29/12/2010
Você pode encontrar várias referências na internet sobre os famosos 'períodos planetários' indianos, chamados de Vimshottari Dashas. Eu não vou falar o óbvio aqui, acho cansativo 'chover no molhado'. Eu noto que as pessoas gostam de escrever o mesmo tipo de informação sem perceberem que estão sendo repetitivas e suscitando ódio nos leitores, após eles terem entrado em várias páginas via Google que dizem a mesmíssima coisa, com sinonímias... Acho que seria mais proveitoso descrever a reação de um ocidental quando se depara com esse sistema.
Ao testar esse sistema pela primeira vez, eu poderia resumir a reação de um ocidental com a palavra... Frustração. Já vi gente experiente se frustrando horrores, não somente com os períodos planetários indianos, mas com qualquer técnica astrológica com mais de mil anos...
É preciso 'abaixar a crista' do nosso orgulho ocidental e admitir que não podemos usar essas técnicas, pois elas partem do princípio de que a pessoa aprendeu a interpretar profunda e sistematicamente o mapa natal! Nós partimos para a previsão sem fazer uma interpretação natal minimamente decente! Assim, essas técnicas NUNCA funcionarão...
Parashara e outros autores referenciais dizem que o Vimshottari Dasha é a melhor técnica preditiva para ser usada no Kali Yuga. No entanto, é muito comum a pessoa não conseguir entender como ela funciona. Eu mesmo, por diversas vezes, não consegui usá-la nem para entender os eventos que já aconteceram! E ainda dizem por aí que interpretar eventos após o fato é moleza...
Uma técnica que não funciona nem para entender o que já aconteceu, por si só, possui demérito suficiente para ser descartada. No entanto, será que os indianos são tão persistentes assim, há séculos usando uma coisa que não funciona? Obviamente, você não precisou flexionar muito seus músculos cerebrais para concluir que os indianos usam essa técnica de modos diferentes e, acima de tudo, eles sabem interpretar o mapa natal porque lá há uma cultura enraizada da Astrologia há séculos.
Decerto que os indianos a usam de um modo diferente. Caso contrário, eles teriam as mesmas decepções que nós. O que é mais engraçado é que não há diretrizes muito claras nos livros mais populares de astrologia jyotisha sobre como usar essa técnica, que sem dúvida é a mais popular da Índia. As coisas mais acessíveis acabam por se tornar as mais misteriosas - os trânsitos, por exemplo. Será que esse mistério todo não passa de um 'segredo comercial'?
Existe, porém, um livro que me chamou atenção quanto ao modo sistemático de apresentar o modus operandi do Vimshottari Dasha. Esse livro pode ser conseguido pelo google, em pdf, e o melhor - ele ensina junto os fundamentos da astrologia indiana. Trata-se de "How to time events", de Dinesh Mathur.
Eu recomendo os dois livros disponíveis desse autor na net. Possuem uma abordagem ampla de vários conceitos de astrologia indiana. À primeira vista, o livro que indiquei acima apresenta o que seria uma nova maneira de usar o Vimshottari Dasha, mas não se engane: após ler o livro pela terceira vez, receio que o autor apenas tenha percebido as engrenagens que permeiam as entranhas dessa técnica milenar - engrenagens essas que não eram reveladas pelos outros autores, mas que eram por eles utilizadas, como se todos soubessem o caminho das pedras para atravessar um rio na escuridão sem usar barco.
A técnica dele pode ser resumida em um parágrafo, mas não se engane: ela é demasiadamente complexa na prática. Como tudo na vida, a complexidade se dissolve com o tempo de experiência. Também o tempo dissolve a sensação de que o autor sugere algo diferente de outros autores que reverencio, como Sanjay Rath. À medida em que se lê os textos de ambos, os princípios começam a se revelar em qualquer mapa, de qualquer interpretação, de qualquer autor de Astrologia Jyotisha. Atualmente, eu a recomendo a qualquer um que desejar aprender jyotisha e a prever com precisão os eventos, sem que antes eu possa resumí-la.
Para Dinesh, qualquer evento que ocorra será ativado no período de um planeta que estiver associado de maneira forte a todos os principais pontos que representam o evento. Por exemplo: o casamento do nativo ocorrerá no dasha do planeta que tiver associação com os três locais abaixo, no mapa natal:
- Casa 7 a partir do Ascendente
- Casa 7 a partir de Vênus (a significadora de casamento dos homens)
- Casa 7 a partir do Arudha lagna (um ascendente especial e muito útil que já foi citado aqui no blogue)
Perceba que essa técnica de 'determinação tríplice' explica muitas decepções dos ocidentais. Muitos acham que o casamento da pessoa ocorrerá no dasha do planeta regente da casa 7 a partir do ascendente, porém perceba o quão parcial isso pode ser; posto que, de nada adianta concluir que o regente da casa 7 a partir do ascendente será o regente do período em que ocorrerá o casamento se ele não estiver configurado com os outros dois locais acima no mapa natal!
Se nenhum planeta se configurar com todos os locais acima, então o autor nos aconselha a usar os mapas que tenham relação com o assunto e fazer mais ou menos o mesmo raciocínio acima. Em se tratando de casamento, o mapa divisional mais adequado é a 'Navamsa' (D9). Aqui entra, a meu ver, a grande distinção desse autor para outros que reverencio, como Narasimha Rao e Sanjay Rath: Dinesh dá mais importância ao mapa natal e relega a um papel mais secundário os famosos 'mapas divisionais'. Eu aconselho da mesma forma que Dinesh, porque creio que seja preciso extrair a última gota de informação possível do mapa natal antes de sair delineando os mapas divisionais.
No meu caso, o meu casamento ocorreu no dasa do sol. Este não tem relação muito forte com nenhuma das casas 7 acima mencionadas no mapa natal. Aliás, não há nenhum planeta que tenha forte associação com as casas. O meu caso, então, se enquadra nas 'exceções', requerendo o uso do mapa divisional que tenha relação com casamento - a Navamsa. Nela, o Sol rege a Casa 7 e faz recepção mútua com o karaka para casamento (Vênus, que está no signo do Sol enquanto este se encontra em libra) e com Saturno, regente do Ascendente da Navamsa (Saturno em Leão, Sol na sua exaltação, Libra). A combinação casa 1 + casa 7 (intermediada pelos seus regentes e pelo karaka para matrimônio Vênus) indica o nativo se encontrando com o matrimônio e isso explica porque o sol indica casamento.
Apesar do primeiro caso com o qual me deparei indicar a exceção, muitos outros casos apresentados pelo autor e por mim estudados podem ser respondidos pela técnica do autor, somente com o mapa natal.
Eu não defendo nenhum preceito radical como o de 'não se usar mapas divisionais na interpretação', mas gosto de primar pela simplicidade de somente se usar o mapa natal a priori. O que não pode acontecer - coisa que se torna muito comum no texto de vários autores - é usar menos elementos técnicos e aumentar o grau de complexidade da interpretação do mapa natal! Nesse caso, o que seria mais simples acaba por ficar duas vezes mais complicado.
Admito que em muitos casos, os mapas divisionais sejam muito mais claros em dizer o que está acontecendo do que a simples análise isolada do mapa natal... Diante disso, usar somente o mapa natal com a técnica de mathur e esquecer a segunda parte - a de se usar os mapas divisionais em caso de confusão - é uma simplificação que tende a aumentar a complexidade da interpretação para se tentar encaixar os eventos às configurações, tal qual encaixar um quadrado num buraco com a forma triangular!
Se o leitor não for radical e estiver perdido no meio de preceitos imprecisos de interpretação do Vimshottari Dasha, eu recomendo efusivamente esse livro.
22/12/2010
Neste artigo, vou falar das subdivisões de um signo. Um signo tem 30°, sendo esses graus divisíveis de várias formas.
Eu diria que a subdivisão do zodíaco mais conhecida do mundo são os 'decanatos', que são dadas pela divisão do signo em três partes iguais, de 10°. No ocidente, os decanatos são também chamados de 'faces' e representam coisas bem superficiais. O decanato do Ascendente pode indicar alguma coisa ligada à aparência do nativo, ou dizer misteriosamente e sinteticamente a vida da pessoa como um todo, o que ninguém consegue entender direito como usar. Um planeta em seu próprio decanato é uma das coisas mais fajutas e menosprezadas dentro da astrologia medieval, porque ninguém sabe a serventia mas se tem a segurança de que a utilidade é muito pequena... Na índia, o modo de usar é diferente... Neste artigo, você terá a oportunidade de perceber como os decanatos - e outras divisões - são vistas na Astrologia Indiana, mas pra isso eu preciso começar citando algumas informações em paralelo.
Agora estou lendo o Sarvarth Chintamani (SC) - um clássico muito citado entre os autores. O escritor do SC se chama Vyankatesh Sharma, viveu no século XIII. Os autores da idade média na Índia tem um estilo peculiar e que influenciou tudo o que se seguiu em termos de Astrologia, mas tem peculiaridades. Eles se baseiam somente no mapa natal (Rasi) e usam as divisões dentro do contexto dele. Isso é bem diferente do que vemos hoje na Astrologia Indiana, embora ambas as épocas tenham muitas coisas em comum, de tal forma que é impossível dizer que a Astrologia Medieval indiana é demasiadamente distinta da contemporânea. De qualquer forma, eu gostaria de apontar o que considero a diferença mais importante, que é o modo como eles lidavam com as subdivisões do zodíaco - aí que voltamos ao assunto mais importante...
