28/08/2010
É interessante notar que alguns conceitos da Astrologia védica (ou jyotish, ou indiana) também dão as caras na Astrologia Medieval e Clássica do Ocidente, com o detalhe de que ninguém ou quase ninguém os usa há muito tempo.

Voltando a estudar astrologia védica, eu me deparei com algumas coisas interessantes e que preencheriam as lacunas deixadas por autores como Rhetorius quanto ao uso desses conceitos. Isso porque os indianos usam até hoje na sua astrologia conceitos que apenas eram citados nos livros de astrologia clássica do ocidente.

Dentre alguns conceitos indianos que notamos, eu diria que o mais incidente na Astrologia Clássica do Ocidente é a Dwadasamsa, que era chamada de Dodekatemoria.

Dodekatemoria é uma expressão grega que significaria "12" (dodeka) "porções" (moria). Trata-se uma divisão de cada signo em 12 ou 13 partes iguais. A verdade é que alguns astrólogos clássicos dividiam por 12, outros por 13 - o que me deixa um pouco perplexo, uma vez que a definição per se explicita 12 divisões! Ao mesmo tempo, Dwadasamsa significa "dividir por 12", gerando 12 frações - ou porções! Por isso, acho que na Dodekatemoria devemos dividir um Signo em 12 partes, e não 13...

Robert Hand estudou a Dodekatemoria antes do modismo da Astrologia Clássica e dizia que, apesar do número 12 estar implícito na etimologia do termo, a divisão de um signo em 12 partes é errada porque o número 13 tende a ter uma correlação com o movimento natural da Lua durante um dia inteiro, etc. Ele dá razões metafísicas para justificar a divisão por 13. Toda justificativa é bonita antes de ter evidência histórica... Eu acho as razões que Robert Hand dá super bonitas...

...Mas estou preocupado com as evidências históricas.

A astrologia como conhecemos não é evidenciada entre os caldeus e babilônicos, mas sim entre os helênicos e indianos, um eixo que surgiu com o império romano de Alexandre. Desde então, a briga sobre quem seria o pai da Astrologia que usa todos os elementos que conhecemos hoje é muito similar à briga sobre quem criou o avião: os Irmãos Wright ou Santos Dumont? Os helênicos ou os indianos criaram a Astrologia?!

Muitos indianos defendem a criação da Astrologia porque as técnicas deles simplesmente são as mais complexas do mundo.

Ora, seguindo a lógica um pouco torta deles, o povo que cria uma ciência tende a desenvolvê-la primeiro que qualquer outro, agregando complexidades ao que criou. Os outros povos podem desenvolver a mesma ciência, mas nunca superarão em complexidade e experiência o povo pioneiro.

Se isso for verdade, então o berço da Astrologia como conhecemos realmente fica na Índia e o Ocidente apenas deturpou isso usando o zodíaco tropical e analisando tudo apenas num único mapa natal, enquanto eles usam o zodíaco sideral e ao mesmo tempo mais de 16 mapas pessoais além do mapa natal para estudar a vida de um ser humano!

Não vou entrar nessa briga porque existem vários historiadores e astrólogos que tratam disso e o leitor pode lançar mão do Google para descobrí-los. Ao contrário do que os indianos afirmam, alguns historiadores da Ciência afirmam a Astrologia nasceu no Mediterrâneo, mas o contexto todo é bem mais complicado do que a resposta a essa pergunta:

Apesar de terem muitas técnicas e conceitos similares àqueles encontrados na nossa prática ocidental, os indianos praticam simultaneamente uma astrologia baseada na divisão do zodíaco em 27 constelações e isso não tem precedentes na astrologia helênica.

Somente na Astrologia árabe que essas constelações serão citadas e chamadas de "mansões lunares". Em verdade, o império criado por Alexandre, que se estendeu da Inglaterra à Índia, propiciou uma rede de intercâmbios comerciais e culturais, pelos quais a Astrologia em todos os locais desse império sofreram influências decisivas e nunca mais foram as mesmas. Podemos dizer que os gregos influenciaram os indianos e vice-versa.

