30/07/2009
As grandes conjunções Júpiter-Saturno indicam grandes mudanças na humanidade e nos países nos quais ela acontece. Abu Mashar diz que essas conjunções são mais importantes nos países representados pelo signo da conjunção, mas é claro que não nos restringimos somente a eles.
É preciso, porém, mostrar que as conjunções Júpiter-Saturno não são todas iguais. Existem conjunções mais importantes: são aquelas que ocorrem nas mudanças de triplicidade.
Parece complicado, mas não é. Se você notar a sequência das conjunções, elas apresentam um comportamento mais ou menos regular. As conjunções apresentam uma sequência de 12 a 13 vezes num mesmo elemento - chamado também de triplicidade - e em seguida passam para a triplicidade seguinte. A ordem é sempre a seguinte: fogo - terra - ar - água, bem como no zodíaco.
Teoricamente, as mudanças de triplicidade ocorrem a cada 240 anos. Teoricamente também, a conjunção volta ao mesmo elemento a cada 960 anos. Por que teoricamente? O que acontece nos céus não é nada regular.
Se você perceber, as conjunções tem um comportamento muito irregular em algumas épocas. Quando há a mudança de triplicidade, a conjunção seguinte tende a voltar ao elemento anterior. Por exemplo, no ano 26 antes de Cristo, a triplicidade mudou da Água para o Fogo. A grande conjunção ocorreu em Leão. A próxima conjunção a essa ocorreu no ano 7 depois de Cristo, e ela ocorreu no signo de Peixes, que pertence à triplicidade que imperava antes da conjunção ocorrer em Leão. Essa irregularidade é típica das mudanças de triplicidade da série de conjunções. Eu poderia citar diversos outros exemplos, mas esse é suficiente.
Os antigos Astrólogos tinham dificuldade no cálculo das conjunções com a mesma exatidão que temos hoje, então criaram um método que foge da realidade acima, mas que se baseia numa filosofia que valoriza a perfeição, mais do que a irregularidade. Eles criaram o conceito de "conjunções médias".
Não se tratava de aproximação. Kusyar ibn Labban e Abu Mashar sabiam que as conjunções médias não correspondiam à realidade, mas eles queriam estabelecer um grau de prioridade: com tantas conjunções acontecendo numa ordem irregular, em qual delas devemos nos basear? Daí que o conceito de conjunção média foi importante, embora surreal.
Para encontrarmos as conjunções médias, deve-se estabelecer uma data em particular para começar a contar intervalos de 19,8613 anos, que separam as conjunções e que são contadas a partir de Áries. A próxima conjunção se encontra a 242,4214° de longitude da conjunção anterior, o que dá aproximadamente nove signos de distância.
Qual a consequência mais imediata de se traçar períodos regulares de conjunções sem se preocupar com o que realmente acontece nos céus? É evidente que as conjunções acabam por não coincidirem com o que se observa na realidade... Isso pode ser uma aberração, mas alguns astrólogos atualmente consideram que não.
Steven Birchfield considera que uma conjunção que marque a mudança de triplicidade só será importante se ela ocorrer tanto no zodíaco tropical quanto nas conjunções médias. Isso muda - e muito - o julgamento. Antes de conhecer o conceito de conjunções médias, eu concluí que a conjunção júpiter-Saturno em Libra no ano de 1981 seria uma mudança de triplicidade, pois antes dela as conjunções aconteciam em signos de terra. Segundo a ordem das conjunções médias, essa conjunção não seria tão importante porque ela não coincide com a mudança de triplicidade da série da conjunção média. Por essa série, a conjunção de 1981 não existiu. Pela média, houve uma conjunção em 1980, no signo de Leão. Ainda seguindo as conjunções médias, o ano de 2040 que será importante, por ter uma mudança de triplicidade do fogo para a Terra, dessa vez no signo de Virgem. Essa conjunção coincide com outra - no zodíaco tropical - que ocorrerá em Libra, e mais uma vez o que acontece no zodíaco sideral coincide com as conjunções médias...
O que fazer com toda essa informação? Agora que sabemos das conjunções médias, como devemos proceder? No presente momento, minha opinião é que o zodíaco sideral possa fornecer respostas muito interessantes para Astrologia mundial. Fora isso, de nada adianta saber dessa idéia se ela não funciona...