Atualmente, a maioria das escolas de Astrologia na Índia usam as subdivisões do zodíaco em mapas a parte. Essa é uma interpretação possível dos manuscritos, porém a tendência de um astrólogo ocidental é interpretar de outra forma. Em contrapartida, os autores medievais indianos não procedem da mesma forma. Receio que o leitor esteja achando meio complicado, então proporcionarei um exemplo, mas é importante atentar para o fato de que não estou me referindo à astrologia Ocidental, mas sim a Astrologia Indiana.
Suponha que o seu sol esteja no segundo decanato de áries. Tradicionalmente, esse decanato é atribuído ao signo de Leão (regido pelo Sol). O sol no seu próprio decanato é muito bom, a depender do assunto que ele reger no mapa. Para os indianos, porém, os decanatos são específicos para perceber questões importantes para os irmãos do nativo. Para a maioria dos jyotishas da Índia, portanto, esse Sol dirá coisas importantes para os irmãos do indivíduo cujo mapa se analisa.
Os decanatos são apenas uma das maneiras de dividir o zodíaco, mas existem outras, sendo que cada uma delas se referirá a temas específicos. Essas atribuições são dasas por Parasara no seu tratado Brihat Parasara Hora Sastra (BPHS). Por exemplo, para se estudar melhor os filhos do nativo, é necessário dividir cada signo em sete partes iguais e ver como os planetas se dispõem nessas divisões. Cada divisão se referirá a um signo. O problema é que não se sabe exatamente o que se fazer com essa informação - cada escola terá um modo diferente de se lidar com as subdivisões. Abaixo, cito algumas:
A maioria das escolas de astrologia da índia hoje em dia pegam essas subdivisões e criam mapas paralelos ao mapa natal baseados nelas. Isso mesmo, para cada maneira de dividir o zodíaco, eles erguem um mapa diferente. Voltando ao exemplo dos decanatos, o sol no segundo decanato de áries (cujo signo é leão) seria colocado num mapa a parte, no qual ele estaria não no signo de áries, mas sim em Leão.
Eu vejo que a abordagem de se criar mapas paralelos ao natal, mas baseados nas suas informações, não está explicitamente descrita em nenhum grande tratado clássico de astrologia. Isso é uma dedução lógica dos autores que se seguiram aos clássicos, mas é importante ressaltar que essa conclusão não é compartilhada pela maioria deles. Os autores medievais da Índia parecem não usar mapas divisionais como se faz hoje em dia, e é aí que entra o autor do Sarvartha Chintamani. Eu citarei um exemplo de dentro do texto:
O sloka (aforismo) acima possui algumas "brechas" que suscitam dúvidas. O autor quer que nós analisemos o regente da Casa 2 no mapa natal ou na navamsa? Lembre-se que a prática comum hoje é criar um mapa para cada subdivisão (lembre-se do exemplo dos decanatos acima para entender o que estou falando), mas isso é uma interpretação dos autores modernos. Se nós pensarmos do modo tradicional para nós, astrólogos ocidentais, unicamente mapa natal deve ser usado: devemos usar o regente da casa 2 no mapa natal, e receio que esse ponto de vista seja compartilhado pelos astrólogos medievais da Índia. Parece que a grande diferença entre a astrologia ocidental e a indiana - além do zodíaco sideral versus o tropical - não resida nas técnicas de intepretação (que considero muito similares), mas nos elementos nas quais cada uma se baseia além dos planetas e dos signos. Há quem defenda que ambas têm a mesma origem, mas a geografia as diferenciou.
A Astrologia Ocidental não teve a mesma progressão que a Indiana, elas evoluíram por vias diferentes (embora seja claro que a Astrologia Indiana teve uma evolução muito mais avançada pelo número de elementos que ela possui ser superior), mas compartilham de uma raiz comum, que surgiu mais ou menos no primeiro século da era cristã com as rotas comerciais criadas por Alexandre. Essa é a perspectiva dos historiadores da ciência, embora seja objeto de discórdia com os indianos, que consideram sua astrologia muito mais evoluída e se acham no direito de afirmar que eles são os criadores desta ciência... Muito controvertido... De qualquer forma, enquanto os Ocidentais se baseiam unicamente no mapa natal, os indianos criam mapas baseados no mapa natal para analisar outros assuntos que circundam a vida do nativo.
Toda essa discussão deve ser pautada pelo pragmatismo. Sendo os mapas divisionais descritos por maharishis (os grandes sábios iluminados da Índia) ou não, é evidente que eles funcionam. Eles ganharam tanta importância que são mapas usados para corrigir o horário de nascimento! Enquanto um astrólogo ocidental usa eventos para corrigir o mapa segundo sua técnica preditiva predileta, os indianos usam os mapas divisionais para corrigir o horário de nascimento consoante a sincronicidade dos eventos com a estrutura desses mapas, uma abordagem que acho muito mais segura.
Atualmente, algumas escolas analisam os mapas divisionais com regras específicas que diferem do mapa natal, mas a escola que sigo com maior fidelidade considera que não há diferenças no modo como se deve interpretar, mas sim no significado das casas em cada mapa divisional. Assim sendo, todos os Ascendentes desses mapas representam como o nativo lida com aquele assunto do mapa em questão. O regente do ascendente da Dwadasamsa (vide acima), por exemplo, indica a atitude do nativo em relação a família. A casa 2 da Dwadasamsa dirá respeito aos recursos do nativo com relação a família, e assim sucessivamente.
De qualquer forma, Sarvartha Chintamani e os outros autores medievais indianos provocarão frustração a quem pensar que esses mapas divisionais são antigos e citados por eles. Em seus textos, eu não vi uma única linha a respeito. As subdivisões do zodíaco per se são antiquíssimas, mas o modo como devem ser usadas varia conforme a época. Eu gostaria de conhecer um manuscrito beeem velho com o desenho dos mapas além do mapa natal, mas ainda não tive a oportunidade.
Eu diria que a subdivisão do zodíaco mais conhecida do mundo são os 'decanatos', que são dadas pela divisão do signo em três partes iguais, de 10°. No ocidente, os decanatos são também chamados de 'faces' e representam coisas bem superficiais. O decanato do Ascendente pode indicar alguma coisa ligada à aparência do nativo, ou dizer misteriosamente e sinteticamente a vida da pessoa como um todo, o que ninguém consegue entender direito como usar. Um planeta em seu próprio decanato é uma das coisas mais fajutas e menosprezadas dentro da astrologia medieval, porque ninguém sabe a serventia mas se tem a segurança de que a utilidade é muito pequena... Na índia, o modo de usar é diferente... Neste artigo, você terá a oportunidade de perceber como os decanatos - e outras divisões - são vistas na Astrologia Indiana, mas pra isso eu preciso começar citando algumas informações em paralelo.
Agora estou lendo o Sarvarth Chintamani (SC) - um clássico muito citado entre os autores. O escritor do SC se chama Vyankatesh Sharma, viveu no século XIII. Os autores da idade média na Índia tem um estilo peculiar e que influenciou tudo o que se seguiu em termos de Astrologia, mas tem peculiaridades. Eles se baseiam somente no mapa natal (Rasi) e usam as divisões dentro do contexto dele. Isso é bem diferente do que vemos hoje na Astrologia Indiana, embora ambas as épocas tenham muitas coisas em comum, de tal forma que é impossível dizer que a Astrologia Medieval indiana é demasiadamente distinta da contemporânea. De qualquer forma, eu gostaria de apontar o que considero a diferença mais importante, que é o modo como eles lidavam com as subdivisões do zodíaco - aí que voltamos ao assunto mais importante...
Atualmente, a maioria das escolas de Astrologia na Índia usam as subdivisões do zodíaco em mapas a parte. Essa é uma interpretação possível dos manuscritos, porém a tendência de um astrólogo ocidental é interpretar de outra forma. Em contrapartida, os autores medievais indianos não procedem da mesma forma. Receio que o leitor esteja achando meio complicado, então proporcionarei um exemplo, mas é importante atentar para o fato de que não estou me referindo à astrologia Ocidental, mas sim a Astrologia Indiana.
Suponha que o seu sol esteja no segundo decanato de áries. Tradicionalmente, esse decanato é atribuído ao signo de Leão (regido pelo Sol). O sol no seu próprio decanato é muito bom, a depender do assunto que ele reger no mapa. Para os indianos, porém, os decanatos são específicos para perceber questões importantes para os irmãos do nativo. Para a maioria dos jyotishas da Índia, portanto, esse Sol dirá coisas importantes para os irmãos do indivíduo cujo mapa se analisa.
Os decanatos são apenas uma das maneiras de dividir o zodíaco, mas existem outras, sendo que cada uma delas se referirá a temas específicos. Essas atribuições são dasas por Parasara no seu tratado Brihat Parasara Hora Sastra (BPHS). Por exemplo, para se estudar melhor os filhos do nativo, é necessário dividir cada signo em sete partes iguais e ver como os planetas se dispõem nessas divisões. Cada divisão se referirá a um signo. O problema é que não se sabe exatamente o que se fazer com essa informação - cada escola terá um modo diferente de se lidar com as subdivisões. Abaixo, cito algumas:
- Navamsa = Signo dividido em nove partes. Indica o dharma (os deveres do nativo e seu papel na sociedade). Pelo casamento ser considerado um dharma na Índia, ele é usado para prever a(s) data(s) do(s) casamento(s). Também é usada de um modo muito mais genérico, como por exemplo saber a forma que um objeto possui, sua classificação no mundo (se é animal, vegetal ou mineral). É tão importante que requer um estudo à parte.
