31/01/2011
Se você for ao site abaixo:
Terá uma oportunidade interessante: Calculará seu mapa usando os cálculos encontrados por Ptolomeu no seu Almagest.
Atenção: você deve colocar a sua data de nascimento no calendário juliano, e não no gregoriano. Esse site converte as datações.
Os astrólogos sempre precisaram de mapas do céu no passado e também do futuro, a fim de prognosticar: a observação do céu de hoje era algo restrito a horárias ou a astrologia mundial.
O Almagest é o grande tratado Ptolomaico de astronomia, que ensinava a calcular as posições futuras e passadas dos planetas com base num modelo astronômico que concebia a Terra como Centro.
Em outras palavras, é nele que percebemos o famoso modelo astronômico ptolomaico, cuja disseminação pelas cátedras perdurou por mais de 1500 anos: A Terra no centro do Universo (Geocentrismo), idéia comprada pela Igreja Católica.
Colocar a Terra no Centro pode ser uma mera questão relativa: hoje em dia podemos também, se quisermos, considerar desta forma.
Existiam, porém outros elementos na Astronomia Ptolomaica que comprometiam levemente o resultado dos cálculos. Rejeitar esse modelo a favor de outro não foi simplesmente mudar de referencial do Centro do Universo, embora essa tenha sido a mais famosa mudança de paradigma.
A troca de referencial de um sistema geocêntrico para heliocêntrico teve vários marcos históricos e inclusões teóricas, cujas contribuições principais devemos a Galileu, a Copérnico e a Kepler. Dentre as mudanças, está o formato da órbita dos planetas, introduzida por Kepler.
Ptolomeu usava círculos para definir as órbitas dos planetas. É possível conceber o movimento planetário dessa forma - tanto que esse modelo foi popular por séculos - mas isso pode gerar alguns erros ao compararmos com as posições verdadeiras dos planetas, aquelas que nós vemos no céu do momento.
Kepler tornou as coisas muito mais fáceis ao substituir os círculos de Ptolomeu pelas suas elipses. Todos os círculos usados para se explicar as variações da percepção do movimento planetário no Almagest podem ser resumidos a uma elipse.

Na imagem acima (extraída do site http://cerebro.xu.edu/math/math147/02f/ptolemy/ptolemyintro.html), percebe-se o modelo de órbita ptolomaico, com dois círculos. Ptolomeu explicava a retrogradação do astro (isto é, quando o planeta parece se movimentar para trás em relação ao observador terrestre) pelo epiciclo.
No site:Podemos ver os modelos de órbita ptolomaica para todos os planetas, e perceber a complicação que era.É imperdível.
Comparando os cálculos de Ptolomeu com os das efemérides que temos hoje, os resultados tem uma margem de erro de até dez graus. Isso é muita coisa, a depender do que você usar para interpretar um mapa.
Dez graus de erro podem mudar um planeta de termo, decanato e até mesmo signo, como acontece no meu caso:

Na figura acima se percebe a tabulação das posições dos planetas à luz do Almagest, com minha data de nascimento no calendário Juliano (27 de março no calendário gregoriano vira 14 de março no juliano).
Percebe-se que a maioria dos planetas ainda se mantém no mesmo signo que estariam se calculasse meu mapa com efemérides modernas. A exceção fica para os luminares: Sol e Lua se encontram em Peixes e em Áries, respectivamente, porém em graus tardios destes signos, prestes a entrarem no signo seguinte.
Esses achados indicam o que já sabíamos:
- Ptolomeu advogava o uso de um zodíaco tropical, cuja aplicação era defendida por ele e por outros sábios, como Theon de Alexandria.
- A posição do Sol e da Lua nos signos anteriores àqueles que se encontram no zodíaco tropical moderno se deve a erros de cálculo.
Mas atenção: o que é taxado de erro por nós pode ser apenas uma escolha diferente para o cálculo das posições dos planetas.
Não estudamos os mapas com essas posições e podemos nos surpreender com o fato dos seus detalhes diferentes soarem como mais corretos ao interpretá-los.
Cada vez mais que eu estudo a história da Astronomia, sinto que o mundo necessita de um software astrológico que se utilize de métodos 'arcaicos' de cálculo, como aquele do Almagest.
Seja na astrologia ocidental, seja na indiana, hoje as técnicas astrológicas antigas são aplicadas em mapas cujo cálculo astronômico é o mais moderno possível. Teoricamente, isso por si só se trata de um anacronismo.
Como já disse antes, brevemente o astrólogo N. Rao lançará seu Jagannatha Hora 7.5, que se baseará nos cálculos do Surya Siddantha, tratado astronômico indiano do período clássico.
Por mais que ninguém reconheça do mesmo modo que eu, considero a inovação proposta por Rao como um divisor de águas na astrologia moderna: praticar astrologia antiga com todos os métodos usados pelos astrólogos antigos na sua inteireza, algo que nunca aconteceu antes.
29/01/2011
A astrologia que praticamos hoje se baseia em mapas cujas posições planetárias são mega precisas.
Qualquer programa de astrologia decente tem uma precisão razoável porque a maioria se baseia nas efemérides suíças.
Nem sempre foi assim.
Na idade média, os astrólogos usavam tábuas astronômicas do Império Sassânico chamadas Zijs. A Zij mais famosa é a Zij al Shah, tábua usada por Abu Mashar, Masha'Allah, dentre outros.
Essas tábuas tiveram uma ampla distribuição pela idade média, então havia um certo consenso entre os diferentes autores que todos estavam se referindo ao mesmo tipo de zodíaco e de movimento planetário.
Esse consenso, porém, foi quebrado com o advento de métodos de cálculo mais avançados, como a trigonometria esférica e os logaritmos.
O que isso tem a ver com você, que deseja apenas fazer um ou dois reles mapas natais? Tudo a ver.
As tábuas Zijs chegavam a resultados que, comparados às nossas modernas efemérides, seriam dados como errôneos.Os erros chegam a ser grosseiros. Planetas podem estar no signo anterior ou seguinte à sua posição calculada pelas efemérides modernas.
Primeiramente, há que se entender como se chegavam aos resultados das tábuas.
Os Zijs eram calculadas com base no movimento médio dos planetas. Por exemplo, Júpiter fica um ano em cada signo.
A natureza celeste, porém, é mais irregular do que se parece, e nem sempre a afirmação acima é correta.
As pequenas diferenças entre o movimento médio e o real se acumulam com o passar do tempo e geram um grande erro séculos depois, sem uma correção adequada.
Os astrônomos, ao calcularem os Zijs, estavam cientes dessas correções e, mesmo as levando em conta, ainda assim as posições estão erradas se compararmos com as posições que acharíamos nas efemérides modernas.
Tudo isso sem contar os famosos 'anos anômalos', nos quais o movimento do planeta é mais lento e deve receber uma correção extra.
São muitas correções necessárias, e mesmo assim acredito que os astrólogos medievais não levavam em conta algumas delas. Naquela época, não eram tão importantes mas, como falamos de séculos, os erros se acumulam.
Todos os argumentos acima são suficientes para jogar fora quase tudo que foi produzido pelos astrólogos desse longo período, do período clássico da Astrologia à idade média.
Isto porque, quando um astrólogo medieval delineava e registrava os 'efeitos' de uma Vênus em Aquário na Casa 11, ao calcularmos o mesmo mapa com efemérides modernas, poderíamos encontrar Vênus em Peixes ou Capricórnio, e numa outra Casa!
Todavia, se realmente nada pudesse ser aplicado hoje, não haveria um crescente interesse em Astrologia Medieval em pleno século XXI.
Se você já fez astrologia medieval com algum astrólogo, ou se alguém já calculou uma horária para você, sabe que as técnicas são usadas ainda hoje e funcionam.
Se uma técnica foi capaz de prever o futuro em vários casos, ela pra mim já funcionou. Só que (talvez) as técnicas poderiam funcionar mais.
Muitas coisas que lemos nos livros não são verdadeiras quando aplicamos nos mapas de hoje. Isso pode se dever a mais de um fator, mas eu cito os dois possivelmente mais importantes:
- O contexto cultural diferente pode alterar radicalmente a interpretação de um aforismo medieval.
- Os cálculos astronômicos diferentes alteram o modo como se lê o mapa, e portanto não podemos fazer deduções com base nos textos que usavam outros métodos de cálculo.
Isso tudo nos mostra que o entendimento da astrologia hoje não será completo enquanto não calcularmos as posições planetárias como eram calculadas nos mapas antigos.
Esse é um passo arrojado para as mentes dos astrólogos que valorizam a evolução científica. Para eles, usar os zijs hoje seria uma involução.
Nem todo mundo pensa assim, pois, como disse nesse post, um astrólogo indiano chamado Narasimha Rao está para lançar um programa de astrologia que usa os métodos de cálculo do Surya Siddhanta, um tratado astronômico medieval indiano.
Pelos cálculos do SS, alguns planetas estariam em posições radicalmente diferentes, e isso muda absurdamente a interpretação.
Felizmente, os zijs tiveram sua construção inspirada nos cálculos indianos do Surya Siddhanta, e dentro em breve talvez poderemos usar o Jagannatha Hora para fazer pesquisas dentro da astrologia medieval também.
Está para nascer um programa de astrologia ocidental que inclua métodos arcaicos de cálculo além das efemérides mega precisas.
