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30/05/2008

Direções Primárias: algumas observações.

Sabe uma coisa que possui excelente reputação, mas que você experimentou e não chegou a mesma conclusão do discurso do senso comum? Pois as direções poderiam se encaixar nesse perfil. Por mais que eu tente, não consegui diversas vezes encontrar nada de significativo nas minhas direções. Muitas pessoas contra-argumentam - e por várias vezes eu tentei me contra-argumentar e ainda fazer um voto de confiança as direções, com os seguintes contra-argumentos:
  1. Uso as direções erradas, pois as verdadeiras só são calculadas por um software de Astrologia chamado Placidus;
  2. Meu horário de nascimento está errado, então as direções não funcionam.
  3. Não sei interpretar direções.
As Direções Primárias constituem numa das técnicas mais antigas de previsão. Associada ao estudo do Hyleg e do Alcocoden, era usada para delimitar o Arcus Vitae, isto é, a duração da vida, delimitando com precisão o mês do óbito (e alguns dizem o DIA do óbito). Além dessa função importante, eram as direções que norteavam a interpretação de técnicas como os transitos e as Revoluções Solares. Morin é categórico ao afirmar que uma configuração astrológica presente na Revolução de um dado ano precisa ser confirmada por direções correspondentes em significação, caso contrário elas não terão significância. Ou seja, é implícito que as direções ocupam o topo de uma lista de técnicas usadas pelos astrólogos medievais. Abaixo eu dou uma sugestão de como seria essa hierarquia de técnicas. As primeiras da lista são as mais importantes, decrescendo em significância a medida em que a lista desce:
  1. Direções primárias;
  2. Direções por termos do Ascendente;
  3. Profecções
  4. Revoluções Solares
  5. Trânsitos ou ingressos de planetas.
Existem várias maneiras de se calcular direções que não são do escopo desse artigo. Programas como os da série Solar Fire e Placidus (desenvolvido pelo astrólogo Rumen Kolev) contém as direções (o solar fire a chama as direções de "Primary Mundane": procure por este termo na janela que gera uma listagem de transitos e progressões).

Por falar em softwares de Astrologia que calculam direções, existe uma lenda de que o Placidus é o único programa que as calcula corretamente. Para desvendar esse mito, pedi a Paulo Silva, Astrólogo medieval proprietário de uma cópia do Placidus, para que gerasse uma lista com as minhas direções in mundo e com proporção Ptolomaica (1 grau de arco de direção equivalente a um ano de vida). Em seguida, eu as comparei com a lista gerada pelo Solar Fire, calculada com os mesmos parâmetros de análise (proporção ptolomaica e in mundo) e, para meu espanto, ambas eram idênticas... Dessa forma, faço as minhas direções pelo Solar Fire Deluxe sem culpa alguma até que me provem que mesmo o Placidus está errado... Sendo assim, o contra-argumento 1 é furado. Além disso, o feedback que adquiri de alguns astrólogos possuidores do Placidus é de que nem com esse programa em mãos eles conseguem ver algo significativo nas direções primárias...

Resta derrubar os contra-argumentos 2 e 3. Como ainda não tenho experiencia para dizer que meu horário de nascimento é errado ou não, o contra-argumento 2 se mantém, mas com um porém. Segundo Robert Zoller, as direções não indicam eventos específicos, mas sim épocas da vida em que seus significados se mantém fortes e geram eventos com significados semelhantes, até que uma nova direção assuma. Esse tipo de visão concebe as direções como uma "Firdaria", que dá um certo período de tempo a dois planetas do mapa natal. Se esta concepção estiver correta, não é necessário um horário de nascimento obsessivamente correto - salvo para se saber o Arcus Vitae, creio eu.

Talvez a explanação anterior seja confusa, então eu a esclarecerei com um exemplo. Supondo que seu horário de nascimento seja parcialmente correto - uma margem de erro de dez minutos. Se você calculasse com esse horário de nascimento uma lista de direções, vamos supor que há uma direção do Sol em trígono com o Ascendente para o dia 22 de junho de 2006. Se o Sol rege a Casa V e você teve dois filhos em dois anos sucessivos (como aconteceu com meu sogro em 1980 e 81) em 2006 e 2007 , então apesar da direção acima poder ser corrigida para a data ou mês em que você soube da primeira gravidez, ela vale para a segunda também, pois voce descobrirá que não há nenhuma direção para a segunda. Esta direção Sol-Asc valem portanto até que o Sol e o Ascendente participem de outra direção.

