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o não tão inútil estudo do número de irmãos da pessoa.

É possível saber, dentro do mapa natal do nativo, o número de irmãos que ele terá. Só que a maioria dos clientes vêm até você já sabendo isso.

Portanto, dentro da astrologia medieval, talvez esse seja o tópico mais inútil. Por que, então, dedicar algum tempo a isso?

Sou da opinião de que qualquer estudo de qualquer área da astrologia nos ensina alguma coisa que extrapola para outras áreas dentro dessa mesma 'ciência'. Estudar sobre os irmãos pode nos ensinar coisas que poderemos aplicar no tópico dos filhos do nativo, por exemplo.

Além disso, o estudo desse tema nos confronta com a representação concreta dos eventos celestes, um tema que virou tabu entre os astrólogos.

Para muitos astrólogos, prever dados objetivos do mapa astral é impossível devido ao viés do anacronismo. Para eles, as interpretações medievais só funcionavam na idade média, pois hoje temos uma realidade totalmente diferente.

A experiência mostra que os argumentos acima são belos, mas não procedem na sua totalidade.

A astrologia medieval e clássica não funciona somente dentro de uma perspectiva história, pois o zodíaco é um arquétipo imutável e os planetas continuam a representar os mesmos problemas de dois mil anos atrás, só que numa 'roupagem moderninha'.
Clonar um cartão de crédito tem o mesmo significado planetário que ser um salteador nas estradas desertas do império romano.
Ambos constituem roubo, apenas mudando os meios de executá-lo.
Nós, os moderninhos ocidentais, temos a presunção que nos leva sempre a usar o jargão lulesco, de que "nunca na história da humanidade" o mundo foi assim. Mas, como diria Cazuza:
Eu vejo um museu de novidades
Voltando à polêmica de se saber o número de irmãos no mapa. O principal argumento para o tabu seria o controle de natalidade.

Em tese, nós não temos o mesmo número de filhos que nossos bisavós tinham porque nós somos uma sociedade urbano-industrializada, cuja ordem do dia é ter menos filhos.

Por outro lado, indianos conseguem prever o número de irmãos com uma boa chance de acerto, enquanto respeitam a regra do bom senso, que nada mais é que o controle de natalidade.

Por exemplo, numa técnica jyotisha, a contagem de filhos no mapa tende a parar quando a casa contém os nodos, mas o casal, fazendo um esforço, pode ir além e ter mais. Depende do livre arbítrio.

Na Índia, ainda hoje há um forte desejo no imaginário popular de se ter muitos filhos, mas é engraçado que os livros de jyotisha com os quais entrei em contato tem mais casos de esterilidade, poucos filhos e filhos adotivos.

O controle de natalidade é a ordem do dia, cada vez mais em várias partes do mundo. Isso somado ao estranho fenômeno da crescente infertilidade do ser humano, talvez uma maneira da mãe natureza controlar essa verdadeira praga para o planeta.

Finalizando, se todos os meus argumentos acima estiverem errados sob a perspectiva de um estudioso de história das ciências, o céu a todo tempo se reinventa e a plasticidade da inteligência humana é capaz de perceber como ele representa a Terra num dado contexto.

Falei isso tudo para confirmar que venho estudando o tópico dos irmãos de acordo com a astrologia medieval, mesmo que seja para depois vir aqui dizer que tudo está errado.





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