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22/04/2008

As Casas da Morte.

Quando se pensa em morte na Astrologia Moderna, após uma série de desculpas e desembaraços para se lidar com o tema, vem a nossa mente a Casa VIII. Na Astrologia Medieval, essa também é a Casa usada para a questão, porém existem mais duas que tem participação na delineação da morte: As Casas IV e VII. Como muitas coisas dos livros antigos, elas são citadas porém não são explicadas. Tal qual um rabino dedicado ao estudo do Torá, temos de buscar algum sentido para aquilo se quisermos "digerir" os aforismos. Caso contrário, estes passarão incompreensíveis ao nosso entendimento.

A Casa VII é o lugar onde os planetas se põem, e portanto guardam uma representação simbólica de morte. Autores gregos também consideram planetas na VII como representantes de eventos que acontecerão no fim da vida do nativo.

A Casa IV marca o fim de um ciclo, pois a partir dela o planeta volta a "subir" rumo ao Ascendente. Muitos autores usam a Casa IV para simbolizar as coisas que acontecem ao nativo depois que ele morre, bem como o seu processo de "desencarne".

Perceba que há algum sentido para considerar as duas Casas citadas como representantes da morte. Bem ou mal, elas representam o fim de um ciclo: A VII o fim do dia e a IV o "cume" da noite. Fazendo o mesmo exercício com a Casa VIII: se quiséssemos estabelecer uma ligação entre a disposição espacial da Casa VIII e sua simbologia, ela seria mais fraca que as relações encontradas nas Casas VIII e IV. De fato, na Casa VIII o sol começa a perder seu brilho, mas isso é bem diferente de morrer. O sol ainda brilha lá. Considerando essa observação, a Casa VIII poderia representar a senilidade, mas não é o que os autores falam. Por que há, então, o uso disseminado da Casa VIII para representar a morte?

Alguns autores respondem de um modo razoavel a essa questão: há registros de um sistema de divisão celeste em 8 Casas anterior ao sistema de 12 Casas atual, na qual a última representaria a morte do nativo. A grosso modo, essa "Casa 8" compreenderia o espaço entre as Casas 11 e 12 atuais. Com razão, esse sistema antigo era chamado era chamado de Oktopos. Com a mudança do sistema de 8 para 12 Casas, a Casa VIII manteve o significado soturno, mas ocupa um espaço diferente na disposição espacial do sistema: ao invés de continuar onde hoje ficam as Casas 12 e 11, ela fica acima da Casa VII.

Após essa retrospectiva histórica, a pulga da praticidade vem nos irritar: afinal de contas, qual das três Casas citadas (IV, VII e VIII) funciona melhor para questões mórbidas? Uma boa resposta será adquirida com a boa e velha prática. É preciso, porém, nos aproximarmos dela com alguma pré-concepção, de preferência algo fundamentado em autores anteriores. Baseado nos aforismos de autores árabes, o autor crê que todas as três casas possuam um papel na morte, e dá uma sugestão de como as Casas devam ser interpretadas:

  • Casas IV e VII: A elas normalmente se atribui o tipo de lesão que levou a morte, mas não a sua causa. Abubequer, autor árabe, diz que Saturno em signos de água na Casa IV em aspecto com maléficos pode representar morte por afogamento. Saturno tem uma grande conotação com água nos textos antigos. Soma-se a isso que a Casa IV, em termos espaciais, é considerada o lugar mais fundo do mapa, e por isso com tendência a acumular água. Quanto a Casa VII: Pululam aforismos nos quais a este setor representa morte por queimadura: segundo eles, é requerido que marte esteja nesta Casa em signo ígneo em aspecto com o Regente da Casa IV, o que nos traz uma importante observação: Como a Casa VII também representa mulheres, o autor sentia a necessidade de que um outro planeta representante da morte aspectasse o planeta ocupante da VII para que este representasse morte, algo que lembra o que foi discutido no post anterior.
  • Casa VIII: A Casa VIII não representa o tipo de lesão, mas sim a Causa primária da morte. Supondo que uma pessoa tenha sido assassinada por ter cometido adultério: A Causa primária da morte foi o adultério e esta é representada pela Casa VIII e seu regente; o tipo de lesão corporal que levou o nativo a morte é representado pela Casa VII ou IV e seus regentes. Além de representar morte, a Casa VIII é comumente encontrada em configurações na qual a pessoa não morre, mas passa por muita angústia. Normalmente esse detalhe passa longe das Casas IV e VII na prática usual.