As conjunções que marcam as mudanças de triplicidade representam o nascimento de uma nova religião, ou mudanças sobre a religião anterior. Uma religião, mais do que uma prática espiritual, representa os princípios que norteiam uma nação e seus dirigentes. De acordo com a doutrina de Abu mashar, antes de uma dinastia nova assumir o poder, uma nova religião surge, que define os princípios da dinastia.
Antes do estado ser laico, havia uma grande ligação entre a religião e o estado. Até hoje, alguns países vivem em regime de Teocracia, mas de um modo geral os estados contemporâneos não possuem uma religião, mas sim princípios filosóficos, econômicos e científicos. Essa é a nova religião da maioria dos países, iniciada com o Iluminismo. Steven chama essa religião de Democracia moderna. (Eu a chamo de Capitalismo, mas isso seria errado porque o Socialismo Soviético experimentou princípios comuns ao capitalismo).
Para Abu Ma'shar, o nascimento de profetas é mostrado pela presença de Júpiter, Saturno ou Marte no eixo 3-9 do mapa da conjunção que marca a mudança de triplicidade. Alguns autores acham que temos de erguer um mapa exato para a conjunção, mas a maioria dos registros históricos consistiam em cartas de ingresso do Sol em 00°Áries para o ano em que ocorre a conjunção.
Eu confesso ao leitor que fiz mapas de ingresso do Sol em 00° Áries para Jerusalém, nos anos 25 e 7 antes de Cristo, mas não achei nenhuma evidência de um nascimento de um Messias. Nas Cartas de Ingresso dos anos em questão, não havia nenhum dos planetas citados nas Casas 3 ou 9, tanto no zodíaco sideral quanto no tropical. Isso me fez desanimar um pouco sobre os princípios que estava seguindo, com a esperança de que acharia algo significativo. O autor do blog Ars Astri (em latim, a arte dos astros) lança um mapa para a hora exata em que ocorre a conjunção em Peixes, no zodíaco tropical, no ano 7 antes de Cristo, como a representante do nascimento de um líder religioso (que Abu Ma'Shar chama de "profeta"). Nesse mapa, há de fato a presença de um dos planetas superiores no eixo 3-9, e o autor conseguiu até mesmo estimar uma data de nascimento de Jesus Cristo! Veja com seus próprios olhos no link.
Se o autor estiver certo, então devemos usar um mapa para o momento em que a conjunção fica exata (e não a carta de ingresso), e ignorar o fato de que a conjunção em Peixes não marca uma mudança de triplicidade. Isso foge um pouco dos princípios e mostra uma tendência a tentar explicar tudo que acontece, extrapolando um pouco com as regras. Se os princípios estiverem errados, então isso será uma oportunidade de aprendermos.
É preciso, porém, mostrar que as conjunções Júpiter-Saturno não são todas iguais. Existem conjunções mais importantes: são aquelas que ocorrem nas mudanças de triplicidade.
Parece complicado, mas não é. Se você notar a sequência das conjunções, elas apresentam um comportamento mais ou menos regular. As conjunções apresentam uma sequência de 12 a 13 vezes num mesmo elemento - chamado também de triplicidade - e em seguida passam para a triplicidade seguinte. A ordem é sempre a seguinte: fogo - terra - ar - água, bem como no zodíaco.
Teoricamente, as mudanças de triplicidade ocorrem a cada 240 anos. Teoricamente também, a conjunção volta ao mesmo elemento a cada 960 anos. Por que teoricamente? O que acontece nos céus não é nada regular.
Se você perceber, as conjunções tem um comportamento muito irregular em algumas épocas. Quando há a mudança de triplicidade, a conjunção seguinte tende a voltar ao elemento anterior. Por exemplo, no ano 26 antes de Cristo, a triplicidade mudou da Água para o Fogo. A grande conjunção ocorreu em Leão. A próxima conjunção a essa ocorreu no ano 7 depois de Cristo, e ela ocorreu no signo de Peixes, que pertence à triplicidade que imperava antes da conjunção ocorrer em Leão. Essa irregularidade é típica das mudanças de triplicidade da série de conjunções. Eu poderia citar diversos outros exemplos, mas esse é suficiente.
Os antigos Astrólogos tinham dificuldade no cálculo das conjunções com a mesma exatidão que temos hoje, então criaram um método que foge da realidade acima, mas que se baseia numa filosofia que valoriza a perfeição, mais do que a irregularidade. Eles criaram o conceito de "conjunções médias".
Não se tratava de aproximação. Kusyar ibn Labban e Abu Mashar sabiam que as conjunções médias não correspondiam à realidade, mas eles queriam estabelecer um grau de prioridade: com tantas conjunções acontecendo numa ordem irregular, em qual delas devemos nos basear? Daí que o conceito de conjunção média foi importante, embora surreal.