Por outro lado, a questão da 'criação da astrologia' parece ser mais fácil de ser respondida quando especificada para um conceito ou técnica em particular. Parece que os gregos não aplicavam muito a Dodekatemoria. Ou esse conceito foi criado pelos indianos, ou surgiu simultaneamente nas duas culturas por intermédio de rotas comerciais, encontrando eco na cultura indiana. Assim sendo, quando falamos de Divisão de um Signo em 12 partes iguais, hoje creio sinceramente que os indianos são os pioneiros e mestres na prática dessa técnica.

Pelos indianos serem mais experientes no uso dessa técnica, defendo até então que a divisão tem de ser por 12 partes iguais do signo, gerando 2°30' para cada Signo e atribuindo a primeira divisão ao próprio Signo e as seguintes aos Signos seguintes, como os indianos fazem. Por exemplo: se um planeta estiver em 1°45' de Áries, então ele está na Dodekatemoria de Áries. Se ele estiver em 3° de Áries, estará na Dodekatemoria de Touro.

Depois de todo esse celeuma quanto ao cálculo correto, resta-nos saber pra que a Dodekatemoria serve.

Uma coisa que me chamou atenção em alguns autores clássicos é que a divisão do signo em 12 partes era usada em assuntos específicos, não em todos. Por exemplo, era comum ver a dodekatemoria citada em capítulos ligados ao pai e às condições neonatais do nativo. No capítulo sobre os pais, Rhetorius não cita essa técnica, mas a relata quando deseja conhecer as condições neonatais.

A partir da idade média, a técnica se dissemina em todos os assuntos, mas se mantém descrita com exemplos ainda nos capítulos dos pais de do status geral do nativo. Pode parecer coincidência ou não, mas os indianos usam até hoje a Dwadasamsa apenas para saber a condição dos pais do nativo, de um modo bem similar ao que se fazia na Astrologia Clássica. Qualquer outro assunto específico além da condição dos pais era descoberto por intermédio de outras divisões do zodíaco.

As divisões de um signo são estudadas em mapas a parte do natal - chamados de "mapas divisionais". no caso da Dodekatemoria, os indianos montam um mapa à parte do natal (chamado de Dwadasamsa ou D-12) com as posições Dwadasamsa de todos os planetas. Dentro desse mapa, estuda-se a condição do pai pela nona casa a partir do Sol (porque na astrologia védica é a Casa IX que representa o pai, e não a IV!) e a condição da mãe pela quarta casa a partir da lua da D-12. Qualquer outro assunto que não diga a respeito do pai ou da mãe não se recomenda analisar na Dwadasamsa, mas sim em outros mapas divisionais.

O que é interessante observar é que um signo pode ser dividido de várias formas, sendo que algumas delas são usadas apenas para assuntos específicos. Isso é uma prova de que o divisor impõe sobre o dividendo uma qualidade, um significado, mas a Astrologia Ocidental não teve tempo de perceber isso porque não estudou mais a fundo outras divisões além dos termos e decanatos. Na Índia, cada forma de divisão merece um mapa a parte, que é estudado em grau variado de profundidade pelas diversas correntes da jyotish.

As divisões consagradas na Índia e que se tornaram conhecidas no ocidente são a já comentada D-12 - Dwadasamsa, que é chamada de Dodekatemoria - e a D-9, chamada de Navamsa pelos indianos, de Noupachrates por Abu Ma'shar e de Novenaria por Bonatti. Na Índia, se usa a D-12 para saber as condições dos pais, enquanto a D-9 simplesmente é o segundo mapa mais importante depois do mapa natal. Ele é tão importante que não é usado somente para um assunto em particular, mas reflete como o indivíduo realiza seu dharma em todas as áreas da vida.

Quanto a um dos poucos usos da D-12 na Astrologia Ocidental, Abu Ma'Shar usa a dodekatemoria como uma influência indireta nos trânsitos e revoluções. Por exemplo, se um planeta transitar pelo Signo de Câncer, ele influenciará aquilo que está no signo e ao mesmo tempo nas dodekatemorias de Câncer.

