29/01/2010
Ando meio sumido desse blog, mas isso se deve aos meus estudos de informática para a criação de um software de Astrologia. As coisas andam lentas, mas como todo conhecimento que se aprende aos poucos, uma hora tudo estará nos trilhos certos. De qualquer forma, seria muito bom voltar a falar em astrologia nesse blog, então vamos revisar um pouco o papel fundamental de estruturas usadas em Astrologia: signos, casas e planetas.
Muitas letras foram digitadas em torno dos temas mais básicos da Astrologia, porém há que se fazer uma distinção entre Astrologia Clássica e moderna, não porque essas áreas obrigatoriamente sejam distintas. Em verdade, elas não deveriam ser, porém o gênero humano sempre inventa coisas novas a cada dia e isso faz com que saberes tão parecidos adquiram diferenças conceituais básicas. Portanto, tudo que será falado nesse breve artigo tomará como referência a Astrologia Clássica do ponto de vista mais atual do autor. Sendo assim, não se assustem se o autor entrar em contradição consigo mesmo, porque afinal de contas um homem é como um rio, e nunca será o mesmo em dois tempos distintos.
Tende-se a confundir a função dos Signos com a das Casas, mas os papéis deles são muito diferentes, tendo os signos uma função menos clara a priori, para o iniciante. Muitos autores tendem a alocar a função das casas aos signos, cometendo erros conceituais importantes. Por exemplo, muitas pessoas acham que Câncer é um signo que têm relação com a família, seja em qual casa estiver. Pois eu digo que Câncer só terá relação com a família se estiver na Casa da Família - a Casa IV - ou se algum Lote ligado à família estiver naquele signo, como por exemplo o Lote do Pai ou da Mãe.
Assim sendo, os Signos servem para quê? Eles funcionam como uma pista para entender as questões mais importantes de uma Casa ou Lote. De fato, a Casa IV pode ser família, mas ela também se refere a coisas como patrimônios, terras, agricultura. Todo o ser humano na face da Terra terá um pai e uma mãe; entretanto, nem todos terão propriedades. Haverá o caso de uma pessoa com o mapa natal cuja Casa IV reflita questões de imóveis, entretanto isso não quer dizer que ela seja rica: pode-se tratar de alguém em constante risco de ser despejada. Ao ver esse mapa pela primeira vez, o astrólogo pode concluir coisas erradas da leitura dessa Casa IV. Pode considerar que o pai da pessoa é alguém mau, que a rejeitou; pode pensar em problemas de harmonia familiar e conjugal; entretanto, quando a pessoa disser que está tudo bem quanto a isso, deixará o astrólogo constrangido.
A questão interpretativa levantada no parágrafo anterior é muito comum na prática astrológica corriqueira. Cada astrólogo cria uma justificativa para os erros de interpretação como o anterior, embora seja um senso comum no meio astrológico o conceito de "nível de manifestação". Se uma pessoa tem a Casa IV aflita e experimenta problemas de imóveis, mas não problemas familiares, então muitos dirão que esse é o "nível de manifestação" que ela "escolheu".
Do meu ponto de vista, acredito que o nível de manifestação seja plausível, esgotando-se todos os instrumentos de interpretação que o mapa oferece. Em outras palavras, que esse argumento não seja uma depsculpa para a interpretação natal relapsa, que omite questões importantes que seriam facilmente apreendidas com o estudo da figura à exaustão. Neste artigo, continuaremos a explorar os recursos que o mapa nos oferece, para construirmos um sentido maior de que o conceito de "nível" é plausível tão somente após tudo ter sido esgotado diante dos nossos olhos.
Como poderemos explorar essa Casa IV mais à fundo? Suponha que essa Casa IV tenha um Signo de Terra. Isso, por si só, é um sinal de que há uma possibilidade da pessoa ter envolvimento com terras, embora não seja suficiente. Falta o quê? Algum planeta que represente terras. Ora, a Astrologia Medieval só usa apenas sete planetas, então qual indicará terras e - mais ainda - porque ele indicará terras ao invés de outros temas, já que um planeta pode representar vários assuntos ao mesmo tempo? Mais adiante, veremos mais dois instrumentos que nos permitirão concluir isso com mais certeza.
