como qualquer ser humano acharia um absurdo parar de se estudar medicina por restrição divina, da mesma forma seria interromper meus estudos astrológicos.

Comparando a posição desse pastor com a de muitos astrólogos modernos, é quase paradoxal que pessoas de dentro do meio astrólogico desconsiderem que a Astrologia é capaz de prognose, enquanto um pastor do Centro Oeste dos Estados Unidos, que não é um exemplo de mentalidade, em tempo algum desconsidera essa capacidade!

Voltando à astrologia moderna, ainda há que ser dita a razão pela qual migrei dela para a astrologia clássica e simultaneamente à astrologia indiana.

Sempre achei que a minha alma era simples e queria coisas simples, buscadas e encaradas de um modo simples. Não me considero intelectual e evito vôos mais altos nas minhas discussões por não ter feito nenhum tipo de début em ciências humanas que me possibilitasse dizer e me referir a conceitos com segurança.

Por ser simples, por me irritar com divagações e abstrações, não estava preocupado com crescimento pessoal, auto desenvolvimento ou qualquer nome que se dê a um movimento pouco conciso desenvolvido no século XX e que se embrenhou na astrologia moderna.

Por não me preocupar com essas coisas, logo veio a decepção, pois muitos livros de Astrologia Moderna eram repletos de conselhos e conceitos abstratos, difíceis de enxergar na vida das pessoas cujos mapas eu analisava. Dane Rudhyar é um exemplo claro dessa corrente. Para mim, ler esse autor é como entrar na faculdade de medicina: uma alegria ao começar, uma tortura durante e um alívio quando se termina!

Foi lendo Rudhyar e outros que comecei a estudar Astrologia e, por alguns anos, julguei que não havia mais nada além disso, a saber, auto conhecimento e desenvolvimento pessoal. Meus escritos dessa época refletem o meu pensamento.

O 'ponto de mutação' ocorreu em 2006. Algumas pessoas julgarão que eu experimentei uma espécie de retrocesso mas, para mim, foi como se saísse do belo mundo das possibilidades infinitas de um discurso capitalista patético para o mundo da realidade refletida no céu. Foi como se tivesse tomado a pílula vermelha, do matrix!

Àquela época, entrei em contato com um astrólogo medieval português chamado Paulo Alexandre Silva, com seu site Astrologia Medieval. Serei eternamente grato a ele por esclarecer minhas dúvidas e me mostrar que um outro caminho da Astrologia era possível. Um caminho que respondia às perguntas que sempre fiz, mais objetivo e pragmático. Foi assim que me lancei em 2006 na seara da Astrologia tradicional, no curso de astrologia medieval de Robert Zoller.

O artigo que mudou a minha vida astrológica era a ousada técnica de se prever o tempo de vida de uma pessoa pelo estudo do Hyleg e do Alcocoden. Quer dizer que Astrologia Medieval é capaz disso? Sim, e muito mais. Um novo universo se desbravava à minha frente.

Futuramente penso em incluir outro artigo com mais detalhes do meu desenvolvimento atual da astrologia.


09/03/2011
Um dos primeiros passos para estudar astrologia no ocidente é ler as interpretações dos planetas nos signos. Como estamos nos referindo à astrologia moderna, essas interpretações são altamente subjetivas.

Muitas dessas interpretações modernas entram em domínios irrestritos à posição do planeta em qualquer casa. Por exemplo, marte em Câncer pode representar uma pessoa que goste de cozinhar*, sendo esse julgamento para muitos autores independente da casa que marte ocupar. São os famosos 'posicionamentos genéricos'.

*(Isso porque os autores modernos associam Câncer ao ambiente doméstico, por ser o quarto signo (lar) de um zodíaco natural iniciado a partir de Áries).

Os mesmos autores que citam os significados para cada planeta em cada signo dizem rapidamente que é necessário 'filtrar' quais das significações funcionarão para o nativo ou não, a depender do seu mapa natal. Entretanto, nenhum autor me ensinou como fazê-lo e eu mesmo sozinho nunca consegui.

Para mim, foi mais fácil esquecer esses autores e suas interpretações, e delinear o significado dos signos e planetas associados às casas que ocupam, bem ao estilo 'Morin de Villefranche'.

