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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Parasara: todos amam, poucos seguem.

Muitos Jyotishis tem a incoerência de dizer que seguem fielmente aquilo que Parasara publica no seu tratado de Astrologia, o Brihat Parasara Hora Sastra quando, na verdade, eles seguem apenas parte desse livro, além de deturparem alguns princípios pela simplificação. 
Para um autor dizer que "honra" Parasara seguindo integralmente seus preceitos, ele tem que integrar os seguintes itens na sua análise:
Calcular as pontuações dos aspectos em virupas, e não estimá-los aproximadamente: deixar de ignorar os aspectos que não sejam completos (aqueles com 1/4, 2/4 ou 3/4 de aspecto);
Calcular e interpretar o Shad Bala no seu contexto adequado;
Calcular e interpretar todos os Avasthas (vou fazer um artigo a respeito) e empregá-los num contexto adequado;
Calcular e interpretar os Upagrahas (planetas "imaginários" com ação secundária no mapa, como Gulika, Upaketu, etc.)
Usar todos os mapas divisionais num contexto adequado e a depender da demanda preditiva (exemplo, usar Navamsa em…

Desafios do ensino da Jyotisha no Brasil

Quem já leu Parasara, pode ter uma noção que a quantidade de conhecimento da Astrologia Indiana é vastíssima. Isso gera algumas dificuldades para sua transmissão no Brasil. 
Um bom curso de Jyotisha tem de ser extensivo. Dois anos seria um tempo razoável - não para que o aluno domine o conhecimento, mas para que seja apresentado ao material mais relevante e possa entender os conceitos para, daí sim, praticar com segurança.
No Brasil, porém, ainda não temos uma cultura difundida de cursos de extensão em Astrologia. Carlos Holanda mudará esse panorama ao criar em conjunto com a Universidade Cândido Mendes (no Rio de Janeiro) o primeiro curso universitário de Astrologia, com uma base filosófico-histórica invejável e nunca antes vista no Brasil. 
Desejo ao Carlos sorte e, mais do que isso, sagacidade, para criar métodos que mantenham a persistência do aluno brasileiro em levar o curso até o fim. Isto porque a Astrologia, no Brasil, ainda é um bem supérfluo, e seu interesse flutua conforma cr…

Os 12 Lagnas: definido os heróis e vilões do mapa

O livro Brihat Parasara Hora Sastra apresenta um capítulo intrigante para os ocidentais, no qual define quais planetas são auspiciosos e quais são inauspiciosos para cada Lagna (Ascendente).
Por que intrigante? Quando aprendemos astrologia ocidental, ninguém diz a nós que alguns planetas serão bons e outros maus a depender apenas do Signo Ascendente.
No Ocidente, saber se um planeta é bom ou ruim depende da análise do estado zodiacal e acidental (Casa) do planeta, e por isso não há uma resposta padronizada.Na Índia, é a mesma coisa, só que a técnica dos 12 Ascendentes, especificamente, se refere a um tipo específico de benefício ou malefício. Neste artigo, você entenderá como.

A explicação da técnica.
De acordo com Parasara, dentro dessa técnica, cada Ascendente possui planetas que são inauspiciosos e auspiciosos. Há regras para se definir isso, só que o próprio Parasara faz tantas exceções a elas que a melhor coisa é memorizarmos quais são os planetas ruins e os bons para cada Ascendent…

Pedras preciosas ajudam mesmo?

Astrólogos indianos recomendam que os clientes usem no corpo pedras preciosas para melhorar áreas da vida que, segundo o mapa astral, estariam enfraquecidas ou impedidas. É a famosa solução milagrosa que requer o mínimo esforço por parte do cliente. Em outras palavras, um tratamento astrológico perfeito para ocidentais, que cresceram na cultura do menor esforço.
Os métodos de escolha dessas pedras variam muito de astrólogo a astrólogo. Não se chega a um consenso do que seria melhor, e dois astrólogos podem sugerir pedras de propriedades opostas para a mesma pessoa. Sem contar que é uma forma de terapia muito suspeita, pois a maioria das pessoas considera superstição e idolatria.
Se você pensa que eu acredito nisso, a resposta é: dependerá dos resultados, mas hoje eu estudo por curiosidade e pelo prazer de catalogar e difundir conhecimento. Foi assim que eu procedi com a Astrologia, e assim que eu procedo com qualquer saber polêmico para mim: primeiro, eu vejo se funciona. Em seguida, co…

Nabhasa Yogas: Coincidências entre o Oriente e o Ocidente

Existem muitas coincidências entre a Astrologia Indiana e a Ocidental. Não são suficientes para concluirmos que a falta de amor entre os povos separa as duas vertentes, o que seria resolvido instaurando um fascismo astrológico. Até porque se pode lucrar intelectualmente muito com a diversidade. Gostaria de compartilhar uma dessas coincidências, que se situam na introdução das duas astrologias.
Uma das primeiras coisas que o estudante aprende nos livros é contar o número de planetas nos elementos e nas modalidades (cardinal fixo e mutável). Isso é mais importante do que se pensa. O problema é que não aprendemos a sintetizar habilmente esse conhecimento.
O ideal seria que, no processo estruturado de síntese, conhecimentos inespecíficos do mapa servissem de alicerce para julgamentos mais complexos. Não é isso que acontece. Infelizmente, muitas vezes a mente caótica do astrólogo faz com que seu 'edifício astrológico da interpretação' falte uma coluna de sustentação ou duas, um verda…