26/04/2009
Não deu tempo de avisar aos leitores, mas no dia 11 de abril eu me casei e logo em seguida parti para uma lua de mel pelo leste europeu. Vi, de um modo bem en passant, Viena, Budapeste e Praga. Nesta última cidade, há um objeto de grande interesse meu cuja foto será postada aqui para que entendamos um conceito astrológico importante. Antes disso, uma introduçãozinha sobre aquela estonteante cidade.
É impossível não me identificar com Praga. Um dos seus reis tem o mesmo nome que eu. Não bastasse isso, ele tinha grande afinidade pela Astrologia e pela Alquimia. Rodolfo II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que transferiu a capital do império de Viena para Praga.
O rei místico foi conhecido pelos ataques de melancolia e pela falta de experiência política - perdeu a Áustria, a Morávia e a Hungria em 1608 para o Arquiduque Matias, vencedor dos Turcos. De educação católica, Rodolfo II era tolerante ao culto protestante, dando a eles liberdade de culto com algumas restrições. Tudo isso você pode ler na Wikipedia.
Depois de 1597, sua saúde declinou e o rei se trancou em Hradcany (o castelo de Praga, uma coleção de prédios e a Catedral de São Vitor. Pronuncia-se Rádtchani), começando seu fascínio pela Astrologia e Alquimia. Patrocinou Tycho Brahe e Johannes Kepler (com seus trocentos tipos de aspectos astrológicos além dos Ptolomaicos...).
Na corte ao redor do castelo, construiu umas casinhas para abrigar servos e alquimistas, que perseguiam com avidez fórmulas para fabricar ouro de metais e para o elixir da Longa Vida. Tempos depois, uma dessas casas abrigou Franz Kafka, que nela escreveu alguns contos e poemas. Hoje a casa vende pilhas para máquinas fotográficas, livros e lembrancinhas do Kafka para turistas.

Praga tem muita coisa interessante a ser vista, mas a que tem maior importância para o blog é o Relógio Astronômico. Apesar da evidente inspiração astrológica, o relógio não é criação de Rodolfo II, precedendo-o alguns séculos. Até hoje, o relógio sofreu inúmeras reformas e implementações. Sofreu avarias na Segunda Guerra Mundial, em seguida o seu mecanismo foi finalmente desvendado e ele funciona ininterruptamente desde 1948.

Originalmente, o relógio era composto apenas pelo mostrador das horas (foto acima), com os signos e os luminares. Mais tarde, adicionaram acima do mostrador os doze apóstolos (que aparecem nas duas janelinhas toda vez que uma hora se completa) e abaixo uma "mandala" com os doze meses do ano.
Talvez você esteja notando que os signos têm tamanhos diferentes no mostrador. Perceba que de Virgem a Peixes, os tamanhos de cada signo diminuem, enquanto de Leão a Áries eles são maiores. Isso é um conceito astrológico muito importante. Se você entendê-lo, vai começar a ver o céu como ele realmente é, e não como está nos mapas impressos pelos softwares de Astrologia. Humildemente, eu tentarei mostrar no próximo post as Ascensões dos signos, mas agora eu direi algumas palavras breves para vocês meditarem sobre o tema.
Quanto mais perto do Equador Terrestre, mais "iguais" são os tamanhos dos signos: eles ficam mais parecidos com os signos que você vê nos mapas que eu posto no blog e que são produzidos com o software Solar Fire. Quanto mais longe do Equador, maior a diferença de tamanho dos signos, o que faz com que eles se apresentem de forma semelhante aos signos do relógio de Praga. Isso acontece porque as estações do ano mudam a duração dos dias e das noites, mas no Equador essa diferença inexiste. Perceba que os signos que marcam o outono e o inverno em Praga (de Libra a Peixes) são menores que os signos que marcam a primavera e o verão (Áries a Virgem) . Isso acontece porque quando o Sol está neles e se encontra acima do horizonte, os dias são menores do que as noites. Por conseguinte, o "arco" que o Sol completa acima do horizonte durante os dias de outono e inverno tem de ser menor. Como o arco que o Sol faz ao longo do ano nada mais é do que o Zodíaco, então temos de dar um tamanho menor aos signos que o Sol percorre durante o inverno.
Enfim, eu vou tentar dizer mais coisas sobre isso no próximo post porque esse conceito é muito interessante e pode ser usado em previsão. Até!