Por exemplo: Eu tenho o Sol em 6 de Áries. A dodekatemoria desse sol de acordo com os indianos fica no signo de Gêmeos (0 - 2°29' - Áries; 2°30'-5°00' - Touro; 5°00'-7°30' - Gêmeos). Assim sendo, qualquer planeta que transitar em Gêmeos influenciará o Sol e os assuntos que ele rege por casa e por partes árabes. Esse modo de usar a Dodekatemoria é usado por alguns astrólogos védicos até hoje na Índia, rastreando a influência dos trânsitos sobre todos os mapas divisionais.

A questão que fica para pensarmos é: qual é o limite para a aplicação dessas técnicas, retirando-as de um contexto e as introduzindo noutro? Quais são os impedimentos que limitariam o intercâmbio entre Astrologia Jyotish e Ocidental?
15/08/2010
Já vi muita gente mudando do zodíaco tropical para o sideral, mas humildemente confesso que não acreditava que o contrário existisse. Até que eu vi esse site, com o artigo de uma astróloga jyotish norte-americana na qual ela alega que usa o zodíaco tropical na astrologia jyotish. Tem louco pra tudo, porque uma pessoa dessas enfrenta séculos de tradição astrológica indiana, amplamente usuária do zodíaco sideral.

Vamos explicar melhor esses termos. A Astrologia Jyotish é aquela aplicada largamente na índia e que possui várias vertentes. A maioria (senão todas) as vertentes dela usam o zodíaco sideral, que considera o início do zodíaco baseado na posição de uma estrela. Essa estrela pode variar de autor para autor, alguns usando zeta piscium, outros beta arietis, etc.

Já o zodíaco tropical tem seu início fixo, baseado no momento em que o Sol chega ao equinócio de áries, que é a interseção do equador celeste (a projeção do equador terrestre) com a eclíptica (o caminho que o Sol percorre ao longo do ano, que constitui nos 12 signos).

Se a relação da terra com o universo fosse estática, esses dois zodíacos começariam sempre no mesmo local e todo esse debate não teria tanta polêmica assim. O problema é que o zodíaco sideral tem sua posição mudada pelo movimento de precessão dos equinócios, um giro lento que a terra faz em torno do seu próprio eixo (não é o mesmo e não deve ser confundido com o movimento de rotação que gera os dias e as noites) . Esse movimento leva quase 24 mil anos para que o mesmo ponto passe novamente por outro local, e ele muda a posição do início do Zodíaco (0° Áries) em relação às estrelas.


O que essa polêmica toda gera?

A implicação mais clara disso é que hoje temos algumas contradições celestiais evidentes e que não existiam na época em que a maioria dos clássicos mais influentes de Astrologia foram escritos. Sem nenhuma literatura anterior para nos basearmos, temos de lidar com a solidão das novas idéias.

Nos primeiros séculos da era cristã, o zodíaco sideral ainda era razoavelmente bem alinhado com o tropical. As constelações que deram origem aos signos ainda se encontravam alinhadas com eles. Assim, a constelação de áries ficava alinhada com o Signo de áries, etc. Entretanto, as coincidências do alinhamento não iam além, nem nunca foram: o tamanho da constelação poderia até ser maior ou menor que trinta graus, porém todos os signos obrigatoriamente tinham (e até hoje têm) trinta graus de extensão.

Em verdade, há uma probabilidade de que os signos foram denominados com base nos nomes e nas qualidades das figuras representadas pelas estações vizinhas a eles, mas signo é diferente de constelação. E ambos os zodíacos - sideral e tropical - lidam com signos, e não com constelações. A grande diferença é que o zodíaco sideral lida com um referência fixo dos signos em relação às estrelas, enquanto o zodíaco tropical lida com um referencial fixo dos signos em relação ao planeta terra.