Há um relato no qual se interpreta o tempo de duração de uma direção por informações contidas na própria natividade. Abaixo temos um fragmento de um astrólogo medieval que provavelmente viveu no califado de al-Mutawakkil. A figura analisada tinha marte em Câncer na Casa IX em quadratura com o Sol em Libra na Casa XI e no décimo segundo signo. O autor delimita a idade em que a direção de ambos acontecerá e o tempo de duração dessa direção:
Nós nos voltamos agora ao tratamento das dignidades e vemos aquele Marte sobrepujar ao Sol. Isto aponta um acidente sério para o pai, de forma que sobrevirá grandes desarranjos, pensamentos de morte e perdas dos bens por causa de alguma dissensão com exército ou com os comissários de polícia por causa da revolta contra os princípios [porque marte está na Casa 9, que representa a lei, enquanto o sol é o significador essencial do pai]. E isto acontecerá ao redor do décimo ano: quando a direção do lugar do Sol chegará ao lugar de marte [na verdade, a distancia entre o sol e a quadratura com marte equivale a dez anos de vida do nativo]. Termina o acidente à conclusão do décimo ano, pois Marte está em signo tropical e em casa cadente.
Essa maneira de se delimitar o tempo de uma direção é bem similar aquela utilizada em Astrologia Horária para saber quando a questão acontecerá ou quanto tempo ela durará. Casas angulares e signos fixos prolongam o tempo do evento; casas cadentes e signos cardinais dão pouca duração ao evento. Signos mutáveis e casas sucedentes são um meio termo entre esses dois extremos. Como sol em quadratura com marte ocorria em Casas cadentes e em signos cardinais, o autor concluiu que os efeitos dessa direção durariam apenas um ano. Em verdade, nunca vi delimitação do tempo das direções semelhante em qualquer trabalho de astrologia medieval.

Com o argumento 2 suficientemente respondido por ora, resta-nos o último deles: o contra-argumento que defende as direções dizendo que nós não sabemos interpretá-las. Tenho descoberto que esse argumento pode ser definitivamente a causa do insucesso das direções na nossa prática atual. A experiencia tem me mostrado que os aspectos formados numa lista de direções não deve ser interpretado da mesma forma que nos mapas natais e horárias. Em contraste com esses tipos de mapas, a qualidade do aspecto - se ele é trígono, sextil, quadratura ou conjunção - tem sua importância demasiadamente diminuída nas direções.

Por exemplo: eventos violentos são normalmente mostrados em Revoluções por quadraturas e oposições de maléficos ao regente do ano, como ocorreu comigo em 2007; esperar que essa mesma lógica funcione em listas de aspectos de direções pode lhe deixar a ver navios. A cada dia em que estudo autores defensores das primárias, percebo que os eventos - mesmo sendo traumáticos - podem acontecer com aspectos ditos "suaves" e entre planetas benéficos - porque nas direções, o mais importante é a regência que um planeta tem sobre uma Casa, e não seu significado essencial. Assim sendo, sol em trígono com Júpiter pode representar um evento trágico se Júpiter estiver determinado a morte no mapa natal, seja por posição ou regência. Adicionadas a essas informações, Morin de Villefranche diz que a determinação dos planetas dirigidos na Revolução Solar dos anos em que elas se mantém ativadas pode ser determinante para se saber como a direção se manifestará.