- Drekkana = Signo dividio em três partes. São os nossos famosos Decanatos, usados pela maioria dos autores clássicos para estudar a vida dos irmãos do nativo. Varahamihira usa os Decanatos para outras coisas, mas isso não encontra eco na maioria dos autores.
- Chaturthamsa = Signo dividido em quatro partes. Estuda os imóveis, as propriedades do nativo.
- Dwadasamsa = Signo dividido em doze partes. São citados pelos gregos e medievais do ocidente como dodecatemoria e dwadasamsa, respectivamente. Indicam o destino específico dos parentes do nativo, de um modo geral - pai, mãe, tios, avós.
A maioria das escolas de astrologia da índia hoje em dia pegam essas subdivisões e criam mapas paralelos ao mapa natal baseados nelas. Isso mesmo, para cada maneira de dividir o zodíaco, eles erguem um mapa diferente. Voltando ao exemplo dos decanatos, o sol no segundo decanato de áries (cujo signo é leão) seria colocado num mapa a parte, no qual ele estaria não no signo de áries, mas sim em Leão.
Eu vejo que a abordagem de se criar mapas paralelos ao natal, mas baseados nas suas informações, não está explicitamente descrita em nenhum grande tratado clássico de astrologia. Isso é uma dedução lógica dos autores que se seguiram aos clássicos, mas é importante ressaltar que essa conclusão não é compartilhada pela maioria deles. Os autores medievais da Índia parecem não usar mapas divisionais como se faz hoje em dia, e é aí que entra o autor do Sarvartha Chintamani. Eu citarei um exemplo de dentro do texto:
"Se o regente do Signo Navamsha ocupado pelo Regente da Casa 2 for localizado com um maléfico ou estiver no signo de um maléfico, há doença nos olhos"Explicando: O autor quer que nós observemos se o Regente da Casa 2 (que representa os olhos) está numa divisão zodiacal de maléficos, ou se o planeta regente dessa subdivisão estiver aflito por maléficos. A divisão usada nesse caso é aquela na qual cada signo é dividido em nove partes iguais, que é chamada pelos indianos de Navamsa.
O sloka (aforismo) acima possui algumas "brechas" que suscitam dúvidas. O autor quer que nós analisemos o regente da Casa 2 no mapa natal ou na navamsa? Lembre-se que a prática comum hoje é criar um mapa para cada subdivisão (lembre-se do exemplo dos decanatos acima para entender o que estou falando), mas isso é uma interpretação dos autores modernos. Se nós pensarmos do modo tradicional para nós, astrólogos ocidentais, unicamente mapa natal deve ser usado: devemos usar o regente da casa 2 no mapa natal, e receio que esse ponto de vista seja compartilhado pelos astrólogos medievais da Índia. Parece que a grande diferença entre a astrologia ocidental e a indiana - além do zodíaco sideral versus o tropical - não resida nas técnicas de intepretação (que considero muito similares), mas nos elementos nas quais cada uma se baseia além dos planetas e dos signos. Há quem defenda que ambas têm a mesma origem, mas a geografia as diferenciou.
A Astrologia Ocidental não teve a mesma progressão que a Indiana, elas evoluíram por vias diferentes (embora seja claro que a Astrologia Indiana teve uma evolução muito mais avançada pelo número de elementos que ela possui ser superior), mas compartilham de uma raiz comum, que surgiu mais ou menos no primeiro século da era cristã com as rotas comerciais criadas por Alexandre. Essa é a perspectiva dos historiadores da ciência, embora seja objeto de discórdia com os indianos, que consideram sua astrologia muito mais evoluída e se acham no direito de afirmar que eles são os criadores desta ciência... Muito controvertido... De qualquer forma, enquanto os Ocidentais se baseiam unicamente no mapa natal, os indianos criam mapas baseados no mapa natal para analisar outros assuntos que circundam a vida do nativo.
Toda essa discussão deve ser pautada pelo pragmatismo. Sendo os mapas divisionais descritos por maharishis (os grandes sábios iluminados da Índia) ou não, é evidente que eles funcionam. Eles ganharam tanta importância que são mapas usados para corrigir o horário de nascimento! Enquanto um astrólogo ocidental usa eventos para corrigir o mapa segundo sua técnica preditiva predileta, os indianos usam os mapas divisionais para corrigir o horário de nascimento consoante a sincronicidade dos eventos com a estrutura desses mapas, uma abordagem que acho muito mais segura.
Atualmente, algumas escolas analisam os mapas divisionais com regras específicas que diferem do mapa natal, mas a escola que sigo com maior fidelidade considera que não há diferenças no modo como se deve interpretar, mas sim no significado das casas em cada mapa divisional. Assim sendo, todos os Ascendentes desses mapas representam como o nativo lida com aquele assunto do mapa em questão. O regente do ascendente da Dwadasamsa (vide acima), por exemplo, indica a atitude do nativo em relação a família. A casa 2 da Dwadasamsa dirá respeito aos recursos do nativo com relação a família, e assim sucessivamente.
De qualquer forma, Sarvartha Chintamani e os outros autores medievais indianos provocarão frustração a quem pensar que esses mapas divisionais são antigos e citados por eles. Em seus textos, eu não vi uma única linha a respeito. As subdivisões do zodíaco per se são antiquíssimas, mas o modo como devem ser usadas varia conforme a época. Eu gostaria de conhecer um manuscrito beeem velho com o desenho dos mapas além do mapa natal, mas ainda não tive a oportunidade.
20/12/2010
Na primeira parte, eu ensinei como perceber os aspectos indianos. Hoje vamos aprender a interpretar os aspectos. Os autores que usam os dois tipos de aspectos simultaneamente são em número pequeno. Eu diria que só conheço Narasimha Rao e Sanjay Rath. Eles deram as caras por aqui nos posts mais recentes. Ambos fazem parte do Sri Jagannath Center, que conta com várias filiais pelo mundo, mas principalmente EUA e Orissa, na Índia.
Sanjay Rath diferencia os aspectos da seguinte forma:
- Os aspectos por Signo é como a vizinhança do planeta, aquilo com o qual ele tem de se acostumar e conviver.
- Os aspectos planetários indicam o desejo do planeta.
Eu prefiro explicar os dois tipos de aspecto de outra forma. Pode ser que eu esteja errado, mas em todos os textos dos dois autores que continham as interpretações de cada tipo de aspecto, eles mostraram um entendimento muito similar ao que eu obtive dos dois tipos de aspectos, só que eu acho a explicação deles um pouco confusa.
Aí vai minha interpretação. Vamos supor que marte represente dois eventos diferentes, mas em ambos os casos esteja influenciando por aspecto. Qual dos eventos abaixo seria indicado por aspecto de signo e qual deles seria indicado por aspecto planetário?
1 - O irmão da pessoa tem características marciais: ele tem a cara com expressões rudes, o queixo bruto e nariz levemente aquilino.
2 - O tio da pessoa (que no mapa é representado por marte) brigou com o pai dela pela herança do avô.
Eu vou dar a resposta:
O número 1 pode ser representado por aspecto de signo porque estamos falando de coisas que tem significados de marte e que moldam a forma da pessoa. Essas coisas não são temporárias, elas nunca mudarão - a menos que o irmão dela faça cirurgia plástica!
O número 2 pode ser representado por aspecto planetário de marte porque, sendo o tio representado pelo maléfico, indica que ele tem o desejo de interferir numa questão do mapa que ocorreria sem problemas se não houvesse aspecto.
Chegamos a conclusões interessantes:
- Os aspectos por signo representam descrições da forma de pessoas, objetos que se queiram ver no mapa do nativo. Se eles representarem situações, elas são crônicas na vida da pessoa. Por serem aspectos que indicam a estrutura das situações, eles não devem ser considerados mais suaves. Existem situações na vida de uma pessoa que não são nada suaves... e, pior ainda: são crônicas!
- Os aspectos planetários representam coisas motivadas pelo desejo do planeta, pontuais e agudas. O termo desejo pode indicar que o planeta representa uma pessoa e, como qual, interferirá nos assuntos analisados no mapa devido aos desejos da pessoa representada. Quando o planeta representar coisas abstratas ao invés de humanos, nada muda no modo como se deve interpretá-lo: ele continua representando eventos pontuais, que interferem na estrutura do mapa de modo abrupto, etc. Nesse caso, para quem acredita, o desejo do planeta vem da parte do deus que ele representa.
uma outra coisas que recomendo muito é ser simples na interpretação.
Primeiramente, interprete os significados do planeta que mais tenham relação com o assunto que você queira analisar.
Por exemplo: se você quiser saber da vida familiar e notar que há o envolvimento de saturno, é mais fácil pensar nele como sendo o representante de um irmão mais velho do que pensar em coisas muito mais raras e inespecíficas de saturno, como seu papel em representar servos, pêlos do corpo, etc...
Para você usar o significado mais próximo que o planeta tiver em relação ao assunto, é preciso conhecer as listas intermináveis de significados mais comuns dos planetas. Se eu nã0 soubesse que Saturno pode representar irmãos mais velhos, eu nem teria idéia que poderia usar esse significado. Então, chegamos no ponto do aprendizado em que não há grandes mistérios, mas o mais simples estudo das enormes tabelas de correspondências entre os planetas e os objetos, pessoas, animais, vegetais, profissões deste mundo.
Espero trazer exemplos em posts futuros.