Talvez seja interessante parar de se observar somente a Casa VIII e atentar para estas duas casas, normalmente dadas como pacatas.

um detalhe interessante

"Quando o Sol estiver unido corporalmente a Júpiter, na casa deste, e o Regente da Casa IV os aspectarem afortunadamente, indica boa posição e fortuna dos pais do nativo"
(Albubather. Sobre las Natividades. Vision Libros, 1986 by Edicomunicación, Barcelona.)

Este é um aforismo encontrado no livro de Albubather (também conhecido como Abubequer na literatura latina) que fala da fortuna dos pais. Perceba que ele cita três significadores:
  • Júpiter, significador essencial de riqueza;
  • Sol, significador essencial do pai (em mapas diurnos) e de notoriedade;
  • Regente da Casa IV, significador acidental do pai.

O Sol significa notoriedade mas nesse caso os pais não seriam famosos, e sim ricos. Os princípios desse aforismo são repetidos nas linhas seguintes, colocando Saturno - o significador noturno dos pais - no lugar do Sol.


"Quando Saturno em sua Casa ou Exaltação, proeminente, estiver no Meio do Céu e Júpiter for regente da Casa 4 e o aspectar favoravelmente, o pai do nativo será afortunado e rico." (ibid.)


O aforismo apresenta algumas contrariedades - é difícil Saturno estar no meio do Céu domiciliado e ao mesmo tempo Júpiter reger a Casa IV - e portanto devemos extrair dele somente o essencial. Saturno também significa o pai em natividades noturnas.

Talvez cada um dos aforismos acima representem o pai em natividades de partições diferentes - o primeiro deles para natividades diurnas, o segundo para noturnas. O autor não enfatiza essa distinção mas outros autores fazem questão de diferenciar a representação paterna a depender da hora do dia em que o nativo nasceu.

Resolvi postar os dois aforismos acima porque eles podem conter a resposta a um velho problema enfrentado por mim na interpretação de mapas. Nem sempre vejo Sol e Saturno representarem eficazmente a vida do pai nas natividades que analiso. Essa minha constatação só me leva a crer que as representações de Saturno e do Sol só terão relevância para a vida paterna se houver o reforço de outro planeta que represente os pais - no caso dos dois aforismos acima, o Regente da Casa IV. Esse reforço, segundo Abubequer, seria dado pelo aspecto do regente da Casa IV a um dos significadores citados. Se essa constatação for verdadeira, então temos uma maneira proveitosa de analisar significadores essenciais.

Os significadores essenciais são planetas que representam um assunto independente da Casa que eles regem. Em mapas diurnos, o Sol é significador essencial de pai, mesmo que ele não possua regência sobre a Casa IV. A mesma coisa Saturno em nascimentos noturnos. A grande crítica desses significadores se inicia com Morin de Villefranche, astrólogo francês do século XVI. Na sua opinião, os significadores essenciais não tem serventia porque seu estado cósmico não muda radicalmente para pessoas que nasceram num mesmo dia. Isso contraria toda a concepção de que cada natividade representa um único destino, a ser determinado pelas determinações locais de um planeta - sua posição por Casa e Regências. O que Morin não contrapõe a essa idéia é que um significador essencial tem a sua determinação local alterada ao longo das horas de um mesmo dia. Por exemplo, todas as pessoas que nasceram no dia 27 de março de 1982 possuem o Sol em Áries em oposição a Marte em Libra. O que muda é a posição desses astros ao longo do dia, que os coloca em diferentes casas ao longo das horas, determinando questões diferentes para esse significador essencial de pais que é o Sol. Seguindo a linha de raciocínio de Abubequer, chegaria a hora na qual o aspecto de marte com o Sol representaria com maior relevancia uma questão paterna importante por virtude de marte reger alguma hora a Casa IV - isto é, quando os signos de Áries ou Escorpião tomassem o Fundo do Céu ou fossem o quarto signo a partir do Ascendente.