Vivo no momento uma direção primária do Sol em trígono com Júpiter, ativada em 2007. O Sol é Almuten do meu ascendente, então direções solares dizem muito a respeito de coisas que me acontecerão diretamente. Júpiter rege as Casas IX (universidade, viagens) e XII (sufocos, internações), além de estar posicionado no oitavo signo (morte, tribulação) e na Casa VII (casamento). O dispositor de Júpiter é marte, determinando-o mais ainda a acidentes e a doença, uma vez que marte está na Casa VI do meu mapa. As desgraças marciais, porém, levam a livramento e a um tratamento médico de luxo, porque marte dispõe de Júpiter no signo de Escorpião. Júpiter também é regente da exaltação da Casa IV, então é importante para assuntos domésticos, como mudança de residencia.
Uma simples direção como essa se alinha com diversos eventos significativos na minha vida - todos acontecerem em 2007 e no início de 2008 e seus desdobramentos se mantém ainda hoje, com exceção do meu diploma e da venda da casa:
  • Atrasos na entrega do meu diploma (universidade e frustrações, casa IX e XII em combinação);
  • Mudança de residencia e venda da minha casa antiga, com atrasos marcantes na negociação;
  • Preparativos do meu Casamento, com a mudança de residencia da minha noiva para o Rio de Janeiro (coisa inesperada que foi essencial para que o casamento ocorresse);
  • Queda de um muro, rendendo uma fratura de tíbia e fíbula direitas (aconteceu em 18 de novembro de 2007) com posterior osteomielite (janeiro de 2008). Operei duas vezes num dos melhos hospitais de traumato ortopedia do Brasil e até a presente data estou me recuperando com fisioterapia;
O fato do aspecto entre o sol e júpiter ser um trígono não despertaria um alerta vermelho no astrólogo que analisasse minha lista de primárias - não despertou em mim. Pensei que teria muitas coisas boas oriundas dessa direção - de fato, se casar e ter um salário bom para padrões de solteiro (devido a graduação de médico) são coisas excelentes, mas por reger uma casa ruim da figura Júpiter também tem a sua medida de fel na interpretação, a despeito do trígono.

Espero que esse artigo tenha esclarecido algumas dúvidas sobre essa técnica. A cada dia em que eu a estudo, percebo que ela funciona mesmo. Gostaria de ouvir o feedback dos leitores pelo meu e-mail astrosfera@gmail.com







25/05/2008

coisas que voce não aprendeu - parte 2: o retorno da luz

Hoje vamos aprender um conceito muito interessante na dinâmica dos aspectos chamado "retorno da luz", também chamado de "Retorno da Virtude".

Quando um planeta "A" se aplica a outro "B", "A" compromete sua disposição e virtude ao outro. Se o planeta que receber a disposição estiver retrógrado ou em combustão, ele retorna a luz de "A" a ele mesmo.

O retorno de luz pode ser bom ou ruim. Se "A" estiver cadente e receber a luz retornada de "B", isso indica que o assunto não melhorará. O aspecto aplicativo de "A" cadente para "B" seria como um pedido de ajuda de uma pessoa com problemas e sem condições de agir a outra que possua melhor condição. Se "B" retorna a luz, é como se o pedido fosse negado, o que coloca "A" sem esperança alguma... Por outro lado, se o planeta "A" estiver angular ao se aplicar a "B", caso este retorne a luz, então o retorno é com melhoramento. Para saber que tipo de melhoramento é esse, leia o próximo parágrafo.

As fontes tradicionais não dizem exatamente o que ocorre após o retorno da luz, seja ele com melhoramento ou não. Alguns astrólogos - eu incluso - continuam analisando os próximos aspectos que o planeta realizará dentro do signo onde ele está originalmente posicionado. No meu mapa, a Lua em Touro angular se aplica a Júpiter retrógrado, que por estar assim retorna a luz lunar a ela mesma. Como o retorno da luz a um planeta angular é com melhoramento, para mim isso significa que devemos continuar a procurar um planeta ao qual a Lua se aplicará enquanto estiver em Touro. Depois de Júpiter, a Lua se aplica a Vênus em Aquário, que recebe o luminar em seu signo e pode resolver os assuntos que a Lua representa na minha figura.



Vejamos um outro caso - desta vez, infeliz - na mesma figura. Marte, regente do Ascendente, está em detrimento e retrógrado no signo de Libra. Ele recebe a aplicação do Sol em Aries e, por estar retrógrado, retorna a luz Solar. Como o Sol está cadente do Ascendente, o retorno não significa melhoramento para a questão. Ao analisar essa figura, Steven Birchfield disse que o Sol cadente recebendo o retorno da luz de marte implica uma questão sem início nem fim, a depender das casas que o sol rege. Eu mesmo considerava que o retorno da luz de marte ao sol deveria ser seguida da análise do aspecto posterior do Sol, que na figura seria uma oposição a Saturno, coisa que Steven não analisa.

Ainda não tenho condições de deduzir que o retorno de luz a um planeta cadente implique na falta de desfecho da questão. Talvez outros diálogos com Steven e outros colegas possam me esclarecer. Enquanto isso não ocorre, tomo por verdade o fato do retorno da luz a planetas angulares implicar a continuação da questão por aplicação ao planeta seguinte.

