27/04/2010
Estudar Astrologia Clássica é demarcar uma posição um tanto delicada entre Astrólogos abarrotados de concepções pós-modernas.
Prever o futuro implica, de uma certa forma, dizer que ele já está escrito. Também implica um variável grau de invariabilidade do porvir. Ou seja, por mais que eu me esforce, não posso mudar o futuro. Essa conclusão nos tira da responsável posição de agentes sobre as nossas vidas para uma posição desconfortável de apenas observador.
Com o conhecimento prévio do futuro, cria-se uma cisão. De agente, passamos a ser observador das nossas vidas. Cindidos nesse paradoxo, tentamos nos dissociar: enquanto observadores das nossas vidas, damo-nos o direito de discordar do rumo que nós, enquanto agentes, criamos para ela. Essa discordância, porém, só passou a existir na vigência do oráculo!
Paira entre muitos astrólogos a fobia às histéricas, mas a histeria só é um problema para o astrólogo que desacredita no destino e crê que poderá influenciar o rumo da vida de sua cliente influenciável.
As coisas futuras dependem da sua ação e da invariabilidade do seu caráter. Algumas pessoas são previsíveis porque sempre tomam um mesmo tipo de decisão no mesmo tipo de contexto. Seria um absurdo prever da mesma forma com a Astrologia?! O caráter é previsível a esse ponto? Tudo é assim facil e rigorosamente previsível? Decerto que não. Pela mesma razão, a Astrologia é falha, não mais que a ciência moderna, que ainda cria o absurdo da margem de erro, que tenta tornar o imprevisível previsível!
A astrologia tem sua margem de erro? Sim. Ela pode ser encontrada na consciência que o Astrólogo tem acerca da vida do consulente. Quanto menos ele sabe do consulente, maiores as chances dele errar a interpretação do símbolo Astrológico.
Que possamos confiar no potencial da Astrologia Preditiva de uma forma madura, admitindo que ela não é infalível da mesma forma que outras "ciências" também não são.
Prever o futuro implica, de uma certa forma, dizer que ele já está escrito. Também implica um variável grau de invariabilidade do porvir. Ou seja, por mais que eu me esforce, não posso mudar o futuro. Essa conclusão nos tira da responsável posição de agentes sobre as nossas vidas para uma posição desconfortável de apenas observador.
Com o conhecimento prévio do futuro, cria-se uma cisão. De agente, passamos a ser observador das nossas vidas. Cindidos nesse paradoxo, tentamos nos dissociar: enquanto observadores das nossas vidas, damo-nos o direito de discordar do rumo que nós, enquanto agentes, criamos para ela. Essa discordância, porém, só passou a existir na vigência do oráculo!
Paira entre muitos astrólogos a fobia às histéricas, mas a histeria só é um problema para o astrólogo que desacredita no destino e crê que poderá influenciar o rumo da vida de sua cliente influenciável.
As coisas futuras dependem da sua ação e da invariabilidade do seu caráter. Algumas pessoas são previsíveis porque sempre tomam um mesmo tipo de decisão no mesmo tipo de contexto. Seria um absurdo prever da mesma forma com a Astrologia?! O caráter é previsível a esse ponto? Tudo é assim facil e rigorosamente previsível? Decerto que não. Pela mesma razão, a Astrologia é falha, não mais que a ciência moderna, que ainda cria o absurdo da margem de erro, que tenta tornar o imprevisível previsível!
A astrologia tem sua margem de erro? Sim. Ela pode ser encontrada na consciência que o Astrólogo tem acerca da vida do consulente. Quanto menos ele sabe do consulente, maiores as chances dele errar a interpretação do símbolo Astrológico.
Que possamos confiar no potencial da Astrologia Preditiva de uma forma madura, admitindo que ela não é infalível da mesma forma que outras "ciências" também não são.