Para encontrarmos as conjunções médias, deve-se estabelecer uma data em particular para começar a contar intervalos de 19,8613 anos, que separam as conjunções e que são contadas a partir de Áries. A próxima conjunção se encontra a 242,4214° de longitude da conjunção anterior, o que dá aproximadamente nove signos de distância.
Qual a consequência mais imediata de se traçar períodos regulares de conjunções sem se preocupar com o que realmente acontece nos céus? É evidente que as conjunções acabam por não coincidirem com o que se observa na realidade... Isso pode ser uma aberração, mas alguns astrólogos atualmente consideram que não.
Steven Birchfield considera que uma conjunção que marque a mudança de triplicidade só será importante se ela ocorrer tanto no zodíaco tropical quanto nas conjunções médias. Isso muda - e muito - o julgamento. Antes de conhecer o conceito de conjunções médias, eu concluí que a conjunção júpiter-Saturno em Libra no ano de 1981 seria uma mudança de triplicidade, pois antes dela as conjunções aconteciam em signos de terra. Segundo a ordem das conjunções médias, essa conjunção não seria tão importante porque ela não coincide com a mudança de triplicidade da série da conjunção média. Por essa série, a conjunção de 1981 não existiu. Pela média, houve uma conjunção em 1980, no signo de Leão. Ainda seguindo as conjunções médias, o ano de 2040 que será importante, por ter uma mudança de triplicidade do fogo para a Terra, dessa vez no signo de Virgem. Essa conjunção coincide com outra - no zodíaco tropical - que ocorrerá em Libra, e mais uma vez o que acontece no zodíaco sideral coincide com as conjunções médias...
O que fazer com toda essa informação? Agora que sabemos das conjunções médias, como devemos proceder? No presente momento, minha opinião é que o zodíaco sideral possa fornecer respostas muito interessantes para Astrologia mundial. Fora isso, de nada adianta saber dessa idéia se ela não funciona...
As conjunções que marcam as mudanças de triplicidade representam o nascimento de uma nova religião, ou mudanças sobre a religião anterior. Uma religião, mais do que uma prática espiritual, representa os princípios que norteiam uma nação e seus dirigentes. De acordo com a doutrina de Abu mashar, antes de uma dinastia nova assumir o poder, uma nova religião surge, que define os princípios da dinastia.
Antes do estado ser laico, havia uma grande ligação entre a religião e o estado. Até hoje, alguns países vivem em regime de Teocracia, mas de um modo geral os estados contemporâneos não possuem uma religião, mas sim princípios filosóficos, econômicos e científicos. Essa é a nova religião da maioria dos países, iniciada com o Iluminismo. Steven chama essa religião de Democracia moderna. (Eu a chamo de Capitalismo, mas isso seria errado porque o Socialismo Soviético experimentou princípios comuns ao capitalismo).
Para Abu Ma'shar, o nascimento de profetas é mostrado pela presença de Júpiter, Saturno ou Marte no eixo 3-9 do mapa da conjunção que marca a mudança de triplicidade. Alguns autores acham que temos de erguer um mapa exato para a conjunção, mas a maioria dos registros históricos consistiam em cartas de ingresso do Sol em 00°Áries para o ano em que ocorre a conjunção.
Eu confesso ao leitor que fiz mapas de ingresso do Sol em 00° Áries para Jerusalém, nos anos 25 e 7 antes de Cristo, mas não achei nenhuma evidência de um nascimento de um Messias. Nas Cartas de Ingresso dos anos em questão, não havia nenhum dos planetas citados nas Casas 3 ou 9, tanto no zodíaco sideral quanto no tropical. Isso me fez desanimar um pouco sobre os princípios que estava seguindo, com a esperança de que acharia algo significativo. O autor do blog Ars Astri (em latim, a arte dos astros) lança um mapa para a hora exata em que ocorre a conjunção em Peixes, no zodíaco tropical, no ano 7 antes de Cristo, como a representante do nascimento de um líder religioso (que Abu Ma'Shar chama de "profeta"). Nesse mapa, há de fato a presença de um dos planetas superiores no eixo 3-9, e o autor conseguiu até mesmo estimar uma data de nascimento de Jesus Cristo! Veja com seus próprios olhos no link.