O planeta ligado a terras é Saturno. Se Saturno estiver em Signo de Terra, é um sinal de que ele pode ter representação de cultivo da terra; porém Saturno também representa o pai, limitações, doenças, cientistas e até mesmo marinheiros (!!). Não encontramos ainda uma evidência do que Saturno representaria. De fato, Saturno em Signo de terra afastaria a hipótese de marinheiros; ainda nos deixa dúvidas quanto a cientistas, ou doenças. Na casa IV, pode ainda ser um pai doente, um pai cientista, ou um pai doente, problemático...
Diante dessas dúvidas, surge algo precioso, porém subestimado: o conceito de testemunho. Suponha que Saturno estivesse em Touro e com o aspecto de benéficos, principalmente Júpiter. Isso era chamado de 'testemunho', e se dizia que "Saturno estava com o testemunho de Júpiter". Em outras palavras, Júpiter olha o que Saturno representa e dá o seu colorido ao tema. Júpiter é um planeta benéfico, sendo o principal significador de dinheiro. Isso implica Saturno na IV como relacionado a finanças! O astrólogo medieval olhava um mapa desses e dizia: "Saturno não pode representar alguma coisa ruim porque está em aspecto com Júpiter" A malícia do planeta é abatida e ele representa suas melhores manifestações.
De fato, Saturno em aspecto com Júpiter na antiguidade era referido como um aspecto que representava o nativo como um administrador de terras e negócios alheios. Hoje em dia, esses negócios podem ser joint ventures, ações e fundos de investimento, mas o principal capital que se havia na idade média eram as terras de um enhor feudal.
Conclusão:
As Casas e os Lotes representam mais de um assunto terreno ao mesmo tempo. Num mapa natal específico, uma mesma Casa pode representar dois assuntos diferentes. Em outro mapa, essa mesma casa pode representar apenas um dos assuntos ao qual ela se refere. Por exemplo, a pessoa pode interpretar a Casa IV como a família do nativo e seus imóveis. Em um determinado mapa, ela poderia representar ao mesmo tempo essas duas coisas, mas em outro mapa natal não.
Para abermos do que eles falam com maior exatidão, é preciso consultar os signos, Planetas. É pela combinação Signo + Planeta + Casa que especificaremos a simbologia do mapa.
De fato, um mapa depende do meio onde a pessoa nasceu para se manifestar de um jeito específico, mas isso não deve ser uma desculpa frente ao erro, pois existem recursos dentro do próprio mapa que nos auxiliam.
04/01/2010
Quase um mês após o anúncio de que pretendo criar um software de astrologia, quais foram os avanços? O entendimento das expressões das linguagens mais comuns tem sido assimilado, e mais nada. Ainda não criei nem mesmo um embrião do que seria um programa de Astrologia.
Adquirir um novo conhecimento e aplicá-lo requer um processo demorado. Primeiro assimila-se as expressões mais comuns da área de conhecimento almejada, tenta-se rememorar os termos toda vez que eles são citados em leituras. Expressões como "instância", "função", "argumentos" "objetos" pouco a pouco se tornam familiares, da mesma forma que há sete anos atrás os termos "quadratura", "sextil", bem como a associação dos misteriosos glifos aos planetas que eles representam me causavam confusão inicial e eram memorizados com lentidão.
Apesar de não saber ainda como o fictício programa de Astrologia deve ser feito em termos práticos, já começo a ver a floresta antes de focalizar as árvores. A observação dos arquivos do programa de fonte aberta Morinus me permitiu planejar algumas ações. Tais passos podem ser feitos por qualquer pessoas que deseje o mesmo que eu. Espero poder algum dia escrever um livro para orientar a todos que tiverem o mesmo desejo que eu, a fim de tornar os passos abaixo mais fáceis:

A primeiro passo: "importar" as efemérides dadas pelo Astro.com.
Para quem não sabe, as efemérides são tabelas com as posições dos planetas em vários instantes. O processo de se criar um mapa envolve saber onde os planetas estavam no instante em que desejo criar a figura. Se nasci em 27 de março de 1982, onde estava a lua, o sol e os outros astros nessa data? Basta consultar as efemérides que teremos a resposta: a Lua estava em 02 de Touro e o Sol em 06 de Áries, etc.
Fica claro que um programa de Astrologia deve ter efemérides. Felizmente, a maioria dos programas não se preocupa em criá-las, porque existe um site que disponibiliza efemérides eletrônicas: trata-se do Astro.com. Com a disponibilidade dessas efemérides, podemos simplesmente usá-las em nosso programa. Para que isso ocorra, é necessário um processo chamado "importação". Se o meu programa se chama "AstroX.exe", o arquivo dele precisa importar as efemérides suíças do Astro.com (swiss ephemerids) .
O processo de importação das efemérides é complicado para um amador. É preciso antes estudar a linguagem para então dominar o processo de importação, sendo esse o preciso momento do aprendizado onde me encontro.

Segundo passo: usar o material das efemérides para construir as técnicas preditivas.

O pacote das efemérides suíças é poderoso. Ele dá ao programador todos os parâmetros utilizados em cálculos astronômicos: Longitude zodiacal, declinação, ascensão reta, nutação, dentre outros tantos que nós nunca usaremos. Até agora, não pensamos muito no que deve ser feito com toda essa informação. No segundo passo, temos de arregaçar menos as mangas e usar mais a cabeça.
Nesta etapa, precisamos voltar aos livros de astrologia para sabermos como poderemos desenhar os algoritmos que criarão as técnicas preditivas. Como o objetivo é criar um software de Astrologia Tradicional, algumas técnicas astrológicas serão criadas num ambiente de programação pela primeira vez, o que torna o desafio mais difícil ainda, já que não teremos um referencial.


Terceiro passo: criar uma interface gráfica para o programa que seja amigável para o usuário leigo.

"interface", pra quem não sabe, é a "arte final" do programa, ou seja, somente aquilo que o usuário leigo visualiza quando baixa o programa e o instala em sua máquina. A interface possibilita a comunicação entre o usuário e o programa. Ícone do Mouse, botões, barras de rolagem, caixas de texto, são elementos da interface com os quais o usuário interage, podendo mexer neles, ajustá-los, escrevê-los, etc. Em outras palavras, a interface envolve tanto a aparência do programa quanto a interação com o usuário. Aquelas janelinhas bonitinhas, botõezinhos, grades, tabelas, tudo isso também compõe a interface.

A desvantagem da maioria das linguagens de programação é que a interface gráfica tem de ser criada a parte. É isso mesmo: depois de todo o trabalho duro realizado nos passos 1 e 2, temos de "embutir" quase todo o código produzido nesses passos em botõezinhos, tabelas, grades e janelas para que faça algum sentido para o usuário. Daí então, mais código tem de ser escrito... A única linguagem de programação que já vem com a interface embutida é o Visual Basic, que elimina o passo 3.

Talvez vocês estejam se perguntando qual a linguagem de programação que estou aprendendo. u escolhi fazer o programa de Astrologia usando a linguagem chamada Python. Isto porque o software Morinus é todo feito nele. Como o programa tem código aberto, fica fácil aprender como fazê-lo. Um programa de código aberto dá aos programadores a oportunidade de saber como ele foi criado, mas isso é assunto para outro post.

Contato e Créditos

rtveronese@gmail.com Para dúvidas, reclamações, críticas e consultas. NO momento, não estou mais realizando consultas Astrológicas. Saiba o porquê clicando aqui.

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