Algumas pessoas parecem se cansar da Astrologia porque não vêem muita utilidade numa coisa que descreve o que já se conhece, a saber, a vida. Curiosa e irritante essa observação para mim que sou talvez o sustentador do que seria para tal tipo de pessoa uma inutilidade.
Se não devemos aprender algo que descreva de outro modo o que já sabemos, porque então aprender uma língua estrangeira? Muitas pessoas desejam aprender inglês com o propósito de ter um bom currículo, mas isso é um propósito vazio frente ao nosso paternalista mercado de trabalho, cujos patrões contratam sempre conhecidos, mesmo sendo medíocres.
90% das pessoas que conheço não usam o inglês que aprenderam no seu trabalho, mas sim para propósitos de entretenimento, como por exemplo assistir filmes, ler livros em inglês e participar de foruns internacionais na internet. Os médicos que conheço sequer lêem artigos científicos em inglês...
Eu também, aprendo astrologia pra me divertir. É uma linguagem até poética, a dos planetas representarem a vida. E não tem utilidade quase nenhuma além do nosso prazer de se estudar uma linguagem, da mesma forma que o inglês que as pessoas insistem em aprender para nada além de se divertirem.
Disse "utilidade quase nenhuma" porque acredito na capacidade preditiva da Astrologia e que ela pode aliviar a ansiedade do consulente ao prepará-lo para os eventos, desde que feita com sabedoria. No fim das contas, eu prefiro consultar um mapa do que tomar um Rivotril, pois se trata de algo muito mais elaborado e causa menos efeitos colaterais; todavia, não devemos equiparar a Astrologia a um benzodiazepínico, porque isso implica considerar que a astrologia pode viciar como o Rivotril.
Críticas filosóficas (de babacas que sequer sabem o que dizem) sobre a prática Astrológica
Na idade média, as viagens eram perigosas. Com saqueadores a espreita, podia-se terminar morto na beira da estrada, sem direito a um enterro cristão. A Internet possui outros tipos de perigo, com pessoas inescrupulosas a espreita com suas metralhadoras intelectualóides a espera de vítimas.
Cuidado com esses seres! São pseudofilósofos, pseudopsicanalistas, pseudosociólogos que comungam numa sociedade secreta de presunçosos. Conheço pessoas capazes de formular verdadeiros disputatios conta a Astrologia somente lendo um ou dois livros de psicanálise e/ou filosofia. Vivemos numa inversão de valores sem precendentes com a internet, onde o leigo ganha voz numa amplitude superior ao douto. O que seria um questionamento de um leigo ganha valor de estatuto.
Eu não tenho conhecimento de psicanálise além de ser um simples paciente do divã de uma experiente lacaniana (à merda quem criticar Lacan na minha frente). Portanto minhas linhas são até ingênuas frente ao que muitos sabem de psicanálise. Não reparem na escolha das palavras, elas podem ser inapropriadas.
Nas próximas ocasiões, mais sobre os algozes da Astrologia Preditiva.
Se não devemos aprender algo que descreva de outro modo o que já sabemos, porque então aprender uma língua estrangeira? Muitas pessoas desejam aprender inglês com o propósito de ter um bom currículo, mas isso é um propósito vazio frente ao nosso paternalista mercado de trabalho, cujos patrões contratam sempre conhecidos, mesmo sendo medíocres.
90% das pessoas que conheço não usam o inglês que aprenderam no seu trabalho, mas sim para propósitos de entretenimento, como por exemplo assistir filmes, ler livros em inglês e participar de foruns internacionais na internet. Os médicos que conheço sequer lêem artigos científicos em inglês...
Eu também, aprendo astrologia pra me divertir. É uma linguagem até poética, a dos planetas representarem a vida. E não tem utilidade quase nenhuma além do nosso prazer de se estudar uma linguagem, da mesma forma que o inglês que as pessoas insistem em aprender para nada além de se divertirem.