Dentro da Astrologia Védica, existe uma vertente que é especializada em prever eventos numa frequência anual, usando a posição natal do sol. Isto nada mais é do que a famosa revolução solar, que os indianos chamam de Tajaka, Tajika ou Varsha Pala (esta última significa 'ingresso anual'). Os leitores que desconhecem astrologia védica e estudam somente a medieval, porém, terão um susto ao perceber que o ramo 'Tajaka' da indiana tem mais coisas em comum com a nossa Astrologia Clássica do que poderia supor. As similaridades são tantas que pode-se chegar ao absurdo de aprender astrologia clássica do ocidente estudando essa técnica... indiana.
Sim, a Tajaka tem sua profecção, que é chamada de Muntha. Além dessa, existe uma profecção específica dos indianos, ensinada por Parasara, chamada de Sudarsana Chakra, que é a profecção do Ascendente, Sol e Lua em conjunto. Esses dois métodos se destinam ao mesmo propósito, que é refinar quando acontecerão eventos prometidos por períodos de tempo maiores que um ano.
Tanto a Saudarsana quanto a Muntha nada mais são do que profecções anuais, e a muntha se parece mais ainda com a profecção ocidental por também ter um 'regente do ano'. A diferença é que os indianos tem critérios de escolha claros para o regente do ano - que eles chamam de 'Varsheswara' - enquanto o critério de escolha para o RA da profecção tende a ser mais simples - muito mais simples.
Eu diria que a descoberta dessa diferença de critérios de escolha não fará com que eu use a profecção de outra forma que não seja a antiga, pois não gosto de misturar duas escolas de astrologia diferentes, por mais que sejam parecidas. Contudo, a Tajaka é tão similar ao que fazemos na Astrologia Medieval, que é inevitável não aprender com ela: talvez os critérios de escolha do Varsheswara nos ajudem a equacionar o problema de perceber qual é o planeta mais forte para uma casa em particular, seja ela qual for. Abaixo, eu vou colocar alguns critérios e tentar adaptá-los para a astrologia medieval:
Uma casa tem vários significadores. Então é preciso ver qual deles é o mais forte e que influenciará o destino das coisas indicadas pela casa. Assim sendo, abaixo há um algoritmo que nos ajuda a perceber como se dá esse processo.
- Separe todos os regentes da cúspide da casa (exaltação, domicílio, triplicidade, termo, face) e seus significadores (exemplo: marte para irmãos na casa III, júpiter para filhos na V, etc.)
- Agora veja aqueles que aspectam a casa. Ignore os que não aspectam a priori.
- O planeta que aspectar a casa e que estiver mais dignificado será o significador da casa.
- Se dois planetas tiverem um mesmo número de dignidades, aquele que aparecer o maior número de vezes na lista de regentes da cúspide da casa e de significadores será o significador eleito.
- Se nenhum dos candidatos fizer um aspecto benéfico na casa, pode-se aceitar um aspecto 'maléfico' (quadratura e oposição).
- Se nenhum dos candidatos aspectar a Casa, escolheremos o candidato com o maior número de dignidades.
- Se nenhum dos candidatos aspectar a casa ou tiver dgnidade essencial, devemos escolher o candidato que seja do mesmo séquito que o mapa (júpiter, sol e saturno são diurnos, lua, vênus e marte noturnos, mercúrio a depender de quem ele aspectar ou se associar).
Vamos delinear um mapa aleatório:

Vamos usar dessa vez o zodíaco tropical e analisar a Casa 3 (irmãos) desse nativo. O sistema de Casas é Alchabitius.
Casa 3 (20°Gêmeos35')
- Domicílio = Mercúrio
- Exaltação = 0
- Triplicidade = Saturno - Mercúrio - Júpiter
- Termo = marte
- Face = Sol
- Significador de irmãos = Marte
Podemos incluir na lista em questão outros pontos ligados ao irmão, como o Lote dos irmãos (Ascendente + Júpiter - Saturno), mas isso só serve para aumentar nossa certeza.
Saturno está exaltado - tem dignidade, se comparado aos outros planetas da lista - e aspecta a cúspide da casa 3 com aspecto benéfico (trígono). O sol também está dignificado, mas ele aspecta com sextil, mais fraco que o trígono. Isso é suficiente para mostrar Saturno como significador dos irmãos. E o que isso implica? Sempre que eu estudar as técnicas de previsão e Saturno for evidente, eu sei que haverá algum conteúdo de casa 3 associado, principalmente irmãos.
No ano de 2005, meu irmão teve que tomar decisões importantes na sua vida acadêmica, e isso veio acompanhado de uma pequena crise, que terminou bem. A Firdaria que estava ativada no meu mapa era Mercúrio-Saturno. Mercúrio é o regente da Casa 3 com maior dignidade na cúspide da Casa 3, enquanto Saturno é o significador dos irmãos como visto acima. Isso mostra a aplicação da técnica. Mercúrio, enquanto regente da 3 no exemplo sempre será importante para a Casa 3, mas Saturno delimita com maior precisão quando os eventos podem ocorrer.
19/12/2010
A Astrologia reflete uma experiência humana no céu estrelado. Acredita-se que o céu deve ser o mais fidedigno possível ao que se vê, mas alguns astrólogos querem retroceder no tempo e usar métodos de cálculo menos precisos - e por razões mais interessantes do que simplesmente o "fetiche" de gostar de métodos antigos.
Dentro de algumas semanas, o grande astrólogo e programador Narasimha Rao vai publicar a nova versão do seu poderosíssimo software de Astrologia Védica chamado Jagannatha Hora. Na versão que virá - a 7.5 - ele trará ao programa o que será uma revolução dentro de todas as astrologias que se praticam na atualidade: ao invés de usar as efemérides mega precisas que se baseiam nos telescópios da NASA, ele usará os métodos de cálculo astronômico do tratado indiano de Astrologia do século VI (aproximadamente) chamado Surya Siddantha.
Sejamos francos e sóbrios: ninguém faz um esforço homérico em vão. Além de possivelmente cobrar uma fortuna pelo software (até a versão 7.4, o download era gratuito. Agora, provavelmente não deve ser...), Narasimha teve boas experiências com esses métodos antigos. Inicialmente, ele testou a interpretação dos mapas calculados com o método arcaico do Surya Siddantha. Qual não foi a sua surpresa... Nos fóruns que participa, vê-se que ele está empolgadinho porque os mapas calculados pelo SS são muito mais claros para descrever a vida das pessoas e, melhor ainda: as técnicas preditivas eram mais fáceis de serem interpretadas e eram muito mais precisas! Com essa atitude, ele deu dois milênios de passos para trás porque quer avançar anos luz à frente.
Dentro de algumas semanas, o grande astrólogo e programador Narasimha Rao vai publicar a nova versão do seu poderosíssimo software de Astrologia Védica chamado Jagannatha Hora. Na versão que virá - a 7.5 - ele trará ao programa o que será uma revolução dentro de todas as astrologias que se praticam na atualidade: ao invés de usar as efemérides mega precisas que se baseiam nos telescópios da NASA, ele usará os métodos de cálculo astronômico do tratado indiano de Astrologia do século VI (aproximadamente) chamado Surya Siddantha.
Sejamos francos e sóbrios: ninguém faz um esforço homérico em vão. Além de possivelmente cobrar uma fortuna pelo software (até a versão 7.4, o download era gratuito. Agora, provavelmente não deve ser...), Narasimha teve boas experiências com esses métodos antigos. Inicialmente, ele testou a interpretação dos mapas calculados com o método arcaico do Surya Siddantha. Qual não foi a sua surpresa... Nos fóruns que participa, vê-se que ele está empolgadinho porque os mapas calculados pelo SS são muito mais claros para descrever a vida das pessoas e, melhor ainda: as técnicas preditivas eram mais fáceis de serem interpretadas e eram muito mais precisas! Com essa atitude, ele deu dois milênios de passos para trás porque quer avançar anos luz à frente.
Ao usarmos cálculos antigos, as posições dos planetas tendem a não corresponder exatamente àquilo que se vê no céu. Por que então retroceder na técnica, se isso leva ao erro? Narasimha descobriu uma razão prática, que ele justifica metafisicamente nos fóruns. Pois bem, espero que a razão prática seja descoberta por mim também mas, enquanto ele não lança o update do programa com os cálculos do Surya Siddantha, eu prefiro uma análise sob um viés filosófico e histórico. Isto porque não é só Narasimha que defende um retrocesso nos cálculos e na maneira de se ver a matemática. Robert Schmidt, professor de filosofia e tradutor dos textos astrológicos helênicos, também nos aconselha reconsiderar o modo como lidamos com a matemática dentro da astronomia de posição, tão importante para a astrologia.
Alguns astrólogos consideram que o movimento dos planetas e os seus ciclos devem ser regulares para representar a experiência humana, mas a regularidade do movimento planetário não ocorre na natureza: o que se tem é uma aproximação do movimento dos planetas com números de ciclos criados pelo homem.
Essa aproximação sempre foi grosseira, e durante muito tempo os historiadores consideravam o erro uma questão de imprecisão matemática, porém já não há poucos anos desde que algumas correntes dentro da história das ciências e também dentro da astrologia consideram que esse erro era proposital, uma escolha de se priorizar a beleza dos números regulares, dos ciclos, em detrimento de uma natureza imperfeita, que possuía ciclos mas que, ao serem mensurados, eram irregulares. Para entendermos isso, é interessante recorrer às idéias de Platão.