É impossível não me identificar com Praga. Um dos seus reis tem o mesmo nome que eu. Não bastasse isso, ele tinha grande afinidade pela Astrologia e pela Alquimia. Rodolfo II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que transferiu a capital do império de Viena para Praga.O rei místico foi conhecido pelos ataques de melancolia e pela falta de experiência política - perdeu a Áustria, a Morávia e a Hungria em 1608 para o Arquiduque Matias, vencedor dos Turcos. De educação católica, Rodolfo II era tolerante ao culto protestante, dando a eles liberdade de culto com algumas restrições. Tudo isso você pode ler na Wikipedia.
Depois de 1597, sua saúde declinou e o rei se trancou em Hradcany (o castelo de Praga, uma coleção de prédios e a Catedral de São Vitor. Pronuncia-se Rádtchani), começando seu fascínio pela Astrologia e Alquimia. Patrocinou Tycho Brahe e Johannes Kepler (com seus trocentos tipos de aspectos astrológicos além dos Ptolomaicos...).
Na corte ao redor do castelo, construiu umas casinhas para abrigar servos e alquimistas, que perseguiam com avidez fórmulas para fabricar ouro de metais e para o elixir da Longa Vida. Tempos depois, uma dessas casas abrigou Franz Kafka, que nela escreveu alguns contos e poemas. Hoje a casa vende pilhas para máquinas fotográficas, livros e lembrancinhas do Kafka para turistas.
Praga tem muita coisa interessante a ser vista, mas a que tem maior importância para o blog é o Relógio Astronômico. Apesar da evidente inspiração astrológica, o relógio não é criação de Rodolfo II, precedendo-o alguns séculos. Até hoje, o relógio sofreu inúmeras reformas e implementações. Sofreu avarias na Segunda Guerra Mundial, em seguida o seu mecanismo foi finalmente desvendado e ele funciona ininterruptamente desde 1948.

Originalmente, o relógio era composto apenas pelo mostrador das horas (foto acima), com os signos e os luminares. Mais tarde, adicionaram acima do mostrador os doze apóstolos (que aparecem nas duas janelinhas toda vez que uma hora se completa) e abaixo uma "mandala" com os doze meses do ano.
Talvez você esteja notando que os signos têm tamanhos diferentes no mostrador. Perceba que de Virgem a Peixes, os tamanhos de cada signo diminuem, enquanto de Leão a Áries eles são maiores. Isso é um conceito astrológico muito importante. Se você entendê-lo, vai começar a ver o céu como ele realmente é, e não como está nos mapas impressos pelos softwares de Astrologia. Humildemente, eu tentarei mostrar no próximo post as Ascensões dos signos, mas agora eu direi algumas palavras breves para vocês meditarem sobre o tema.
Quanto mais perto do Equador Terrestre, mais "iguais" são os tamanhos dos signos: eles ficam mais parecidos com os signos que você vê nos mapas que eu posto no blog e que são produzidos com o software Solar Fire. Quanto mais longe do Equador, maior a diferença de tamanho dos signos, o que faz com que eles se apresentem de forma semelhante aos signos do relógio de Praga. Isso acontece porque as estações do ano mudam a duração dos dias e das noites, mas no Equador essa diferença inexiste. Perceba que os signos que marcam o outono e o inverno em Praga (de Libra a Peixes) são menores que os signos que marcam a primavera e o verão (Áries a Virgem) . Isso acontece porque quando o Sol está neles e se encontra acima do horizonte, os dias são menores do que as noites. Por conseguinte, o "arco" que o Sol completa acima do horizonte durante os dias de outono e inverno tem de ser menor. Como o arco que o Sol faz ao longo do ano nada mais é do que o Zodíaco, então temos de dar um tamanho menor aos signos que o Sol percorre durante o inverno.
Enfim, eu vou tentar dizer mais coisas sobre isso no próximo post porque esse conceito é muito interessante e pode ser usado em previsão. Até!
12/04/2009
Nesse post, eu falarei acerca do modo como os Astrólogos Helênicos analisavam aspectos. Você, que acompanha o blog, perceberá que eu entrarei em contradição clara com as minhas afirmativas dos artigos anteriores, mas não fique pensando que mudei de idéia. Aqui, estou na posição de mostrar diferentes pontos de vista, mais do que fazer uma escolha precipitada. Afinal de contas, como dizia o apóstolo Paulo (com as minhas palavras):
É com esse espírito que vamos começar a perceber como os helenistas viam os aspectos. O autor mais importante e claro desse tema é Antíoco de Atenas. Eu não tenho nenhum livro dele, mas fuçando um ou outro texto na internet de Robert schmidt - a principal "figuraça" do estudo da Astrologia Grega na contemporaneidade - você aprende algumas coisinhas bem interessantes.