Mas chega de falar do ocidente... Agora, falemos do que ocorreu na Índia, o motivo desse artigo.

Os indianos fazem o mesmo exercício de interpretação dos planetas nos signos. Ele está presente em vários clássicos como Uttar Kalamrita, Saravali, etc.

Evidentemente, as interpretações não são subjetivas, mas sim altamente pragmáticas, voltadas a eventos externos. E não se esqueça: a maioria dos astrólogos indianos advogam o uso do zodíaco sideral.

Citarei aqui um trecho de Saravali:

Mercúrio em Gêmeos: Se mercúrio ocupa Gêmeos ao nascimento, o sujeito terá uma aparência auspiciosa, falará docemente, será muito fluente, um palestrante hábil, honrado, desistirá da sua felicidade (talvez em prol dos outros), coabitará menos, terá duas mulheres, gostará de discussões, será instruído nos Vedas e Sastras, será um poeta, independente, querido, munificente, proficiente no seu trabalho e terá muitos filhos e amigos.
O mais interessante desse tipo de interpretação é imaginarmos como se chega a ela.

À primeira vista, podemos especular que as interpretações são construídas pela experiência do autor; esta impressão se esvai à medida em que lemos a opinião de outros autores modernos, como Dinesh Mathur:
Mercúrio em Gêmeos é bom para a educação pois Virgem é o signo da sua exaltação e os elementos do signo e do planeta são os mesmos;
(a mercúrio, se atribui o elemento terra, e virgem é o quarto signo de mercúrio em gêmeos, representando educação na astrologia indiana).
Júpiter se exalta em Câncer, a segunda casa de mercúrio (em Gêmeos), que mostra discurso. Uma pessoa com mercúrio em Gêmeos, portanto, falará com sensibilidade e sobriedade.
Perceba que Mathur chega às mesmas conclusões que Saravali, mas usando de conceitos astrológicos para construir a interpretação de um mero planeta dentro de um signo! Ou seja, até as coisas mais simples não são criadas do nada!
Essa é uma característica distinta e muito interessante da astrologia indiana:
a maioria das interpretações de planetas nos signos e outros conceitos igualmente simples se valem de um arcabouço de conceitos astrológicos por trás delas, não sendo dadas pela experiência dos autores.
Nunca encontrei algo semelhante na astrologia ocidental!
Isso nos faz concluir que, uma vez se conhecendo a lógica , pode-se chegar a qualquer interpretação. Se o leitor ainda não entendeu muito bem como isso se faz, abaixo eu apresento as diretrizes do que consegui entender. Para se interpretar a posição de um planeta dentro de um signo:
  1. Coloque o planeta como se fosse um ascendente. Exemplo: mercúrio em Gêmeos, independente da casa natal: considere-o como se estivesse na 1.
  2. Com o planeta tomado como ascendente, considere as casas (contadas a partir dele) que mais tem a ver com os significados essenciais do planeta. Exemplo: mercúrio tem a ver com as casas 2 ('discurso' na astrologia indiana) e 4 ('educação' na mesma).
  3. Identifique que planetas regerão essas casas, (ainda considerando o signo do planeta analisado como Ascendente): a casa 2 de mercúrio contém Câncer, signo da lua e exaltação de Júpiter.
  4. Interprete como as casas se manifestarão pelos planetas regentes e pelos planetas que entram em queda:
vamos analisar a casa 2 de mercúrio em gêmeos porque ela tem tudo a ver com um dos significados essenciais de mercúrio: a fala.
Para os indianos, a Casa 2 representa principalmente o ambiente familiar, o dinheiro acumulado, a comida que ingerimos e o discurso da pessoa.
O segundo signo de mercúrio em Gêmeos é Câncer, regido pela Lua, exaltação de Júpiter e queda de Marte:
  • A regência da Lua dá uma voz melodiosa ao nativo
  • O sabor de Júpiter é doce e, portanto, a voz do nativo assim será;
  • Pelo fato de marte entrar em queda no signo de Câncer, isso é ruim para o discurso dele pois entrará em discussões frequentes, seja pela escrita, seja pela voz.
Podemos, com base no esquema acima, deduzir mais coisas:

Quem tem mercúrio em Gêmeos não pensa muito em sexo porque Vênus (significadora de sexo) está em queda na casa da mente: Virgem é a queda de Vênus, e está na 4 a partir de mercúrio em Gêmeos! É por isso que Saravali diz que o nativo 'coabitará menos'!