Disse "utilidade quase nenhuma" porque acredito na capacidade preditiva da Astrologia e que ela pode aliviar a ansiedade do consulente ao prepará-lo para os eventos, desde que feita com sabedoria. No fim das contas, eu prefiro consultar um mapa do que tomar um Rivotril, pois se trata de algo muito mais elaborado e causa menos efeitos colaterais; todavia, não devemos equiparar a Astrologia a um benzodiazepínico, porque isso implica considerar que a astrologia pode viciar como o Rivotril.
Críticas filosóficas (de babacas que sequer sabem o que dizem) sobre a prática Astrológica
Na idade média, as viagens eram perigosas. Com saqueadores a espreita, podia-se terminar morto na beira da estrada, sem direito a um enterro cristão. A Internet possui outros tipos de perigo, com pessoas inescrupulosas a espreita com suas metralhadoras intelectualóides a espera de vítimas.
Cuidado com esses seres! São pseudofilósofos, pseudopsicanalistas, pseudosociólogos que comungam numa sociedade secreta de presunçosos. Conheço pessoas capazes de formular verdadeiros disputatios conta a Astrologia somente lendo um ou dois livros de psicanálise e/ou filosofia. Vivemos numa inversão de valores sem precendentes com a internet, onde o leigo ganha voz numa amplitude superior ao douto. O que seria um questionamento de um leigo ganha valor de estatuto.
Eu não tenho conhecimento de psicanálise além de ser um simples paciente do divã de uma experiente lacaniana (à merda quem criticar Lacan na minha frente). Portanto minhas linhas são até ingênuas frente ao que muitos sabem de psicanálise. Não reparem na escolha das palavras, elas podem ser inapropriadas.
Nas próximas ocasiões, mais sobre os algozes da Astrologia Preditiva.
25/04/2010
Nos livros de astrologia clássica, as possessões demoníacas, bem como os adivinhos, videntes e magos eram localizados no capítulo sobre a Casa VI, chamada de mala fortuna. A primeira impressão que se tem dessa categorização é a de que tais práticas e faculdades eram reputadas como doença. Poderíamos crer que tais coisas eram atípicas e, pela mesma razão, se atribuíam à Casa VI. O fato é que as configurações astrológicas reputadas como simbolizadoras de doença mental e possessões não eram restritas à Casa VI, mas envolviam os ângulos em configurações nefastas entre os planetas.
Assim diz o Livro de Aristóteles:
Vamos comentar a passagem. Temos uma mesma configuração para representar duas coisas bem distintas aos nossos olhares contemporâneos. Quem já viu uma possessão demoníaca (ou pelo menos quem acredita que elas existam) sabe que é bem diferente de um idiota, nome hoje considerado pejorativo para quem possui retardo mental severo. Entretanto, a mesma configuração aqui representa os dois eventos. O que isso poderia indicar?
Antes de entrarmos numa profunda reflexão e crermos que a possessão demoníaca nada mais é do que um enfraquecimento da mente como o retardo mental, talvez a razão para uma diferença tão grande resida simplesmente no vocabulário. Entre nós e o tradutor medieval desse texto (o ilustre Hugo de Santalla) há quase 900 anos de diferenças históricas, sociais e médicas. Não se usam os mesmos termos hoje para as mesmas condições, sendo que essas mudanças de nomenclatura refletem mudanças científicas e históricas sobre as concepções de saúde e doença. Em outras palavras: talvez o autor esteja se referindo a duas condições, mas que para nós se resumam na mesma coisa: um severo retardo mental.
Uma das características da "possessão demoníaca" era a grande agressividade do possuído (é só se lembrar do filme "o Exorcista"). Pois uma das características do retardo mental severo são as explosões de raiva e a exacerbação da libido. Certamente um medievo poderia considerar tais eventos uma possessão demoníaca recaindo sobre o seu pobre filho idiota!