Talvez seja melhor mostrar com exemplos as diferenças das quais estou falando. Vamos mostrar o meu mapa natal nos dois zodíacos diferentes e do ponto de vista das constelações. Abaixo, o meu mapa natal com base no zodíaco tropical:



Em seguida, o mesmo mapa, mas desenhado sob a perspectiva do zodíaco sideral:



Note que o tamanho dos signos em ambos os mapas é idêntico. A diferença é o início de cada um, isto é, onde cada zodíaco começa. Isso obviamente altera a posição de um zodíaco em relação ao outro. A diferença matemática entre o início dos dois zodíacos é chamada de Ayanamsa. Essa diferença é melhor vista nesse desenho de mapa do Solar Fire:

Para achar as posições dos seus planetas no zodíaco sideral, é fácil. Basta pegar a longitude zodiacal do planeta no zodíaco tropical e subtrair dela o Ayanamsa. O ayanamsa hoje mede aproximadamente 24 graus, e isso tende a aumentar 1° a cada 72 anos. Demorará aproximadamente 24 mil anos para 0° Áries do zodíaco sideral novamente se alinhar com 0° Áries do zodíaco tropical.

Podemos até fazer o cálculo reverso, para termos uma idéia mais precisa do número do Ayanamsa quando nasci. Vamos pegar a diferença entre as posições do Ascendente nos dois zodíacos:

Ascendente tropical : 19° 31'
Ascendente sideral: 355°55' (ou 25°55' Peixes)
Diferença (ayanamsa): 23°36'



Tudo isso é importante na hora de interpretar o mapa!

Essas questões técnicas são interessantes porque produzem diferenças significativas na prática. Se usarmos a mesma análise em ambos os zodíacos, teremos previsões diferentes. Meu Ascendente Tropical está em Áries, meu sideral em Peixes. Possuem dois regentes de natureza e condição completamente diferentes. Áries é regido por marte, Peixes Júpiter. Infelizmente, essa comparação não é possível tradicionalmente porque a Astrologia Jyotish possui diferenças significativas no modo como interpreta o mapa, se comparado à Astrologia Ocidental. Se você quiser comparar, terá de usar a mesma técnicas para os dois zodíacos e isso nunca foi documentado antes.

Quem já passou pelas duas astrologias (a jyotish e a ocidental), fica perplexo porque os dois zodíacos funcionam usando técnicas e interpretações diferentes. Você não pode usar um mapa sideral para extrair dele descrições de comportamento iguais àquelas que encontramos nos livros de Astrologia Psicológica da Liz Greene, mas ele é o mais adequado com técnicas indianas. Talvez devamos aceitar que a coexistência dos dois zodíacos é possível, mas com funcionamentos diferentes.

Um dado, porém, mostra que o zodíaco tropical, porém, é mais adequado para representar os eventos naturais cíclicos que acontecem na Terra: ele se alinha com as estações do ano. Quando o Sol chega a 0° Áries no zodíaco tropical, a primavera começa, e isso nunca mudará. Desse simples referencial, todos os signos se alinham com as mudanças que ocorrem nas estações. Os significados dos signos no zodíaco tropical se ajustam ao ciclo de quatro estações definidas que ocorre no hemisfério norte. Por outro lado, como o zodíaco sideral depende das posições das estrelas e essas posições mudam a depender da mudança de posição da Terra, esse tipo de correspondência não é encontrada no zodíaco sideral: atualmente, o Sol chega a 0° Áries sideral quase nos meados da primavera do hemisfério norte.


Como resolver esse problema (pelo menos, resolver dentro da sua cabeça)?

A maneira de resolver esse problema é a mesma que as pessoas fazem quando tem de escolher entre uma ou outra escola filosófica, teoria científica ou time de futebol. Podemos escolher um caminho sem uma razão plausível para seguí-lo, apenas por intuição ou "simpatia". As pessoas mais racionais, porém, escolherão um dos dois caminhos a depender do número de evidências que suportem que um caminho é melhor que outro. Essas evidências, porém são também subjetivas, principalmente em se tratando de Astrologia.

Recentemente, eu analisei o mapa de uma pessoa e me detive a estudar as configurações que representariam o pai dela. Eu havia concluído pelos dois sistemas - indiano e medieval ocidental - que o pai daquela pessoa correu risco de vida em algum momento. Esse prognóstico, porém, foi mais evidente na Astrologia indiana, porque havia mais sinais clássicos de que os planetas e casas que representam o pai estavam completamente aniquilados e impedidindo a existência de uma figura paterna. De fato, o garoto perdeu seu pai com três anos de idade, antes de morrer ele nunca tinha sido muito presente. Depois disso, seu padrasto em seguida também morreu.

