1 de jun de 2009

A grande conjunção de 1961

Esse artigo surgiu de uma curiosidade minha para investigar melhor um período negro na história do nosso país: a ditadura militar.

Em se tratando de grandes mudanças políticas, eu sempre penso nas conjunções Júpiter-Saturno, chamadas popularmente de Grandes Conjunções. Meu primeiro impulso foi ir em busca de um livro que tenho na minha estante e procurar qual conjunção ocorre mais próxima da Revolução de 1964, fato que marcou o início da hegemonia dos militares. Eis que eu encontro, dia 19 de Fevereiro de 1961, às 0:03h, Júpiter e Saturno a formar uma conjunção exata nos céus, especificamente em 25 Capricórnio 12'. Essa é a informação que consta na página 91 do livro "Tables of Planetary Phenomena - Second Edition", produzido pelo memorável Neil F. Michelsen.

Essa conjunção me parece muito importante porque ela acontece num momento no qual o Brasil, dentro de poucos anos, mudará de regime político, adentrando uma ditadura que durará até quatro anos depois da próxima conjunção Júpiter-Saturno, que ocorreu no signo de Libra e marca a mudança de triplicidade das conjunções, passando da terra para o ar. Mais importante ainda para mim é que a conjunção ocorre no signo de Capricórnio, que nada mais é do que o Ascendente da Carta de Ingresso do ano da Independência do país. Essa evidência fala a favor de adotarmos um Ascendente Capricórnio para o país, pois dentre várias conjunções, aquela que ocorreu em Capricórnio coincidiu com esse significativo divisor de águas.

Analisando a conjunção, algumas coisas vêm à tona. Os próximos 20 anos seriam difíceis, marcados por ordem exacerbada e repressão porque Saturno está mais forte que Júpiter na conjunção, além deste se encontrar em queda. Saturno teria completo domínio da situação por estar no seu domicílio. Júpiter seria recebido por Saturno, o que melhora o estado do planeta, porém todos os ideais Jupiterianos de liberdade e igualdade estariam na dependência da repressão do grande maléfico. Saturno, por outro lado, está dignificado num signo bestial, frio e seco.

É senso comum que um maléfico tem o seu potencial destrutivo abrandado se poscionado em seu próprio domicílio. Isso é uma verdade clara e comprovada pela experiência, que não deve ser subestimada frente ao senso comum que impera a respeito da ditadura militar. Aqui devemos ser racionais e concluir apenas algumas coisas, mesmo assim contrariando o sendo hegemônico da imprensa. Somos bombardeados de informações apontando que a ditadura é ruim, mas a pergunta que não quer calar é: ruim para quem? O povo brasileiro tinha ainda uma grande porcentagem de analfabetos e de gente abaixo da linha da pobreza. Essas pessoas não tinham recursos para concluir que a ditadura era ruim. Essa é uma conclusão digna de um público mais esclarecido, e aqui temos as classes que mais sofreram durante o período de repressão: os estudantes, a imprensa e a classe intelectual brasileira.

De fato, a ditadura foi responsável por alguns dos horrores que marcam a história do nosso país, como por exemplo epidemias, cuja notificação pela imprensa era proibida pelo ministério da saúde, a fim de não causar pânico e passar a falsa ideação de que tudo estava sob controle. O que estou querendo enfatizar é que o regime militar, à parte das atrocidades já conhecidas por nós, não piorou as condições socioeconômicas da população: a ditadura foi uma crise na democracia do país, mas não podemos dizer o mesmo em se tratando da economia. Nesta dimensão, ao contrário, o Brasil experimentou uma expansão econômica às custas de um grande endividamento, cujas consequências seriam sentidas não naquele momento, mas na próxima conjunção, ocorrida no signo de Libra.

Ainda é precoce para falarmos em alguma coisa, mas fica aqui duas hipóteses:

  1. Encontramos mais uma evidência de que o Ascendente do Brasil é Capricórnio;
  2. Quando Saturno predomina na Grande Conjunção e está em bom estado cósmico, os governos investem na estrutura do país de um modo mais intenso. Nessa conjunção, o país experimentou construções faraônicas, como a Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Ponte Rio-Niterói.

    Maiores detalhes sobre a conjunção serão catalogados estudando a carta de ingresso do ano em que ela ocorreu, além de outros detalhes que serão explicitados em outros artigos.

4 comentários:

  1. Acho muito problematico usar a data da independencia só pq D Pedro deu o famoso gritinho... e nao estou seguro que usar o ingresso solar melhore muito.

    Mesmo porque se o ingresso solar desse ano reflete o inicio de uma "dinastia", ela acaba logo depois com D Pedro II

    ResponderExcluir
  2. Mas Yuzuru, nesse momento o Brasil passou, simbolicamente, a ser considerado um país não? Seria complicado advogar outra data quando claramente esse é o momento histórico em que o Brasil se tornou de fato um país. Claro, poderia se analisar a fundo tb as cartas dos períodos nos quais outros países reconheceram o Brasil legalmente, mas isso seria adicional...

    Agora, falando sobre grandes conjunções, seria interessante estudar as grandes conjunções desde o descobrimento do Brasil até aqui e tentar encontrar algum ciclo. Temos Proclamação da República, era Vargas, Ditadura, Redemocratização, sem contar os períodos entre 1500-1800 que são mais sutis em termos de mudanças reconhecíveis. Talvez daí se depreenda algo de útil.

    ResponderExcluir
  3. Nao vejo nada de "claro" nao, PFN

    o momento em que D Pedro dá seu gritinho é considerado por todos como o momento em que o Brasil passou a ser considerado um pais, porque a gente aprendeu isso na escola e ninguem questiona.

    Se a gente se pergunta, o que mudou, dai a gente ve que há momentos muito mais interessantes (expulsao dos portugueses do nordeste, que é um fato que o sudeste parece ter expulsado dos livros de historia por motivos politicos - reconhecimento por outros paises - promulgacao da constituicao - primeiro lider) que sao todas muito mais importantes.

    De fato, poderiamos comparar o gritinho com uma "concepcao". Concepcao nao é nascimento.

    E, é claro, se formos usar a tecnicas antigas, como o ingresso solar, nunca se usaria o ingresso solar do momento em que alguem proclama que vai tomar o trono.

    ResponderExcluir
  4. yuzuru, no ano em que D. Pedro I proclamou o grito do ipiranga ele também assumiu o trono, mas eu concordo que o Brasil não pode ser concebido como uma dinastia de D. Pedro I até hoje. Realmente, você é coerente, mas será que uma mudança de regime pode simplesmente mudar a carta de início do país? Se fosse assim, o Brasil deveria ter várias cartas de início para vários momentos, incluindo a ditadura.

    ResponderExcluir

Contato e Créditos

rtveronese@gmail.com Para dúvidas, reclamações, críticas e consultas.