29 de jun de 2011

Crônicas de uma retificação de horário - parte 2 - viagem à Índia

Este blogue começou em 2005. Na mesma época, eu oscilava entre leituras de astrologia védica e medieval.

Os anos subsequentes vivenciaram meu envolvimento maior com a astrologia medieval, pela mais completa falta de confiança na indiana. Contribuiu para isso a falta de didática dos livros e a diferença dos zodíacos, que me deu um nó completo na cabeça.

Os indianos, como um amigo meu disse, não são as melhores pessoas em se tratando de didática... Mesmo os métodos deles sendo bons e sofisticados, o estudante se afasta devido a acessibilidade parca.

Ao contrário dos ocidentais, os livros indianos são recheados de exemplos e carentes de resumos, princípios gerais de interpretação, etc. Eu me mantive relativamente distante da Astrologia Indiana, eventualmente lendo um ou outro autor indiano ou norte-americano.

Claro que, dada a proximidade cultural, os autores americanos de jyotisha são mais 'fáceis' de serem digeridos... entretanto, eles são os que tem a chance maior de simplificarem a Astrologia indiana, como James Braha o fez. É incrível como o sistema de sinastria indiano funciona - o kuta - e no entanto James sequer se prestou a divulgá-lo, simplesmente alegando que ele não está alinhado com as necessidades dos ocidentais, e por isso não funcionaria na cultura americana. Pois eu já tive a oportunidade de testar e, veja só que curioso... em vários casais, o kuta deu excelente, indicativo de casamento... e de fato, eles eram casados, alguns há 30 anos... Todas as pessoas casadas com as quais eu já fiz tinham um kuta perfeito para casamento... E todas elas eram ocidentais... Se isso não for um método que funcione em qualquer cultura, então me diga o que é.

Mas não são somente os americanos que simplificam a jyotisha. Os próprios indianos o fazem, quando se percebe que ninguém - ninguém mesmo - aplica tudo aquilo que está no livro de Parasara, o Brihat Parasara Hora Sastra. Talvez aqueles que se aproximam desse intento são Sanjay Rath e P.V.R. Narasimha Rao, mas mesmo assim a análise deles não leva em conta tudo.

Por notar o esforço desses dois autores, e por ter lido seus livros e concluído que a didática deles é muito melhor, que voltei a me apaixonar pela jyotisha ao final de 2009. E aí que voltamos ao tópico da retificação.

Eu comecei a ler as aulas que N. Rao ministrava no Jagganath Center, em Boston. Numa delas, ele deu diretrizes para se retificar o horário de nascimento, percorrendo vários mapas divisionais. Além disso, dava instruções para que o Pranapada Lagna, um ascendente especial, retifique o horário de nascimento no instante exato que ele ocorre. Baseado nisto, eu ajustei o Ascendente do mapa divisional chamado Chaturvimshamsa (que indica o conhecimento da pessoa) para que representasse em técnicas preditivas o momento da minha entrada na faculdade e em seguida o ingresso na pós-graduação. E coloquei o Pranapada Lagna nos trígonos do Ascendente, como foi dito por ele. O horário em que tudo isso ocorria ao mesmo tempo foi 6:58:11 AM. Isto mesmo, precisão de segundos.

Eu fiquei alguns meses usando esse horário, mas depois conheci a obra de Ernst Wilhelm, um norte-americano que foge à regra da simplificação da astrologia. Ernst pretende concluir uma reconstrução ampla do sistema de Parasara e Jaimini.

Com a mudança de 'mestre' e de ensinamentos, eu achei melhor voltar ao meu horário de nascimento da certidão e recomeçar a retificação usando a versão de Ernst da Astrologia de Parasara, porque eu tinha mudado muitos parâmetros conceituais e meu mapa talvez não funcionasse com esses outros parâmetros se visto sob outra perspectiva. Acredito que o principal parâmetro que mudou na minha prática, a meu ver, é que deixei de usar o zodíaco sideral e retomei o tropical, por recomendação de Ernst. Quando eu retifiquei meu horário, usei o zodíaco sideral Lahiri.