28/01/2011
É possível saber, dentro do mapa natal do nativo, o número de irmãos que ele terá. Só que a maioria dos clientes vêm até você já sabendo isso.
Sou da opinião de que qualquer estudo de qualquer área da astrologia nos ensina alguma coisa que extrapola para outras áreas dentro dessa mesma 'ciência'. Estudar sobre os irmãos pode nos ensinar coisas que poderemos aplicar no tópico dos filhos do nativo, por exemplo.
Além disso, o estudo desse tema nos confronta com a representação concreta dos eventos celestes, um tema que virou tabu entre os astrólogos.
Para muitos astrólogos, prever dados objetivos do mapa astral é impossível devido ao viés do anacronismo. Para eles, as interpretações medievais só funcionavam na idade média, pois hoje temos uma realidade totalmente diferente.
A experiência mostra que os argumentos acima são belos, mas não procedem na sua totalidade.
A astrologia medieval e clássica não funciona somente dentro de uma perspectiva história, pois o zodíaco é um arquétipo imutável e os planetas continuam a representar os mesmos problemas de dois mil anos atrás, só que numa 'roupagem moderninha'.
Clonar um cartão de crédito tem o mesmo significado planetário que ser um salteador nas estradas desertas do império romano.
Ambos constituem roubo, apenas mudando os meios de executá-lo.
Nós, os moderninhos ocidentais, temos a presunção que nos leva sempre a usar o jargão lulesco, de que "nunca na história da humanidade" o mundo foi assim. Mas, como diria Cazuza:
Eu vejo um museu de novidades
Voltando à polêmica de se saber o número de irmãos no mapa. O principal argumento para o tabu seria o controle de natalidade.
Em tese, nós não temos o mesmo número de filhos que nossos bisavós tinham porque nós somos uma sociedade urbano-industrializada, cuja ordem do dia é ter menos filhos.
Por outro lado, indianos conseguem prever o número de irmãos com uma boa chance de acerto, enquanto respeitam a regra do bom senso, que nada mais é que o controle de natalidade.
Por exemplo, numa técnica jyotisha, a contagem de filhos no mapa tende a parar quando a casa contém os nodos, mas o casal, fazendo um esforço, pode ir além e ter mais. Depende do livre arbítrio.
Na Índia, ainda hoje há um forte desejo no imaginário popular de se ter muitos filhos, mas é engraçado que os livros de jyotisha com os quais entrei em contato tem mais casos de esterilidade, poucos filhos e filhos adotivos.
O controle de natalidade é a ordem do dia, cada vez mais em várias partes do mundo. Isso somado ao estranho fenômeno da crescente infertilidade do ser humano, talvez uma maneira da mãe natureza controlar essa verdadeira praga para o planeta.
Finalizando, se todos os meus argumentos acima estiverem errados sob a perspectiva de um estudioso de história das ciências, o céu a todo tempo se reinventa e a plasticidade da inteligência humana é capaz de perceber como ele representa a Terra num dado contexto.
Falei isso tudo para confirmar que venho estudando o tópico dos irmãos de acordo com a astrologia medieval, mesmo que seja para depois vir aqui dizer que tudo está errado.
25/01/2011
Atenção: as figuras abaixo podem não ser vistas com zoom, como acontecia anteriormente. Sugiro que o leitor tenha o feed por email do blog, cujos emails possuem imagens que podem ser ampliadas.
Se esse post for apenas uma declaração do programa que atende às minhas necessidades, seria um merchadising gratuito, e não sou otário pra falar coisas do gênero de graça.
Claro que estou me coçando aqui pra falar minha opinião...
Também nem é difícil deduzir, pelas figuras que eu posto aqui, que meu programa predileto é o solar fire (SF), mas com restrições que direi a seguir. Qualquer versão a partir da 5 é decente... Uso a mais recente possível, mas isso não tem feito muita diferença nas últimas 3 versões...
Eu não posso falar dos programas que não usei - isso inclui aqueles cuja pirataria é impossível de ser obtida, como o Placidus. Não sou louco de sair comprando programas porque eles são muito caros pro brasileiro comum, e até 2007 eu era um brasileiro levemente acima da linha da pobreza. Programa era só pirata, e olhe lá.
O fato é que muita gente, com todo o dinheiro que possa ter, se recusa a gastar com programas de astrologia. Acho que isso é uma questão de indignação. Os programas são caros e as pessoas costumam usar esporadicamente, ou mesmo usando regularmente, elas acham o preço indigno.
É como o preço dos produtos da Apple no Brasil. Sabia que eles poderiam ser mais baratos? Sabia que o preço abusivo do iPad e do iPhone é uma questão simplesmente de status agregado ao valor?
Os representantes idiotas da Apple preferem elitizar o produto ao invés de disseminá-lo pelo Brasil. Aliás, idiota sou eu. É mais barato pra eles: Quanto menos gente, menos lojas de suporte e assistência técnica.
Dentro dos programas de astrologia, também há coisas parecidas. Falo em termos de status e mitos.
Venderam o Janus como o programa que o Robert Zoller recomenda, ideal para astrologia medieval. Balela. O Solar Fire faz as mesmas coisas e muito mais.

De qualquer forma, você pode gostar do Janus, ele tem coisas boas, é bem feitinho e por isso tudo é bom descrevê-lo também. Essa (primeira figura) é a tela inicial, cujo tipo de mapa e cor de fundo já foram por mim modificados.
A propósito: o Janus agora está a venda por 149 dólares. É o menor preço já visto.Finalmente, eles aprenderam que não adianta lutar contra os piratas...Espero que seja uma tendência geral...
O Janus dispõe seus conteúdos de forma mais organizada e estanque, o que facilita a localização.
Ele é organizado em módulos, cada um deles dedicado a uma escola de astrologia ou uma vertente astrológica em particular.
O Solar Fire é organizado em modalidades de procedimentos.
Em outras palavras: o Janus separa os conteúdos por estilos de astrologia. Tem uma janela só pra medieval, uma só pra cosmobiologia, uma só pra horária, etc.
O Solar Fire separa o conteúdo por tipo de técnica e, nessa escolha, mistura as escolas diferentes. Na mesma janela em que você vê as direções primárias medievais, vai ver as modernosas progressões terciárias!
Esses dois modos diferentes de organização trazem implícitas duas maneiras de ver a astrologia: misturando tudo, usando várias abordagens (Solar Fire) ou sendo purista, organizado e não transformando sua técnica num samba do crioulo doido (Janus).
Existem dois sistemas de Casas denominados 'Alchabitius', sendo que a maioria dos programas possui apenas o 'Alchabitius Semi-Arco'.
O único 'plus' que o Janus tem em relação ao Solar Fire e a outros programas é o sistema de Casas Alchabitius Declinação. Aliás, nenhum programa além do Janus dispõe desse sistema de Casas...
Segundo Steven Birchfield, esse sistema é o recomendado por Abu Ma'shar.
Só vi esse sistema fazendo diferença uma vez na interpretação. Depois disso, nunca mais.
As cúspides dele podem cair em outros graus e isso pode mudar os regentes dos termos, um detalhe nem sempre importante...
Veja bem: o SF tem Alchabitius, mas não é 'declinação'! É o Alchabitius 'Semi-Arco', que você encontra na maioria dos programas.
Janus ficou famosinho porque ele tinha um módulo de astrologia medieval, com o famoso mapa quadrado (conforme a segunda figura) que o Robert Zoller popularizou no seu curso.
Dá pra ver que o mapa quadrado é uma merda pra se ver aspectos, além de confundir: planetas na cúspide de uma casa são colocados ainda no meio do espaço da casa anterior, como a minha Vênus em Aquário na cúspide da 11, que no mapa acima, está na 10...
O mapa quadrado é chic, por reverenciar o modo de se desenhar mapas na idade média. Uma sofisticação vintage... (papo estranho...).
O módulo medieval do Janus tem uma ferramenta que estipula a profecção que o nativo está vivendo no momento pela idade (vide terceira figura), o que simplifica um pouco as coisas. As profecções estão corretas. O Solar Fire concebe a profecção de um modo contínuo e por isso não dá a mesma ferramenta.
A Partir da versão 4, ele passou a listar partes árabes citadas pelo Bonatti no Tratado 8 do Liber Astronomiae. (vide figura abaixo)

É a maior coletânea de partes árabes desde Al-Biruni e Paulus Alexandrinus.
O livro de Bonatti sobre as partes árabes pode ser encontrado no link acima (traduzido por Benjamin Dykes) ou aqui, traduzido para o inglês pelo Robert Zoller.
Finalizando, as direções primárias do Janus, a partir da versão 4, são calculadas corretamente segundo a perspectiva medieval.

O leitor pode perceber na figura 4 as configurações que uso quando recorro às direções primárias (raramente...).
O conteúdo do módulo medieval no Janus é melhor disposto que no solar fire. Só que o Solar Fire tem as mesmas coisas que o Janus... e muito mais.
Agora, meu caro, o Solar Fire te possibilita ir além, mas com restrições. Quem sabe mexer nele, simplifica sua prática no dia a dia. É o tema do próximo post sobre programas.
24/01/2011
Aproveitando o ensejo do ingresso de júpiter em Áries no último sábado (22/01/2011), vamos aprender a interpretar os trânsitos no seu mapa natal?