O próximo post vai nos ensinar a interpretar as recepções e o último planeta a receber a aplicação de outro: tudo tem um início e um fim. Ou quase tudo.

23/05/2008

coisas que voce não espera (porque não aprendeu)

Recentemente tenho estudado alguns princípios básicos pela terceira ou quarta vez; é pela experiencia de terceiros que vemos algumas coisas funcionarem na prática, daí retomamos textos onde não tínhamos percebido detalhes anteriormente.

Eu sou um grande admirador de Steven Birchfield, já comentado por essas bandas. Um astrólogo norte-americano, radicado na Noruega, que como Yuzuru diz tem um conhecimento enciclopédico além de uma "biblioteca de Alexandria" quando o assunto é Astrologia. Até hoje luto para saber onde ele conseguiu comprar alguns livros... Steven vai além do mercado editorial astrológico para pesquisar traduções medievais em universidades pelo mundo, sem problemas para ler, porque ele sabe várias línguas européias...

Por ter um vasto conhecimento, Steven consegue perceber as discrepâncias e semelhanças entre vários textos medievais e clássicos. Além do mais, sua clientela proporciona a oportunidade de aplicar conceitos que ele adquire em suas leituras - definitivamente, ele não é um homem de divagações teóricas...

Uma de suas conclusões mais interessantes é o questionamento dessa cisão que há entre Astrologia Horária e Natal; é nítido que o exercício da Astrologia Natal tem uma visão menos dinâmica do mapa do que aquela encontrada na interpretação de horárias; e o pior: essa "falha" é generalizada.

Porque temos de interpretar um mapa natal de um modo diferente de uma horária? Se os mesmos princípios deveriam ser aplicados em ambos os mapas, por que na prática não se vê o mesmo domínio da teoria dos aspectos no mapa natal? Conceitos como "transferência de luz", "proibição" e "corte de luz" são de rara interpretação mas eles influem - e muito - no desfecho de uma questão, seja ela natal ou horária!

Talvez essas coisas mereçam desmistificação. Talvez a teoria dos aspectos mereça um detalhamento que propicie ao estudante a capacidade de aplicar os conceitos ao invés de tão somente armazená-los no escaninho cerebral como mais uma informação inútil. Aí vai um sumário da teoria dos aspectos.

Aspectos para idiotas.


Quando um planeta "A" vai em direção a um planeta "B", sendo que "A" é mais rápido que "B" e ambos estão em signos que se aspectam, então aí há um aspecto aplicativo.

Além disso: quando "A" completar o aspecto com "B", dizemos que "A" compromete sua disposição a "B". Em outras palavras: "A" pede para resolver os assuntos que ele representa!

Se "A" rege a Casa X, ele tem a ver com carreira. Quando "A" se aplica a "B" e o aspecto é completado, "B" automaticamente se tornará responsável pela carreira. As coisas que "B" representa terão grande relação com o que o nativo faz profissionalmente.

Ex.: Venus em 4 de Touro regendo a Casa X; Saturno em 5 de Capricórnio regendo a Casa 1 e 2. Venus completará o aspecto em 5 de Touro, comprometendo sua disposição a Saturno, que será o responsável pelos assuntos que Venus antes representava. Saturno terá grande importância em descrever a profissão da pessoa. Regendo a Casa 1 e 2, ela terá relação com recursos e com o corpo da pessoa.

Nos próximos posts eu complico mais um pouco a teoria dos aspectos.

20/05/2008

Retorno Solar e Profecções (por Valens)

A grosso modo, a Revolução Solar é um mapa anual usado para atualizar e detalhar as coisas representadas pelo mapa natal. Entre os astrólogos clássicos, essa técnica era também chamada de ingresso. O termo "revolução" se tornou mais popular a partir dos árabes.