O ponto de vista de Abubequer deve ser testado não somente com os significadores paternos, mas sim com qualquer outro assunto. Por exemplo: Vênus é significadora essencial de casamento. Em alguns mapas, contudo, percebo que Vênus não tem muita relevância para esse tema. Será que o aspecto de Vênus ao regente da Casa VII não tornaria suas questões mais pertinentes ao matrimônio? São questões que a prática responderá definitivamente.

17/04/2008

os cinco níveis de regencia

Com o boom da Astrologia Medieval e helenística, o papel dos regentes na Astrologia tem sido discutido com mais veemência nas últimas décadas. Morin de Villefranche, William Lilly e outros astrólogos a partir do Renascimento popularizaram o uso apenas do regente domiciliar, mas antes deles havia a prática generalizada o uso de cerca de cinco níveis de dignidade para cada grau zodiacal:
  1. Domicílio: 5 virtudes;
  2. Exaltação: 4 virtudes;
  3. Triplicidade: 3 virtudes;
  4. Termo: 2 virtudes;
  5. Face: 1 virtude.
Ao longo da idade média, criou-se a sistematização desses cinco níveis de dignidade num sistema de pontos, que pode ser conferido ao lado de cada uma delas, mas nem sempre foi assim. Robert Schmidt, um estudioso da Astrologia Grega contemporânea a autores como Vettius Valens e Ptolomeu, defende que cada nível de dignidade representa uma dimensão do assunto analisado. Isso entra em contraste com o que autores como Robert Zoller afirmam: segundo Zoller, todos os regentes da Casa ou Parte são importantes, e aquele que estiver em melhor estado no mapa será capaz de realizar os assuntos da Casa. Seguindo, porém, a visão de Schimidt, contra-argumentaríamos a proposição de Zoller afirmando que o regente domiciliar é o único que pode se submeter a esse tipo de análise qualitativa. Os outros regentes representariam descrições do assunto representado pela Casa, como apresentaremos ainda nesse artigo.

Fica muito difícil saber hoje qual seria a função de cada um dos níveis de regência mas, com o aumento das traduções dos textos medievais e clássicos, algumas funções de cada nível citado pode ser vislumbrado. Para cada um, publico qual seria a sua função.


Domicílio: Ele indica os assuntos com os quais a Casa ou Parte estão envolvidos; muitas vezes chamado de "Senhor da Casa", indica a prosperidade geral da Casa/Parte.

Ainda acerca dos regentes domiciliares, quando se estuda a saúde do nativo, Abu Ali al Khayyatt e Johannes Schoener dizem o seguinte (parafraseando):
A Lua e o Ascendente representam o corpo de um homem, enquanto seus regentes [domiciliares] falarão da sua alma. Assim, pois, se a Lua está em bom estado, porém não o seu regente, o nativo terá o corpo são, mas não a alma.
Nomes famosos da Astrologia, como Morin de Villefranche e William Lilly baseiam suas práticas sobre os regentes domiciliares. Esse tipo de regência ocupa um papel definitivo na Astrologia Horária, inclusive para descrever a forma da questão: se a questão for sobre um objeto perdido (Casa 2, objetos) e o regente da casa 2 for Vênus, pode ser algum utensílio de arte ou cosmético. Se for Saturno, alguma coisa antiga ou velha.


Exaltação: Abu Mashar, Bonatti e Abu Ali al khayyatt preferem o regente da Exaltação para representar pessoas importantes para o assunto estudado. Esse regente é mais usado em caso de questões envolvendo posições de autoridade, e tem um papel mais dinâmico que o regente domiciliar, até porque a expressão "exaltação" indica alguém que será subitamente elevado sobre os outros, escolhido ou eleito. Dentro desse contexto, o regente da Exaltação seria usado para questões sobre reinos, eleições políticas, vitórias, sucesso, etc.

O mais difícil mesmo é saber o que o regente da Exaltação representa para Casas que não tem nada a ver com fama e reputação. Acredito que o Astrólogo precisará de criatividade com essas casas. Por exemplo, uma pessoa que ganhe na loteria pode ter o regente da Exaltação da Casa 2 ou da Parte da Fortuna em bom estado, pois se trata de dinheiro envolvendo fama. é comum pessoas que ganham na loteria aparecerem na televisão.


