Pular para o conteúdo principal

tema transcedental: cadê meu relógio?

Esse ano, se Deus me permitir, estarei no CNA mais uma vez dando uma palestra. Como o tema do congresso será o livre arbítrio na Astrologia (ou qualquer expressão equivalente que minha memória impede de recordar literalmente), antes de pensar em dar uma chatíssima palestra de 45 minutos contendo questões filosóficas sobre as quais não passa perto de mim algum domínio (minhas citações sobre filosofia são reproduções das citações de quem leu o primo da sogra do tio do comentarista de Aristóteles), eu penso em simplesmente dar uma aula de Astrologia Horária para a platéia. Entenda por "dar uma aula de astrologia horária" como a simplificação presunçosa de "compartilhar o que sei sobre o tema", uma vez que ele - como tudo na Astrologia - é difícil em alguns pontos cabais e que os manuscritos não são muito claros em elucidar.

Por que dar uma "aula" de horária num congresso sobre livre arbítrio? Meu ponto de vista é o de que o grande mal que paira sobre os Astrólogos do Ocidente formadores de opinião dos estudantes de Astrologia, é a excessiva discussão filosófica (por parte de quem não tem muito domínio disso) acerca de um tema que seria "resolvido" na cabeça do estudante de Astrologia de um modo muito mais lacônico, a saber, contemplando o que acontece no dia-a-dia de um Astrólogo. Quando o estudante perceber as previsões de um Astrólogo Clássico, ele terá subsídios para construir por si só uma resposta à carcomida questão "destino versus livre arbítrio".

Nem mesmo toda a divulgação que ocorreu nesses quase vinte anos de ressurgimento da Astrologia Clássica no ocidente foi capaz de torná-la acessível ao estudante brasileiro. Comparado ao que se vê no exterior, em blogues, sites, seminários e escolas de Astrologia Clássica, esse blogue apenas mostra um mícron. É por isso que não se deve criticar o que se desconhece. E pela mesma razão, não se sabe o que é livre arbítrio até que se conheça o destino. Portanto, toda uma discussão pode cair por terra devido ao desconhecimento dos temas debatidos.

Não podemos ignorar que as previsões implicam o uso da subjetividade do Astrólogo ao invés da do consulente. Quando o Astrólogo "cria" uma previsão, o consulente deixa de criar sobre sua própria vida e se porta como um objeto, um receptáculo da criatividade do Astrólogo. Isso é fato para a maioria dos casos de consulentes histéricos, oráculo-dependentes: esse tipo de cliente é altamente sugestionável e se utiliza do Astrólogo como um guia espiritual que dá sentido a sua vida dizendo o que deve fazer ao dobrar a esquina. Já me deparei com vários clientes assim e acho que não seria bom mostrar nessa pequena aula exemplos de horárias que dependam apenas da força de vontade da pessoa que pergunta, uma vez que isso dá mais margens a suspeitas sobre o suposto funcionamento histérico do consulente. Antes, seria excelente mostrar exemplos de casos que envolvam mais de uma pessoa - ou mesmo casos nos quais a vontade do consulente não seria decisiva no desfecho.

Comentários

  1. Oi Rodolfo! Primeiro quero te dar parabéns pelo blog, acho simsplemente fascinante vc dedicar seu tempo a dividir conhecimento sobre essa arte tão complexa. Estudo astrologia medieval com uma astróloga há 2 anos, ela é ótima astróloga mas não possui muita didática de ensino, até porque aprendeu tudo praticando e lendo muito. Acompanho seu blog há 2 meses e tenho me deliciado com os artigos, muito elucidativos. Gostaria de saber se é possível assistir sua paletra no CNA e, sendo possível, o que tenho que fazer para participar. Também gostaria de saber onde posso comprar um livro de efemérides astrológicas. Comecei a estudar revolução; já fiz essa pergunta para minha professora mas ela fica falando que boa só é a dela, que não vende mais em lugar nenhum. Ela fica de tira cópia pra mim, mas nunca faz isso. Desde já agradeço sua atenção.

    ResponderExcluir
  2. Dea, obrigado pelos comentários.

    Não se confirmou ainda o local da palestra. E a entrada costuma ser franca, normalmente se exige (se não estiver enganado) apenas um ou dois quilos de alimentos não perecíveis.

    Efemérides podem ser compradas em qualquer boa loja de livros de Astrologia. Eu não as uso, embora tenha um livro para consultas sem o computador. Não teria uma loja de cabeça pra te dizer porque o Laissue vive doente (e não sei nem se ele mantém a livraria aberta, não sei nem se ele morreu ou não...) De qualquer forma, a melhor livraria para esse tipo de coisa é a dele, que fica no prédio na esquina da Rua Gonçalves dias com a Rua do Rosário, no Centro do Rio.

    Revolução Solar medieval é muito boa, precisamos esperar o Abu ma´shar ser traduzido para que todos tenham noção da complexidade que ela enseja. Em breve, esse autor será publicado pelo Benjamin Dykes.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

As Casas da Morte.

Quando se pensa em morte na Astrologia Moderna, após uma série de desculpas e desembaraços para se lidar com o tema, vem a nossa mente a Casa VIII. Na Astrologia Medieval, essa também é a Casa usada para a questão, porém existem mais duas que tem participação na delineação da morte: As Casas IV e VII. Como muitas coisas dos livros antigos, elas são citadas porém não são explicadas. Tal qual um rabino dedicado ao estudo do Torá, temos de buscar algum sentido para aquilo se quisermos "digerir" os aforismos. Caso contrário, estes passarão incompreensíveis ao nosso entendimento.

A Casa VII é o lugar onde os planetas se põem, e portanto guardam uma representação simbólica de morte. Autores gregos também consideram planetas na VII como representantes de eventos que acontecerão no fim da vida do nativo.

A Casa IV marca o fim de um ciclo, pois a partir dela o planeta volta a "subir" rumo ao Ascendente. Muitos autores usam a Casa IV para simbolizar as coisas que acontecem ao …