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Pedras preciosas ajudam mesmo?

Astrólogos indianos recomendam que os clientes usem no corpo pedras preciosas para melhorar áreas da vida que, segundo o mapa astral, estariam enfraquecidas ou impedidas. É a famosa solução milagrosa que requer o mínimo esforço por parte do cliente. Em outras palavras, um tratamento astrológico perfeito para ocidentais, que cresceram na cultura do menor esforço.

Os métodos de escolha dessas pedras variam muito de astrólogo a astrólogo. Não se chega a um consenso do que seria melhor, e dois astrólogos podem sugerir pedras de propriedades opostas para a mesma pessoa. Sem contar que é uma forma de terapia muito suspeita, pois a maioria das pessoas considera superstição e idolatria.

Se você pensa que eu acredito nisso, a resposta é: dependerá dos resultados, mas hoje eu estudo por curiosidade e pelo prazer de catalogar e difundir conhecimento. Foi assim que eu procedi com a Astrologia, e assim que eu procedo com qualquer saber polêmico para mim: primeiro, eu vejo se funciona. Em seguida, começo a investir, "comendo pelas beiradas".

Mas nem sempre foi assim com as pedras preciosas... Antes de entrar em contato com certos conhecimentos dessa área, eu acreditava que seria impossível eu fazer qualquer teste nesse sentido, porque as jóias recomendadas pelos autores eram muito caras. Agora que eu sei que pedras de 10 Reais podem surtir algum efeito, eu estou muito mais inclinado a estudar essa área.

À parte da astrologia, existe uma terapia com pedras e minerais no ocidente, com propósitos medicinais. Isso dá uma brecha para aproximarmos o uso de pedras da mentalidade ocidental: mostrar que essas pedras, indicadas astrologicamente, teriam também propriedades medicinais, embora, se considerarmos a astrologia, suas ações não se restrinjam somente a isso.

Dentro de um contexto medicinal, a pedra só teria a função de aliviar alguma dor, melhorar sintomas, dinamizar a função de certos órgãos, etc. Tudo isso teria uma hipótese científica para explicar tais efeitos, por mais surreal que ela se esboce. Porém, não há hipótese clara o bastante que explique um astrólogo receitar uma pedra dessas para melhorar o casamento da pessoa, diminuir as dívidas, prevenir acidentes, etc. Nesses casos, somente temos a astrologia para explicar tais efeitos. Experiências pessoais podem ajudar a nos convencer, se elas forem consistentes em número e qualidade.

Recentemente presenciei um testemunho pessoal de uma pessoa que melhorou uma dor lombar intensa com o uso de minerais, após vários tratamentos convencionais terem dado errado, o que a meu ver afasta a hipótese de sugestionabiliade pela histeria. Além desse testemunho de uma fonte confiável, outra razão para me deixar aberto a esses conhecimentos é a crença de que muitas interações energéticas entre o homem e os objetos ainda não foram descobertas.

Portanto, o parágrafo acima mostra que o uso de pedras pode surtir os efeitos desejados, e isso responderia ao título provocativo do artigo. Só que ainda não sei dizer ao leitor com certeza de astrologicamente isso teria algum efeito. Medicinalmente, tudo indica que sim, embora não seja um entusiasta da dita "medicina alternativa" (e não, não considero medicina chinesa alternativa. Com 5000 anos de tradição, nós é que somos alternativos a ela...).

Eu sou médico e não faço questão alguma de um dia abandonar o tratamento alopático (os remédios convencionais que encontramos na farmácia) e aderir somente a tratamentos alternativos. Ao contrário, sou um praticante ávido desse método.

Não tenho pudor de prescrever a medicação alopática que for necessária ao doente, por mais que isso seja criticado por alguns homeopatas e acupunturistas. Nunca deixaria de realizar um tratamento alopático no doente em detrimento de um alternativo, pois contra isso podem caber sanções legais pesadíssimas.