Na verdade, não pretendo dizer tudo aqui:
Isso porque a primeira etapa consiste na interpretação natal do planeta em trânsito, que servirá para qualquer técnica preditiva.
É por isso que o título foi "como interpretar um mapa natal", e não "como interpretar trânsitos".
Você já deve estar cansado de ouvir isso. Soa até demagogo, mas não é:

Por trânsito, Júpiter ingressa em áries. Até aí, isso nada nos acrescenta.
Júpiter é o 'abençoado' dentro da astrologia. Será que todas as pessoas experimentarão um trânsito de júpiter no Ascendente de uma forma abençoada mesmo?
Você é espertinho e já sabe que a pergunta acima é retórica: a resposta é CLARO QUE NÃO.
Agora, se pudermos delinear esse Júpiter dentro do mapa natal, teremos uma boa medida das coisas que Júpiter pode fazer nas casas onde ele transitar. É o que faremos abaixo:
Pode até ser. Juntar tudo que ele representa pode dar nalguma coisa que aconteceu ou acontecerá realmente na vida da pessoa. Às vezes, não.
O fato é que esse júpiter está determinado a várias casas e assuntos do mapa natal, mas nem sempre indicará que todas essas áreas estejam ligadas entre si.
Saber se todas as áreas estão ligadas ou não pelo mesmo planeta depende da inclusão de outros pontos na interpretação. È aí que entram as partes árabes, os regentes das triplicidades e os significadores essenciais.
Por exemplo: júpiter tem forte ligação com minha família (porque está em aspecto com o regente da casa 4 e do lote da mãe, que é a lua) e ao mesmo tempo rege a casa 9.
A casa 9 representa várias coisas diferentes ao mesmo tempo. Por hora, vamos citar três:
Cada uma das hipóteses acima indica uma faceta da Casa 9, e não podemos afirmar qual delas é a correta (uma ou mais) até entendermos com que faceta da casa 9 o pai tem maior relação.
Para sabermos qual é a faceta, é preciso pegar outros pontos associados à casa 9 e ver se eles têm relação com os pontos ligados ao pai. Aí entra outros elementos da astrologia, com os quais você precisa se acostumar e entender como funcionam:
(o blogspot retirou sem avisar o recurso de podermos acessar a figura numa definição e tamanho maiores ao clique. Satisfaça-se com essa visão, mas não se preocupe, confie em mim que eu lhe direi as partes importantes da figura acima e você não conseguiu ler...)
Se você pudesse ler as listas acima, encontraria em Peixes o Lote da Religião (08°Peixes), regido por Júpiter.
Como Júpiter rege a 9, ele pode estar ligado a várias facetas dessa casa, mas por reger simultaneamente o lote da religião, indica que júpiter se refere mais ao lado espiritual da casa 9 e menos para viagens ou autoridade parlamentar, legal, etc.
Além disso, Ibn Ezra nos dá um truque muito interessante e que confirma a importância de Júpiter :
Ela consiste em atribuir significados específicos de cada casa aos regentes das triplicidades dos signos.
(Eu usaria o sistema de signos inteiros, para o caso de interceptação de cúspides).
Para um mapa diurno como o meu, os regentes da triplicidade estão nessa ordem (Dorotheus):
De acordo com a citação de Ezra, o segundo regente da triplicidade da Casa 9 diz respeito a religião. Mais um ponto a favor de júpiter.
O grande benéfico pode até representar outras coisas dentro desse mapa, mas dá pra ver claramente que ele indica religião. Isso confirma uma das hipóteses:
Nota: a maioria dos autores atribui o Cristianismo a Júpiter. Abu Mashar é exceção ao associá-lo a Mercúrio, pois segundo ele esse planeta é mais indicado a religiões onde há muita controvérsia. Abu Ma'Shar viveu no medievo árabe, muito antes da reforma protestante...
Se você usar esse princípio em todo o mapa, com qualquer casa: parabéns, você já sabe interpretar um mapa natal.
Antes de aprender os trânsitos, temos de aprender a interpretar o mapa natal.Essa tarefa é tão extensa que poucos autores tem a ousadia de sintetizá-la num post de blog.
Na verdade, não pretendo dizer tudo aqui:
Para entender esse post, o leitor precisa dominar o entendimento dos pontos abaixo:Esse post será dividido em duas etapas. A primeira é tão importante que sua aplicação extrapola para além da interpretação de trânsitos.
- Casas
- Lotes ou Partes Árabes
- Regências domiciliares/exaltação
- Regentes das Triplicidades
Isso porque a primeira etapa consiste na interpretação natal do planeta em trânsito, que servirá para qualquer técnica preditiva.
É por isso que o título foi "como interpretar um mapa natal", e não "como interpretar trânsitos".
Você já deve estar cansado de ouvir isso. Soa até demagogo, mas não é:
Se você não souber intepretar um mapa natal minimamente, vai boiar sumariamente em qualquer técnica preditivaPor quê? Bem, se desejamos saber o que júpiter em trânsito representa para a pessoa:
Primeiramente, é necessário especificar o que Júpiter em trânsito representava no instante em que a pessoa nasceu.Vou postar, como de costume, o meu mapa aqui, dessa vez com os trânsitos do lado de fora:

Por trânsito, Júpiter ingressa em áries. Até aí, isso nada nos acrescenta.
Júpiter é o 'abençoado' dentro da astrologia. Será que todas as pessoas experimentarão um trânsito de júpiter no Ascendente de uma forma abençoada mesmo?
Você é espertinho e já sabe que a pergunta acima é retórica: a resposta é CLARO QUE NÃO.
Agora, se pudermos delinear esse Júpiter dentro do mapa natal, teremos uma boa medida das coisas que Júpiter pode fazer nas casas onde ele transitar. É o que faremos abaixo:
- Júpiter estava na Casa 7 por divisão;
- Júpiter estava em Escorpião, oitavo Signo a partir do Ascendente;
- Júpiter regia as Casas 9 (religião viagens, pai para Valens) e 12 (hospitais, impedimentos, frustrações);
- Júpiter está em oposição à Lua (regente da casa 4, posicionada na 2);
- Júpiter está em oposição ao Lote da Fortuna;
- Júpiter está em oposição ao lote do pai;
- Júpiter está em conjunção com o Lote das Dívidas;
Pode até ser. Juntar tudo que ele representa pode dar nalguma coisa que aconteceu ou acontecerá realmente na vida da pessoa. Às vezes, não.
O fato é que esse júpiter está determinado a várias casas e assuntos do mapa natal, mas nem sempre indicará que todas essas áreas estejam ligadas entre si.
Saber se todas as áreas estão ligadas ou não pelo mesmo planeta depende da inclusão de outros pontos na interpretação. È aí que entram as partes árabes, os regentes das triplicidades e os significadores essenciais.
Por exemplo: júpiter tem forte ligação com minha família (porque está em aspecto com o regente da casa 4 e do lote da mãe, que é a lua) e ao mesmo tempo rege a casa 9.
A casa 9 representa várias coisas diferentes ao mesmo tempo. Por hora, vamos citar três:
- Estudos superiores
- Viagens
- Religião.
- O pai e a mãe são dois acadêmicos, muito estudiosos, eruditos mesmo.
- O pai e a mãe sempre tiveram uma vida itinerante, o filho teve uma infância muito nômade.
- O pai e a mãe são muito religiosos.
Cada uma das hipóteses acima indica uma faceta da Casa 9, e não podemos afirmar qual delas é a correta (uma ou mais) até entendermos com que faceta da casa 9 o pai tem maior relação.
Para sabermos qual é a faceta, é preciso pegar outros pontos associados à casa 9 e ver se eles têm relação com os pontos ligados ao pai. Aí entra outros elementos da astrologia, com os quais você precisa se acostumar e entender como funcionam:
- Os lotes, também chamados de Partes Árabes.
- Os regentes das triplicidades (excelente artigo de Paulo Silva)
(o blogspot retirou sem avisar o recurso de podermos acessar a figura numa definição e tamanho maiores ao clique. Satisfaça-se com essa visão, mas não se preocupe, confie em mim que eu lhe direi as partes importantes da figura acima e você não conseguiu ler...)Se você pudesse ler as listas acima, encontraria em Peixes o Lote da Religião (08°Peixes), regido por Júpiter.
Como Júpiter rege a 9, ele pode estar ligado a várias facetas dessa casa, mas por reger simultaneamente o lote da religião, indica que júpiter se refere mais ao lado espiritual da casa 9 e menos para viagens ou autoridade parlamentar, legal, etc.
Além disso, Ibn Ezra nos dá um truque muito interessante e que confirma a importância de Júpiter :
"O segundo regente da triplicidade da Casa 9 indica religião, práticas religiosas, o respeito que delas se obtêm(...)"Essa é uma técnica medieval. Não há registros de qualquer coisa semelhante na idade clássica.
Ela consiste em atribuir significados específicos de cada casa aos regentes das triplicidades dos signos.
(Eu usaria o sistema de signos inteiros, para o caso de interceptação de cúspides).
Para um mapa diurno como o meu, os regentes da triplicidade estão nessa ordem (Dorotheus):
- Sol
- Júpiter
- Saturno
De acordo com a citação de Ezra, o segundo regente da triplicidade da Casa 9 diz respeito a religião. Mais um ponto a favor de júpiter.
