- A aversão
- Os aspectos Astrológicos
O texto usa a obra do Escritor Egípcio - que viveu no século VI da Era Cristã - para percebermos princípios de interpretação de um mapa, seja ele natal ou mundano. Também traz especulações acerca do papel dos Termos, dignidade planetária de significado confuso, que tende a ser erroneamente interpretada da mesma forma que os Signos.
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http://astrosphera.forumbrasil.net/
Está aí. O fórum serve para estudar Astrologia Clássica e Medieval. Qualquer discussão deve tentar se ater ao tema principal, não por ódio a temas paralelos, mas sim para tentarmos manter um dos poucos espaços de discussão desse estilo na língua Portuguesa. Existem CENTENAS de fóruns, comunidades e sites sobre Astrologia Contemporânea. A internet não tem fronteiras, então acho que precisamos do nosso humilde espaço.
Eu sou moderador, mando e desmando, posso expulsar membros mas nunca precisei fazer isso. Tampouco me acho alguma figurona. Sou moderador para cortar pela raiz gente que atrapalhe a discussão.
Aos adversários da Astrologia: não percam seu tempo neste fórum. Nós nem sabemos direito o que estudamos, quanto mais rebater disputatios filosóficas. Vocês se decepcionarão.
Neste domingo (que para Valens seria uma terça-feira, dia de Marte), a Lua não entrará em contato com nenhum planeta pelos próximos 18 graus, excetuando-se os planetas modernos Urano, Netuno e Plutão. Essa situação é chamada por Anthiocus de Atenas de Kenodromia, um estado astrológico da Lua que equivale ao nosso moderno "Lua Fora de Curso". A diferença entre ambos é que a kenodromia é muito mais rara de ser vista por aí.Vejamos o porquê. No conceito de Lua Fora de Curso como nós concebemos atualmente, a Lua deve sair de um signo sem fazer conexão (aspecto ou conjunção) com mais nenhum planeta, independentemente da distância. Esse conceito não exige que a Lua fique o Signo inteiro sem fazer aspecto. Se ela percorreu um Signo quase todo e não fará mais aspecto nenhum dentro desse, então isso é considerado como "Lua Fora ou Vazia de Curso".
A Kenodromia, por outro lado, tem Na kenodromia, a Lua deve ficar um dia inteiro (isso mesmo, 24 horas) sem entrar em contato com planeta nenhum. Como disse anteriormente, a primeira situação é muito mais comum de se ver. Basta considerar que a Lua não fará mais nenhum aspecto dentro de um Signo para concluir que ela estará fora de curso. Na kenodromia, não é assim: requer-se que a Lua fique um dia sem contato com planeta algum. Anthiocus não leva em conta as Antiscias e Contra-Antiscias.
No mapa acima, vemos um exemplo de kenodromia. Ele mostra a hora exata do ingresso Lunar no Signo de Câncer. Ora, ao ingressar no Caranguejo, a Lua fará o seu próximo contato com Vênus, que será uma conjunção. Como o curso médio da Lua é o de 13° por dia, então concluímos que ela ficará até mais de um dia sem entrar em contato com planeta nenhum. Trata-se de uma situação muito mais rara que a Lua Fora de Curso dos Astrólogos Renascentistas e seguidores de Lilly.
Assim como a Lua Fora de Curso, a Kenodromia era algo considerada ruim. A meu ver, isso depende enormemente do último contato que a Lua fez. Quando qualquer planeta se separa de outro, ele costuma levar "o cheiro" da experiência representada pelo planeta do qual se separou, da mesma forma que dois amantes guardam o cheiro um do outro em seus corpos (ui, que erótico). Podemos até chamar esse "cheiro" de "disposição prévia". O grande mal da Kenodromia (ou da Lua Fora de Curso) é deixar as coisas estagnadas por um bom tempo, com a disposição do último planeta com a qual a Lua entrou em contato impregnada no luminar. Se o planeta anterior for um maléfico, aí não é nada bom, uma vez que a pessoa cujo mapa tem uma kenodromia ficará anos e anos sem mudar suas circunstâncias adversas.
Eu mesmo nunca vi nenhum mapa com Kenodromia. Será que a pessoa não resistiu?! Para manter o mito de que a Astrologia Medieval é macabra... hehehe.
Comecemos então. A primeira pergunta que eu me fiz foi a seguinte: desde quando os dias da semana são contados? Será que a sequência dos dias da semana foi interrompida em algum ano? Será que houve "saltos" similares àquele da transição do calendário Juliano para o Gregoriano? Procurei pela Internet em fontes confiáveis e nada de se obter resposta. Minha pergunta é simples mas parece que nem a Wikipedia deu jeito. A única certeza que tive foi que um imperador Romano chamado Diocletiano resolveu adotar os dias da semana e com isso eles são contados religiosamente até hoje. Eu respondi a parte da minha pergunta, isto é, os dias da semana são contados corretamente desde o século IV depois de Cristo, mesmo com a mudança do calendário Alexandrino para o Juliano e deste para o Gregoriano. Até aí, tudo bem, porém estamos falando de autores que viveram antes disso.