Entretanto, só podemos concluir que o termo "possessão demoníaca" se refere a retardo mental severo pelo contexto proporcionado na citação acima, uma vez que tal expressão é cunhada em diversas ocasiões para se referir a fenômenos diversos.
Com tudo isso em mente, podemos concluir que é necessária alguma bagagem para se ler os textos clássicos. Começar por eles pode ser enganador, mas é um mal necessário para quem deseja se embrenhar pela Arte. Uma conseqüência disso pode ser frequentes desentendimentos. Por um erro de interpretação, o leitor desavisado pode concluir que possessão demoníaca era a mesma coisa que mediunidade e desejar encontrar no mapa do Chico Xavier uma oposição Lua+Saturno-Mercúrio... Decerto ele não encontrará, e sem saber comparará Chico Xavier a um retardado mental.
Futuramente, penso em escrever um artigo sobre a concepção dos astrólogos clássicos acerca do contato com os espíritos, o que para alguns é hoje chamado de mediunidade. Talvez como você já suspeitava, isso não é coisa recente na história da humanidade... Será que a Astrologia Clássica dá seu ponto de vista sobre isso? Sim!
Assim diz o Livro de Aristóteles:
Saturno ao leste com a Lua, e Mercúrio em oposição (a ambos), com os benevolentes (vênus e Júpiter) completamente privados de um olhar (sobre o eixo Lua-Saturno-Mercúrio) geram os possuídos por espíritos ou idiotas.Se você não entendeu o linguajar acima, não se preocupe: o autor simplesmente se refere a Lua e Saturno no Ascendente, em oposição a Mercúrio no Descendente, sem nenhum aspecto de Vênus e Júpiter.
Vamos comentar a passagem. Temos uma mesma configuração para representar duas coisas bem distintas aos nossos olhares contemporâneos. Quem já viu uma possessão demoníaca (ou pelo menos quem acredita que elas existam) sabe que é bem diferente de um idiota, nome hoje considerado pejorativo para quem possui retardo mental severo. Entretanto, a mesma configuração aqui representa os dois eventos. O que isso poderia indicar?
Antes de entrarmos numa profunda reflexão e crermos que a possessão demoníaca nada mais é do que um enfraquecimento da mente como o retardo mental, talvez a razão para uma diferença tão grande resida simplesmente no vocabulário. Entre nós e o tradutor medieval desse texto (o ilustre Hugo de Santalla) há quase 900 anos de diferenças históricas, sociais e médicas. Não se usam os mesmos termos hoje para as mesmas condições, sendo que essas mudanças de nomenclatura refletem mudanças científicas e históricas sobre as concepções de saúde e doença. Em outras palavras: talvez o autor esteja se referindo a duas condições, mas que para nós se resumam na mesma coisa: um severo retardo mental.
Uma das características da "possessão demoníaca" era a grande agressividade do possuído (é só se lembrar do filme "o Exorcista"). Pois uma das características do retardo mental severo são as explosões de raiva e a exacerbação da libido. Certamente um medievo poderia considerar tais eventos uma possessão demoníaca recaindo sobre o seu pobre filho idiota!
Entretanto, só podemos concluir que o termo "possessão demoníaca" se refere a retardo mental severo pelo contexto proporcionado na citação acima, uma vez que tal expressão é cunhada em diversas ocasiões para se referir a fenômenos diversos.
Com tudo isso em mente, podemos concluir que é necessária alguma bagagem para se ler os textos clássicos. Começar por eles pode ser enganador, mas é um mal necessário para quem deseja se embrenhar pela Arte. Uma conseqüência disso pode ser frequentes desentendimentos. Por um erro de interpretação, o leitor desavisado pode concluir que possessão demoníaca era a mesma coisa que mediunidade e desejar encontrar no mapa do Chico Xavier uma oposição Lua+Saturno-Mercúrio... Decerto ele não encontrará, e sem saber comparará Chico Xavier a um retardado mental.