Conhecendo a lógica por trás da interpretação, podemos deduzir como qualquer posicionamento de um planeta nos signos funcionará. Resta saber quando isso pode ser aplicado com êxito, mas essa pergunta, de fato, cabe à prática nossa de cada dia.

Da minha parte, basta concluir ou não se a minha prática confirma o que disse sobre mercúrio em Gêmeos. Conheço uma pessoa que tem mercúrio em gêmeos na 1 e muitas características confirmam os achados acima:
  • Tem a voz muito suave, opta por palavras bonitas e sabe dizer coisas difíceis com muita delicadeza e sem ofender as pessoas devido à boa escolha dos termos (lua e júpiter dominando a casa 2 a partir de mercúrio)
  • Entra em discussões devido à paixão pelos seus ideais (marte tem sua queda em câncer, que no caso fica na 2ª a partir de mercúrio)
  • Ela liga para sexo, mas tende a racionalizá-lo, dotando-o de um valor simbólico forte e que acaba por engessar o modo de fazê-lo. Com isso, o sexo deixa de ser instintivo e passa a ser extremamente racional, o que pode ser desestimulante para algumas pessoas (virgem na casa 4 a partir de mercúrio, signo onde Vênus tem queda).

Uma pausa para as críticas ao método acima.

O principal problema desses posicionamentos é que todos dizem respeito ao nativo, da mesma forma que os livros 'receitinha de bolo' de posicionamentos dos planetas na Astrologia moderna.

No caso acima, eles se encaixaram quase como uma luva à pessoa, mas ela é suspeita, uma vez que realmente tem mercúrio no ascendente.

É natural que a rigorosa voz da razão nos perturbe numa hora dessas quando, por exemplo, usarmos o mesmo esquema acima para interpretarmos planetas como júpiter em Gêmeos ou Saturno em Virgem: será que todas as pessoas com esses planetas terão a mesma interpretação? Saturno fica dois anos e meio no mesmo signo!

É natural pensarmos que o exercício acima que fizemos com mercúrio seja válido somente para planetas rápidos como ele e a Lua. Só que os livros fazem o mesmo exercício até mesmo com saturno!

Eu não tenho ainda uma opinião formada a esse respeito, mas tenho uma sugestão que pode ser muito útil, pois nos possibilitará usar o modelo de interpretação acima também para planetas lentos. Vou citar o meu Saturnão em Virgem no zodíaco sideral e mostrar aos leitores uma maneira mais racional de aplicarmos o esquema acima.

Meu Saturno fica em Virgem na Casa 7. Saturno é significador natural de problemas, dívidas, solidão, separação. A casa que significa essas coisas é, naturalmente... a 12!

Seguindo estritamente a lógica treinamos com mercúrio em Gêmeos, devemos olhar os planetas que regem a 12 de saturno e interpretarmos o que eles representam para esse contexto.

A 12 de Saturno em Virgem fica em Leão, domicílio do sol e local inímico aos planetas que sejam inimigos do sol. Um deles é o próprio Saturno.

Se o sol rege a 12 de saturno, ele qualifica as coisas que a 12 representa. Podemos supor então, que os inimigos (a casa 12 também são inimigos secretos para os indianos) sejam pessoas poderosas, autoritárias ou até mesmo o chefe dele. É nesse trecho que entra a minha interferência.

Na verdade, todos os chefes aos quais me subordinei se tornaram grandes amigos meus e nunca levei sequer uma 'rasteira' de nenhum deles. Entretanto, uma pessoa muito próxima a mim teve um sério problema com seu chefe, que culminou com sua demissão. Essa pessoa foi minha mulher, representada pela casa 7, casa esta onde Saturno em Virgem se encontra...