Serei bem simplório devido ao pequeno espaço de um post (que me impede de construir algo mais elaborado, porém menos irritante ao estudante sério de filosofia). A corrente filosófica que predominava no pensamento astrológico era o platonismo. Essa escola filosófica considerava as idéias perfeitas e a realidade imperfeita, porém esta sempre se esgueirava para alcançar os modelos daquela. Um objeto, antes de ser materializado, era perfeito enquanto idéia, mas quando era construído, mostrava suas imperfeições. Havia sempre essa relação da coisa com sua idéia, aquela imperfeita, tentando chegar o mais próximo possível desta.
Podemos encaixar os planetas dentro desse modelo de uma forma muito curiosa. Hoje em dia, seria normal considerar o planeta um objeto como outro qualquer - imperfeito e que se esforça para caber dentro de uma idéia, mas os antigos não viam o planeta enquanto corpo! Apesar do planeta ser uma coisa materializada, ele não era percebido enquanto corpo, mas sim enquanto idéia.
A justificativa para entender essa afirmativa reside no fato dos planetas terem um ciclo que sob vários aspectos era assombrosamente regular. Um ciclo que não tinha início, nem fim, que nunca fora interrompido. Um planeta nunca saiu do caminho que percorre nos céus, nunca mudou do espectro de cores que costuma ter, nunca mudou de velocidade além daquela que costuma ter, nunca parou e retrogradou além do local em que fica em relação ao sol quando costuma fazer isso. Essas coisas nunca mudaram, sempre assistiu a humanidade nascendo, crescendo e morrendo.
Um planeta só podia ser uma idéia porque demonstra regularidade nos seus ciclos e porque estes nunca mudam. A eternidade era algo belo, e os planetas eram imortais! São ideiais!
Como você pode perceber, os planetas pareciam aos olhos dos antigos seres imortais. Eles não sofriam corrupção e se estinguiam, como qualquer coisa do mundo sublunar. Eles não pareciam ter uma forma tosca como tudo aquilo que se tinha debaixo do céu. Os antigos não tinham um telescópio da NASA ou uma sonda espacial para ver que a Lua é cheia de crateras. Por incrível que pareça, essa visão dos planetas enquanto matéria não é algo historicamente velho. Os planetas eram idéias, perfeitas, que impingiam suas influências nos quatro elementos (fogo, terra, ar e água) no mundo sublunar (o mundo onde vivemos).
O mundo sublunar é repleto de coisas imperfeitas (objetos e seres), formados pelos quatro elementos. Essas coisas são passíveis de corrupção e destruição, e enquanto coisas materiais, se espelham nas idéias dos planetas que as correspondem. A maneira de sabermos qual planeta influencia qual coisa é dada pela natureza dessa e sua correlação com a natureza do planeta. Uma faca é regida por marte porque ela corta e é de ferro, sendo esses atributos oriundos do arquétipo marcial. O ser humano, na angústia de saber qual estrela regia sua natividade, em qual idéia se baseava sua existência, encontra essas respostas na sua carta natal...
O grande problema é que os antigos não eram tão preocupados com precisão. Os movimentos dos planetas, de fato, são extremamente regulares, mas se usarmos unidades de tempo cada vez menores e constantes, essa regularidade se torna cada vez mais grosseira, mas isso não era tão importante quanto se tornou nos séculos seguintes! Tudo isso culminou hoje com todos os programas de Astrologia usando métodos de cálculo astronômico ultra precisos!
A preocupação exacerbada com precisão suscita uma questão essencial para a Astrologia: será que a precisão afasta a Astrologia do que é mais humano nela, que são a beleza dos ciclos regulares e dos planetas enquanto entidades regentes da vida terrena, historicamente diferenciadas dos corpos celestes que se tornariam após anos de revoluções astronômicas de Galileu, Copérnico e Kepler?
O que seria um retrocesso, na verdade é uma nova maneira de relacionar a Astrologia às ciências exatas: deixar de valorizar precisão em detrimento de uma regularidade dos ciclos astronômicos, em prol da sincronicidade, e do conceito de beleza e simetria que durante muito tempo representou como a ciência da antiguidade lidava com a matemática na mensuração de sistemas naturais, como a Astronomia.
Este novo método de cálculo do Sr. Narasimha se baseia na crença de que a Astrologia verdadeiramente não reflete o céu propriamente dito, mas a experiência humana, sendo essa experiência melhor sincronizada pelos movimentos médios dos planetas e seus ciclos numéricos perfeitos, que não encontram correspondência com os cálculos das posições dos planetas pelas efemérides mais modernas.
Alguns astrólogos consideram que o movimento dos planetas e os seus ciclos devem ser regulares para representar a experiência humana, mas a regularidade do movimento planetário não ocorre na natureza: o que se tem é uma aproximação do movimento dos planetas com números de ciclos criados pelo homem.
Essa aproximação sempre foi grosseira, e durante muito tempo os historiadores consideravam o erro uma questão de imprecisão matemática, porém já não há poucos anos desde que algumas correntes dentro da história das ciências e também dentro da astrologia consideram que esse erro era proposital, uma escolha de se priorizar a beleza dos números regulares, dos ciclos, em detrimento de uma natureza imperfeita, que possuía ciclos mas que, ao serem mensurados, eram irregulares. Para entendermos isso, é interessante recorrer às idéias de Platão.
Serei bem simplório devido ao pequeno espaço de um post (que me impede de construir algo mais elaborado, porém menos irritante ao estudante sério de filosofia). A corrente filosófica que predominava no pensamento astrológico era o platonismo. Essa escola filosófica considerava as idéias perfeitas e a realidade imperfeita, porém esta sempre se esgueirava para alcançar os modelos daquela. Um objeto, antes de ser materializado, era perfeito enquanto idéia, mas quando era construído, mostrava suas imperfeições. Havia sempre essa relação da coisa com sua idéia, aquela imperfeita, tentando chegar o mais próximo possível desta.
Podemos encaixar os planetas dentro desse modelo de uma forma muito curiosa. Hoje em dia, seria normal considerar o planeta um objeto como outro qualquer - imperfeito e que se esforça para caber dentro de uma idéia, mas os antigos não viam o planeta enquanto corpo! Apesar do planeta ser uma coisa materializada, ele não era percebido enquanto corpo, mas sim enquanto idéia.
A justificativa para entender essa afirmativa reside no fato dos planetas terem um ciclo que sob vários aspectos era assombrosamente regular. Um ciclo que não tinha início, nem fim, que nunca fora interrompido. Um planeta nunca saiu do caminho que percorre nos céus, nunca mudou do espectro de cores que costuma ter, nunca mudou de velocidade além daquela que costuma ter, nunca parou e retrogradou além do local em que fica em relação ao sol quando costuma fazer isso. Essas coisas nunca mudaram, sempre assistiu a humanidade nascendo, crescendo e morrendo.
Um planeta só podia ser uma idéia porque demonstra regularidade nos seus ciclos e porque estes nunca mudam. A eternidade era algo belo, e os planetas eram imortais! São ideiais!
Como você pode perceber, os planetas pareciam aos olhos dos antigos seres imortais. Eles não sofriam corrupção e se estinguiam, como qualquer coisa do mundo sublunar. Eles não pareciam ter uma forma tosca como tudo aquilo que se tinha debaixo do céu. Os antigos não tinham um telescópio da NASA ou uma sonda espacial para ver que a Lua é cheia de crateras. Por incrível que pareça, essa visão dos planetas enquanto matéria não é algo historicamente velho. Os planetas eram idéias, perfeitas, que impingiam suas influências nos quatro elementos (fogo, terra, ar e água) no mundo sublunar (o mundo onde vivemos).
O mundo sublunar é repleto de coisas imperfeitas (objetos e seres), formados pelos quatro elementos. Essas coisas são passíveis de corrupção e destruição, e enquanto coisas materiais, se espelham nas idéias dos planetas que as correspondem. A maneira de sabermos qual planeta influencia qual coisa é dada pela natureza dessa e sua correlação com a natureza do planeta. Uma faca é regida por marte porque ela corta e é de ferro, sendo esses atributos oriundos do arquétipo marcial. O ser humano, na angústia de saber qual estrela regia sua natividade, em qual idéia se baseava sua existência, encontra essas respostas na sua carta natal...
O grande problema é que os antigos não eram tão preocupados com precisão. Os movimentos dos planetas, de fato, são extremamente regulares, mas se usarmos unidades de tempo cada vez menores e constantes, essa regularidade se torna cada vez mais grosseira, mas isso não era tão importante quanto se tornou nos séculos seguintes! Tudo isso culminou hoje com todos os programas de Astrologia usando métodos de cálculo astronômico ultra precisos!
A preocupação exacerbada com precisão suscita uma questão essencial para a Astrologia: será que a precisão afasta a Astrologia do que é mais humano nela, que são a beleza dos ciclos regulares e dos planetas enquanto entidades regentes da vida terrena, historicamente diferenciadas dos corpos celestes que se tornariam após anos de revoluções astronômicas de Galileu, Copérnico e Kepler?
O que seria um retrocesso, na verdade é uma nova maneira de relacionar a Astrologia às ciências exatas: deixar de valorizar precisão em detrimento de uma regularidade dos ciclos astronômicos, em prol da sincronicidade, e do conceito de beleza e simetria que durante muito tempo representou como a ciência da antiguidade lidava com a matemática na mensuração de sistemas naturais, como a Astronomia.
Este novo método de cálculo do Sr. Narasimha se baseia na crença de que a Astrologia verdadeiramente não reflete o céu propriamente dito, mas a experiência humana, sendo essa experiência melhor sincronizada pelos movimentos médios dos planetas e seus ciclos numéricos perfeitos, que não encontram correspondência com os cálculos das posições dos planetas pelas efemérides mais modernas.