Termos: Numa questão sobre objetos perdidos ou roubados, Bonatti diz que poderíamos saber de que material é feito o objeto analisando-se o regente dos termos. Voltando ao exemplo da Casa 2: se a cúspide da Casa 2 cai nos termos de marte, o material do objeto perdido pode ser ferro; se for Júpiter, ouro ou pedras preciosas.

Parece que os termos e o regente do domicílio possuem entre si uma relação de matéria e forma: assim, a cúspide da Casa 2 em Libra (signo regido por Vênus) mas nos termos de marte, poderia indicar alguma coisa ligada a arte/estética (Venus) feitas de materiais marciais (agressivos, duros, resistentes). Assim sendo, se o regente dos termos da questão estudada estiver em bom estado no mapa que analiso, provavelmente o material do assunto - seja ele concreto ou abstrato - será excelente.


Triplicidade: Talvez essa seja a dignidade mais confundida: era usada desde os autores gregos para se estudar a qualidade e a quantidade de uma questão ao longo do tempo. Durante a era medieval, porém, foi usada simultaneamente para se analisar a matéria da mesma forma que o regente domiciliar.

A Triplicidade funciona da seguinte forma: para cada elemento (fogo, terra, ar água) há três regentes. Cria-se para os três regentes de um dado elemento uma ordem de regência, a depender da parte do dia em que o mapa foi levantado. A seguir, dá-se a cada regente um terço da vida do nativo. Cada regente dirá a qualidade da manifestação dos eventos relativos a casa no seu terço correspondente. Os regentes da triplicidade representam, portanto, a qualidade dos tempos, e não da matéria.

Por exemplo: se a minha Casa 2 cai no signo de Gêmeos e o meu mapa é noturno: mercúrio é o regente noturno da triplicidade de ar, então ele é o primeiro planeta da ordem. Em seguida, Saturno assume a regencia. Finalizando, Júpiter rege a última parte do período de tempo analisado por ser regente participante da triplicidade de ar (e o participante sempre vem por último).

Se eu viver 75 anos, divido essa idade por tres e atribuo cada terço de vida a um regente da triplicidade na ordem que foi dada para mapas noturnos. Cada planeta - mercúrio, Saturno e Júpiter - vai dispor de 25 anos sobre questões financeiras. Assim sendo, se mercúrio está em mal estado, os primeiros 25 anos serão ruins para dinheiro; se Saturno estiver bem, a partir dos meus 25 anos terei melhorias no dinheiro; Júpiter finaliza a análise dizendo pelo seu estado como será o fim da minha vida em se tratando de recursos.

O regente da triplicidade é muito importante para se analisar a dimensão temporal, mas também para se conhecer assuntos diferentes regidos por uma mesma casa. Ibn Ezra, Alchabitius e Ali Aben Ragel apresentam listas nas quais se descreve o papel de cada regente para cada casa. Por exemplo, a Casa VII representa casamento, parcerias e inimigos declarados: assim sendo, o primeiro regente da triplicidade representará a esposa, o segundo as associações e o terceiro os inimigos.


Face: esta dignidade, que no esquema medieval vale apenas uma virtude, talvez por já naquela época um papel desvalorizado na interpretação. Ainda hoje ela é a mais desvalorizada e quase em desuso, embora talvez seja uma das mais antigas: a divisão do zodíaco em três partes já era habitual no Egito antigo e tinha conotações religiosas.

Talvez a expressão usada para escrever essa dignidade seja a pista que precisávamos para saber sua função: na idade média, Ali Aben Ragel e Abubater defendiam o uso das faces para descrever a aparência do nativo, de um modo quase literal - Abubater dizia que a dignidade de face do ascendente descrevia a face da pessoa!