Esse ano, porém, eu fui demitido do meu emprego mais rentável não por ter atritos com meu chefe, mas simplesmente pelo fato de ser oneroso ao Governo do Estado do Rio de Janeiro manter um profissional por carteira assinada! Eles demitiram a todos cujas carteiras foram assinadas pelo vínculo de Fundação!

Se levarmos em conta esse evento inauspicioso, ele pode ser representado pelo Sol na figura no Estado do Rio! O grande problema racional é que milhões de pessoas têm Saturno em Virgem em seus mapas siderais, e nem por isso todas elas sofreram demissões como eu! É nessa hora que entra a irritante expressão 'necessidade de se confirmar no mapa'...

Por hora, eu defendo o uso do esquema de interpretação dos planetas nos signos relacionando-os às pessoas representadas pela casa onde o planeta estiver, mas você há de concordar que ele funcionou para mim independente da casa onde Saturno estava.

Nem sempre temos todas as respostas.

07/03/2011
Quem é ocidental e estuda astrologia, aprende a achar um absurdo qualquer tentativa de 'matematização' da interpretação final. Nos EUA, houve uma tentativa disso, com os famosos "Astrodynes", mas parece que não vingou muito.

Nós aprendemos a repetir que matemática em astrologia só serve para calcular o mapa natal e olhe lá. Eu não sei porque isso acontece, uma vez que é completamente possível contar com meios matemáticos para facilitar a interpretação sem que o astrólogo seja jogado na lata do lixo.

Pensar que a matemática e os softwares com seus algoritmos substituirão os astrólogos é uma conclusão tola, mas desprezar o uso da matematização completamente ao se conhecê-la talvez seja insegurança: e se o programa acertar mais que eu?!

Por isso, quando nós saímos da Astrologia Ocidental e migramos para a Astrologia Indiana, é natural ter uma reação negativa nos deparamos com a matemática do Shad Bala.

O Shad Bala pode ser traduzido como "as seis forças". Ele foi feito para se ter uma visão geral da força de um planeta em seis critérios. Ela nos remete aos critérios de força medievais da astrologia ocidental. A diferença reside na atribuição de pontos.

Em resumo, o shadbala analisa seis critérios de força de um planeta estabelecendo um referencial de ponto máximo e de ponto mínimo. Qualquer valor intermediário pode ser obtido por regra de três.
Tentar lê-lo não é o início da solução, mas sim a invenção de outra miríade de problemas, uma vez que a maioria dos termos importantes estão em Sânscrito e o leitor precisa ter conhecimento prévio deles.

Como tudo que dependa de matemática dentro da Astrologia, você não precisa aprender a calcular o shad bala porque alguém já criou um algoritmo e o pôs dentro de um software para simplificar as coisas.

Todavia, aplicar o shadbala sem saber do que ele se trata te colocará numa seara perigosa, pois o conhecimento dos seus fundamentos te dá segurança ao aplicá-lo. É por isso que eu forneci o livro em pdf para download.

Às vezes, eu sinto falta de algo similar dentro da astrologia medieval... Enquanto um Astrólogo Ocidental medieval vai dizer que saturno está "ocidental, retrógrado, na sua triplicidade e no seu próprio domínio" e levará anos pra juntar tudo isso numa interpretação palpável, um indiano às vezes nem saberá pra que serve tudo isso, mas só de saber o shadbala de Saturno ele terá uma boa noção de que o planeta está forte ou não...

O shadbala não conclui nada. Ele te dá ferramentas para que você assim o faça. É isso que me refiro quando digo que a matemática pode ajudar os astrólogos na interpretação. Contar com a shad bala não implica esquecer todas as aulas de interpretação que você teve.

Com o Shadbala (SB), você não será capaz de olhar para o mapa e concluir que seu Saturno é maravilhoso porque ele tem uma pontuação alta. Isto porque o SB avalia a força de um planeta.

Se você tiver inimigos (não se iluda ao pensar que não os tem, é até pior pensar assim pois isso mostra que você não os conhece), obviamente desejará que eles sejam fracos. E é aí que o Shad bala deixa de ser a solução final para seus problemas para mostrar o quanto o problema pode repercutir na sua vida...
O shadbala não mede o "benefício" de um planeta, mas sim sua força. Isso faz toda a diferença na hora de interpretá-lo.
Vou oferecer um exemplo delineando o Saturno do meu mapa.

