- Uso as direções erradas, pois as verdadeiras só são calculadas por um software de Astrologia chamado Placidus;
- Meu horário de nascimento está errado, então as direções não funcionam.
- Não sei interpretar direções.
- Direções primárias;
- Direções por termos do Ascendente;
- Profecções
- Revoluções Solares
- Trânsitos ou ingressos de planetas.
Por falar em softwares de Astrologia que calculam direções, existe uma lenda de que o Placidus é o único programa que as calcula corretamente. Para desvendar esse mito, pedi a Paulo Silva, Astrólogo medieval proprietário de uma cópia do Placidus, para que gerasse uma lista com as minhas direções in mundo e com proporção Ptolomaica (1 grau de arco de direção equivalente a um ano de vida). Em seguida, eu as comparei com a lista gerada pelo Solar Fire, calculada com os mesmos parâmetros de análise (proporção ptolomaica e in mundo) e, para meu espanto, ambas eram idênticas... Dessa forma, faço as minhas direções pelo Solar Fire Deluxe sem culpa alguma até que me provem que mesmo o Placidus está errado... Sendo assim, o contra-argumento 1 é furado. Além disso, o feedback que adquiri de alguns astrólogos possuidores do Placidus é de que nem com esse programa em mãos eles conseguem ver algo significativo nas direções primárias...
Resta derrubar os contra-argumentos 2 e 3. Como ainda não tenho experiencia para dizer que meu horário de nascimento é errado ou não, o contra-argumento 2 se mantém, mas com um porém. Segundo Robert Zoller, as direções não indicam eventos específicos, mas sim épocas da vida em que seus significados se mantém fortes e geram eventos com significados semelhantes, até que uma nova direção assuma. Esse tipo de visão concebe as direções como uma "Firdaria", que dá um certo período de tempo a dois planetas do mapa natal. Se esta concepção estiver correta, não é necessário um horário de nascimento obsessivamente correto - salvo para se saber o Arcus Vitae, creio eu.
Talvez a explanação anterior seja confusa, então eu a esclarecerei com um exemplo. Supondo que seu horário de nascimento seja parcialmente correto - uma margem de erro de dez minutos. Se você calculasse com esse horário de nascimento uma lista de direções, vamos supor que há uma direção do Sol em trígono com o Ascendente para o dia 22 de junho de 2006. Se o Sol rege a Casa V e você teve dois filhos em dois anos sucessivos (como aconteceu com meu sogro em 1980 e 81) em 2006 e 2007 , então apesar da direção acima poder ser corrigida para a data ou mês em que você soube da primeira gravidez, ela vale para a segunda também, pois voce descobrirá que não há nenhuma direção para a segunda. Esta direção Sol-Asc valem portanto até que o Sol e o Ascendente participem de outra direção.
Há um relato no qual se interpreta o tempo de duração de uma direção por informações contidas na própria natividade. Abaixo temos um fragmento de um astrólogo medieval que provavelmente viveu no califado de al-Mutawakkil. A figura analisada tinha marte em Câncer na Casa IX em quadratura com o Sol em Libra na Casa XI e no décimo segundo signo. O autor delimita a idade em que a direção de ambos acontecerá e o tempo de duração dessa direção:
Nós nos voltamos agora ao tratamento das dignidades e vemos aquele Marte sobrepujar ao Sol. Isto aponta um acidente sério para o pai, de forma que sobrevirá grandes desarranjos, pensamentos de morte e perdas dos bens por causa de alguma dissensão com exército ou com os comissários de polícia por causa da revolta contra os princípios [porque marte está na Casa 9, que representa a lei, enquanto o sol é o significador essencial do pai]. E isto acontecerá ao redor do décimo ano: quando a direção do lugar do Sol chegará ao lugar de marte [na verdade, a distancia entre o sol e a quadratura com marte equivale a dez anos de vida do nativo]. Termina o acidente à conclusão do décimo ano, pois Marte está em signo tropical e em casa cadente.Essa maneira de se delimitar o tempo de uma direção é bem similar aquela utilizada em Astrologia Horária para saber quando a questão acontecerá ou quanto tempo ela durará. Casas angulares e signos fixos prolongam o tempo do evento; casas cadentes e signos cardinais dão pouca duração ao evento. Signos mutáveis e casas sucedentes são um meio termo entre esses dois extremos. Como sol em quadratura com marte ocorria em Casas cadentes e em signos cardinais, o autor concluiu que os efeitos dessa direção durariam apenas um ano. Em verdade, nunca vi delimitação do tempo das direções semelhante em qualquer trabalho de astrologia medieval.