O grande problema é quando as medicações alopáticas não são suficientes. Conheço pessoas que precisam conviver com dores incômodas porque são praticamente refratárias a tratamentos com analgésicos ou porque temem seus efeitos colaterais. Nesse caso, eu abraço também os tratamentos ditos "alternativos", desde que eles não impeçam a medicina convencional de agir.

Mesmo sendo médico ocidental, não consigo ser suficientemente cético a ponto de desacreditar que as interações eletromagnéticas sutis causem reações no homem, embora um amigo meu, médico nuclear versado no estudo de ondas eletromagnéticas e radiatividade, rejeite toda e qualquer hipótese disto ser verdadeiro e use preceitos físicos para justificar sua argumentação.

Após essa introdução (criada especialmente para vencer a resistência do senso comum em estudar um assunto como esse), vamos ao corpo do artigo. Ele não visa ensinar a usar pedras preciosas, mas sim indicar se os mitos que circundam sua prática são verdadeiros ou não. São eles:
  • Pedras preciosas são amplamente recomendadas pela tradição astrológica da Índia;
  • De acordo com os clássicos, a escolha da pedra errada traz males piores do que se não fosse usada;
  • Só devemos usar as pedras que estão nos clássicos.

Primeiro mito: As pedras são recomendadas pela maioria dos clássicos, sendo um tratamento bastante tradicional.

MENTIRA. De todos os textos indianos, apenas o Brihat Jataka e o Jataka Parijata citam o uso de pedras preciosas. Em nenhum outro texto, incluindo o mais influente de todos, o Brihat Parasara Hora Sastra, elas são citadas (muito embora isso não possa ser inteiramente verdadeiro, já que há várias versões de Parasara, a depender da região da Índia).

Portanto, essa idéia de usar pedras preciosas não é consensual como outras idéias mais difundidas em todos os textos, sendo retomada com mais força nos últimos séculos, por razões misteriosas.


Segundo mito: De acordo com os clássicos, a escolha da pedra errada traz males piores do que se ela não fosse usada.

MENTIRA. Apenas dois clássicos citam as pedras, e nos dois casos não se fala em tempo algum de efeitos adversos. Isso, porém, não significa que o praticante perceba efeitos das pedras que não foram citados pelos autores clássicos. Sanjay Rath, por exemplo, diz que não é bom que um casal use a Esmeralda. porque ela tem a propriedade de Mercúrio e, por Virgem (signo de mercúrio) ser a debilidade de Vênus (significadora de casamento), isso prejudica o sexo. Porém essa é uma conclusão dele e não está em clássico nenhum.

A despeito do que Sanjay disse, eu e meu professor (Ernst Wilhelm) achamos que a coisa mais negativa que uma pedra pode proporcionar é não ter efeito algum e fazer com que a pessoa se arrependa amargamente de tê-la comprado. Até porque as pedras recomendadas são caríssimas, o que nos remete ao terceiro e último mito.


Terceiro Mito: Só podemos usar pedras recomendadas pelos clássicos

POLÊMICO E RELATIVO. A mineralogia foi uma área que se expandiu enormemente no último século. Foram catalogadas mais de 10 mil espécies de minerais. Com tanto mineral assim, porque só devemos usar uns sete ou nove apenas?

À época em que os clássicos foram escritos, não havia esse conhecimento. Duas pedras eram consideradas iguais se tivessem a mesma coloração e dureza. Se duas pedras fossem verdes e com a mesma dureza, eram esmeraldas e pronto. Não havia o conhecimento da estrutura molecular de cada pedra, bem como de outras características que especificam um tipo de pedra.

Nenhum texto clássico é extenso o bastante para indicar maneiras de se classificar uma pedra. Podemos, então, escolher uma dentre duas posturas:
  1. Ficar preso aos clássicos e só usar as pedras citadas por eles.
  2. Descobrir maneiras de correlacionar os conhecimentos da mineralogia moderna à astrologia e gerar um conhecimento mais prático e acessível.
Estou mais inclinado à segunda opção... Com os novos conhecimentos de mineralogia, duas pedras de cores diferentes podem ser a mesma espécie, se as outras propriedades dela forem as mesmas. A cor é apenas uma das coisas a ser considerada frente a tantas outras.

