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critérios de força na Astrologia indiana (shad bala)

Quem é ocidental e estuda astrologia, aprende a achar um absurdo qualquer tentativa de 'matematização' da interpretação final. Nos EUA, houve uma tentativa disso, com os famosos "Astrodynes", mas parece que não vingou muito.

Nós aprendemos a repetir que matemática em astrologia só serve para calcular o mapa natal e olhe lá. Eu não sei porque isso acontece, uma vez que é completamente possível contar com meios matemáticos para facilitar a interpretação sem que o astrólogo seja jogado na lata do lixo.

Pensar que a matemática e os softwares com seus algoritmos substituirão os astrólogos é uma conclusão tola, mas desprezar o uso da matematização completamente ao se conhecê-la talvez seja insegurança: e se o programa acertar mais que eu?!

Por isso, quando nós saímos da Astrologia Ocidental e migramos para a Astrologia Indiana, é natural ter uma reação negativa nos deparamos com a matemática do Shad Bala.

O Shad Bala pode ser traduzido como "as seis forças". Ele foi feito para se ter uma visão geral da força de um planeta em seis critérios. Ela nos remete aos critérios de força medievais da astrologia ocidental. A diferença reside na atribuição de pontos.

Em resumo, o shadbala analisa seis critérios de força de um planeta estabelecendo um referencial de ponto máximo e de ponto mínimo. Qualquer valor intermediário pode ser obtido por regra de três.
Tentar lê-lo não é o início da solução, mas sim a invenção de outra miríade de problemas, uma vez que a maioria dos termos importantes estão em Sânscrito e o leitor precisa ter conhecimento prévio deles.

Como tudo que dependa de matemática dentro da Astrologia, você não precisa aprender a calcular o shad bala porque alguém já criou um algoritmo e o pôs dentro de um software para simplificar as coisas.

Todavia, aplicar o shadbala sem saber do que ele se trata te colocará numa seara perigosa, pois o conhecimento dos seus fundamentos te dá segurança ao aplicá-lo. É por isso que eu forneci o livro em pdf para download.

Às vezes, eu sinto falta de algo similar dentro da astrologia medieval... Enquanto um Astrólogo Ocidental medieval vai dizer que saturno está "ocidental, retrógrado, na sua triplicidade e no seu próprio domínio" e levará anos pra juntar tudo isso numa interpretação palpável, um indiano às vezes nem saberá pra que serve tudo isso, mas só de saber o shadbala de Saturno ele terá uma boa noção de que o planeta está forte ou não...

O shadbala não conclui nada. Ele te dá ferramentas para que você assim o faça. É isso que me refiro quando digo que a matemática pode ajudar os astrólogos na interpretação. Contar com a shad bala não implica esquecer todas as aulas de interpretação que você teve.

Com o Shadbala (SB), você não será capaz de olhar para o mapa e concluir que seu Saturno é maravilhoso porque ele tem uma pontuação alta. Isto porque o SB avalia a força de um planeta.

Se você tiver inimigos (não se iluda ao pensar que não os tem, é até pior pensar assim pois isso mostra que você não os conhece), obviamente desejará que eles sejam fracos. E é aí que o Shad bala deixa de ser a solução final para seus problemas para mostrar o quanto o problema pode repercutir na sua vida...
O shadbala não mede o "benefício" de um planeta, mas sim sua força. Isso faz toda a diferença na hora de interpretá-lo.
Vou oferecer um exemplo delineando o Saturno do meu mapa.

No meu caso, eu tenho um Saturno com um Shadbala altíssimo. Os livros dão uma porcentagem mínima para considerar um planeta forte e o meu Saturno tem 158% dessa quantidade... Só que esse Saturno rege casas maléficas da figura (a 12 e a 11 no mapa 'indiano') e o que é pior - Saturno está em aspecto com o Ascendente.

Se Saturno não estivesse em aspecto com o Ascendente, seria bem melhor, pois os problemas que ele representa não repercutiriam na minha vida em geral, mas ficariam restritos a uma ou duas áreas. Essa é a importância do aspecto de planetas ao Ascendente e ao seu regente...