Em primeiro lugar, vamos nos acostumar com toda a terminologia que eles usavam - e que foi traduzida por Schmidt de um modo bem cuidadoso, para tentar preservar o sentido mais perto possível do intento original. Eu não poderia começar esse estudo de uma forma diferente senão apontando o significado do termo em inglês "figure"
Figure ("figura")
Os planetas que fazem uma figura são aqueles que estão em signos que formam figuras geométricas exatas - quadrados, triângulos equiláteros, hexágonos e a oposição, que é uma exceção a esse raciocínio - , sendo que um planeta se aplica ao outro, ou seja, o planeta mais rápido tem menos graus do que o planeta mais lento. É importante frisar que a aplicação é uma condição sinequanon para que ocorra uma figura, pois isso indica que os planetas hão de se encontrar um dia, aí sim completando um aspecto.
Exemplo: Venus em 02 Sagitário, Saturno em 22 de Peixes. Aqui, Vênus e Saturno estão em signos que fazem uma quadratura. Como Vênus é o planeta mais rápido e tem menos graus, ele se aplica a Saturno. Como Sagitário e Peixes são signos que formam o lado de um quadrado (pois ficam distantes 90 graus um do outro), temos então uma figura. Essa figura, porém, não pode ainda ser chamada de aspecto. Vejamos o por quê disso na explicação do termo "aspectos"
Aspectos
Para que uma figura seja chamada de aspecto, é necessário uma distância mínima de 3 graus entre os dois planetas. Isso se aproxima enormemente do que chamaríamos de "orbe da Astrologia Moderna", que dá uma distância média para a configuração entre dois planetas. Na Astrologia Medieval, essa distância depende da orbe de luz dos dois planetas.
Exemplo: Vênus em 20 de Sagitário, Saturno em 22 de Peixes. Aqui sim, podemos dizer que Vênus aspecta Saturno, e vice-versa, pois a distância entre ambos é menor ou igual a 3 graus absolutos. No outro exemplo, eles apenas formavam a figura de um quadrado. Além do mais, o aspecto é aplicativo. Veremos mais a frente que os autores helênicos puristas não consideravam aspectos separativos. Sendo assim, toda vez que eu me referir a "aspecto" nesse artigo, eu estarei me referindo aos aspectos aplicativos com orbe de 3 graus.
Finalizando a explicação do termo "aspecto", vou abordar sobre o que seria uma heresia há alguns anos atrás. Segundo Schmidt, os autores toleravam aspectos entre signos que não formavam figuras! Esse seria o moderno "aspecto fora de signo" ou "trígonos fora de elemento". Em outras palavras: Touro sempre faz trígono com Capricórnio e ambos são signos de Terra, mas um planeta em 00 Touro pode fazer um aspecto com outro planeta em 29 de Sagitário, mesmo que estejam "fora de elemento", se - e somente se - fosse respeitada a orbe de 3 graus. O que eu disse para o trígono se aplica a outros aspectos. Nada de novo para Astrólogos Modernos, não?!
Tudo que foi escrito acima é usado para dizermos que um planeta testemunha outro. E esse será o último termo que tentaremos descrever abaixo.
Testemunho
A noção de testemunho foi abordada em diversos artigos desse blog. O significado de 'testemunho' que eu darei aqui será aquele que podemos encontrar nas obras de Astrólogos Helênicos, principalmente de Antíoco de Atenas. Nos meus outros artigos, ela pode diferir um pouco do que pretendo dizer aqui. Clique no marcador "testemunho" abaixo e você me entenderá.
A noção de testemunho é simples. Quando um planeta aspecta ou faz uma figura com o outro, dizemos que um testemunha o outro. Se estou analisando Saturno, e percebo que Vênus faz uma quadratura aplicativa a ele, então eu digo que há um testemunho de Vênus sobre Saturno, e vice-versa (dependerá se estou analisando Vênus ou Saturno).
O testemunho apenas significa que um planeta tem algo a dizer sobre o outro. Assim sendo, Vênus diz que, nas questões saturninas, há algum elemento sexual, feminino ou artístico - significados Venusianos.