Analisei em seguida o mapa de uma pessoa que nunca se casou e me interrogava se um dia isso aconteceria. Pelo mapa indiano, as coisas ficam claríssimas, porque a dignidade de queda do regente da casa 7 e mais outros sinais indicam a completa aniquilação desse tema. Acontece que a Astrologia clássica ocidental também possui sinais muito claros, com o regente da Casa 7 na casa 12, sitiado entre maléficos e em combustão pelo Sol! Em verdade, a melhor maneira de você se decidir entre uma e outra geralmente é precedida da escolha entre uma e outra.


12/08/2010
Essa pergunta ninguém fez a mim. Foi uma auto indagação irresistível num momento em que me vi voltando a estudar o que talvez seja a astrologia mais complexa do mundo.

Ocasionalmente, nossos movimentos ao longo da vida são impulsionados por razões desconhecidas, mas são coisas assim que moldam nosso destino. São chamados irresistíveis. Apesar de não saber o que o motiva, ele me foi útil desta vez. Através desse impulso, eu consegui desconstruir uma visão que tinha da Astrologia indiana: que ela era uma bagunça.

Eu sabia que há várias vertentes astrológicas na índia; isso para mim era um sinônimo de bagunça porque eu estou acostumado com a astrologia medieval, que tem poucas variações entre os autores. Todavia, se o estudante deseja aprender astrologia jyotisha com base nos textos clássicos, a variabilidade (que eu chamava de bagunça) tende a desaparecer.

De fato, há variabilidade na transmissão oral da astrologia entre as famílias indianas, mas nem tanto assim nos registros escritos. Existem três ou quatro grandes e influentes textos que todo o estudante conhece. Os outros tendem a repetí-los, seja literalmente, seja com pequenas variações. São os textos abaixo (se você clicar neles, será direcionado a um site para download):
Esses são chamados "Brihattrayi" (do sânscrito os três grandes). São assim chamados porque representam os três textos mais influentes da jyotisha.

A importância que o registro escrito tem nas duas astrologias - bem como a maneira como ele se deu - é diferente. Na ocidental, há uma grande sucessão de autores ao longos dos séculos, com um sucessor a seguir quase ao pé da letra o que os anteriores disseram. Alguns deles poderiam hoje ser acusados de plágio por isso.

Na jyotisha, há os clássicos e alguns autores que dão sua visão sobre eles: não existe uma trilha de autores que podemos seguir até um autor influente. A trilha é muito pequena e começa nos três grandões acima. De qualquer forma, quem se lança a observá-la percebe que a tradição escrita jyotisha é consistente e pouco diversificada. Em outras palavras, não é nada bagunçada!

No momento, estou estudando o Phaladeepika, que disponibilizei no post anterior. Ele não é um grandão, mas também é muito influente e tem princípios de interpretação valiosos. Pra quem deseja estudar, é recomendável começar por esse livro.


Dificuldade nos termos em sânscrito.

Acredito que a principal dificuldade para os brasileiros serão os termos astrológicos em Sânscrito. Alguns textos não traduzem nem mesmo os signos e os planetas, antes eles fazem uma transliteração do Sânscrito para o inglês. Por exemplo, a Lua é chamada de Chandra, como se pronuncia no Sânscrito. O faladipika é assim pronunciado e foi para o inglês chamado de Phaladeepika. O livro cujo título traduzido é "O conhecimento dos gregos" foi transliterado como Yavanajataka.

Não há um único caminho para se resolver esse problema. O que recomendo é pesquisar na internet porque são inúmeros os fóruns e páginas de jyotisha na internet. Vá na página inicial da sessão sobre Jyotish da Wikipedia que já tem coisa à beça. Se ainda assim você tiver dúvida sobre um termo, proceda da mesma forma que em qualquer assunto ordinário:

Joga no Google!

Repita esse mantra ad nauseum...

Enquanto não tenho coragem de ir à Índia como alguns colegas meus o fizeram, eu retomo meus estudos de Astrologia Jyotisha (em sânscrito, ciência da luz), coisa pela qual tenho interesse flutuante há mais ou menos cinco anos. Dessa vez, decidi apostar mais fundo e adquiri os clássicos da Astrologia Védica... de graça.

