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Deixe Ptolomeu calcular seu mapa! (clique nesse título)

Se você for ao site abaixo:
Terá uma oportunidade interessante: Calculará seu mapa usando os cálculos encontrados por Ptolomeu no seu Almagest.
Atenção: você deve colocar a sua data de nascimento no calendário juliano, e não no gregoriano. Esse site converte as datações.
Os astrólogos sempre precisaram de mapas do céu no passado e também do futuro, a fim de prognosticar: a observação do céu de hoje era algo restrito a horárias ou a astrologia mundial.

O Almagest é o grande tratado Ptolomaico de astronomia, que ensinava a calcular as posições futuras e passadas dos planetas com base num modelo astronômico que concebia a Terra como Centro.

Em outras palavras, é nele que percebemos o famoso modelo astronômico ptolomaico, cuja disseminação pelas cátedras perdurou por mais de 1500 anos: A Terra no centro do Universo (Geocentrismo), idéia comprada pela Igreja Católica.

Colocar a Terra no Centro pode ser uma mera questão relativa: hoje em dia podemos também, se quisermos, considerar desta forma.

Existiam, porém outros elementos na Astronomia Ptolomaica que comprometiam levemente o resultado dos cálculos. Rejeitar esse modelo a favor de outro não foi simplesmente mudar de referencial do Centro do Universo, embora essa tenha sido a mais famosa mudança de paradigma.

A troca de referencial de um sistema geocêntrico para heliocêntrico teve vários marcos históricos e inclusões teóricas, cujas contribuições principais devemos a Galileu, a Copérnico e a Kepler. Dentre as mudanças, está o formato da órbita dos planetas, introduzida por Kepler.

Ptolomeu usava círculos para definir as órbitas dos planetas. É possível conceber o movimento planetário dessa forma - tanto que esse modelo foi popular por séculos - mas isso pode gerar alguns erros ao compararmos com as posições verdadeiras dos planetas, aquelas que nós vemos no céu do momento.

Kepler tornou as coisas muito mais fáceis ao substituir os círculos de Ptolomeu pelas suas elipses. Todos os círculos usados para se explicar as variações da percepção do movimento planetário no Almagest podem ser resumidos a uma elipse.


Na imagem acima (extraída do site http://cerebro.xu.edu/math/math147/02f/ptolemy/ptolemyintro.html), percebe-se o modelo de órbita ptolomaico, com dois círculos. Ptolomeu explicava a retrogradação do astro (isto é, quando o planeta parece se movimentar para trás em relação ao observador terrestre) pelo epiciclo.
No site:
Podemos ver os modelos de órbita ptolomaica para todos os planetas, e perceber a complicação que era.

É imperdível.
Comparando os cálculos de Ptolomeu com os das efemérides que temos hoje, os resultados tem uma margem de erro de até dez graus. Isso é muita coisa, a depender do que você usar para interpretar um mapa.

Dez graus de erro podem mudar um planeta de termo, decanato e até mesmo signo, como acontece no meu caso:


Na figura acima se percebe a tabulação das posições dos planetas à luz do Almagest, com minha data de nascimento no calendário Juliano (27 de março no calendário gregoriano vira 14 de março no juliano).

Percebe-se que a maioria dos planetas ainda se mantém no mesmo signo que estariam se calculasse meu mapa com efemérides modernas. A exceção fica para os luminares: Sol e Lua se encontram em Peixes e em Áries, respectivamente, porém em graus tardios destes signos, prestes a entrarem no signo seguinte.

Esses achados indicam o que já sabíamos:
  • Ptolomeu advogava o uso de um zodíaco tropical, cuja aplicação era defendida por ele e por outros sábios, como Theon de Alexandria.
  • A posição do Sol e da Lua nos signos anteriores àqueles que se encontram no zodíaco tropical moderno se deve a erros de cálculo.
Mas atenção: o que é taxado de erro por nós pode ser apenas uma escolha diferente para o cálculo das posições dos planetas.

Não estudamos os mapas com essas posições e podemos nos surpreender com o fato dos seus detalhes diferentes soarem como mais corretos ao interpretá-los.

Cada vez mais que eu estudo a história da Astronomia, sinto que o mundo necessita de um software astrológico que se utilize de métodos 'arcaicos' de cálculo, como aquele do Almagest.

Seja na astrologia ocidental, seja na indiana, hoje as técnicas astrológicas antigas são aplicadas em mapas cujo cálculo astronômico é o mais moderno possível. Teoricamente, isso por si só se trata de um anacronismo.

Como já disse antes, brevemente o astrólogo N. Rao lançará seu Jagannatha Hora 7.5, que se baseará nos cálculos do Surya Siddantha, tratado astronômico indiano do período clássico.

Por mais que ninguém reconheça do mesmo modo que eu, considero a inovação proposta por Rao como um divisor de águas na astrologia moderna: praticar astrologia antiga com todos os métodos usados pelos astrólogos antigos na sua inteireza, algo que nunca aconteceu antes.

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