Se o autor estiver certo, então devemos usar um mapa para o momento em que a conjunção fica exata (e não a carta de ingresso), e ignorar o fato de que a conjunção em Peixes não marca uma mudança de triplicidade. Isso foge um pouco dos princípios e mostra uma tendência a tentar explicar tudo que acontece, extrapolando um pouco com as regras. Se os princípios estiverem errados, então isso será uma oportunidade de aprendermos.
Recentemente tenho lido discussões na internet sobre o uso do zodíaco sideral em Astrologia Mundial. Isso só vem a confirmar algumas dúvidas que tinha sobre a utilidade desse zodíaco na nossa prática.
Saber qual zodíaco usar é um problema historicamente recente, e por isso não temos uma maneira pré-estabelecida pelos Astrólogos medievais. Na idade média, o movimento de precessão ainda não tinha separado drasticamente o zodíaco tropical do sideral. Havia diferenças, mas em média a maioria dos planetas ainda estariam no mesmo signo em ambos os zodíacos. No nosso caso, a precessão atinge proporções sérias demais para comprometer o julgamento do Astrólogo a depender do zodíaco que ele utiliza. No zodíaco tropical, tenho Ascendente Áries. No sideral, Peixes.
Existem muitas justificativas a favor e contra os dois zodíacos e vou rebatê-las aqui uma a uma, de modo a perpetuar a confusão:
"Os hindus usam o zodíaco sideral e regências da mesma forma que nós; logo, ou nós estamos errados, ou eles estão"
ERRADO. Apesar dos hindus usarem o zodíaco sideral, eles dão muitos significados diferentes para cada casa, o que torna a comparação entre os dois sistemas em muitos casos impossível. Por exemplo, para eles a Casa IX representa o Pai, enquanto para nós tradicionalmente é a Casa IV. Em outros casos, porém, há similaridades, como no uso da Casa VII para representar a esposa. Nesses casos, o argumento acima ainda nos perturba, porém apesar de termos um planeta diferente em cada sistema a reger a mesma casa, o modo como esse planeta é analisado em cada sistema também é muito diferente. Os hindus usam aspectos de um modo diferente do nosso, as dignidades e a força de um planeta igualmente são mensuradas de outro modo.
Tentar criticar um sistema baseado no outro é como criticar a forma das bananas baseado na forma das laranjas. Eu posso dizer que uma banana é feia me baseando no que seria o conceito de uma "banana ideal", mas não posso dizer a mesma coisa comparando banana com laranja!
"O zodíaco tropical é correto porque leva em conta as estações do ano"
DEPENDE. Taí um bom argumento, se levarmos em conta o viés "humoral" da Astrologia: os gregos impregnaram a Astrologia com conceitos filosóficos da sua época, sendo um deles a noção das qualidades primitivas, que formam os quatro elementos de Empédocles. Desde Ptolomeu temos percebido uma correlação entre fenômenos naturais e ciclos celestes, sendo essa correlação estabelecida num referencial zodiacal fixo. Abu Mashar também foi um Astrólogo que colocou vários conceitos Aristotélicos e Neo-Platônicos nos seus livros.
Baseado nas proposições acima, o uso do zodíaco tropical, fixo, nos é sugerido. É desse zodíaco que se partem todas as relações de regência dos planetas. É baseado nos solstícios e nos equinócios que o esquema de regências foi estabelecido, já em Ptolomeu, o que nos deixa ainda mais inclinados ao uso do zodíaco tropical.
Até aí, tudo bem, mas Ptolomeu não é mais uma grande referência para Astrologia. Com tudo que sabemos de Valens e companhia, pra que depositar todas as fichas em Ptolomeu? Todos os contemporâneos de Ptolomeu consideram as estrelas que formam a constelação do signo como uma descrição importante do signo. Isso sugere que o conceito de signo deles levava em conta também a constelação, o que é compreensível, uma vez que no primeiro século depois de Cristo tanto as constelações quanto os signos tropicais estavam bem mais alinhados do que hoje em dia. Em outras palavras: para eles, não fazia diferença! Repito que este problema filosófico é típico do nosso século.
"Se você analisar um mapa com um zodíaco diferente e trabalhar com as mesmas técnicas, pode chegar a resultados parecidos."