Futuramente, penso em escrever um artigo sobre a concepção dos astrólogos clássicos acerca do contato com os espíritos, o que para alguns é hoje chamado de mediunidade. Talvez como você já suspeitava, isso não é coisa recente na história da humanidade... Será que a Astrologia Clássica dá seu ponto de vista sobre isso? Sim!
19/04/2010
Esse ano, se Deus me permitir, estarei no CNA mais uma vez dando uma palestra. Como o tema do congresso será o livre arbítrio na Astrologia (ou qualquer expressão equivalente que minha memória impede de recordar literalmente), antes de pensar em dar uma chatíssima palestra de 45 minutos contendo questões filosóficas sobre as quais não passa perto de mim algum domínio (minhas citações sobre filosofia são reproduções das citações de quem leu o primo da sogra do tio do comentarista de Aristóteles), eu penso em simplesmente dar uma aula de Astrologia Horária para a platéia. Entenda por "dar uma aula de astrologia horária" como a simplificação presunçosa de "compartilhar o que sei sobre o tema", uma vez que ele - como tudo na Astrologia - é difícil em alguns pontos cabais e que os manuscritos não são muito claros em elucidar.
Por que dar uma "aula" de horária num congresso sobre livre arbítrio? Meu ponto de vista é o de que o grande mal que paira sobre os Astrólogos do Ocidente formadores de opinião dos estudantes de Astrologia, é a excessiva discussão filosófica (por parte de quem não tem muito domínio disso) acerca de um tema que seria "resolvido" na cabeça do estudante de Astrologia de um modo muito mais lacônico, a saber, contemplando o que acontece no dia-a-dia de um Astrólogo. Quando o estudante perceber as previsões de um Astrólogo Clássico, ele terá subsídios para construir por si só uma resposta à carcomida questão "destino versus livre arbítrio".
Nem mesmo toda a divulgação que ocorreu nesses quase vinte anos de ressurgimento da Astrologia Clássica no ocidente foi capaz de torná-la acessível ao estudante brasileiro. Comparado ao que se vê no exterior, em blogues, sites, seminários e escolas de Astrologia Clássica, esse blogue apenas mostra um mícron. É por isso que não se deve criticar o que se desconhece. E pela mesma razão, não se sabe o que é livre arbítrio até que se conheça o destino. Portanto, toda uma discussão pode cair por terra devido ao desconhecimento dos temas debatidos.
Não podemos ignorar que as previsões implicam o uso da subjetividade do Astrólogo ao invés da do consulente. Quando o Astrólogo "cria" uma previsão, o consulente deixa de criar sobre sua própria vida e se porta como um objeto, um receptáculo da criatividade do Astrólogo. Isso é fato para a maioria dos casos de consulentes histéricos, oráculo-dependentes: esse tipo de cliente é altamente sugestionável e se utiliza do Astrólogo como um guia espiritual que dá sentido a sua vida dizendo o que deve fazer ao dobrar a esquina. Já me deparei com vários clientes assim e acho que não seria bom mostrar nessa pequena aula exemplos de horárias que dependam apenas da força de vontade da pessoa que pergunta, uma vez que isso dá mais margens a suspeitas sobre o suposto funcionamento histérico do consulente. Antes, seria excelente mostrar exemplos de casos que envolvam mais de uma pessoa - ou mesmo casos nos quais a vontade do consulente não seria decisiva no desfecho.
Por que dar uma "aula" de horária num congresso sobre livre arbítrio? Meu ponto de vista é o de que o grande mal que paira sobre os Astrólogos do Ocidente formadores de opinião dos estudantes de Astrologia, é a excessiva discussão filosófica (por parte de quem não tem muito domínio disso) acerca de um tema que seria "resolvido" na cabeça do estudante de Astrologia de um modo muito mais lacônico, a saber, contemplando o que acontece no dia-a-dia de um Astrólogo. Quando o estudante perceber as previsões de um Astrólogo Clássico, ele terá subsídios para construir por si só uma resposta à carcomida questão "destino versus livre arbítrio".