O grande benéfico pode até representar outras coisas dentro desse mapa, mas dá pra ver claramente que ele indica religião. Isso confirma uma das hipóteses:
- O pai e a mãe são dois acadêmicos, muito estudiosos, eruditos mesmo.
- O pai e a mãe sempre tiveram uma vida itinerante, o filho teve uma infância muito nômade.
- O pai e a mãe são muito religiosos.
Nota: a maioria dos autores atribui o Cristianismo a Júpiter. Abu Mashar é exceção ao associá-lo a Mercúrio, pois segundo ele esse planeta é mais indicado a religiões onde há muita controvérsia. Abu Ma'Shar viveu no medievo árabe, muito antes da reforma protestante...
Se você usar esse princípio em todo o mapa, com qualquer casa: parabéns, você já sabe interpretar um mapa natal.
20/01/2011
Existem vários argumentos a favor do zodíaco tropical e vários a favor do sideral, mas será mesmo que a questão se resume a escolher um deles e refutar outro?
No post que falei dos eclipses e as chuvas do Rio, você viu que o zodíaco tropical foi o mais adequado para indicar as chuvas porque o eclipse ocorreu em câncer, signo cardinal (violento, móvel) de água (enchentes).
Como essa simbologia foi um fato isolado, não é capaz de formar um veredicto a favor do zodíaco tropical. É preciso outros fatos como esse para corroborar. Até porque o zodíaco sideral tem funcionado bem em muitos mapas natais.
Como essa simbologia foi um fato isolado, não é capaz de formar um veredicto a favor do zodíaco tropical. É preciso outros fatos como esse para corroborar. Até porque o zodíaco sideral tem funcionado bem em muitos mapas natais.
De qualquer forma, a pesquisa sobre qual zodíaco seria o melhor é cheia de armadilhas. É o que vamos ver nos dois mapas abaixo.
A análise simplista desses dois mapas pode até ser um voto a favor do zodíaco sideral, mas ao se analisar o mapa mais a fundo notar-se-á que ele também tem sentido no tropical.
No zodíaco tropical, o Ascendente Escorpião entra em contraste com o que está na mesma altura do círculo no zodíaco sideral: Libra.
Escorpião e Libra são signos muito contrastantes. Não vamos citar as atribuições modernas de ambos porque nosso blogue é de astrologia clássica. Basta dizer que enquanto Libra é regido por Vênus e a exaltação de Saturno, Escorpião é o domicílio de marte e a queda da lua.
Vênus representa as artes, o sexo e o matrimônio. Marte representa a guerra, o sangue os esportes, o aço. São duas dimensões bem contrastantes.
Em Libra, Vênus se domicilia e Saturno, com todas as suas qualidades e defeitos, se exaltam. Para os indianos, Saturno rege a democracia em mapas mundiais, porque ele representa os extratos mais pobres. Logo, se num mapa de um país Saturno for proeminente, isso indicará que a forma de governo será democrática, pois a massa (Saturno) decidirá o destino do país.
(Os regimes de um país foram em geral monárquicos e autoritários por séculos... Hoje em dia, ser democrático é a ordem do dia, a menos que você queira seu país com embargos econômicos severos...
Por isso, Saturno não necessariamente estará forte em todos os mapas de países democráticos...
Todavia, um Saturno forte em mapas de países indica neles que a liberdade é maior do que outros países com regimes democráticos).
Escorpião é um signo ligado aos mistérios e à morte por uma razão clássica, sabia? Veja essa paráfrase de Antíoco de Atenas:
No Escorpião, onde a Fortuna (Lua) se deprime, nada pode ser exaltado
Antíoco dava as razões para entendermos porque nenhum planeta se exalta em Escorpião.
Na astrologia clássica, a lua é a geradora de todas as coisas, representando o dom da vida e da criação de tudo. Esse dom é dado a todos os seres, sem que eles peçam ou mereçam. No Cristianismo, isso é chamado de "Graça", um favor imerecido.
Podemos chamar "Graça" de "Fortuna", porque a vida é um dom que os seres não se esforçam para receber, apenas para manter (e há quem pense que não temos controle nenhum para mantê-la...)
Ora, Escorpião é o signo onde essa Graça se desvanece, onde todas as coisas perdem esse favor imerecido de viver pois é o Signo da Queda da Lua, a geradora de todas as coisas dentro do mundo sublunar. Assim sendo, não há signo melhor para representar a morte e seus mistérios, algo enfatizado pelos astrólogos modernos, mas que é possível num contexto clássico devido ao trecho acima.
Ora, se em Escorpião, toda a vida pode se esvanecer, nada é capaz de se exaltar dentro desse signo. Nem mesmo Saturno é capaz, porque em Astrologia Clássica Saturno representa vários seres vivos, ainda que asquerosos...
Depois dessa longa introdução às diferenças de cada signo, vamos pegar o mapa de duas pessoas com Ascendente Escorpião no zodíaco tropical.
David Lynch:

Se usarmos o zodíaco tropical, marte rege o ascendente, e portanto tem algo a dizer sobre a motivação de vida deste homem.
Marte se une a Saturno na Casa 9, em queda. Poderia representar alguém que tem problemas sérios no exterior, ou com questões religiosas, ou qualquer outra coisa derivada da casa 9.
Questões de casa 9 nem são as mais importante para a vida desse cineasta, pintor e desenhista de quadrinhos. Dá pra ver que o cara respira arte, que é a motivação de vida dele.
Lynch nunca pensou em fazer outra coisa. Até mesmo os empregos mais caretas dele envolviam arte, ou então eram apenas 'bicos' para sustentar arte.
Se, porém, convertermos Escorpião ao Signo sideral de Libra (roda mais externa), veja só como a coisa muda.
Para começar, o Signo Ascendente deveria ser a motivação de vida da pessoa: essa teoria é ensinada por um astrólogo tropical, Robert Zoller!
No entanto, já fiz muitos mapas tropicais nos quais a motivação de vida era um tanto confusa e inadequada se comparada à vida real da pessoa.
Não é o caso nesse mapa sideral. Vênus regendo o Ascendente é sinal claro da motivação estar em alguma coisa venusiana. No caso, obviamente as artes.
Meu irmão tem um mapa com Ascendente Escorpião também. Ele adora tocar guitarra e conseguiu um emprego estatal talvez só para ter tranquilidade de exercer seu hobby.

Veja, entretanto, que ele está com o Sol em conjunção com Vênus da mesma forma que Lynch.
E é aí que vemos os vieses:
Enquanto os astrólogos que gostam do zodíaco sideral diriam que Vênus é a mais indicada para representar o ascendente de Lynch e do meu irmão, os tropicalistas enfatizariam que Leão é o décimo signo do ascendente escorpião (profissão e vocações) e, sendo assim, sua conjunção com Vênus indicaria artes.
Isso é para que o leitor entenda o quão difícil é estudar um tema como esse. Para sabermos qual zodíaco representaria melhor os seres humanos, são necessários muitos casos de interpretação com a mesma técnica e usando os dois zodíacos. Um ou dois mapas não é suficiente.
Quando se quer provar que uma teoria está certa, basta mostrar argumentos a favor e varrer para debaixo do tapete os contrários ou então desmerecê-los. Depende da honestidade intelectual de cada um.
Para mim, a forma mais intelectualmente honesta é mostrar que há vários vieses que tornam a questão zodiacal complicadíssima de ser definida.
Esse modo de se lidar com teses contrastantes pode soar coisa de maluco, mas apenas é uma dialética para expor esse assunto tão polêmico para a Astrologia.
E é aí que vemos os vieses:
Enquanto os astrólogos que gostam do zodíaco sideral diriam que Vênus é a mais indicada para representar o ascendente de Lynch e do meu irmão, os tropicalistas enfatizariam que Leão é o décimo signo do ascendente escorpião (profissão e vocações) e, sendo assim, sua conjunção com Vênus indicaria artes.
Isso é para que o leitor entenda o quão difícil é estudar um tema como esse. Para sabermos qual zodíaco representaria melhor os seres humanos, são necessários muitos casos de interpretação com a mesma técnica e usando os dois zodíacos. Um ou dois mapas não é suficiente.
Quando se quer provar que uma teoria está certa, basta mostrar argumentos a favor e varrer para debaixo do tapete os contrários ou então desmerecê-los. Depende da honestidade intelectual de cada um.
Para mim, a forma mais intelectualmente honesta é mostrar que há vários vieses que tornam a questão zodiacal complicadíssima de ser definida.
Esse modo de se lidar com teses contrastantes pode soar coisa de maluco, mas apenas é uma dialética para expor esse assunto tão polêmico para a Astrologia.
19/01/2011
Acho que nunca fiz uma postagem sobre esse tema tão importante.
O programa de astrologia que você escolher dirá até onde você pode ir ou não na interpretação.
E por quê? Simplesmente porque você não terá condições mentais de calcular tudo que for necessário para todos os mapas sempre, se tiver uma prática mais intensa.
No seu caso, amador, mesmo se a prática não for intensa, há que se aprender com um número expressivo de mapas.
Assim sendo, que programa é o melhor?
O melhor programa de astrologia será aquele que lhe proporcionar de um modo mais fácil e rápido as técnicas que você usar no dia-a-dia.