Igualmente popular a partir dos árabes foi a maneira de se calcular o retorno solar como conhecemos hoje: Calcula-se o ingresso para o exato momento em que o Sol retorna a sua posição natal. No período helenístico da Astrologia, porém, desconhecia-se uma técnica capaz de encontrar a posição do Sol natal. O ingresso ensinado pelos Astrólogos daquela época se baseava num procedimento diferente e mais simples para eles, que será mostrado abaixo:
  1. Espere o Sol retornar ao seu signo natal;
  2. Espere a Lua retornar ao seu signo e grau natais;
  3. A Revolução Solar deve ser calculada no momento em que a Lua chega ao início do grau natal. Por exemplo, se a sua Lua natal está em 03' 56' de Virgem, calcule o instante em que ela estará a 0300'' de Virgem.
Para você comparar as diferenças, olhe a minha revolução Solar de 2007, calculada pelo método "tradicional"...


... e compare com a Revolução calculada pelo método de Valens. Observação: minha lua natal está em 02 graus e 32 minutos de Touro:


Não creio que seja necessário somente calcular de um modo diferente. Talvez a maneira de se interpretar essa segunda revolução seja diferente em alguns aspectos. Mesmo assim, considero o que temos disponível da Astrologia helênica ou helenística muito pouco e incompleto, gerando a necessidade de se misturar conceitos gregos com medievais. Essa mistura, segundo alguns autores, é autentica e não seria um anacronismo pois o principal autor árabe, Abu Mashar, era seguidor estrito de Vettius Valens. Desse modo, respondendo a essa questão, eu começaria a interpretar essa Revolução de um modo semelhante a técnica interpretativa do ingresso convencional.


Profecções (como descritas por Valens e Dorotheus)

Algumas Profecções dos gregos também são calculadas de um modo diferente daquelas encontradas nos registros do período medieval. Adicionando a minha experiencia pessoal com profecções, tenho percebido que as profecções mensais e diárias como ensinadas pelos árabes não são muito efetivas em descrever a realidade. Sendo assim, descobrir como os gregos faziam profecções pode ser útil e finalmente responder a nossos anseios.

A Profecção anual dos gregos é exatamente a mesma ensinada por Abu Mashar. A cada ano, o Ascendente pula para o signo seguinte. Os planetas que estiverem no signo da profecção serão importantes neste ano, bem como o regente domiciliar do signo e seu
Al-mubtazz (o planeta que possuir as maiores dignidades no signo em questão). Devemos analisar estes planetas na Revolução Solar, pois suas posições neste mapa complementam as interpretações do mapa natal.

A Profecção mensal e diária difere daquela ensinada pelos autores medievais. O procedimento é simples:
  1. Conte quantos signos há entre o sol natal e a lua natal
  2. Conte o mesmo número de signos obtido em 1, mas a partir do Ascendente da Revolução Solar como ensinada pelos gregos. A profecção mensal começará no signo onde cair o cálculo.
Exemplo: No meu mapa natal, contando os signos entre o sol e a lua (e dando o número 1 ao signo solar), há um total de 2 signos. Como o ascendente da Revolução Solar helenística para 2007 caiu no signo de Peixes, contando 2 signos a partir deste faz com que a profecção mensal comece meu ano pessoal no signo de áries.

Quando o sol completar 30 graus a partir da data do meu aniversário (27 de março), a profecção mensal entrará em outro signo, e assim sucessivamente com os outros meses.

A Profecção diária dos gregos obedece o mesmo esquema encontrado nas profecções mensais, apenas invertendo a ordem que se conta o Sol e a Lua.
  1. Conte quantos signos há entre a Lua natal e o sol natal.
  2. Conte o mesmo número de signos obtidos em 1, mas a partir do ingresso grego.
Exemplo: no meu mapa natal, contando os signos a partir da lua natal até o sol (contando o signo lunar como o primeiro) há um total de 12 signos, pois o sol está no signo anterior a Lua. Como o Ascendente do ingresso é Peixes, a profecção diária começa em Aquário décimo segundo signo.

Quando a Lua completar 30 graus a partir do seu grau natal, a profecção diária muda de signo. Como a lua está no terceiro grau de Touro, a profecção mudará de signo quando estiver no terceiro grau de Gemeos, e assim sucessivamente.

Interessante notar que essas profecções se baseiam unicamente em movimentos celestes e não obedecem a contagem de dias humana para definir os ciclos.


Trânsitos sobre as profecções.


Ao contrário do que vemos nos registros medievais, era importante entre os gregos a combinação dos trânsitos com as Profecções, mas essa mistura obedecia a algumas regras lógicas.