Em outras palavras: esses autores acreditam que a Astrologia se baseia grosseiramente no que acontece no céu, mas na verdade os seus ciclos devem refletir os números embutidos na alma humana. Nessa projeção grosseira da realidade interna com o exterior celeste, há muitas aproximações e arredondamentos. Esse céu estrelado que observamos, pode ser tão humano a ponto de ser baseado num ritmo tão regular e simétrico que não corresponda àquilo que se vê no que é matematicamente preciso, que pode ser encontrado nas efemérides da NASA, as mais comuns na maioria dos programas de Astrologia.
Hoje em dia, a idéia de precisão matemático-astronômica está intimamente aderida aos pressupostos dos astrólogos. Uma sugestão dessa monta - de se usar uma técnica de cálculo arcaica - não encontrará boa receptividade em quem não contextualizar a astrologia que pratica. Se você for um astrólogo védico tradicional, talvez se beneficiará com o Surya Siddantha. Eu fico pensando em quem for Astrólogo medieval e querer converter a longitude dos planetas achada pelo SS para o zodíaco tropical. Essa sugestão pode ser interessante porque os astrólogos medievais tinham seus algoritmos de astronomia de posição derivados em grande parte dos indianos.
Hoje em dia, a idéia de precisão matemático-astronômica está intimamente aderida aos pressupostos dos astrólogos. Uma sugestão dessa monta - de se usar uma técnica de cálculo arcaica - não encontrará boa receptividade em quem não contextualizar a astrologia que pratica. Se você for um astrólogo védico tradicional, talvez se beneficiará com o Surya Siddantha. Eu fico pensando em quem for Astrólogo medieval e querer converter a longitude dos planetas achada pelo SS para o zodíaco tropical. Essa sugestão pode ser interessante porque os astrólogos medievais tinham seus algoritmos de astronomia de posição derivados em grande parte dos indianos.
14/12/2010
Para entender esse artigo, você precisa saber a distinção entre o zodíaco sideral e o tropical. Basta clicar no marcador "Zodíaco Sideral" e você terá todos os artigos introdutórios.
Essa talvez seja uma das questões mais desafiadoras da Astrologia. Como Robert Hand mesmo disse (no seu prefácio da antologia de Valens), o zodíaco era alinhado com as constelações quando a maioria dos textos de referência eram escritos. Não se sabe claramente, portanto, se as conclusões dos Astrólogos eram tomadas com base num zodíaco que estava alinhado com as constelações que inspiraram os signos, ou se estavam tirando suas conclusões com base num zodíaco que se alinhava com as estações do ano. Robert Hand finaliza dizendo que à nossa geração de Astrólogos, cabe investigar qual zodíaco oferece os melhores resultados, a depender daquilo que se deseja saber do céu, pois essa prerrogativa muda radicalmente a demanda por um tipo de zodíaco em particular em detrimento de outro.
Áries, para nós ocidentais, é o começo da primavera no hemisfério norte: o ponto vernal fica no primeiro grau desse signo, e Abu Ma'Shar fazia cartas para estudar a situação dos reinos e impérios entre 20 e 22 de março, quando o sol ficava alinhado com o Equador, com declinação zero. Esse é um argumento forte a favor do zodíaco tropical mas, na Idade Média, as coisas se tornaram mais confusas ainda - e esse argumento somente não basta.
Para um homem da era medieval, já havia uma diferença considerável entre o zodíaco sideral e o tropical - mais de 10°, enquanto hoje temos quase 24°. Soma-se a isso que alguns métodos de cálculo para se saber as posições dos planetas no céu seriam para nós hoje absurdas. A tábua de posições dos planetas chamada zij al-shah era usada pelos astrólogos persas do período. Ela usava a posição tropical para todos os planetas, menos Saturno e Júpiter. Para estes, se considerava a posição no zodíaco sideral!
Existem algumas coisas que me são demasiadamente misteriosas... Porém, há que se duvidar: quando há muito mistério, será qua não há mistério algum? Ao Sol, é dada a importância sob a formação formação das estações do ano e da alteração da substância do mundo sublunar que ocorre em paralelo a essas estações. É baseada nessa importância que se deduz um zodíaco tropical cujo início coincide com a primeira estação do ano, a primavera.
Os indianos (os principais usuários do zodíaco sideral) tinham consciência da importância da relação entre o Sol, o Equador Celeste e as estações do ano; tanto que uma das maneiras de se averiguar a força do Sol em qualquer mapa consiste em computar a distância em graus entre ele e o equador celeste. Apesar dessa importância ser considerada por eles, isso não foi suficiente para que os próprios deixassem de adotar um zodíaco sideral.
Tendo o leitor se deparado com todas as particularidades que a questão oferece, talvez sirva de refrigério saber as implicações práticas disso: a interpretação de um mapa pode mudar radicalmente, a depender do zodíaco empregado. O modo como um astrólogo moderno ocidental interpreta depende grandemente do zodíaco tropical e as interpretações se tornam absurdas quando se usa o zodíaco sideral mas, em se tratando de Astrologia Medieval e Clássica, a interpretação se torna mais concreta. Torna-se, portanto, fundamental àqueles que desejam estudar Astrologia Medieval escolher o zodíaco correto, a fim de que as previsões se concretizem!
Atualmente, entre o zodíaco sideral e o tropical, há uma homologia de aproximadamente 25%. Eu cheguei a esse cálculo de uma maneira simplória: um signo mede 30° (=100%); no momento há entre os dois pontos iniciais de cada zodíaco cerca de 24° de diferença. Logo, para cada signo, 6 graus se alinham em ambos os zodíacos. Ou seja, 6° de Áries no zodíaco sideral se alinham com 6° de Áries no tropical. Uma rápida maneira de se entender a questão pode ser dada pelo mapa abaixo:
Eu tenho Ascendente em Áries (signo de cor vermelha clara) no zodíaco tropical (mais interno). Note que uma fração de Áries se alinha com uma fração de Áries no anel mais externo, que representa o zodíaco sideral. Em termos matemáticos, isso dá uma homologia (semelhança) de 25% dos mapas, supondo que os nascimentos ocorram a uma frequência constante. Em outras palavras: de 100 nascidos, 25 terão o Ascendente e os planetas nos mesmos signos tanto no zodíaco sideral quanto no tropical.
Se partirmos do princípio de que um destes zodíacos está sendo empregado erroneamente (coisa com a qual não concordo inteiramente), então, eis a pergunta: porque astrólogos dos dois grupos alegam ter bons resultados? A resposta a essa pergunta pode ser encontrada pelos vieses abaixo:
O meu questionamento, porém, sempre retorna quando, a cada dia mais, estudo com afinco Astrologia Indiana, e percebo que muitas interpretações são quase similares à Astrologia Medieval, mudando radicalmente não a interpretação, mas simplesmente... o zodíaco.
Será que a Astrologia Clássica estudada por nós atualmente renderia melhores resultados se ao invés do zodíaco tropical, empregássemos o sideral? Fica a pergunta. Talvez eu precise estudar alguns mapas para responder a isso, e dentro em breve talvez o leitor veja nesse blogue a interpretação de mapas usando técnicas astrológicas clássicas, mas com o zodíaco sideral.
Essa talvez seja uma das questões mais desafiadoras da Astrologia. Como Robert Hand mesmo disse (no seu prefácio da antologia de Valens), o zodíaco era alinhado com as constelações quando a maioria dos textos de referência eram escritos. Não se sabe claramente, portanto, se as conclusões dos Astrólogos eram tomadas com base num zodíaco que estava alinhado com as constelações que inspiraram os signos, ou se estavam tirando suas conclusões com base num zodíaco que se alinhava com as estações do ano. Robert Hand finaliza dizendo que à nossa geração de Astrólogos, cabe investigar qual zodíaco oferece os melhores resultados, a depender daquilo que se deseja saber do céu, pois essa prerrogativa muda radicalmente a demanda por um tipo de zodíaco em particular em detrimento de outro.
Áries, para nós ocidentais, é o começo da primavera no hemisfério norte: o ponto vernal fica no primeiro grau desse signo, e Abu Ma'Shar fazia cartas para estudar a situação dos reinos e impérios entre 20 e 22 de março, quando o sol ficava alinhado com o Equador, com declinação zero. Esse é um argumento forte a favor do zodíaco tropical mas, na Idade Média, as coisas se tornaram mais confusas ainda - e esse argumento somente não basta.
Para um homem da era medieval, já havia uma diferença considerável entre o zodíaco sideral e o tropical - mais de 10°, enquanto hoje temos quase 24°. Soma-se a isso que alguns métodos de cálculo para se saber as posições dos planetas no céu seriam para nós hoje absurdas. A tábua de posições dos planetas chamada zij al-shah era usada pelos astrólogos persas do período. Ela usava a posição tropical para todos os planetas, menos Saturno e Júpiter. Para estes, se considerava a posição no zodíaco sideral!
Existem algumas coisas que me são demasiadamente misteriosas... Porém, há que se duvidar: quando há muito mistério, será qua não há mistério algum? Ao Sol, é dada a importância sob a formação formação das estações do ano e da alteração da substância do mundo sublunar que ocorre em paralelo a essas estações. É baseada nessa importância que se deduz um zodíaco tropical cujo início coincide com a primeira estação do ano, a primavera.
Os indianos (os principais usuários do zodíaco sideral) tinham consciência da importância da relação entre o Sol, o Equador Celeste e as estações do ano; tanto que uma das maneiras de se averiguar a força do Sol em qualquer mapa consiste em computar a distância em graus entre ele e o equador celeste. Apesar dessa importância ser considerada por eles, isso não foi suficiente para que os próprios deixassem de adotar um zodíaco sideral.