Perceba que a resposta é super vaga. Até dentro da Astrologia Medieval, que é muito mais específica, os astrólogos podem usar técnicas diferentes, mudando a prioridade do programa a ser usado.
Por exemplo: se você não costuma usar direções primárias, o Solar Fire pode ser bom por outras razões. Por outro lado, se vc não vive sem direções primárias, pode usar o morinus, que é para direções primárias é o melhor disparado*.
*(muito embora você terá os dois no seu computador, porque se você puder pagar pelo solar fire, o morinus é grátis)
Eu já tenho minha opinião formada e já adianto que uso mais de um programa... Estudando astrologia indiana e medieval ao mesmo tempo, fica impossível abarcar tudo que preciso usar num único software.
Até existem programas de astrologia que incluem jyotisha e ocidental, mas ela acaba deixando a desejar numa delas.
Talvez você tenha achado minha definição do 'programa ideal' acima um tanto simplista: mas Rodolfo, e a precisão astrológica? Tem programas que calculam o ascendente com margem de erro maior, não?
Ok, seu inocente... Vamos primeiro desconstruir o mito da precisão.
Até o programa da esquina é preciso.
Os programas precisos lidam com efemérides baseadas nas observações da NASA. Todo programa que se preze hoje terá o cálculo das Swiss Ephemerides.
Até aí morreu o Neves, porque essas efemérides estão NA MAIORIA dos programas. Não é possível escolher o programa pela melhor efeméride, porque QUASE TODOS usam a mesma!
Em termos de cálculos, os programas vão se diferenciar é na qualidade dos cálculos que não estejam nas efemérides. Falo de direções primárias, progressões, etc.
Para esses casos também, o que tenho notado? Vamos usar o exemplo das Direções Primárias, a técnica mais cri-cri da astrologia.
Até meados de 2006, não havia programa gratuito que as calculasse com precisão. O Solar Fire e o Janus as calculavam de um modo moderno (e portanto errado). Havia o Placidus, mas era caríssimo.
Finalmente, depois de 2006, o Janus (que antes também calculava errado) mudou seus algoritmos para o cálculo correto (isto é, o cálculo ensinado nos livros de astrologia medieval) e, ao mesmo tempo, surgiu o Morinus que, desde a sua gênese, calculava as direções do modo corretíssimo.
Para comparar as direções primárias, é preciso comparar o que é comparável: não adianta você comparar as direções do Solar Fire com as do Morinus, porque elas se baseiam em cálculos diferentes!
Em se tratando de dois programas usando a mesma maneira de calcular, as diferenças entre os programas são muito, mas muito pequenas. Na maioria dos casos, desprezíveis.
Há que se ter um exemplo.
Em um programa de astrologia "A" você pode ter o Ascendente a 17° Áries 10'03''. Num programa B, o mesmo Ascendente com o mesmo horário e local pode ser encontrado em 17°Áries 07'14''.
Ainda no exemplo acima, dependendo da técnica que você usar, essa diferença pode ser importante para algumas técnicas, mas... até que ponto?
A diferença entre os dois ascendentes é de três minutos e onze segundos. Em direções primárias, um grau equivale a um ano. Um minuto, portanto, é 1/60 de 365 dias, totalizando seis dias e 2 horas.
Três minutos, portanto, equivalem a 18 dias e 6 horas. Ou seja: eu poderia errar 18 dias o evento devido a margem de erro dos dois ascendentes, certo?
ERRADO.
Em primeiro lugar: Uma direção começa quando o aspecto se completa e termina quando o ponto analisado passa ao próximo aspecto.
Por exemplo: o Ascendente pode começar uma quadratura com marte em 27 de janeiro de 2011. Em 18 de outubro de 2012, ele fará um sextil ao Sol. Assim sendo, tudo aquilo que a direção ascendente-marte representa está ativado até 18 de outubro de 2012.
Pensando dessa forma, uma direção pode durar anos. Uma direção primária não indica um dia específico no qual o evento acontecerá, mas sim uma época. Essa época pode abarcar diferenças significativas entre a data do evento e a data do início da direção.
Acreditar que uma direção indicará um dia e um evento específico foi uma fantasia aprimorada pelo desenvolvimento da matemática e sua introdução na astrologia.
As direções primárias são vendidas como a "técnica perdida secreta que vai abrir as portas do futuro".
BA-LE-LA!
Nos dois ascendentes acima, o astrólogo poderia acertar a época do evento. Bastava simplesmente considerar outras técnicas em paralelo.
Se você quiser ser um bom astrólogo, não vai usar somente uma técnica, por mais que ela seja considerada a técnica mais precisa do mundo. A tendência é errar feio. E por quê?
Eu estudo astrologia há 7 anos. Já fiz muitos julgamentos de mapas e acompanhei muitos também. Em todos eles, descobri que não adianta ter precisão de nanosegundos, porque as técnicas são precisas quando usadas em conjunto.
Para você entender a razão, vamos aprender um pouco com os indianos a delimitar eventos. Felizmente eles são muito mais desenvolvidos nesse ramo do que nós e podem nos ensinar coisas maravilhosas.
A precisão de um evento não depende da precisão dos cálculos de uma técnica, mas sim na habilidade técnica do astrólogo em conjugar várias técnicas.Essa habilidade leva em conta considerar a margem de erro de cada técnica, e portanto não conclui baseado apenas numa, mas vai pela síntese da maioria das evidências numa época que for a mais provável.
Para delimitar o dia de um evento com precisão, os indianos trabalham com uma hierarquia de técnicas. Eles não usam apenas uma técnica para prever o dia em que um evento acontecerá. A hierarquia mais comum está sintetizada abaixo:
- Vimshottari Dasha: Trata-se da técnica de períodos planetários mais comum entre os indianos, a mais recomendada por Parasara. Através dela, você saberá em que década a probabilidade de um evento pode ocorrer com a pessoa. Ainda dentro dessa técnica, você pode estreitá-la em dois ou três anos.
- Dasha acessório (Narayana, Kalachakra, etc.): Esse dasha serve para confirmar aquilo que você achou no Vimshottari. Não afina mais o período de tempo, apenas ratifica o achado anteriormente. Se pelas duas técnicas você percebeu que é possível o evento acontecer em determinado ano, tem mais certeza para prosseguir.
- Sudarsana Chakra (profecções): São as boas e velhas profecções, mas no estilo indiano. Aqui se 'profecta' sol, lua e ascendente, na faixa de um signo por ano. Elas refinam o que o VD e o Dasha acessório encontraram: indicam o ano em que o evento pode acontecer.
- Trânsitos: Os trânsitos indianos são bem mais simples do que os ocidentais em termos de quantidade de planetas usados. Utiliza-se apenas o Sol, Júpiter e Saturno e a Lua, sendo essa última mais usada no item 5 abaixo. Os trânsitos servem para duas coisas: confirmar o que as profecções indianas sinalizaram, apontando o ano (trânsitos de Júpiter e Saturno) e ao mesmo tempo são capazes de mostrar o mês em que um evento pode acontecer (trânsito do Sol, geralmente pelos trígonos do ponto que representa o evento).
- Dia védico (fase lunar ou tithi): Depois de encontrarmos o mês do evento pelo trânsito do sol, o dia do evento é encontrado ao se descobrir o planeta mais importante para o evento (cuja técnica foge do objetivo desse artigo): a fase lunar (tithi) que esse planeta reger indicará o dia mais certeiro.
- Dia da semana (planeta): Finalmente, o evento pode ocorrer num dia da semana indicado por um dos planetas envolvidos na promessa de evento no mapa natal.
Os seis itens acima são interdependentes. É necessário percorrer cada passo acima antes de ir ao próximo: de que adianta eu saber se morrerei numa quarta-feira? de que dia? de que ano?
Note que as pequenas discrepâncias de cada técnica são desprezíveis quando usamos mais de uma.
Eu falei tudo isso para mostrar que os erros de qualquer programa decente de astrologia se tornam desprezíveis com essa abordagem, sendo essa abordagem a mais correta para quem deseja aprender astrologia clássica e/ou indiana.
Suponha que o programa calcule o Vimshottari dasha com uma margem errada. O dasha pode começar dois ou três meses mais tarde. Ainda assim, os trânsitos podem nos mostrar o ano correto do evento. Depois dos trânsitos, as profecções confirmam de uma maneira que não depende de precisão matemática, pois é uma técnica simbólica e que não depende de equações, graças a Deus por isso!
Essa é a vantagem de se usar várias técnicas e ir estreitando o período de tempo, eliminando as hipóteses erradas. O trabalho de um astrólogo é similar ao de um detetive.
Nos próximos posts, começaremos a discorrer sobre os programas.
18/01/2011
No post do estranho fenômeno dos eventos repetidos você viu a minha estranha percepção de eventos envolvendo um mesmo elemento raro se repetindo. Pois alguém já percebeu isso muito antes de mim.
Ele se chamava Velpeau, um cirurgião francês, cuja história pode ser lida nos posts desses blogues abaixo:
- Hunky-Dory, com o post "Leo"
- Álvaro Taniguti, com o post "Dr Carlos e Velpeau"
O primeiro post guarda subsídios para entendermos porque médicos percebem melhor a lei de Velpeau. O próprio Velpeau, um cirurgião, percebeu que pacientes com as mesmas queixas raras apareciam mais ou menos no mesmo intervalo de tempo, que pode variar em horas a dias.