CORRETO. Se Morin de Villefranche pegasse um mapa sem saber que ele era sideral ou tropical, poderia acertar do mesmo jeito em muitos casos. Afinal de contas, uma das máximas morinianas é:
Se você usar Lotes Gregos (também chamados de Partes Árabes), note que eles terão os mesmos posicionamentos por Casa em ambos os zodíacos. A única coisa que será diferente são as regências sobre as partes, mas meus estudos recentes concluem que os aspectos próximos entre um planeta e a Parte/Lote são importantíssimos em definir as condições sobre as quais operam os significados da parte, mais do que o regente. Eis a surpresa: os aspectos que a Parte recebe são idênticos nos dois sistemas na maioria dos casos!
Diante dos argumentos acima, não importará muito o zodíaco que você usar se você levar em conta a posição dos planetas nas Casas e os seus aspectos em mapas natais.
Deu pra ver que a disputa acima é acirrada, e que nós temos de pesquisar, "meter a mão na massa" para saber o que seria melhor para nós quanto a esse problema da contemporaneidade, o celeuma "tropical versus sideral".
Alguns astrólogos pararam de brigar com esse conflito. Por diversos anos, físicos também discutiram se a luz seria onda ou partícula, um dilema que foi selado pela natureza dual da luz. no caso do problema zodiacal, essa pode ser uma solução. A pergunta que deixo para o leitor é:
Dois astrólogos contemporâneos de técnicas completamente diferentes têm respondido a essa pergunta calculando para o nativo dois mapas: um sideral, outro tropical, sendo que cada um deles se destina a propósitos diferentes. Steven Birchfield usa o zodíaco tropical na interpretação natal e o sideral para interpretar direções primárias. Ele tem reportado que o uso do zodíaco sideral nas primárias tem rendido resultados consistentes. Nesse método inovador, ele usa as regências dos planetas no zodíaco sideral, coisa que deixou a todos de queixo caído. Antônio Harres, mais conhecido como Bola, afirma que usa uma roda dupla, com os zodíacos sideral e tropical. Os dois Astrólogos acima têm abordagens diferentes, mas achei interessante que tiveram a mesma solução para esse dilema.
Durante algum tempo, vocês viram que eu especulei sobre o uso do zodíaco sideral para interpretação natal medieval, coisa da qual desisti ao ver colegas com resultados estupendos (Steven incluído) obtidos pelo zodíaco tropical. Em Astrologia também há formadores de opinião, e baseados na grande experiências desses praticantes ocasionalmente norteio minhas decisões técnicas. Por ora, ainda uso o zodíaco tropical, mas agora voltei um pouco o olhar para o sideral.
Saber qual zodíaco usar é um problema historicamente recente, e por isso não temos uma maneira pré-estabelecida pelos Astrólogos medievais. Na idade média, o movimento de precessão ainda não tinha separado drasticamente o zodíaco tropical do sideral. Havia diferenças, mas em média a maioria dos planetas ainda estariam no mesmo signo em ambos os zodíacos. No nosso caso, a precessão atinge proporções sérias demais para comprometer o julgamento do Astrólogo a depender do zodíaco que ele utiliza. No zodíaco tropical, tenho Ascendente Áries. No sideral, Peixes.
Existem muitas justificativas a favor e contra os dois zodíacos e vou rebatê-las aqui uma a uma, de modo a perpetuar a confusão:
"Os hindus usam o zodíaco sideral e regências da mesma forma que nós; logo, ou nós estamos errados, ou eles estão"
ERRADO. Apesar dos hindus usarem o zodíaco sideral, eles dão muitos significados diferentes para cada casa, o que torna a comparação entre os dois sistemas em muitos casos impossível. Por exemplo, para eles a Casa IX representa o Pai, enquanto para nós tradicionalmente é a Casa IV. Em outros casos, porém, há similaridades, como no uso da Casa VII para representar a esposa. Nesses casos, o argumento acima ainda nos perturba, porém apesar de termos um planeta diferente em cada sistema a reger a mesma casa, o modo como esse planeta é analisado em cada sistema também é muito diferente. Os hindus usam aspectos de um modo diferente do nosso, as dignidades e a força de um planeta igualmente são mensuradas de outro modo.
Tentar criticar um sistema baseado no outro é como criticar a forma das bananas baseado na forma das laranjas. Eu posso dizer que uma banana é feia me baseando no que seria o conceito de uma "banana ideal", mas não posso dizer a mesma coisa comparando banana com laranja!
"O zodíaco tropical é correto porque leva em conta as estações do ano"
DEPENDE. Taí um bom argumento, se levarmos em conta o viés "humoral" da Astrologia: os gregos impregnaram a Astrologia com conceitos filosóficos da sua época, sendo um deles a noção das qualidades primitivas, que formam os quatro elementos de Empédocles. Desde Ptolomeu temos percebido uma correlação entre fenômenos naturais e ciclos celestes, sendo essa correlação estabelecida num referencial zodiacal fixo. Abu Mashar também foi um Astrólogo que colocou vários conceitos Aristotélicos e Neo-Platônicos nos seus livros.