O uso da Face para descrever a aparência é defendido por Bonatti em algumas questões. No sexto Tratado do Liber Astronomiae (sobre Astrologia Horária), no capítulo sobre objetos roubados, o autor italiano descreve a aparência do ladrão pela Face que ocupa a cúspide da Casa 7. Para esse uso, existe um porém: no mesmo capítulo, Bonatti descreve as 36 faces do zodíaco. As descrições de cada uma geralmente não coincidem com as qualidades do planeta que a rege. Por exemplo, a Face de Saturno poderia representar sempre uma pessoa de má aparencia, mas no esquema de Bonatti algumas Faces de Saturno representam pessoas belas e bem vestidas. Qual seria a razão para essa divergência? As descrição das Faces por Bonatti é claramente mitológica, e não planetária. Esse mesmo tipo de descrição aparece em textos indianos mais antigos, reputando as Faces a figuras complexas, como "um homem segurando uma faca na sua mão direita".

Existe um livro que descreve as imagens representadas por cada um dos graus zodiacais. Trata-se de um texto medieval recheado de imagens, que pode ser encontrado no site World Astrology.

15/04/2008

Brincando com o Local Space

Esse blog fala de técnicas medievais na sua maioria, mas é inevitável que algumas técnicas criadas recentemente despertem a atenção do autor. Uma delas é o Local Space. Mas isso serve para que?

Alguns astrólogos tiveram uma idéia: projetar em mapas terrestres as localizações dos planetas. Isso começou mais a fundo com Jim Lewis e sua Astrocartografia, na qual procurava-se no mapa-mundi a exata localização da posição dos planetas. O Local Space é um pouco diferente: ao invés de se usar o zodíaco, usamos o horizonte local e suas coordenadas. O mapa pode ser montado nos programas Solar Fire 5/Deluxe e em outros.

O mais interessente é montar o mapa do Local Space em cima do mapa onde a pessoa vive, colocando como ponto central a rua onde ela passará a maior parte do tempo. Nesse, caso, a cidade escolhida foi a natal. Parece que o mapa do Local Space montado sobre cidade natal revela a localização de outras cidades onde a pessoa morará ao longo da vida.


A ilustração acima foi montada no Adobe Photoshop CS: trata-se de uma montagem com duas camadas: na primeira, temos a janela do Google maps; a segunda, mais superior, o mapa Local Space fornecido pelo Solar Fire Deluxe, editado em Photoshop para ter um pano de fundo transparente, obviamente a fim de mostrar o mapa territorial que há abaixo.

Perceba que a linha de Saturno liga três cidades: Passos, Uberaba e Rio de Janeiro. A nativa morou nas três cidades em épocas diferentes da sua vida. Ela nasceu em Passos, fez faculdade em Uberaba e mora hoje no Rio de Janeiro para fazer residencia médica. Saturno está na terceira casa (viagens e estudos) no signo de Virgem, e rege as Casas VII (relacionamentos) e VII (angústia, morte); Saturno também rege a Casa IV (habitação, imóveis, terras) por exaltação.

Certas linhas do Local Space não tem significância nenhuma para a nativa, outras um pouco mais, mas Saturno desponta como uma linha muito ativada, e nos perguntamos o porque. Talvez o Local Space seja interessante apenas para localizar no mapa o regente da Casa III ou planetas que se posicionem no eixo III-IX, a indicar para onde a nativa viajará. No caso em questão, Saturno indica também onde ela morará por ser almuten da IV. Sendo assim, pergunto-me se teria utilidade sabermos em outros mapas onde se encontram os regentes da Casa III e IV no mapa territorial visualizado pelo Local Space.

Meus estudos em Local Space ainda são muito escassos e somente o tempo dirá se essa técnica é útil ou não. Uma coisa é certa: em mapas de pessoas que nunca viajarão, ele só serve para explorar a cidade onde o nativo vive. Nesses casos, devemos pegar o mapa do Google maps e reduzí-lo a ponto dele mostrar as ruas ao redor da Casa do nativo. Saber se o nativo viajará muito ou não é coisa típica da Astrologia Medieval, então vemos aqui um elo interessante entre as duas disciplinas.