Os testemunhos podem ser fortes ou fracos. Quando um planeta faz uma figura com o outro, temos aí um testemunho fraco. Quando há um aspecto (atenção! sempre aplicativo!), o testemunho é forte. O tipo de aspecto (quadratura, oposição, etc) apenas diz como há a interação entre ambos os planetas - e aqui há pouquíssima diferença do que os árabes e modernos dizem, portanto não discorrerei sobre o óbvio ululante. O que vale a pena ser dito é enfatizar o que é um testemunho do que não é - e aí, quem pegar livros de Astrologia Helênica com mais de 3-4 anos vai estar out to date do que é dito hoje!
Quando começou todo o frisson sobre Astrologia Helênica, todos achavam que Astrólogos como Valens e Antíoco consideravam qualquer tipo de aspecto - bastaria que os planetas estivessem em signos que se aspectassem para considerá-los. Hoje em dia, a comunidade Astrológica que é encabeçada por Robert Schmidt - principal tradutor vivo dos autores gregos - discorda dessa abordagem. Atualmente, eles defendem que um planeta está em testemunho quando ele faz uma figura ou um aspecto aplicativo, desconsiderando os aspectos separativos. Dessa forma, não será qualquer aspecto que seria considerado, o que é um alivio para nós, já que isso reduz em muito o número de aspectos válidos.
Vamos dar um exemplo de aspecto que não são considerados testemunhos (segundo as leituras de Schmidt): Vênus 23 Sagitário, Saturno 20 de Peixes. Apesar de estarem próximos, o aspecto é separativo e isso não conta como um testemunho.
Okay, esse último exemplo foi polêmico. Talvez você esteja pensando: mas eu já vi pessoas com aspectos separativos próximos como o anterior que funcionam! Essa é também a minha dúvida. Não darei uma resposta definitiva para isso agora. Apenas direi que os gregos não estavam muito preocupados com efeitos psicológicos (embora alguns aspectos indicassem predileção comportamental do nativo por uma ou outra atividade, como Lua-mercúrio representando a busca por atividades intelectuais). A astrologia deles era preditiva, não comportamental. Lembre-se de que, na Astrologia Horária, os aspectos separativos não contam como realizadores de uma questão. Eles indicam eventos que já aconteceram.
Examine tudo, e retenha o que for bom.
É com esse espírito que vamos começar a perceber como os helenistas viam os aspectos. O autor mais importante e claro desse tema é Antíoco de Atenas. Eu não tenho nenhum livro dele, mas fuçando um ou outro texto na internet de Robert schmidt - a principal "figuraça" do estudo da Astrologia Grega na contemporaneidade - você aprende algumas coisinhas bem interessantes.
Em primeiro lugar, vamos nos acostumar com toda a terminologia que eles usavam - e que foi traduzida por Schmidt de um modo bem cuidadoso, para tentar preservar o sentido mais perto possível do intento original. Eu não poderia começar esse estudo de uma forma diferente senão apontando o significado do termo em inglês "figure"
Figure ("figura")
Os planetas que fazem uma figura são aqueles que estão em signos que formam figuras geométricas exatas - quadrados, triângulos equiláteros, hexágonos e a oposição, que é uma exceção a esse raciocínio - , sendo que um planeta se aplica ao outro, ou seja, o planeta mais rápido tem menos graus do que o planeta mais lento. É importante frisar que a aplicação é uma condição sinequanon para que ocorra uma figura, pois isso indica que os planetas hão de se encontrar um dia, aí sim completando um aspecto.
Exemplo: Venus em 02 Sagitário, Saturno em 22 de Peixes. Aqui, Vênus e Saturno estão em signos que fazem uma quadratura. Como Vênus é o planeta mais rápido e tem menos graus, ele se aplica a Saturno. Como Sagitário e Peixes são signos que formam o lado de um quadrado (pois ficam distantes 90 graus um do outro), temos então uma figura. Essa figura, porém, não pode ainda ser chamada de aspecto. Vejamos o por quê disso na explicação do termo "aspectos"
Aspectos
Para que uma figura seja chamada de aspecto, é necessário uma distância mínima de 3 graus entre os dois planetas. Isso se aproxima enormemente do que chamaríamos de "orbe da Astrologia Moderna", que dá uma distância média para a configuração entre dois planetas. Na Astrologia Medieval, essa distância depende da orbe de luz dos dois planetas.