Saturno demora cerca de dois anos e meio para percorrer apenas um signo. Assim sendo, é óbvio que ele ficará o ano inteiro afetando o mesmo dia do mês lunar da profecção diária. Devido a isso, Valens recomenda que se considerem apenas o transito de planetas rápidos na profecção diária. As Profecções mensais a anuais são mais tolerantes e consideram quaisquer planetas.

No próximo artigo, vamos estudar um caso no qual testaremos essas técnicas.

14/05/2008

Aspectos na antiguidade

Aqui vai a minha percepção dos aspectos na antiguidade, principalmente antes do período medieval.

Em primeiro lugar, preciso contra-argumentar o que alguns astrólogos tradicionais dizem acerca da astrologia moderna. Eu não sou um astrólogo pós-moderno. Minha abordagem segue princípios de interpretação medievais e clássicos, mas é preciso fazer jus sempre a verdade. Tampouco eu tenho necessidade de achacar meus colegas modernos. Sou muito bem resolvido nas minhas escolhas para fazer isso, logo eu acho desnecessário criticar demasiadamente colegas.

A contenda se resume no seguinte: alguns astrólogos medievalistas dizem que a Astrologia moderna dá muita enfase a aspectos. Isso é verdade; além disso, porém, meus colegas também criticam a prática moderna dizendo que nela os planetas mudam de significado quando eles entram em aspecto, porém nunca vi um astrólogo moderno defendendo isso. Ao contrário, creio que há muitas semelhanças entre o modo pelo qual um astrólogo clássico e um moderno interpretam os aspectos. A diferença reside na significação dos planetas: a prática moderna é essencialmente subjetiva na interpretação.

Quando eu estudava astrologia moderna e comportamental, lia intermináveis listas de aspectos - a maioria delas ignoravam as casas dos planetas em aspecto, coisa que tornavam as interpretações restritas aos seus significados essenciais. Isso não é novo. Em textos de astrólogos Bizantinos e Gregos já existem delineações de aspectos considerando-se os significados essenciais dos planetas. Repito que no que tange a aspectos, a única diferença entre clássicos e modernos são as interpretações dos planetas, porém o modo de interpretar é muito parecido, como veremos ainda nesse artigo.

Vejamos um aspecto, delineado a luz da astrologia moderna:

Vênus em quadratura com Saturno.

Vênus representa amor; Saturno, limitações. Esse aspecto pode indicar, dentre outras coisas, que a pessoa sente limitações na vida sentimental: como Saturno representa coisas sérias e a quadratura é o angulo do conflito, pode ser que ela tenha de escolher entre o amor e o trabalho e as decisões profissionais. Pode também indicar que as figuras femininas presentes na vida da pessoa sejam muito amargas - Vênus são mulheres e Saturno representa pessoas amargas, ressentidas, mal-humoradas. Existem outras interpretações, mas estas bastam para o exemplo.

Perceba que os significados de Vênus e Saturno se adicionam um ao outro. Vênus não deixa de ser Vênus - as mulheres, o amor, o sexo. Saturno, da mesma forma, continua sendo o grande maléfico. Contudo, temos a nossa frente uma combinação de dois elementos que gera um terceiro elemento diferente dos dois primeiros: a configuração Vênus-Saturno.

Vejamos a mesma combinação acima interpretada de acordo com os Astrólogos clássicos. Na Astrologia Clássica, Venus é significadora essencial de Casamento e de uniões sexuais; pode indicar também a mãe do nativo, se ele nasceu de dia. Saturno é significador de pessoas sujas, pobres e devassas, mas ao mesmo tempo ele pode indicar os ancestrais do nativo e pessoas mais velhas, até mesmo aquelas pessoas que possuem poder político e/ou rigor científico.

Classicamente, Vênus em quadratura com Saturno pode indicar que o nativo gosta de sexo (Vênus) menos convencional (Saturno), práticas que de alguma forma sejam bem diferentes ou muito mais exageradas do que as realizadas pela maioria. Pode indicar também que o nativo há de se envolver com mulheres (Vênus) mais pobres que ele (Saturno). A última alternativa seria supor que há envolvimento do sujeito (Vênus) com pessoas mais velhas (Saturno).

Percebeu a semelhança com a Astrologia Moderna? Com exceção dos significados dos planetas, a maneira de se interpretar é a mesma: os significados de um planeta são adicionados ao outro.

Pois então, as semelhanças acabam aqui.