No meu caso, eu tenho um Saturno com um Shadbala altíssimo. Os livros dão uma porcentagem mínima para considerar um planeta forte e o meu Saturno tem 158% dessa quantidade... Só que esse Saturno rege casas maléficas da figura (a 12 e a 11 no mapa 'indiano') e o que é pior - Saturno está em aspecto com o Ascendente.

Se Saturno não estivesse em aspecto com o Ascendente, seria bem melhor, pois os problemas que ele representa não repercutiriam na minha vida em geral, mas ficariam restritos a uma ou duas áreas. Essa é a importância do aspecto de planetas ao Ascendente e ao seu regente...

Saturno poderia funcionar melhor se ele tivesse muitas dignidades no signo onde se encontra (no meu caso, Virgem sideral, que equivale a 75% do território de Libra no zodíaco tropical), ele funcionaria com uma medida maior de benefício.

Todo esse julgamento funciona na prática da seguinte forma:
O shadbala mede a força que um planeta tem, tanto para causar bem quanto para o mal. Aqui força pode representar a duração e a extensão da influência de um planeta.

O benefício de um planeta é dado pelas dignidades. Quanto mais dignidades um planeta colecionar, mais auspicioso ele será. Isso é estudado no 'Vimshopaka Bala', cujos achados devem ser associados ao Shad bala.
Se um planeta for maléfico mas tiver muitas dignidades, seus problemas serão mais amenos. Literalmente, o indivíduo dono do mapa 'sofre com dignidade'. É o tipo de conceito que se torna extremamente claro quando aplicado na vida de alguém.
Usando os dois critérios acima, nós podemos simular algumas circunstâncias:
  • Planeta com Shadbala alto e com Vimshopaka bala alto: essa é a situação que nós desejamos para os planetas que tiverem regência sobre casas boas da figura, isto é, aquelas que representam coisas boas e agradáveis da vida. Assim sendo, essas coisas serão fortes (shadbala) e benéficas (vimshopaka).
  • Planeta com shadbala baixo e Vimshopaka alto: a situação perfeita para planetas ruins para o nosso mapa. Seria a situação que desejaria para o meu Saturno, pois ele rege a Casa 12 do meu mapa. Se fosse assim, ele indicaria problemas de baixa duração e extensão (shadbala) e mais dignos para mim(vimshopaka).
  • Planeta com shadbala alto e vimshopaka baixo: ninguém quer isso pra planeta algum. Sendo assim, o planeta funciona muito forte (SB) e muito pouco benéfico (Vimshopaka)
  • Planeta com shadbala baixo e vimshopaka baixo: idem.
Somando os dois critérios acima, ainda falta um que considero fundamental para saber se uma dimensão representada por um planeta será dominante ou não na vida da pessoa, mas esse critério não é dado pelos livros de um modo tão explícito quanto o Shad bala ou o Vimshopaka. Alguns astrólogos o chamam de dominância.

Suponha que você tenha no seu mapa natal um planeta com um altíssimo SB e baixo Vimshopaka e que esse planeta regesse uma casa maléfica como a 12. Ainda existe um modo de que as coisas não sejam tão ruins assim pro seu lado: que esse planeta não faça aspectos com os significadores do nativo!

O conceito de 'dominância' implica saber que planeta vai dar seu colorido de um modo geral à vida da pessoa de um modo proeminente.

Para saber se um planeta é dominante, é preciso conhecer os planetas que aspectam o Ascendente, seu regente, o Sol e a Lua, pois estes são os significadores da pessoa.

Esse conceito não é dado em livros de um modo explícito, mas segue as lógicas da interpretação como ensinada nos clássicos
no meu caso: se Saturno não aspectasse o Sol e o Ascendente, os problemas fortíssimos que ele indica seriam restringidos apenas à casa onde ele se encontra e àquelas que ele aspecta. Mesmo que esses problemas durassem muito tempo devido ao SB alto de Saturno, eles não afetariam tanto assim minha vida.

Infelizmente, não é isso que ocorre comigo... (Gulp!)











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