Saturno poderia funcionar melhor se ele tivesse muitas dignidades no signo onde se encontra (no meu caso, Virgem sideral, que equivale a 75% do território de Libra no zodíaco tropical), ele funcionaria com uma medida maior de benefício.

Todo esse julgamento funciona na prática da seguinte forma:
O shadbala mede a força que um planeta tem, tanto para causar bem quanto para o mal. Aqui força pode representar a duração e a extensão da influência de um planeta.

O benefício de um planeta é dado pelas dignidades. Quanto mais dignidades um planeta colecionar, mais auspicioso ele será. Isso é estudado no 'Vimshopaka Bala', cujos achados devem ser associados ao Shad bala.
Se um planeta for maléfico mas tiver muitas dignidades, seus problemas serão mais amenos. Literalmente, o indivíduo dono do mapa 'sofre com dignidade'. É o tipo de conceito que se torna extremamente claro quando aplicado na vida de alguém.
Usando os dois critérios acima, nós podemos simular algumas circunstâncias:
  • Planeta com Shadbala alto e com Vimshopaka bala alto: essa é a situação que nós desejamos para os planetas que tiverem regência sobre casas boas da figura, isto é, aquelas que representam coisas boas e agradáveis da vida. Assim sendo, essas coisas serão fortes (shadbala) e benéficas (vimshopaka).
  • Planeta com shadbala baixo e Vimshopaka alto: a situação perfeita para planetas ruins para o nosso mapa. Seria a situação que desejaria para o meu Saturno, pois ele rege a Casa 12 do meu mapa. Se fosse assim, ele indicaria problemas de baixa duração e extensão (shadbala) e mais dignos para mim(vimshopaka).
  • Planeta com shadbala alto e vimshopaka baixo: ninguém quer isso pra planeta algum. Sendo assim, o planeta funciona muito forte (SB) e muito pouco benéfico (Vimshopaka)
  • Planeta com shadbala baixo e vimshopaka baixo: idem.
Somando os dois critérios acima, ainda falta um que considero fundamental para saber se uma dimensão representada por um planeta será dominante ou não na vida da pessoa, mas esse critério não é dado pelos livros de um modo tão explícito quanto o Shad bala ou o Vimshopaka. Alguns astrólogos o chamam de dominância.

Suponha que você tenha no seu mapa natal um planeta com um altíssimo SB e baixo Vimshopaka e que esse planeta regesse uma casa maléfica como a 12. Ainda existe um modo de que as coisas não sejam tão ruins assim pro seu lado: que esse planeta não faça aspectos com os significadores do nativo!

O conceito de 'dominância' implica saber que planeta vai dar seu colorido de um modo geral à vida da pessoa de um modo proeminente.

Para saber se um planeta é dominante, é preciso conhecer os planetas que aspectam o Ascendente, seu regente, o Sol e a Lua, pois estes são os significadores da pessoa.

Esse conceito não é dado em livros de um modo explícito, mas segue as lógicas da interpretação como ensinada nos clássicos
no meu caso: se Saturno não aspectasse o Sol e o Ascendente, os problemas fortíssimos que ele indica seriam restringidos apenas à casa onde ele se encontra e àquelas que ele aspecta. Mesmo que esses problemas durassem muito tempo devido ao SB alto de Saturno, eles não afetariam tanto assim minha vida.

Infelizmente, não é isso que ocorre comigo... (Gulp!)











Comentários

  1. Gosto de ver pessoas falando de desgraceiras de forma poética.

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  2. Nossa, eu estou besta de como voce está mandando bem na Jyotish. Não se agonie, eu tb to ferrada. Eu estive num astrologo indiano(eu nao gostei pq ele ficava julgando coisas de vidas passadas) mas meu saturno tá na queda em áries na XII regendo casa IX e X o que ele disse que é raja Yoga, ainda bem, porque senão eu já teria empacotado!!!rsr
    E para teminar eles não pensam como nós. eu tenho venus em touro na casa I oposto a marte em escorpiao na VII e ele disse que isso é bem ruim. Bem mesmo.
    Glup

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