Milhares de pessoas podem pegar gripe numa determinada época do ano, mas daí a duas pessoas que não se conhecem aparecerem mesma na emergência de um hospital mordidas por dois leões diferentes... num país onde o leão não é nativo...
Pessoas ao seu redor podem falar ao mesmo tempo a mesma palavra que você e isso nem é tão notável assim, mas daí a você ser médico e perceber no mesmo dia dois casos idênticos e raros no consultório, é mais estranho.
Existem coincidências? Para um astrólogo, quando é que o acaso 0corre?
Para Velpeau, as coincidências bizarras viraram lei.
(Meus agradecimentos a Livio Nakano por ter me enviado os dois links sobre o post.)
Não sei porque, mas não coloquei uma importante evidência do zodíaco tropical no post anterior:
- O uso das regências na astrologia horária.
Cansei de fazer horárias no zodíaco tropical e acertar o prognóstico.
Errei muito também mas, graças a Deus, os erros crassos foram percebidos e atribuídos, de tal forma que o zodíaco tropical se mostrou infalível em horárias.
Posso dizer que o zodíaco tropical é 99,9% 'infalível' em horárias porque eu fiz muito mais horárias do que mapas natais, sempre usando as regências.
A horária é algo bom para aprender astrologia porque nós podemos ver se ela é correta ou não. A maioria das perguntas terão seu desfecho em curto e médio prazos, então se você não conseguir aprender astrologia com horárias, esqueça.
O eminente astrólogo indiano, K. N. Rao, disse que a astrologia ocidental usuária do zodíaco tropical, tem dado maus resultados, excetuando-se o ramo da astrologia horária.
Ora, se a horária funciona e é dependente de regências, isso fala a favor da utilização do zodíaco tropical. Vamos postar aqui uma horária e você entenderá essa afirmação:

O mapa acima é um desenho especial do Solar Fire Gold, posicionando na parte mais externa o zodíaco sideral Fagan-Bradley e internamente o zodíaco tropical.
A horária era sobre um negócio, se ele daria certo ou não. Usando o zodíaco sideral, note que o regente do Ascendente é Saturno, que está exaltado na casa X, indicando sucesso.
Como um maléfico rege o ascendente e ao mesmo tempo resolve a questão, isso indicaria que a pessoa teme sua impulsividade em entrar num negócio que tem uma boa chance de dar errado, porém Saturno está exaltado numa casa que guarda grande relação com a questão e tudo isso é muito bom.
Soma-se a isso que a Lua também pode ser usada como um testemunho acessório, uma co-significadora da questão. A Lua em Leão é perfeitamente recebida pelo Sol e isso indica um excelente desfecho para a questão.
Se usássemos o zodíaco sideral:
- O regente do Ascendente seria júpiter, no início de Peixes e cadente dos ângulos por divisão. O sucesso também é prometido, mas com atraso.
- A Lua está em Câncer, e portanto domiciliada. Se aplica ao Sol em Escorpião. Como o Sol está na queda da Lua, esta trataria de destruir a questão.
Usando o zodíaco sideral, há ainda uma probabilidade de sucesso, com atraso, mas o co-testemunho da Lua indica que o negócio não vai adiante pela iniciativa do próprio consulente.
Até agora, de fato há um atraso, o consulente está preocupado mas não pensa em desistir. Júpiter regendo o Ascendente e a total ausência de maléficos na questão indicariam a falta de preocupação do consulente, mas isso vai totalmente contra o que está acontecendo.
Existem outras horárias que fiz usando o zodíaco tropical, mas essa por hora é suficiente para mostrar o que ocorreu até então quanto a esse negócio. Ao analisarmos a sutilezas, percebe-se que o zodíaco tropical pode funcionar bem e sem regras 'largas'.
17/01/2011
Esse post serve para mostrar que eu não estou 'arrastando a aba' apenas para o zodíaco sideral só porque me interesso por Astrologia Indiana...
Vamos enumerar aqui algumas boas razões para você se sentir seguro na hora de usar o zodíaco tropical:
- Como visto no artigo anterior, as catástrofes naturais foram representadas de um modo satisfatório pelo zodíaco tropical.
As duas tragédias naturais envolvendo água - as enchentes e os deslizamentos de terra no Rio e o Tsunami de 2004 no sudeste Asiático - eram indicadas pela presença de maléficos em Câncer, um signo Cardinal de Água.
- A correlação entre as partes do corpo e os signos também tem se mostrado fidedigna no tropical.
Se usarmos métodos de interpretação clássica, as partes do corpo associadas a cada signo seriam melhor indicadas pelo zodíaco tropical.
Por exemplo, o Signo de Aquário representa a Tíbia, e no meu mapa natal ele abriga Vênus, dispositora do Lote da Fortuna.
Para Vettius Valens, o Signo e o Regente do Lote da Fortuna indicarão as partes do corpo mais suscetíveis.
No ano de 2007, como muitos já sabem, sofri uma fratura de tíbia e em seguida duas osteomielites na perna direita.
William Lilly reputa a segunda metade de Aquário à perna direita e, de fato, minha Vênus fica em 20° Aquário.
Quero deixar claro aos leitores que essas evidências não descartam o uso do zodíaco sideral, mas sim mostram que podemos usar os signos tropicais ainda com segurança.
Tal qual faz a escola de Hamburgo, A astrologia pode ser feita sem os signos, porém se perde em complexidade.
Em verdade, a Astrologia que nós praticamos pode ser praticada com a menor recorrência aos signos possível, apenas usando aspectos e posição. Essas práticas, porém, a simplificaria de tal forma que um julgamento mais acurado seria mais díficil.
Assim sendo, é importante percebermos não qual é o zodíaco 'verdadeiro', mas sim qual é o mais adequado ao nosso estilo.
A Astrologia Medieval e Clássica se situa no cerne dessa preocupação porque na época em que vigorava com força havia grande coincidência entre ambos os zodíacos.
Não tenho o costume de estudar Astrologia Mundial da mesma forma que natal. As razões para isso são muitas; entretanto, há que se admitir que o último eclipse em Câncer possui uma grande sincronicidade com o que está ocorrendo no Rio de Janeiro; isso me desviou um pouco dos meus estudos de astrologia natal temporariamente.
É engraçado como os símbolos podem se manifestar de um modo muito concreto.
Na verdade, a frase anterior deveria ser modificada. Deveríamos falar "é engraçado como às vezes os eventos astrológicos se manifestam apenas psicologicamente" porque, antes das cabeças egocêntricas há o mundo, cheio de eventos que podem ser representados astrologicamente e até mesmo - vejam vocês - previstos, como fazem os indianos há muito tempo.
Vamos postar a carta de ingresso do Sol em 00° Áries, no zodíaco tropical e com as cúspides do sistema de Casas Alchabitius.

De acordo com a tradição, se o Ascendente da carta do Sol em 00°Ar00'01'' for um signo Cardinal, devemos fazer 4 cartas de ingresso, uma para cada trimestre (entre março de 2010 e março de 2011). Pois se assim for verdade, estamos no último trimestre do ano astrológico que começou em 2010, valendo a carta de ingresso de capricórnio, que vem a seguir.

Apesar dessa ser a carta de ingresso mais adequada, não se nota a presença de marte no ascendente, que para mim é 'patognomônico' de calamidades. Mais adiante, o leitor verá o porquê.
Talvez o uso de cartas de ingresso secundárias deva sempre obedecer ao que a carta de áries prometa, mesmo que seu ascendente seja cardinal. A carta de Áries indica claramente o ocorrido.
Queria enfatizar que houve quatro eclipses em 2010, sendo a maioria no eixo capricórnio-Câncer. Entretanto, nem sempre isso será indicativo de uma desgraça dessa amplitude, como a que ocorreu na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Para entendermos o que ocorreu com maior clareza, existe um outro fator que poderia ser visto pela primeira carta de ingresso, a do Sol em Áries. Nela, conta-se com a presença de marte no Ascendente em 00°Leão, ainda na primeira casa do mapa por divisão.
Marte no Ascendente possui dignidade de triplicidade no Ascendente Câncer e é qualificado para ser o Regente do ano, pois ainda está na primeira casa pela divisão celeste chamada 'Alchabitius'.
O Regente do ano é o planeta que representará o estado das pessoas da localidade do Estado do Rio de Janeiro. Sendo regido por um maléfico, o ano não será bom, pois isso é indicativo de calamidades.
Na análise desse Marte, mais uma vez não é a técnica empregada que fará diferença, e sim o talento do Astrólogo.
Note que, apesar de marte estar em Leão, ele está em Câncer no zodíaco sideral. Soma-se a isso que o Ascendente em Câncer no zodíaco tropical per se já denota problemas ligados ao elemento água. Usando-se o zodíaco sideral, isso não seria diferente, pois o ascendente seria o mesmo e marte estaria em Câncer ao invés de Leão.
Talvez Marte em Leão soe um pouco sem sentido para você mas, combinado ao que o Ascendente Câncer representa e usando interpretações clássicas, faz bastante sentido.