A essa altura, já tinha percorrido a astrologia moderna, a medieval e a indiana, esta última sob mais de uma perspectiva. Já tinha retificado meu horário mais de duas vezes, as mais notáveis foram relatadas aqui. Ia para minha última retificação até então... Que horário de nascimento daria?

Usando as técnicas que aprendi com Ernst, e o mapa divisional chamado Shashtiamsa (no qual o Ascendente muda a cada 2 minutos), ajustei meu horário para que o Shashtiamsa representasse adequadamente a minha profissão de médico, talvez o único tipo de trabalho com o qual lidei desde que comecei a minha vida laboral.

A Shashtiamsa tem que confirmar o mapa natal. Ela significa tudo: casamento, doenças, etc. Portanto, ela também teria que representar que sou médico, e não o fazia com o horário de 7:00h.

Baseado nessa incongruência entre a vida e o mapa, concluí que ele necessitava de retificação. Ajustei o horário para que o Ascendente fosse Gêmeos na Shashtiamsa. Assim, colocaria Ketu, o nodo Sul, conjunto ao Pada, representando envolvimento com Astrologia, e o Sol conjunto ao upa-pada, representando medicina, com outros detalhes que não convém ao caso aqui.

Tinha a impressão que chegaria a outro horário, completamente diferente dos demais. Só que, com a correção da Shashtiamsa, cheguei ao horário de... 6:58, quase igual ao horário que cheguei usando as técnicas de Rao!

Eu tenho a crença de que nós, astrólogos, nunca saberemos do horário real de nascimento de ninguém, e que as retificações que realizamos servem para que o mapa funcione melhor com as nossas técnicas. Partindo desse pressuposto, cada escola de astrologia usaria um horário diferente. Dessa vez, duas escolas diferentes deram o mesmo horário. Essa coincidência me serviu de alerta para rever meus conceitos.

Talvez você esteja pensando: Rodolfo, não faz sentido o que diz. Quer dizer que uma pessoa tem Ascendente Leão e o Astrólogo muda o Ascendente dela para Câncer, só para que a técnica dele funcione melhor? Na maioria dos casos, não é isso que acontece. Comparando a retificação feita por astrólogos diferentes para um mesmo mapa, o Ascendente costuma 'dançar' entre graus próximos dentro do mesmo signo, a depender do astrólogo, mas isso geralmente não muda a interpretação do mapa em quase nada, apenas as técnicas preditivas.

Por exemplo: as opiniões sobre meu verdadeiro ascendente, já variaram de 17° a 20° Áries - mudança que não tira nenhum planeta da casa a qual pertence no horário de 7:00AM, mas que causa diferença a depender da técnica preditiva que você usar. Cada astrólogo vai querer mudar esse grau do Ascendente a depender da técnica que ele preferir, tudo isso para que a técnica se alinhe com a data em que aconteceram os eventos.

Dessa forma, a interpretação não é muito abalada com a mudança sutil do horário para a maioria dos astrólogos ocidentais, que só usam apenas um mapa. Só que, na Índia, isso é totalmente diferente: mudar sutilmente o horário pode mudar algum mapa divisional de Ascendente, o que influirá radicalmente na interpretação do mesmo.

Baseado nisso, é de se espantar que duas escolas diferentes e que usam zodíacos diferentes cheguem ao mesmo resultado... Isso me deu uma certeza maior de que meu horário seria de 6:58:11, e de que ele pode ser um horário real.

3 comentários:

  1. oi, rodolfo

    talvez voce devesse fazer alguns testes com seu blog. Eu tenho constantemente tido problemas para acessar, aparecendo somente a janela que leva aos textos do scribd. Talvez algo esteja mal configurado nessa janela.
    Y

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  2. Yu, seu comentário foi a gota dágua. Queria muito o plugin do scribd no meu site, mas não dá pra visualizá-lo no Google Chrome. Então o plugin do scribd foi retirado do ar, assim o site volta a funcionar adequadamente.

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  3. Rodolfo, Não sei se você já leu Kalyama Varmas(Saravalli) deve ter lido né, ele também dá um "bizú" para retificar através do Navamsa, ou seja ele da as caracerísticas do Lagna "natal' com o Lagna Navamsa. Eu já usei o método dele e achei bem legal.

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