Se usarmos esses conhecimentos e correlacionarmos com a astrologia, seria possível escolher uma pedra com as mesmas propriedades da esmeralda e que fosse muito mais barata do que ela. A mesma coisa com o diamante e as outras pedras.
Em outras palavras: sabendo a informação correta, os clientes deixariam de comprar jóias de 2 mil reais para escolher pedras de 5 reais na lojinha esotérica da esquina. Tudo isso baseado no fato de ambas as pedras terem a mesma coloração e estrutura.
Se você é tradicional demais e teme coisas novas, pense nisto: a astrologia (planetas e signos) tem a capacidade de representar qualquer coisa terrena. Se novos minerais foram descobertos nos últimos séculos, eles não terão representação planetária só porque não foram citados em livros cujos autores os desconheciam?


Como usar as pedras?

A maneira de usar as pedras não será dada aqui porque tem muitos detalhes e é injusto dar gratuitamente algo que é fruto de um trabalho de anos.

Eu recomendo a todos que saibam inglês que estudem o curso de jóias de Ernst Wilhelm. Ele tem uma grande experiência com pedras preciosas porque durante muito tempo ele mesmo preparava ornamentos com essas jóias para seus clientes.

Será suficiente dizer aqui que a pedra correta é aquela que mais representa a queixa do cliente, mesmo que o planeta que a representa esteja relativamente bem no mapa. O astrólogo precisa indicar a pedra baseado na combinação planeta + signo que representa a queixa, onde:
  • O planeta indica a estrutura cristalina da pedra;
  • O Signo indica a cor da pedra.
Engana-se quem pensa que os planetas indicam cores do espectro visível pelo homem. As únicas cores que os planetas representam são cores da pele das etnias humanas; quando se trata de qualquer cor (todo o espectro, do vermelho ao violeta), se consideram os signos. Isto porque os planetas representam coisas que tem incorporação física, materialidade.

Os Signos são considerados por Parasara a Representação inconsciente de Vishnu, e os planetas sua parte consciente. Em outras palavras: signos representam coisas mais sutis, que só são levadas à consciência do nativo na presença de um planeta dentro dele.

Os planetas representam objetos, e os signos onde eles estão indicam a cor, o ambiente e o comportamento desse objeto, detalhes sutis que enriquecem a interpretação mas que podem ser omitidos (como são omitidos pela maioria dos astrólogos tradicionais). No estudo das pedras, porém, os signos são essenciais para sabermos a cor adequada da pedra. Nem sempre os detalhes sutis são irrelevantes, e esse é um caso.

Um exemplo que posso citar do meu mapa é marte no signo de libra. Marte indica minerais cuja estrutura cristalina é rombóide; o signo de libra indica a cor verde. Assim, uma pedra interessante para melhorar a expressão de marte em libra teria essas duas características.

As cores usadas para os minerais podem ser usadas em qualquer outra representação astrológica da realidade. Se marte regesse a casa 4 (que representa veículos), sua presença em Libra indicaria um carro verde.

As cores dos signos estão no curso do Ernst, para quem deseja estudá-las. São baseadas no que a maioria dos clássicos dizem, porém discorda deles para alguns signos, baseados em razões filosóficas e práticas. Por exemplo, a maioria dos autores dizem que a cor de Leão pode ser traduzida como "violeta", embora na prática Leão indique melhor o amarelo. Violeta é representado por Aquário.






Comentários

  1. Não sei se se aplicará ao seu trabalho, mas sugiro a leitura de Antonio Duncan e Katrina Raphaell, que foi professora dele.
    Um abraço!

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  2. Obrigado Emanuel. Já procurei o Antonio duncan aqui, interessante sua história e biografia, triste que tenha partido tão cedo.

    Estou precisando de uma literatura que mencione a estrutura de cada cristal e seus nomes mais comuns em inglês, para me basear na escolha das pedras para cada cliente, se ele desejar isso, claro.

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