Tanto para os indianos quanto para astrólogos ocidentais como Lilly, o signo de fogo é indicativo de grandes altitudes, e portanto a localização da tragédia poderia ser deduzida para as colinas e morros com antecipação.
Soma-se a isso, para os indianos, que marte se localiza no zodíaco tropical no problemático ponto chamado 'gandanta', que se localiza nos limites entre os signos de água e de fogo - ou seja, entre áries e peixes, Câncer e Leão e Escorpião e Sagitário. Pessoas que nascem com a Lua em Gandanta costumam ter morte precoce, sem outras condições que remediem isso.
Marte no Ascendente dessa carta lembra o que ocorreu no ingresso de Áries para o Sri Lanka, ocorrido em 2004 e que indicou o Tsunami que varreu o Sudeste Asiático, que pode ser visto abaixo:

Nesse mapa, a presença de Saturno em Câncer no Ascendente representou o Tsunami de 2004, que teve repercussão muito maior do que as enchentes do Rio.
Enquanto nós temos mais de 600 mortos, o tsunami chegou a 150.000, até que a Indonésia incluiu mais 70.000 pessoas desaparecidas, chegando à cifra astronômica de 220.000 mortos (fonte = Wikipedia, esta embasada em bibliografias confiáveis).
O Sri Lanka foi um dos países mais afetados, junto com a Índia e a Indonésia, e por isso não é errado computarmos o mapa com a longitude de uma das cidades desse país.
Note que o zodíaco tropical é o melhor para a representar a tragédia do que o sideral, pois a presença de Saturno em Câncer se sincroniza melhor com o maremoto do que Saturno em Gêmeos, que indicaria a corrupção do ar e problemas tecnológicos e educacionais.
Para quem acha que está perdendo no uso do zodíaco tropical, os mapas de ingresso e sua simbologia concreta são uma grande evidência.
Estamos preocupados com a manifestação dos maléficos indicada pelo signo por onde eles passam. Por mais que o ingresso do sol em Áries seja em outras datas que não aquelas indicadas acima, os maléficos marte e saturno continuariam nos mesmos signos dos mapas acima.
09/01/2011
Isso já circula desde o mês passado na internet. Vou publicar aqui porque o domínio é público e ninguém pode nos impedir.
Saiu o livro mais enciumado da Astrologia em domínio público: a Antologia de Vettius Valens.
(Palmas!).
São cerca de trezentas páginas, com letrinha miúda, em Grego Clássico. Foi traduzido ao longo da década de noventa para o inglês moderno pelo respeitável Robert Schmidt, do Project Hindsight.
Porém, nessa corrida de traduções, um cavalo também chegava ao final, afastado do cavalo mais apostado. Ele se chama Mark Riley: um professor Emérito de Línguas Estrangeiras da Universidade de Sacramento, na Califórnia. Sim, ele tem um site.
Mark simplesmente traduziu Valens e disponibilizou na internet em PDF... GRÁTIS. O download pode ser conferido aqui.
Por que esse livro é tão enciumado? Porque, antes de ter um download gratuito, a tradução de Schmidt era dificílima de ser conseguida.
Robert Schmidt tem vários méritos, e dentre eles o principal é divulgar a Astrologia Helênica (aquela que se praticava nos primeiros séculos da era cristã na Grécia e no Oriente Médio), mas tem também um grande demérito:a falta de uma mentalidade de marketing, talvez por razões ideológicas.
No sétimo livro da Antologia de Valens, o prefácio do tradutor (Schmidt) defende o ponto de vista do autor (Valens) em 'não divulgar esse conhecimento para qualquer pessoa'. Não sei se esse argumento foi seguido à risca por Schmidt, mas ele condiz claramente com a postura fechada do Project Hindsight.
Quando se tem um livro pronto, é preciso colocar a 'máquina de marketing' para funcionar, flexibilizando os modos de aquisição do livro pelo público alvo.
Para um livro ser de fácil aquisição, ele precisa estar disponível em qualquer boa livraria digital, como a Amazon, e ser ao mesmo tempo disponível em outros formatos, como ebook, etc. Isso tudo tem a finalidade de manter a memória do livro acesa nas cabeças do público. E é aí que vemos a burrice de um autor tão inteligente como Schmidt.
Várias obras do Projeto não foram mais editadas e estão fora de circulação. Alguns autores tiveram suas traduções 'presas' pelo Projeto por questões de copyright, mas Dave, do site Astroamerica, sabe meios de tirar do domínio do projeto qualquer um dos livros 'truncados'. As traduções de Ibn Ezra feitas por Meira Epstein, voltaram à circulação editorial e podem ser compradas em qualquer (boa) livraria digital.
Era irritante ver tantas traduções assim paradas porque o Projeto não tinha dinheiro para reeditá-las. Igualmente irritante era o preciosismo do autor em retraduzir toda a antologia devido a questões ideológicas e a descobertas mais recentes sem manter à venda as edições antigas.
Nenhuma obra podia ser comprada pela Amazon, a menos que fosse usada e estivesse disponível num dos 'sebos' ligados ao site americado de vendas. Isso mostra que Schmidt não estava a fim de ganhar dinheiro, e parece que conseguiu isso, pois quem é ligado ao projeto percebe claramente que ele já passou por dificuldades financeiras brabas, sob o risco de perder a sua casa por não pagar a hipoteca!
Quanto mais inteligente uma pessoa é, mais burra ela pode ser no seu pragmatismo, que é a capacidade da pessoa tomar decisões e levá-las a cabo. Schmidt talvez se enquadre nisso, pois é uma das mentes mais privilegiadas pela qual a Astrologia teve o privilégio de ser estudada. Entretanto, quanto mais inteligente se é, mais idéias contrastantes a cabeça consegue abarcar, e o indivíduo se perde na indecisão e na estagnação.
Finalizando, Robert perdeu mais uma vez, porque a tradução de Riley é muito mais fácil de ser entendida. O inglês de Schmidt é pedante para os americanos. Para os brasileiros, ele é até mais fácil de se ler em alguns trechos, porque é um inglês latinizado, típico de intelectuais, mas os falantes de línguas latinas se beneficiam no entendimento.
08/01/2011
O 'nama rasi' (literalmente, signo do nome) deve ser visto no zodíaco sideral, pois é uma técnica indiana.
O modo como estiver o signo do nome no seu mapa representará seu destino, conjugado obviamente a outros fatores.
Para você saber em que signo cai o seu nome, é preciso consultar uma tabela e seguir as regras do artigo 'Numerologia Indiana - Katapayadi'. Você pode baixar a tabela aqui ou no link do artigo.
Essa é uma maneira de diferenciar pessoas com mapas astrológicos muito parecidos, mas que tem nomes diferentes (Existem outras que não vem ao caso).
Rodolfo = Ho-do-pho = 8-3-2 = 238 = 19, com resto 10 = Capricórnio.
Um adendo: a síbala "Ro" do meu nome é falada como se fosse 'ho' para os ingleses e indianos. Assim sendo, na tabela de katapayadi (clique para baixá-la) eu devo procurar pelo número dado a 'ho', e não a 'ro', que é pronunciado como o erre nos encontros consonantais 'pro' 'pre' 'tra' 'cra', etc.
O meu nome é representado pelo Signo de Capricórnio. Assim sendo, Capricórnio é o meu Nama Rasi.
O nama Rasi mostra algo pelo qual a pessoa se diferencia da multidão. É mais um definidor da sua identidade. Se sou conhecido por Rodolfo, serei mais reconhecido pelas coisas representadas por Capricórnio no meu mapa natal, porque o nama rasi de Rodolfo fica em Capricórnio.
Da mesma forma, qualquer Rodolfo terá seu nama rasi em Capricórnio, mas a individualidade de cada um dependerá de como Capricórnio está em cada mapa.
Segundo a Astrologia Indiana, Capricórnio é aspectado pelos signos fixos, mas estes signos estão sem planetas no meu mapa. Vênus está sozinha.
Na minha natividade, Capricórnio é signo de Vênus, regente das casas 3 e 8:
- A casa 11 são ganhos, uma boa renda (a depender de outras configurações).
- A casa 3 fala de gosto artístico (nesse caso sim, pela regência de Vênus) e explica meu envolvimento com internet e design (de um modo leigo, uma vez que sou médico). Também rege parakrama (coragem) maithuna (cópula, modo de se fazer sexo).
- A Casa 8 fala de eventos súbitos, perdas, aborrecimentos.
Essas coisas são lembradas quando querem se referir a mim. Quem é o Rodolfo? É o cara que teve uma queda dentro da faculdade que lhe rendeu uma fratura de tíbia e joelho (Vênus regendo a 8 em Capricórnio), o cara que gosta de desenhar e de design (Vênus regente da 3) o cara que não é muito corajoso para expor seus pensamentos e se posicionar perante os outros (Vênus, um benéfico, regendo uma casa de coragem).
Quanto ao sexo e ao dinheiro que ganho, deixemos isso para quem me conheceu nesses níveis...
A humanidade adora classificar as coisas. Dentro da Astrologia, porém, a classificação tem um propósito claro. Se eu souber qual signo rege um determinado objeto, eu saberei quando ele será afetado por 'influências externas' com antecipação, que é o propósito da astrologia preditiva.
Em se tratando de palavras, a numerologia indiana preenche esse papel classificatório. Existem mais de um método de alocação numerológica às palavras, mas vamos citar aqui o sistema katapayadi.