Tendo o leitor se deparado com todas as particularidades que a questão oferece, talvez sirva de refrigério saber as implicações práticas disso: a interpretação de um mapa pode mudar radicalmente, a depender do zodíaco empregado. O modo como um astrólogo moderno ocidental interpreta depende grandemente do zodíaco tropical e as interpretações se tornam absurdas quando se usa o zodíaco sideral mas, em se tratando de Astrologia Medieval e Clássica, a interpretação se torna mais concreta. Torna-se, portanto, fundamental àqueles que desejam estudar Astrologia Medieval escolher o zodíaco correto, a fim de que as previsões se concretizem!
Atualmente, entre o zodíaco sideral e o tropical, há uma homologia de aproximadamente 25%. Eu cheguei a esse cálculo de uma maneira simplória: um signo mede 30° (=100%); no momento há entre os dois pontos iniciais de cada zodíaco cerca de 24° de diferença. Logo, para cada signo, 6 graus se alinham em ambos os zodíacos. Ou seja, 6° de Áries no zodíaco sideral se alinham com 6° de Áries no tropical. Uma rápida maneira de se entender a questão pode ser dada pelo mapa abaixo:
Eu tenho Ascendente em Áries (signo de cor vermelha clara) no zodíaco tropical (mais interno). Note que uma fração de Áries se alinha com uma fração de Áries no anel mais externo, que representa o zodíaco sideral. Em termos matemáticos, isso dá uma homologia (semelhança) de 25% dos mapas, supondo que os nascimentos ocorram a uma frequência constante. Em outras palavras: de 100 nascidos, 25 terão o Ascendente e os planetas nos mesmos signos tanto no zodíaco sideral quanto no tropical.Se partirmos do princípio de que um destes zodíacos está sendo empregado erroneamente (coisa com a qual não concordo inteiramente), então, eis a pergunta: porque astrólogos dos dois grupos alegam ter bons resultados? A resposta a essa pergunta pode ser encontrada pelos vieses abaixo:
- Astrólogos que responderam a essa pergunta nunca diriam que não tiveram bons resultados, pois isso implica um certo demérito contra si mesmo;
- Cada grupo de Astrólogos busca representações diferentes nos seus respectivos zodíacos: enquando a maioria dos indianos estudantes da astrologia védica buscam prever eventos pela astrologia, a maioria dos astrólogos ocidentais tem uma abordagem focada em estudar o comportamento humano. A exceção entre os ocidentais fica por conta dos Astrólogos Clássicos e Medievais, que visam estudar eventos à luz de um zodíaco tropical. Esses, (nos quais eu me incluo), são particularmente os mais suscetíveis à falta de resolução dessa questão.
O meu questionamento, porém, sempre retorna quando, a cada dia mais, estudo com afinco Astrologia Indiana, e percebo que muitas interpretações são quase similares à Astrologia Medieval, mudando radicalmente não a interpretação, mas simplesmente... o zodíaco.
Será que a Astrologia Clássica estudada por nós atualmente renderia melhores resultados se ao invés do zodíaco tropical, empregássemos o sideral? Fica a pergunta. Talvez eu precise estudar alguns mapas para responder a isso, e dentro em breve talvez o leitor veja nesse blogue a interpretação de mapas usando técnicas astrológicas clássicas, mas com o zodíaco sideral.
07/12/2010
Na Jyotisha, existem dois tipos de aspectos. Não, não são os aplicativos e separativos...
Quando me refiro a dois tipos, são de fato duas variedades completamente diferentes:
- Aspectos por Signo (Rasi Dristi)
- Aspectos dos planetas (Graha Dristi)
A palavra 'Dristi' significa, dentre outras coisas, 'olhar'. Sim, os aspectos na jyotisha tem a mesma conotação da Astrologia Clássica do Ocidente, e provavelmente você aprenderá a usá-los também nela, se perceber como os autores Índia analisam um mapa em seus livros.
Aspectos dos Signos
Os aspectos dos Signos se assemelham levemente aos nossos: eles são mútuos, ou seja, se Aquário e Áries se aspectam, dois planetas, um em cada, se aspectarão entre si.
De fato, a morfologia desse tipo de aspecto só tem em comum com a Astrologia Ocidental o fato dos dois planetas em cada signo se olharem reciprocamente. Depois do que foi exposto quanto à sua morfologia e regras acima, eu diria que nada mais se assemelha com a Astrologia Ocidental. Eis as diferenças:
- Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) aspectam os signos cardinais (móveis) (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio) menos aqueles que estiverem imediatamente anteriores ou seguintes a eles na ordem zodiacal. Por exemplo, o signo de Áries aspecta todos os signos fixos menos Touro, porque é o signo seguinte a ele na ordem zodiacal. Seguindo o mesmo raciocínio, o Signo Fixo Leão aspecta todos os signos móveis com exceção de Câncer, que é anterior a ele. Basta proceder da mesma forma com os restantes, e se acostumar com a idéia.
- E os Signos mutáveis ou duplos (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes)? Eles se aspectam entre si.
Agora vamos aos aspectos dos planetas. Calma, que você só vai saber usá-los depois que conhecer as regras de cada grupo.
Graha Dristi (aspectos dos planetas)
Em se tratando de comparações com o Ocidente, essa é a diferença mais notável entre a Astrologia Indiana e a Ocidental. Os aspectos dos planetas são os mais populares entre os astrólogos de lá, e eu diria que uma pessoa que não estuda profundamente a Jyotisha há de pensar que eles são o único tipo de aspectos usados na Índia, relegando os aspectos por signo a um exótico astrólogo que criou uma "escola" meio esquisitona e que difere de Parasara. Esse astrólogo se chamava Jaimini, e nos seus "Jaimini Sutras" citou o uso dos aspectos dos Signos e não citou os aspectos dos planetas.
Você já deve ter suspeitado, pelo meu tom sarcástico, que isso é uma mentira. As mesmas pessoas que pensam que os aspectos de signo só existem na obra de Jaimini, devem ter deduzido isso porque poucas escolas os usam, enquanto a maioria lança mão dos aspectos planetários.
Essa pessoa fictícia que eu criei, na verdade, já fui eu, e poderia ter sido você, antes de ler esse texto. Isso é fruto de se confiar em autores contemporâneos e esquecer os fundamentos de tudo que se pratica hoje.
Evidentemente, eu não poderia deixar de conhecer as obras Parasara e Jaimini "pessoalmente" e na íntegra para concluir que isso é mentiroso: Parasara cita ambos os tipos de aspectos, e a escola de Astrologia na qual mais me inspiro (a do Sri Jagannath Center) usa os dois tipos a todo o tempo. Essa mesma escola não vê Jaimini como algo à parte de Parasara, mas sim como um admoestador, que "dá dicas" complementares, ajudando a entender tudo aquilo que Parasara ensinou!
Depois dessa breve introdução, vamos aprender os aspectos dos planetas. Basta contar signos (incluindo o signo onde o planeta está! Não o considere como ZERO, mas como UM):
- Sol, Lua, Vênus, Mercúrio: Aspectam somente o sétimo Signo a partir das suas posições. Isso mesmo, esses planetas só fazem OPOSIÇÃO.
Como você verá a seguir, TODOS OS PLANETAS ALÉM DO SOL, VÊNUS E MERCÚRIO TAMBÉM FAZEM OPOSIÇÃO E ALGUNS ASPECTOS A MAIS.
- Marte: Aspecta o 4°, 7° e 8° Signos a partir da sua posição.
- Saturno: Aspecta o 3°, 7° e 10° Signos a partir da sua posição.
- Júpiter, Rahu (nodo lunar norte) e Ketu (nodo lunar sul): Aspectam o 5°, 7° e 9° signos a partir da sua posição. Ou seja, ALÉM DA OPOSIÇÃO, ESSES PLANETAS SÓ FAZEM TRÍGONOS.
Sanjay Rath disse que Rahu é o único que aspecta o signo anterior na ordem do zodíaco (o 12° da sua posição), mas não tenho visto muito isso nos seus livros.
E a conjunção? Bem, a conjunção é a mesma que na Astrologia Ocidental, quando dois planetas estão no mesmo signo. Ela é tratada não como um aspecto, mas sim uma associação. Tal palavra se refere normalmente a uma relação forte entre dois planetas. (No fim das contas, a conjunção normalmente é interpretada como um aspecto). É óbvio que todos os planetas fazem conjunção.
Após essa introdução, comece a se acostumar com a mecânica dos dois tipos de aspectos, porque em seguida vem a interpretação deles. Acredite, você vai se surpreender.
04/12/2010
O trabalho de astrólogo é como o de um detetive. Diante de si, um mapa celeste esconde uma trama que ele precisa desvendar.
Como todo trabalho de um detetive, é necessário pistas ou evidências. Apenas uma pista não é suficiente para saber o que ocorreu ou o que ocorrerá. A astrologia se processa na mesma dinâmica.
Qualquer sinal dentro do mapa precisa de mais de uma confirmação para que ele seja interpretado corretamente. Antes de ser confirmado, as interpretações não são acusações: são apenas suposições, especulações. Enquanto você não perceber dessa forma e dizer ao consulente cada suposição como uma acusação, cairá no risco de dizer devaneios e causar muito temor desnecessário.
Vamos estruturar esse processo de investigação, a começar pelos elementos necessários para se julgar um mapa corretamente:
- Os aspectos ligam planetas e casas e, portanto, conectam assuntos diferentes.