Se você reparou, os dois textos acima não lhe ajudam em nada a discernir as situações encontradas no mapa. Quando Vênus-Saturno será pessoas sexualmente moderninhas? Quando será sexo com pobres? Quando será sexo com políticos? As semelhanças entre o moderno e o antigo param por aqui, com os clássicos se sobressaindo muito mais em técnica.

Alguém acha que o verdadeiro significado de Venus em aspecto com Saturno será dado por intermédio da intuição do Astrólogo? Ela pode até ajudar mesmo, mas podemos exercitar muito nossa cabecinha antes da intuição ser convocada. Até o último instante, devemos recorrer a técnica. Ela norteia a intuição. Graças a Deus, a Astrologia Clássica nos ajuda a descobrir o que Vênus Saturno representa pela técnica.

Todas as minhas delineações são oriundas de Vettius Valens e do excelente artigo escrito pela Astróloga Clelia Romano neste link. Aí vai a justificativa para Saturno
  • Saturno nos ângulos em aspecto com Vênus fala a favor de uma sexualidade fora do "normal" porque os ângulos são pontos bastante pessoais. Saturno estaria, portanto, "encarnado" na personalidade do nativo. Vênus iria junto.
  • Vênus em locais abjetos (Casas 12 e 6) em aspecto com Saturno fala a favor de sexo com mulheres mais pobres que o nativo porque o eixo 6-12 representa miséria, infortúnio e servidão. Existem outras maneiras de se encontrar esse mesmo significado, mas no momento basta um exemplo.
  • Se Vênus estiver em trígono com Saturno em bom estado, isso fala a favor de relacionamento com pessoas influentes. Isso porque o trígono coloca Saturno a 9 ou 5 signos de Vênus, sendo esses dois números (9 e 5) representantes de Casas-Signos de boa sorte, religião ou ciência.
Existem outras "dicas" dos alfarrábios que são completamente compreensíveis. Saturno unido a Vênus (outra maneira de dizer que ambos estão em aspecto) pode indicar sexo com pobres, mas isso é deixado de lado se ao mesmo tempo Vênus aspectar Júpiter. Isto porque Júpiter é significador essencial de riqueza. Nesse caso, Vênus-Saturno apenas indicaria que o nativo se relaciona com mulheres ricas e mais velhas que ele.

Aprender técnica astrológica antiga pode parecer inútil a primeira vista, mas quando se pratica nota-se nitidamente a importância de cada elemento aprendido.

12/05/2008

planetas na Casas

A posição de um planeta dentro de uma Casa pode indicar eventos de várias naturezas. Isso porque um planeta tem o seu estado alterado anualmente na Revolução Solar. Isso faz com que o planeta nunca se expresse da mesma forma numa mesma vida.

Se tenho mercúrio na Casa 12 regendo a Casa 3, não quer dizer que meu irmão terá sempre problemas todos os anos. Em primeiro lugar, para isso acontecer, mercúrio deve ser ativado em técnicas preditivas. Isso acontecerá em uma das formas abaixo:
  • Mercúrio deve reger a profecção do ano;
  • Mercúrio deve ser regente do ano da Revolução Solar;
  • Mercúrio deve ser regente dos Períodos Planetários;
  • Mercúrio deve estar angular na Revolução Solar;
Talvez você esteja estranhando os nomes das técnicas acima. Basta procurar no meu blog para ter uma noção delas. Fundamentalmente, são técnicas preditivas. Continuando: mesmo que mercúrio esteja numa Casa ruim no mapa natal e ao mesmo tempo ativado por técnicas preditivas, ainda assim isso não indica problemas. é preciso que mercúrio na revolução solar esteja ruim (em casas ruins, aspectado por maléficos) para confirmar o que vejo no mapa natal.

Se pudesse definir um significado para as técnicas preditivas, eu diria que elas atualizam o mapa natal. Devido a isso, o mapa natal isoladamente não deve ser julgado com exatidão: é preciso ser generalizado o suficiente, pois não somos oniscientes: não sabemos, no momento em que temos um mapa natal a nossa frente, todas as revoluções solares, profecções e Revoluções solares de cor. Essas técnicas nos ajudam a especificar o que o planeta representa no mapa natal. Se soubéssemos de todas as técnicas, teríamos uma noção real do que o mapa natal representa, mas isso seria difícil demais.