Exemplo: Vênus em 20 de Sagitário, Saturno em 22 de Peixes. Aqui sim, podemos dizer que Vênus aspecta Saturno, e vice-versa, pois a distância entre ambos é menor ou igual a 3 graus absolutos. No outro exemplo, eles apenas formavam a figura de um quadrado. Além do mais, o aspecto é aplicativo. Veremos mais a frente que os autores helênicos puristas não consideravam aspectos separativos. Sendo assim, toda vez que eu me referir a "aspecto" nesse artigo, eu estarei me referindo aos aspectos aplicativos com orbe de 3 graus.
Finalizando a explicação do termo "aspecto", vou abordar sobre o que seria uma heresia há alguns anos atrás. Segundo Schmidt, os autores toleravam aspectos entre signos que não formavam figuras! Esse seria o moderno "aspecto fora de signo" ou "trígonos fora de elemento". Em outras palavras: Touro sempre faz trígono com Capricórnio e ambos são signos de Terra, mas um planeta em 00 Touro pode fazer um aspecto com outro planeta em 29 de Sagitário, mesmo que estejam "fora de elemento", se - e somente se - fosse respeitada a orbe de 3 graus. O que eu disse para o trígono se aplica a outros aspectos. Nada de novo para Astrólogos Modernos, não?!
Tudo que foi escrito acima é usado para dizermos que um planeta testemunha outro. E esse será o último termo que tentaremos descrever abaixo.
Testemunho
A noção de testemunho foi abordada em diversos artigos desse blog. O significado de 'testemunho' que eu darei aqui será aquele que podemos encontrar nas obras de Astrólogos Helênicos, principalmente de Antíoco de Atenas. Nos meus outros artigos, ela pode diferir um pouco do que pretendo dizer aqui. Clique no marcador "testemunho" abaixo e você me entenderá.
A noção de testemunho é simples. Quando um planeta aspecta ou faz uma figura com o outro, dizemos que um testemunha o outro. Se estou analisando Saturno, e percebo que Vênus faz uma quadratura aplicativa a ele, então eu digo que há um testemunho de Vênus sobre Saturno, e vice-versa (dependerá se estou analisando Vênus ou Saturno).
O testemunho apenas significa que um planeta tem algo a dizer sobre o outro. Assim sendo, Vênus diz que, nas questões saturninas, há algum elemento sexual, feminino ou artístico - significados Venusianos.
Os testemunhos podem ser fortes ou fracos. Quando um planeta faz uma figura com o outro, temos aí um testemunho fraco. Quando há um aspecto (atenção! sempre aplicativo!), o testemunho é forte. O tipo de aspecto (quadratura, oposição, etc) apenas diz como há a interação entre ambos os planetas - e aqui há pouquíssima diferença do que os árabes e modernos dizem, portanto não discorrerei sobre o óbvio ululante. O que vale a pena ser dito é enfatizar o que é um testemunho do que não é - e aí, quem pegar livros de Astrologia Helênica com mais de 3-4 anos vai estar out to date do que é dito hoje!
Quando começou todo o frisson sobre Astrologia Helênica, todos achavam que Astrólogos como Valens e Antíoco consideravam qualquer tipo de aspecto - bastaria que os planetas estivessem em signos que se aspectassem para considerá-los. Hoje em dia, a comunidade Astrológica que é encabeçada por Robert Schmidt - principal tradutor vivo dos autores gregos - discorda dessa abordagem. Atualmente, eles defendem que um planeta está em testemunho quando ele faz uma figura ou um aspecto aplicativo, desconsiderando os aspectos separativos. Dessa forma, não será qualquer aspecto que seria considerado, o que é um alivio para nós, já que isso reduz em muito o número de aspectos válidos.
Vamos dar um exemplo de aspecto que não são considerados testemunhos (segundo as leituras de Schmidt): Vênus 23 Sagitário, Saturno 20 de Peixes. Apesar de estarem próximos, o aspecto é separativo e isso não conta como um testemunho.
Okay, esse último exemplo foi polêmico. Talvez você esteja pensando: mas eu já vi pessoas com aspectos separativos próximos como o anterior que funcionam! Essa é também a minha dúvida. Não darei uma resposta definitiva para isso agora. Apenas direi que os gregos não estavam muito preocupados com efeitos psicológicos (embora alguns aspectos indicassem predileção comportamental do nativo por uma ou outra atividade, como Lua-mercúrio representando a busca por atividades intelectuais). A astrologia deles era preditiva, não comportamental. Lembre-se de que, na Astrologia Horária, os aspectos separativos não contam como realizadores de uma questão. Eles indicam eventos que já aconteceram.
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