Ao contrário do que muitos talvez pensem, estudar jyotisha é muito mais acessível do que astrologia medieval. Obviamente, a principal e melhor fonte de informação são os livros, estes muito, mas muito mais acessíveis com o advento da internet. Gloriosos sejam os ebooks!

A razão para entender essa diferença de acesso se justifica principalmente porque a maioria dos tradutores de astrologia medieval estão vivinhos da silva e precisam comer e se vestir. Como as traduções do grego e do latim são muito trabalhosas, nada mais justo do que cobrar por elas, não? É justíssimo, face ao grande favor que eles fizeram para nós, iletrados do Quadrivium, de tornar acessível esses textos numa língua moderna. Mesmo com toda essa justificativa, nós sabemos que a internet é quase anárquica em se tratando de bens culturais e esses livros poderiam facilmente ser digitalizados e pirateados, mas há uma cultura entre os donos de livros de astrologia clássica de não fazer isso, salvo em exceções nas quais o livro está fora de circulação a despeito de todos os convites de editoras. É o que acontece com os sacanas do Project Hindsight, que traduzem coisas maravilhosas e deixaram de produzí-las por razões um pouco herméticas para mim.

Saindo um pouco do mundo dos endinheirados da Astrologia medieval e helênica, as traduções dos livros indianos para o inglês são em sua maioria do final do século dezenove e início do vinte, passando dos oitenta anos de direitos autorais do tradutor. Eu mesmo consegui um ebook digitalizado de uma tradução para o inglês do Brihat Jataka de Varahamihira que data de 1895!

Para baixar os livros, existem alguns sites mais óbvios encontrados no google, e outros mais escondidos. No momento, estou baixando vários livros no perfil do Scribd de um indiano. Ele tem muitos livros de Jyotisha que não são muito óbvios de se achar, muitos já fora de circulação, então seria interessante se inscrever no Scribd para obtê-los.

Vocês sabem que sou uma pessoa generosa quando eu posso ser (eu não vou dar coisas que sejam de outra pessoa sem a permissão dela), então vou disponibilizar aos poucos as coisas que tenho estudado. A primeira delas é de autoria de um autor chamado Mantreswara: o Phaladeepika.





02/08/2010
Pensando nas pessoas que desejam aprender e discutir Astrologia Medieval mas não encontram lugar nem literatura disponível, resolvi criar um grupo de discussão no Google em português sobre o tema.

Quem já tem uma certa experiência com internet possui um compreensível ceticismo quanto a grupos de discussão. Eles começam com alguma empolgação manifestada em participações freqüentes e depois viram mais um "vazio demográfico" na internet. Há ainda os grupos que se desfazem por causa de verdadeiras fogueiras de vaidade...

Não quero afirmar que esse grupo será diferente. Ele pode ser suscetível a todas as intempéries citadas, mas a finalidade a qual ele se destina tende a colocá-lo sob uma postura diferente, que pode também alterar a postura das pessoas que participam do grupo.

Nesse grupo, será permitida a criação de tópicos de discussão, embora essa não seja a atividade principal - o que o diferencia dos outros grupos. Na verdade, ele é uma extensão e complementação do que faço aqui no blog. Por isso, podemos dizer que se trata de um "grupo autoral".
Ele funciona da seguinte forma: eu crio (e criarei) páginas dentro do site cujo conteúdo é a minha visão sobre Astrologia Medieval e Clássica, como frequentemente mostro aqui no blogue, porém explicando princípios básicos para quem deseja aprender. Para ter acesso a essas "aulas", o usuário deve se increver no grupo e visitar seu site. Caso queira discutir sobre o que foi apresentado, tirar dúvidas ou dar sua opinião, pode criar um grupo de discussão relacionado à página - mas perceba que isso é algo secundário, não sendo fundamental para a continuidade do grupo.
Caso você deseje se inscrever no grupo, visite seu site no lik abaixo. Não é necessário convite nem pedido de permissão.

http://groups.google.com.br/group/astrologia-medieval

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