Baseado nas proposições acima, o uso do zodíaco tropical, fixo, nos é sugerido. É desse zodíaco que se partem todas as relações de regência dos planetas. É baseado nos solstícios e nos equinócios que o esquema de regências foi estabelecido, já em Ptolomeu, o que nos deixa ainda mais inclinados ao uso do zodíaco tropical.
Até aí, tudo bem, mas Ptolomeu não é mais uma grande referência para Astrologia. Com tudo que sabemos de Valens e companhia, pra que depositar todas as fichas em Ptolomeu? Todos os contemporâneos de Ptolomeu consideram as estrelas que formam a constelação do signo como uma descrição importante do signo. Isso sugere que o conceito de signo deles levava em conta também a constelação, o que é compreensível, uma vez que no primeiro século depois de Cristo tanto as constelações quanto os signos tropicais estavam bem mais alinhados do que hoje em dia. Em outras palavras: para eles, não fazia diferença! Repito que este problema filosófico é típico do nosso século.
"Se você analisar um mapa com um zodíaco diferente e trabalhar com as mesmas técnicas, pode chegar a resultados parecidos."
CORRETO. Se Morin de Villefranche pegasse um mapa sem saber que ele era sideral ou tropical, poderia acertar do mesmo jeito em muitos casos. Afinal de contas, uma das máximas morinianas é:
Posição é mais importante que regência.
Em outras palavras: eu tenho Saturno na minha Casa VII, independentemente do zodíaco que adotar. No tropical, eu tenho Saturno em Libra; no sideral, em Virgem, todavia, é indubitável que Saturno está na Casa VII! A posição de Saturno é muito mais importante do que a regência dele.
Se você usar Lotes Gregos (também chamados de Partes Árabes), note que eles terão os mesmos posicionamentos por Casa em ambos os zodíacos. A única coisa que será diferente são as regências sobre as partes, mas meus estudos recentes concluem que os aspectos próximos entre um planeta e a Parte/Lote são importantíssimos em definir as condições sobre as quais operam os significados da parte, mais do que o regente. Eis a surpresa: os aspectos que a Parte recebe são idênticos nos dois sistemas na maioria dos casos!
Diante dos argumentos acima, não importará muito o zodíaco que você usar se você levar em conta a posição dos planetas nas Casas e os seus aspectos em mapas natais.
Deu pra ver que a disputa acima é acirrada, e que nós temos de pesquisar, "meter a mão na massa" para saber o que seria melhor para nós quanto a esse problema da contemporaneidade, o celeuma "tropical versus sideral".
Alguns astrólogos pararam de brigar com esse conflito. Por diversos anos, físicos também discutiram se a luz seria onda ou partícula, um dilema que foi selado pela natureza dual da luz. no caso do problema zodiacal, essa pode ser uma solução. A pergunta que deixo para o leitor é:
"Será que cada zodíaco serve para propósitos
diferentes e podem ser usados em conjunto?"
Dois astrólogos contemporâneos de técnicas completamente diferentes têm respondido a essa pergunta calculando para o nativo dois mapas: um sideral, outro tropical, sendo que cada um deles se destina a propósitos diferentes. Steven Birchfield usa o zodíaco tropical na interpretação natal e o sideral para interpretar direções primárias. Ele tem reportado que o uso do zodíaco sideral nas primárias tem rendido resultados consistentes. Nesse método inovador, ele usa as regências dos planetas no zodíaco sideral, coisa que deixou a todos de queixo caído. Antônio Harres, mais conhecido como Bola, afirma que usa uma roda dupla, com os zodíacos sideral e tropical. Os dois Astrólogos acima têm abordagens diferentes, mas achei interessante que tiveram a mesma solução para esse dilema.
Durante algum tempo, vocês viram que eu especulei sobre o uso do zodíaco sideral para interpretação natal medieval, coisa da qual desisti ao ver colegas com resultados estupendos (Steven incluído) obtidos pelo zodíaco tropical. Em Astrologia também há formadores de opinião, e baseados na grande experiências desses praticantes ocasionalmente norteio minhas decisões técnicas. Por ora, ainda uso o zodíaco tropical, mas agora voltei um pouco o olhar para o sideral.
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