Limitações do Local Space

Segundo Steve Cozzi, autor do livro "Planets in Locality" (Llewellyn, 1988), veja o que acontece com o LS quando o aplicamos para distancias grandes do ponto de partida das linhas:

"(...)Como as linhas estão viajando na superfície arredondada da Terra, elas formam um um movimento de curvas onduladas. Uma linha planetária projetada para o oeste começará a se curvar em direção ao sul até que ela tenha ultrapassado cerca de seis mil milhas. Então ela começará a se encurvar para o norte novamente. As linhas planetárias somente parecem viajar em linhas retas no seu lar ou comunidade. Esse efeito de encurvamento já é notado em cerca de 50 milhas de distancia. Devido a esse fenômeno, as linhas para distancias acima de 50 milhas devem ser projetadas, criou-se programas para plotar gráficos (veja a Figura 14a(...)." (Planets in Locality, primeira edição, página 64, último parágrafo).

Abaixo temos a figura 14a, digitalizada do livro de Steve Cozzi, para o entendimento do leitor.

50 milhas equivalem a aproximadamente 80 quilômetros e 450 metros. Essa distancia é bem inferior aquelas encontradas entre Passos e Rio de Janeiro, como no exemplo do autor; ainda no mesmo exemplo, percebemos que entre Passos e Uberaba há cerca de 160 quilômetros em linha reta, o que faz com que a linha reta aparece comece a apresentar uma leve curvatura. Essa curvatura não nos é dada pelo programa, assim sendo, deve-se ter cautela e não considerar essa ferramenta para propósitos de retificação de horário.



07/04/2008

Leis básicas da Astrologia Medieval

Seguindo os mandamentos abaixo, associados ao seu entendimento dos significados das Casas e dos planetas, poderá começar sua prática astrológicas em fundamentos firmes.