- A presença de um planeta no signo do outro liga esses dois. A ligação será mais forte ainda se for recíproco, isto é, o planeta A estiver no signo de B e o planeta B no signo de A. Isto é chamado no Ocidente de Recepção Mútua mas, na Índia, é chamado de Parivartana Yoga. Na Índia, há Parivartana mesmo que o planeta A não aspecte B e vice-versa.
Esses dois itens são as ligações entre os assuntos. Abaixo, vamos ver os pontos que representam os assuntos:
Os planetas representam um assunto de três formas:
- O planeta pode significar naturalmente o assunto. A isto, damos o nome de karaka. Por exemplo, a Lua significa a mãe do nativo, Sol o pai, etc. Para saber qual planeta é karaka de qual assunto, é necessário ler os clássicos de Astrologia, como Saravali, que possuem listas intermináveis de karakas para cada assunto.
- O planeta pode estar na Casa que representa o assunto. Vênus na Casa 9 pode representar o pai, mas lembre-se que isso é uma suposição.
- O planeta pode reger a Casa que representa o assunto.
Além dos planetas, temos mais dois tipos de pontos abstratos, isto é, pontos que não existem fisicamente, criações humanas. São eles:
- As Casas (Bhavas);
- As imagens das Casas. (Arudhas).
Agora você saberá como usar tudo isso. Mas antes, você precisa saber o que cada casa e planeta representa. Isso é conseguido estudando os textos que já citei por aqui algumas vezes. De qualquer forma, cada passo da interpretação é fácil. O difícil mesmo é juntar todas as pistas e fazer um julgamento. Vamos citar um exemplo, para facilitar.
Vamos supor que o regente da Casa 4 está na Casa 6. Isso pode indicar que a mãe do nativo é uma pessoa que pode adoecer ou ser muito belicosa. Como saberemos o que realmente acontece? Se o regente da Casa 4 estiver configurado com maléficos, então a mãe pode ser alguém que adoecerá com facilidade. Isso porque maléficos significam naturalmente (karaka) doenças, principalmente Saturno e Rahu. Marte é significador de brigas, mas isso
Por outro lado, a Casa 6 pode representar os irmãos da mãe. Ter, portanto o regente da 4 na 6 pode significar que a mãe é uma pessoa que terá um envolvimento especial com esses irmãos. Estou falando de algo além do vínculo sanguíneo, obviamente (podem ser sócios, morar juntos quando adultos, etc). E como vamos confirmar isso? Para sabermos com certeza, precisamos observar no mapa se a Lua (karaka da mãe) ou a Casa 4 possuem relação com um significador da Casa 6 específico para parentes. Mercúrio representa parentes, mas dependerá do ponto com o qual ele se configurar. No caso, se mercúrio se configurar com a Lua, serão os parentes da mãe. Ao mesmo tempo, isso confirma que a Casa 6 nesse caso representa os parentes da mãe e que ela terá um envolvimento maior com eles.
Os planetas estarão configurados pelas Casas e com outros planetas por aspecto, conjunção e parivartana, como previamente dito. E assim você vai analisando cada assunto e delineando a vida da pessoa que estiver diante de você.
O que vier em seguida será apenas uma extensão desse princípio, que chamei de princípio da confirmação:
Para saber se A está ligado a B, é necessário dois ou mais pontos de vista que mostrem essa ligação.
03/12/2010
O tradutor do sânscrito para o inglês não situa bem a época do autor do manuscrito. De fato, há duas prováveis origens: uma que o conhecimento dele é derivado da escola de Jaimini e a outra que Satyacharya é um monge budista versado em Astrologia. De qualquer forma, ele é citado inclusive pelo eminente Varahamihira (autor do Brihat Jataka, que mais cedo ou mais tarde aparecerá nessa série também).
É de Satyacharya um dos mais famosos e completos tratamentos das constelações indianas, os Nakshatras. Ele também cita que devemos começar os períodos planetários (Dasas) da Lua ou do Ascendente, aquele que estiver mais forte - um conselho que não se restringe ao autor e que é seguido por escolas respeitadas de Jyotisha, como o Sri Jagannath Center (SJC).
O tratamento dele sobre cada casa do mapa não é muito extenso e não varia muito em relação a outros autores famosos, como Vyankatesh Sharma, autor do Sarvartha Chintamani. De fato, esses autores tem em comum uma simplificação em relação a Parasara e Jaimini. Enquanto eles não citam outros tipos de períodos planetários, (somente o difundido Vimshottari Dasha) o tratamento que cada um dá às casas tende a ser mais simples do que em Parasara e Jaimini.
O interessante na Astrologia Indiana é que os autores mais renomados são os que apresentam em suas obras uma maior complexidade, visível no maior número de conceitos expostos se comparados a outros autores. Parasara e Jaimini, quase unanimidades, são complexos e desafiadores. Muitos ainda tem dúvidas sobre como aplicar alguns conceitos por eles expostos, como o Argala. Enquanto isso, se compararmos à Astrologia Clássica do Ocidente, o nosso Ptolomeu - considerado o patrono da Astrologia no Ocidente - expõe uma versão singela do quadro que se desenvolvia no mundo Helênico e o que se seguirá no mundo árabe medieval. Valens é muito mais complexo que Ptolomeu, entretanto foi pouco citado entre autores da era medieval até hoje. Na contemporaneidade, foi redescoberto nos anos 90 do século XX pelo Project Hindsight.
Justiça seja feita, Satyacharya é menos vasto que Parasara e não à toa ser menos citado, porém ele dá um tratamento mais aprofundado ao menor número de conceitos da sua obra. Isso é verdadeiro quanto ao capítulo das constelações e da interpretação do Vimshottari Dasha - a técnica preditiva mais difundida entre os indianos.
Quanto à interpretação das casas, Satyacharya é um autor ordinário. Na sua interpretação, não há nada de hermético no entendimento dos slokas (aforismos) sobre cada casa. PORÉM, ele dá as interpretações de cada regente de casa em cada casa - sim, leitor, as 144 combinações. Vou reproduzir uma aqui (página 58):
"Se o regente da casa 6 estiver no lagna (Ascendente), o nativo será valente, um comandante. Sua tia materna viverá em sua casa. O nativo terá muito poder. Ele será empregado no governo e terá muita autoridade. Ele pode ser encarregado de prisões. Os efeitos, porém, hão de diferir de acordo com a natureza do yoga (combinação) presente. Havendo yoga benéfico, bons resultos se seguirão. Se maléfico, ele será perturbado por doenças e será um ladrão."

A figura acima é o meu mapa natal. Note que o Regente da Casa 6 (Sol - "Su" na figura, no quadrado superior à extrema esquerda) está no Ascendente, aspectado por dois maléficos (Saturno e marte), o que é um yoga maléfico. O aspecto de marte ao sol não é tão ruim porque ele uma casa boa da figura (9, escorpião) e outra neutra, que adquire as tendências da outra casa do planeta que a rege (2, Áries); por outro lado, Saturno representa casas ruins (11 e 12).
O aspecto mútuo (oposição) do Sol a Marte pode ser considerado um yoga benéfico porque marte rege casas boas da figura e é amigo do Sol; o aspecto de Saturno, por outro lado, é péssimo para os significados do Sol e do Ascendente.
No dasa Sol-Saturno (Vimshottari Dasa tradicional, iniciado pela Lua), eu sofri um acidente no qual tive uma fratura de tíbia direita. Passei por uma operação para corrigir o problema e, no mês seguinte, comecei a apresentar febres altas: tinha me contaminado (provavelmente durante a cirurgia) por uma bactéria e desenvolvi osteomielite (infecção da medula óssea por bactérias). Tive de ser internado novamente, para me submeter a um tratamento de 28 dias de antibióticos, pois o osso é uma estrutura de difícil acesso pelos antibióticos e requer um tratamento mais demorado. Após a alta, em março de 2008, tive outra agudização da osteomielite no início de junho. Fui internado novamente, para mais 28 dias de antibioticoterapia.
Após todo esse tormento, a fratura ainda por cima não teve a consolidação adequada, ficando torta. No ano seguinte (2009) - já sobre um outro dasha (Sol Mercúrio), tive de fazer uma cirurgia corretora com a implantação de um fixador, com o qual fiquei por cerca de seis meses. Todo o processo ligado à fratura só veio a terminar dois anos depois, no dasa Sol Ketu, no qual eu também me casei.
Esse exemplo mostra que Satyacharya é simples, mas correto. O regente da Casa 6 no ascendente com yoga maléfico produziu coisas ruins ligadas ao significado da Casa 6, manifestadas no dasa Sol-Saturno - os dois planetas envolvidos na configuração.
Outra coisa notável é que o dasa da Lua funcionou melhor do que o dasa contado a partir do ascendente, do que se pode deduzir que a Lua é mais forte que o Ascendente por ser aspectada (oposição) por Júpiter e Mercúrio, sendo este último o significador da alma (Atma karaka). O Ascendente, por mais que possua mais planetas envolvidos (Sol, Marte, Saturno e ketu), todos eles são maléficos. Uma regra simplificada para saber qual planeta é mais forte consiste em escolher o planeta que receber mais aspectos de benéficos ou que estiver em aspecto ou associação com o Atmakaraka, pois este é significador da alma e indica eventos pelos quais obrigatoriamente teremos de passar para evoluirmos espiritualmente.
Satyacharya é uma literatura adequada para os iniciantes, antes de irem para as grandes referências da jyotisha mais complexas: Parasara e Jaimini.
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