O primeiro autor a citar a semana de sete dias - com cada dia atribuído a um planeta - foi ninguém menos que Vettius Valens, que de vez em quando dá um oi para a gente nesse blog. Valens foi contemporâneo de Ptolomeu - em outras palavras, ele viveu antes de Diocletiano instituir a semana de sete dias. Antes dela, os Romanos viviam com sua semana de oito dias! Não se assuste muito, porque os chineses tinham semanas de 10 dias!
Todas essas informações trazem a tona conclusões interessantes. A primeira motivação de se estabelecer a semana como nós conhecemos hoje não é estatal nem política, mas sim Astrológica. Os sete dias da semana foram um sistema concebido para atribuir a cada dia um planeta, com fins muito mais "místicos" do que propriamente um controle estatal do tempo, como é comum em todos os calendários. Em outras palavras: quando Valens ensina no seu livro a saber em qual dia da semana caiu 13 de Mequir, não é com nenhum propósito prático como seria nos dias de hoje, como quando você quer saber se dia 21 de agosto cai num sábado para marcar um churrasco. A razão era puramente Astrológica porque a semana de sete dias ainda não era instituída como hoje como um organizador da vida humana! Não havia essa história de Domingo e Sábado livres!
Aí que voltamos para Valens. Nesse momento, é fundamental citar a Antologia, no primeiro livro, capítulo 9 - Acerca da Esfera de Sete Zonas:
"Por exemplo, o quarto ano de Adriano, Décimo Terceiro dia de Mequir,
primeira hora da noite(...) e assim chegamos ao dia de Hermes"
Quarta-feira é o dia de mercúrio (Hermes), que em espanhol soa mais próximo do planeta do que no Português: miércoles. Em outras palavras, no calendário Egípcio, 13 de Mechir do quarto ano do Imperador Adriano foi uma quarta-feira. Como podemos provar isso? Fui pelo mais simples e resolvi:
- Converti a data acima para o calendário Gregoriano com um software simples e pequenino do Benno van Dalen;
- Fiz um mapa para aquela data e vi qual era o planeta regente do dia.
A resposta: de acordo com o nosso Calendário Gregoriano, o dia em questão era uma... SEGUNDA-FEIRA, dia da Lua...
Se Valens estiver certo, então os dias da semana foram descontinuados da mesma forma que na transição do calendário Juliano para o Gregoriano. Pela lógica do autor, na madrugada de sexta para sábado em que escrevo esse texto, na verdade deveria ser a madrugada de Domingo para Segunda-Feira!
Não podemos ser muito empolgados com essa descoberta. Pode ser um dos incontáveis erros dos manuscritos da Antologia, até porque muitos trechos são repletos de erros dos copistas ou possuem grego corrompido pela ação do tempo. Por outro lado, Robert Hand e Robert Schmidt sequer acrescentam a esse trecho uma nota de rodapé dizendo que o grego está corrompido, ou que a contagem está errada. Infelizmente, ainda não encontrei uma outra data contemporânea a Valens para ver se há uma coerência, mas considero esse fenômeno interessante e digno de estudo.
O fato dos dias da semana estarem errados pode trazer consequências interessantes para a nossa prática - nada de muito impactante, como seria grave mudar do zodíaco sideral para o tropical. Mesmo assim, as mudanças que esse conhecimento implicaria poderiam tornar muitas práticas Astrológicas mais efetivas, como as construções de mapas eletivos.
Preciso terminar porque eu trabalho sábado, que para Valens é uma Segunda, dia da Lua...
Em primeiro lugar, apesar do nosso calendário sugerir que Cristo tenha nascido no primeiro ano da nossa Era, a informação é historicamente errada. Estudos Astrológicos de Johannes Kepler sobre a obra do historiador romano Flávio Josefo indicam a morte do Rei da Judéia - Herodes - no ano 4 antes de Cristo. Essa informação é baseada na descrição de uma pequena série de eclipses que antecederam a morte do rei, descritos por Flavio Josefo. Kepler concluiu que tais eclipses ocorreram entre 5 e 4 antes de Cristo. Essas informações foram obtidas no seguinte link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anno_Domini#Sobre_a_data_do_nascimento_de_Jesus
Se o leitor não conhece a história bíblica: Herodes era o Rei da Judéia contemporâneo ao nascimento de Jesus. Seguindo uma lógica simples, o rei Herodes não poderia ter morrido antes do nascimento do Messias.
Os historiadores acreditam que Jesus de Nazaré tenha nascido entre 8 e 4 antes de Cristo. Usando os princípios de delineação propostos por Abu Ma'shar no seu "Livro das Religiões e Dinastias", o leitor perceberá como a Astrologia corrobora com a história e vai além, estreitando o período de tempo em que o Messias poderia ter nascido.
Em breve...
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