Nem mesmo toda a divulgação que ocorreu nesses quase vinte anos de ressurgimento da Astrologia Clássica no ocidente foi capaz de torná-la acessível ao estudante brasileiro. Comparado ao que se vê no exterior, em blogues, sites, seminários e escolas de Astrologia Clássica, esse blogue apenas mostra um mícron. É por isso que não se deve criticar o que se desconhece. E pela mesma razão, não se sabe o que é livre arbítrio até que se conheça o destino. Portanto, toda uma discussão pode cair por terra devido ao desconhecimento dos temas debatidos.
Não podemos ignorar que as previsões implicam o uso da subjetividade do Astrólogo ao invés da do consulente. Quando o Astrólogo "cria" uma previsão, o consulente deixa de criar sobre sua própria vida e se porta como um objeto, um receptáculo da criatividade do Astrólogo. Isso é fato para a maioria dos casos de consulentes histéricos, oráculo-dependentes: esse tipo de cliente é altamente sugestionável e se utiliza do Astrólogo como um guia espiritual que dá sentido a sua vida dizendo o que deve fazer ao dobrar a esquina. Já me deparei com vários clientes assim e acho que não seria bom mostrar nessa pequena aula exemplos de horárias que dependam apenas da força de vontade da pessoa que pergunta, uma vez que isso dá mais margens a suspeitas sobre o suposto funcionamento histérico do consulente. Antes, seria excelente mostrar exemplos de casos que envolvam mais de uma pessoa - ou mesmo casos nos quais a vontade do consulente não seria decisiva no desfecho.
05/04/2010
Baixe no link abaixo (ou clicando no título desse texto) um pequeno ensaio que demonstra uma proposta sobre como usar um elaborado sistema de derivação de Casas para saber maiores detalhes sobre temas diversos.
Esse método leva em conta os diversos pontos - planetas, lotes, significadores universais - que representem um mesmo assunto dentro de um mapa para descrever o qual é o papel de determinado planeta dentro desse tema. No exemplo desse texto, extraído da interpretação de uma natividade do século IX, o autor anônimo busca saber o papel de marte do ponto de vista do Lote do Pai, do Sol e de Saturno, todos significadores da figura paterna. Para isso ele conta casas tomando todos esses três pontos como Ascendentes do Pai e localiza marte dentro desses sub-sistemas. Com isso, o autor cria uma descrição detalhadíssima do papel de marte em relação ao pai do nativo.
A idéia acima foi resgatada pela "Astrologia Uraniana" mas na verdade já tinha sido aplicada na Astrologia Clássica e na Astrologia indiana (jyotisha).
O texto completo da interpretação do mapa do século IX pode ser encontrado em italiano no site Cielo e Terra. No meu texto, detive-me apenas nos parágrafos que se referiam a técnica de derivação.
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Esse método leva em conta os diversos pontos - planetas, lotes, significadores universais - que representem um mesmo assunto dentro de um mapa para descrever o qual é o papel de determinado planeta dentro desse tema. No exemplo desse texto, extraído da interpretação de uma natividade do século IX, o autor anônimo busca saber o papel de marte do ponto de vista do Lote do Pai, do Sol e de Saturno, todos significadores da figura paterna. Para isso ele conta casas tomando todos esses três pontos como Ascendentes do Pai e localiza marte dentro desses sub-sistemas. Com isso, o autor cria uma descrição detalhadíssima do papel de marte em relação ao pai do nativo.
A idéia acima foi resgatada pela "Astrologia Uraniana" mas na verdade já tinha sido aplicada na Astrologia Clássica e na Astrologia indiana (jyotisha).
O texto completo da interpretação do mapa do século IX pode ser encontrado em italiano no site Cielo e Terra. No meu texto, detive-me apenas nos parágrafos que se referiam a técnica de derivação.
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