Com o argumento 2 suficientemente respondido por ora, resta-nos o último deles: o contra-argumento que defende as direções dizendo que nós não sabemos interpretá-las. Tenho descoberto que esse argumento pode ser definitivamente a causa do insucesso das direções na nossa prática atual. A experiencia tem me mostrado que os aspectos formados numa lista de direções não deve ser interpretado da mesma forma que nos mapas natais e horárias. Em contraste com esses tipos de mapas, a qualidade do aspecto - se ele é trígono, sextil, quadratura ou conjunção - tem sua importância demasiadamente diminuída nas direções.
Por exemplo: eventos violentos são normalmente mostrados em Revoluções por quadraturas e oposições de maléficos ao regente do ano, como ocorreu comigo em 2007; esperar que essa mesma lógica funcione em listas de aspectos de direções pode lhe deixar a ver navios. A cada dia em que estudo autores defensores das primárias, percebo que os eventos - mesmo sendo traumáticos - podem acontecer com aspectos ditos "suaves" e entre planetas benéficos - porque nas direções, o mais importante é a regência que um planeta tem sobre uma Casa, e não seu significado essencial. Assim sendo, sol em trígono com Júpiter pode representar um evento trágico se Júpiter estiver determinado a morte no mapa natal, seja por posição ou regência. Adicionadas a essas informações, Morin de Villefranche diz que a determinação dos planetas dirigidos na Revolução Solar dos anos em que elas se mantém ativadas pode ser determinante para se saber como a direção se manifestará.
Vivo no momento uma direção primária do Sol em trígono com Júpiter, ativada em 2007. O Sol é Almuten do meu ascendente, então direções solares dizem muito a respeito de coisas que me acontecerão diretamente. Júpiter rege as Casas IX (universidade, viagens) e XII (sufocos, internações), além de estar posicionado no oitavo signo (morte, tribulação) e na Casa VII (casamento). O dispositor de Júpiter é marte, determinando-o mais ainda a acidentes e a doença, uma vez que marte está na Casa VI do meu mapa. As desgraças marciais, porém, levam a livramento e a um tratamento médico de luxo, porque marte dispõe de Júpiter no signo de Escorpião. Júpiter também é regente da exaltação da Casa IV, então é importante para assuntos domésticos, como mudança de residencia. Uma simples direção como essa se alinha com diversos eventos significativos na minha vida - todos acontecerem em 2007 e no início de 2008 e seus desdobramentos se mantém ainda hoje, com exceção do meu diploma e da venda da casa:
- Atrasos na entrega do meu diploma (universidade e frustrações, casa IX e XII em combinação);
- Mudança de residencia e venda da minha casa antiga, com atrasos marcantes na negociação;
- Preparativos do meu Casamento, com a mudança de residencia da minha noiva para o Rio de Janeiro (coisa inesperada que foi essencial para que o casamento ocorresse);
- Queda de um muro, rendendo uma fratura de tíbia e fíbula direitas (aconteceu em 18 de novembro de 2007) com posterior osteomielite (janeiro de 2008). Operei duas vezes num dos melhos hospitais de traumato ortopedia do Brasil e até a presente data estou me recuperando com fisioterapia;
Espero que esse artigo tenha esclarecido algumas dúvidas sobre essa técnica. A cada dia em que eu a estudo, percebo que ela funciona mesmo. Gostaria de ouvir o feedback dos leitores pelo meu e-mail astrosfera@gmail.com