O sistema katapayadi é o mais popular esquema numerológico dentro da Índia. A determinado grupo de sílabas, dá-se um valor numérico. As palavras tem seu valor descoberto ao se unir as sílabas não por soma, mas por aglutinação.
É o que faremos com o exemplo da palavra "astrologia". Esse exemplo será suficiente para entendermos como o sistema katapayadi funciona. Antes de ler o que vem a seguir, você pode baixar aqui a tabela extraída do link acima:
- Separe as sílabas:
Astrologia = As - tro - lo - gi - a
- Sílabas sem consoante não tem corpo, as sílabas sem vogal não tem alma. As consoantes desacompanhadas são descartadas, enquanto as vogais têm valor zero na contagem:
'as - tro - lo - gi - a' tem a mesma pontuação que 'a - ro - lo - gi - a'
- Procure na tabela que fica nesse link a associação entre as sílabas e os números:
a = 0; ro = ra = 2; lo = la = 3; gi = ji = 8; a=0.
A tabela pode ser baixada também aqui.
- Inverta a ordem em que esses números aparecem e os aglutine, formando um número com três dígitos (o número terá tantas casas decimais quanto for o número de sílabas com vogais precedidas de consoantes):
0,2, 3, 8,0 = 0, 8, 3, 2, 0 =8320
- Divida esse número por 12. O resto da divisão será o valor numérico da palavra do exemplo:
8320/12 = 693, com resto 4
- Correlacione o número ao zodíaco pela escala mais convencional: 1 igual a Áries, 2 igual a Touro, etc:
4 = Câncer.
Atenção:
- na tabela do link, a sílaba 'ja' é pronunciada como 'djá' e a sílaba 'ga' como em 'gagueira'.
- Na língua portuguesa, a maioria das sílabas da tabela que possuem 'h' entre a consoante e a vogal não são usadas. Você pode desprezá-las.
O katapayadi será útil para ver em qual signo cai o seu nome no seu mapa natal, que será o tema do próximo artigo.
05/01/2011
Eu venho percebendo isso há algum tempo, e tenho achado consistente, por mais que seja um pouco absurdo até para mim.
Eu trabalho num consultório de um sindicato, no Centro do Rio. O número de atendimentos não é grande, comparado aos outros locais onde já trabalhei. Eu atendo dois ou três pacientes em média, por dia (porque o centro médico é relativamente novo e necessita de divulgação). Eventualmente, dois ou três pacientes são atendidos em menos de uma hora, e é nessas circunstâncias que eu noto uma coisa que é estranha e repetitiva demais para ser coincidência.
Hoje atendi um paciente que tinha o diagnóstico de hérnia inguinal, confirmado pelo exame físico e pela Ultrassonografia. Meu papel era só solicitar o conjunto de exames que é chamado de 'risco cirúrgico', ou seja, aqueles exames que o paciente precisa fazer para saber se tem condições de se submeter à cirurgia. Foi um atendimento rápido, e em seguida eu chamei o próximo.
O próximo paciente que atendi precisava de um encaminhamento para um cardiologista, porque ele precisava de um laudo médico de um Eletrocardiograma. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que esse paciente iria operar... uma hérnia inguinal também.
Os dois pacientes não se conhecem e não combinaram para estar ali na mesma hora. Hérnia inguinal, sarcasticamente falando, não é uma doença sazonal. Se fossem duas pessoas com resfriado comum, eu não teria essa suposição.
O fato é que repetições como essa vem... se repetindo. Muitas delas são sutis, mas o conhecimento da Astrologia acabou por me deixar atento aos detalhes. E não, elas não se restringem ao meu consultório - embora isso seja uma maneira de perceber de um modo mais notável as coincidências. Talvez elas sempre acontecessem na minha vida mas, como eu nunca tinha estudado astrologia antes, não as percebia ou as achava coincidências.
O conhecimento da Astrologia acaba por me fazer sentir como se estivesse vivendo num mundo como o do filme 'Matrix', como se atrás dessas coincidências houvesse um mecanismo astrológico óbvio explicando as repetições.
Existe uma vertente da Astrologia com a qual a maioria dos astrólogos não se preocupa muito, que eu chamaria de 'microastrologia', isto é, a astrologia dos pequenos ciclos. Falo de dias, horas e minutos, ao invés de meses e anos.
Se já é difícil prever eventos com uma margem de erro de um mês, quiçá prever o dia, a hora e o minuto! Isso se torna um luxo, algo desnecessário, mas talvez estejamos perdendo um excelente filão para vermos o poder dessa ferramenta e adotarmos uma atitude de reverência com a Força Criativa e Ordenadora que está por trás de tudo (eu a chamo de Deus).
Uma coincidência que ocorre muito comigo consiste em duas pessoas que não estejam na mesma conversa falarem a mesma palavra ao mesmo tempo. Estava andando com minha mulher na calçada e falei a palavra "França", que fez eco com outra pessoa que estava perto de nós e disse a mesma coisa. Estava em Ipanema dando carona a dois amigos, falei a palavra 'Ipanema' e Raul Seixas, na rádio MPB FM, cantou 'Ipanema' na música Ouro de Tolo.
Tudo isso é a tal 'sincronicidade' a qual Jung cansou de se referir... Não estou querendo reinventar a roda, apenas tentar entender as engrenagens da 'Matrix'.
Para explicar de acordo com a Astrologia essas pequenas coincidências, é preciso usar de outros métodos, como a numerologia indiana (katapayadi). A divisão que ascender possui um valor numérico (bem simples: áries é igual a 1 e vai até Peixes, que ganha valor 12) que deve ser correlacionada com os fonemas falados no ambiente. Abaixo eu apresento um exemplo de katapayadi:
Jaca - Ja (valor 8) + Ka (valor 1) = 81, que invertido dá 18.18 /12 = 1, com resto 6.6 = Virgem.
Ou seja, a palavra 'jaca' é representada pelo Signo de Virgem. Pela minha especulação, toda vez que jaca for falada - ou for o 'tema' da conversa, alguma subdivisão de Virgem do zodíaco ascenderá. Talvez a mesma coisa possa acontecer quando mercúrio ascender, pois ele rege Virgem.
Isso é apenas uma especulação do que pode ser realmente. Futuramente eu publicarei um artigo sobre a numerologia indiana e sua correlação com a Astrologia (que, ao contrário do ocidente, são muito integradas).
Dentro do contexto da microastrologia, vou sugerir o que deveríamos estudar para correlacionar com os eventos que acontecem ao nosso redor. Eu tentaria os dois zodíacos - o sideral e o tropical - para ver qual deles se ajusta mais adequadamente (faz parte das incertezas da nova fase da minha vida, estudando astrologia medieval e indiana...). Os pontos que eu procuraria observar são os seguintes:
- As horas planetárias: essas horas são usadas para escolher o momento ideal para iniciar projetos, mas e se elas também indicassem eventos? Felizmente, elas não mudam: independente do zodíaco empregado, o amanhecer de domingo sempre será a hora do Sol. O Solar Fire e o Jagannatha Hora (este gratuito) informa sobre as horas planetárias, mas cuidado: na astrologia indiana, 'hora' se refere a um tipo de mapa e também a um Ascendente especial (Hora Lagna), que permanece uma 'hora' em cada signo (o Ascendente comum fica duas horas em cada signo).
- O Ascendente nas várias subdivisões do zodíaco: O Ascendente muda a cada duas horas por dia, para que em 14 horas a Terra gire em relação a 12 signos. Em 2 horas, pode acontecer muita coisa. As coincidências que acontecem comigo duram menos de quinze minutos. Algumas delas duram segundos (como no exemplo que eu dei, da palavra "Ipanema" sendo pronunciada por mim e pela voz de Raul Seixas). Por isso, o Ascendente isoladamente não basta para representar esses pequenos eventos. É necessário dividir um signo em porções mais pequenas, diferenciando os eventos que acontecem dentro de um Ascendente. Por exemplo, um signo pode ser divido em 150 porções pelas quais o Ascendente passa meio minuto em cada uma. Essa divisão é chamada pelos indianos de Nadiamsa e ela pode ser usada para explicar coincidências que duram menos de meio minuto.
- Lua percorrendo as várias subdivisões: da mesma forma que o Ascendente, a Lua também pode explicar essa coincidência, uma vez que ela é a 'geradora de todas as coisas'. A Lua recebe as influências de todos os seis planetas acima dela e as passa ao mundo sublunar, moldando a matéria corruptível (as coisas, os seres, nós...). De qualquer forma, o movimento lunar é mais lento que o Ascendente e ele deve ser usado para reforçar o que o Ascendente diz. Da mesma forma, devemos usar as subdivisões dos signos (como a nadiamsa) para estreitar ainda mais os efeitos.
Os pontos acima poderiam ser usados tanto no mapa natal quanto num mapa transitório. Meu preceito consiste em usar o mapa natal se o evento for muito particular. Em casos de eventos conjuntos, eu usaria o mapa do momento.
Com certeza, deve haver algum astrólogo que estuda isso. O mais próximo que eu consegui foi com a Astrologia Uraniana, que usa planetas ainda não descobertos (ou fictícios...). Essa astrologia usa de várias combinações de planetas para representar eventos que representam o momento em questão.
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