  1. Ao contrário do que se pensa hoje em dia, cada grau dos 360 contidos no zodíaco tem mais de um planeta Regente. Geralmente se usa cinco regentes para cada grau, em ordem decrescente de importância para aquele grau: Domicílio > Exaltação > Triplicidade > Termo > Face. Como na Astrologia Clássica são usados apenas sete planetas (Lua, Mercúrio, Venus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), evidentemente eles se repetirão em vários graus analisados, mas as regras abaixo trarão o entendimento de que esse detalhe não é muito importante e não prejudicará o estudo.
  2. O planeta regente será responsável pelo grau zodiacal se entrar em conjunção com ele, o aspectar (sextil, quadratura, trígono ou oposição) ou entrar em alguma forma de contato alternativo (antiscia e contra-antiscia). Quanto mais próximo o aspecto ou contato, mais envolvimento com o grau e com as coisas que estão contidas no grau, como Casas e Partes árabes.
  3. O planeta regente que aspectar o grau zodiacal por ele regido em um dos cinco níveis (domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face) apresenta um determinado estado terrestre e outro determinado estado celeste. Quanto melhor estiver quanto a esses dois estados, melhor realizará as coisas representadas pela Casa ou Parte árabe que estiver naquele grau. Quanto pior estiver, pior realizará.
  4. Estado terrestre é a posição do planeta em relação as Casas. Planetas em Casas Angulares (1>10>7>4) tem estado terrestre poderoso e realizam as coisas por eles representadas com muito poder, de um modo mais precoce e com longa duração, principalmente se estiver ao mesmo tempo em signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); planetas em Casas Sucedentes (11>5>2>8) realizam medianamente em duração e poder; planetas em Casas Cadentes (9>3>12>6) realizam com pouco tempo de duração.
  5. A exceção para um planeta Cadente ou Sucedente realizar por muito tempo e com muita força (como um planeta angular) é ele aspectar um planeta angular (vide Paulus Alexandrinus). Quanto mais próximo o aspecto, melhor será a ajuda.
  6. Estado Celeste é a posição do planeta em relação ao Zodíaco e em relação aos outros planetas (aspectos e outras formas de contato, como a conjunção e a antiscia). Se o planeta está no signo do seu domicílio (exemplo: Lua em câncer) ou da sua exaltação (como por exemplo a Lua em Touro), ele tem grande qualidade - ou seja, expressa sua natureza na hora e lugar certos, trazendo ganhos para a Casa ou Parte analisada. Ele tende a funcionar melhor, de uma forma mais nobre, serena e socialmente adequada, mesmo se for maléfico (como marte e Saturno). Caso contrário, o planeta pode estar no signo do seu detrimento (Lua em Capricórnio) ou do signo da sua queda (Lua em Escorpião) e representar condições difíceis, nas quais as pessoas ou coisas por ele representadas sofram, tenham pouco controle sobre as circunstancias, ou seja, funcionem num ambiente contrário a sua natureza. Planetas em detrimento são como uma pessoa numa terra onde não tem poder nenhum, um país estrangeiro, por exemplo, como Abu Mashar aponta no seu estudo sobre as Partes.
  7. O planeta que for aspectado por maléficos (marte e Saturno) pelos aspectos tensos (quadratura ou oposição) sem que seja recebido por eles nos seus signos possui um estado celeste ruim e se enquadram nas condições apontadas no item 6.
  8. Importante ressaltar que o estado celeste indica a qualidade da manifestação de um planeta, mas não a força e a duração da sua manifestação: esses itens ficam a cargo do estado terrestre.
  9. Um planeta que represente algo ruim para o nativo, se for maléfico e possuir um estado terrestre forte e simultaneamente um estado celeste péssimo, pode representar grandes desgraças na vida do indivíduo, principalmente se esse maléfico reger Casas ou Partes com significados ruins.
  10. Se os estados celeste e terrestre de um planeta forem péssimos, ele pode contribuir para destruir os assuntos representados pela Casa ou Parte que se encontra no grau do zodíaco analisado. Pelo contrário, se o estado terrestre e celeste de um planeta for excelente, ele indica que a casa ou parte por ele regida tem grande poder e qualidade na vida no nativo. Na maioria das vezes, contudo, os planetas terão estado celeste medíocre e o estudante deverá dizer tudo o que ele representa - as coisas boas e ruins. Ao contrário do que se pensa, elas não se neutralizam e acontecem todas ao mesmo tempo.
  11. Eventualmente, o mesmo grau pode ser aspectado ou contactado por mais de um regente dos sete acima listados. Prefere-se aquele que possua a dignidade mais importante do grau analisado (exemplo: o domicílio é preferível a exaltação, etc.) e ao mesmo tempo possua o melhor estado terrestre e celeste dentre todos os regentes do grau no mapa analisado. Pode acontecer que o melhor planeta que aspecte o grau analisado tenha o menor grau de dignidade essencial nele, enquanto os outros sejam muito mais fracos. Nesse caso, esse planeta será o melhor realizador dos assuntos representados pela Casa ou Parte analisada, embora os planetas principais (regente do domicílio ou da exaltação) do grau analisado não percam sua importância para ele e continuem a indicar eventos para qualquer ponto que esteja nesse grau - seja uma Casa ou Parte.
  12. Um grau pode ser aspectado por um planeta que não tenha dignidade nenhuma nele. Nesse caso, seu testemunho é mais fraco e deve ser deixado por último.
Evidentemente existem inúmeros outros detalhes no estudo da Astrologia Medieval, porém estas 12 regras são suficientes para se iniciar qualquer estudo de qualquer área da vida que se deseja analisar.

02/04/2008

o regente do ano em 2008


Como é tradicional no final de março, publico aqui a carta de ingresso do Brasil. Graças aos estudos da obra de Bonatti, começo a me familiarizar com Astrologia Mundial e posso dizer sem sombra de dúvida que se trata do ramo mais difícil e gratificante da Astrologia. Difícil porque a maioria dos Astrólogos erram muito; sem contar aqueles que só falam depois que acontece alguma coisa no país ou no mundo. Longe de ser uma crítica pesada (porque volta e meia procedo da mesma forma), creio que não devamos nos limitar a fazer constatações após o fato. Quanto ao segundo adjetivo atribuído a Astrologia Mundial - Gratificante - é notável que possuir algum mínimo conhecimento desse ramo já nos possibilita fazer algumas previsões certeiras. Igualmente notável - e gratificante - é perceber o quanto os posicionamentos dos planetas no zodíaco tropical correspondem a eventos mundiais, como o que vem acontecendo com Saturno no signo de Virgem e o aumento do preço do trigo e de outros generos alimentícios no Brasil e no mundo. Evidentemente, a Astrologia Mundial nos permite fazer muito mais previsões do que essa, mas graça no seio da Astrologia contemporânea uma quase total ignorância dos métodos antigos, que proporcionam resultados excelentes nas minhas poucas tentativas e observações. Infelizmente, a Astrologia Mundial Medieval consegue ser mais elitizada do que a Natal do mesmo período.

Começando pela Carta de ingresso brasileira - o método mais usado em Astrologia Medieval - a tradição nos recomenda escolher um regente do ano. Este planeta não deve ser confundido com o Regente do Ano da Profecção - conhecido entre os árabes por Salkhudah. Embora seus critérios de escolha sejam diferentes, ambos os "regentes do ano" tem uma função bem parecida - representar o estado geral do nativo ou nação no período estudado.

Idealmente, o regente do ano deve ser isento de aflições - retrogradação, combustão principalmente, seguido de detrimento ou queda e aspectos de maléficos. Eventualmente - como no mapa acima - a possibilidade de se encontrar um planeta nessas condições é quase nula. Sendo assim, temos de escolher o "menos pior". Tudo não passa de uma questão de conjuntura ou contexto.

O procedimento de escolha do regente do ano na Carta de Ingresso é o mais complexo com o qual lidei, mas segue diretrizes simples. Sua complexidade é justificada pela enorme lista de pretendentes. Quando um pretendente não se encaixa nos requisitos, passa-se ao seguinte. Há mais de cinqüenta! Seguindo as diretrizes, entretanto, percebe-se uma simplicidade que permite um resumo, a ser publicado aqui. Siga a ordem abaixo e encontrará o regente do ano:
  1. Veja se há algum planeta conjunto a cúspide do Ascendente - 4 graus atrás deste ou 3 a frente. Perceba se esse planeta tem alguma dignidade no Ascendente. A dignidade de domicílio é preferida a de exaltação, ou seja: havendo um caso excepcional de dois planetas conjuntos ao Ascendente e que possuam ali dignidade de domicílio e exaltação, escolha o planeta com dignidade de domicílio. Este planeta deve estar em movimento direto e livre dos raios do Sol, preferencialmente - Bonatti não ressalta que eles devem estar isentos de aspectos de maléficos, entretanto ele cita a expressão "isentos de qualquer impedimento";
  2. Não havendo planetas nas condições apontadas em "1", perceba se há um luminar do tempo (Sol de dia e Lua de noite) que esteja no Ascendente e tenha dignidade ali. Se ele estiver sem impedimentos, é o regente do ano.
  3. Se não há "2", veja se o regente dos termos do Ascendente está conjunto a ele e isento de aflições.
  4. Caso "3" não seja encontrado, veja se um dos regentes da triplicidade do Ascendente está conjunto a ele e isento de aflições.
  5. Não havendo "4", vá para a Casa X e realize o mesmo procedimento acima, de 1 até 4, mas dessa vez na Casa X.
  6. O procedimento agora pode ser rapidamente resumido. O astrólogo deve procurar planetas na Casa X com as mesmas condições que deveriam estar no Ascendente. Caso não encontre, ele deve proceder para a Casa VII e procurar planetas lá da mesma forma que procurou na Casa I e X. Em seguida a Casa VII, ele deve procurar na Casa IV. O procedimento conta com a seguinte ordem de Casas a procurar o regente do ano: Casa 1>10>7>4>11>9>5>3>2
  7. Se você não encontrar nenhum planeta nas ordem das Casas indicada no passo 6, então tem de procurar planetas sem dignidade que tenham regência sobre o luminar do tempo - Sol de dia, Lua de noite - ou o próprio luminar do tempo em Casas boas da figura, mesmo sem dignidade. Trata-se de um procedimento mais complexo e que recomendo literatura específica, como o Livro de Astronomia do Bonatti.
Tendo em vista as 7 diretrizes acima, voltamo-nos para a figura de ingresso. Não há nenhum planeta nas Casas 1, 10, 7, 4, 11, 9, 5 e 3. O Sol está no terceiro signo a partir do Ascendente, mas na segunda Casa. A quadratura que ele recebe de Marte acontece com recepção, mas marte está cadente e não pode tomar os assuntos do Sol. Os outros planetas estão cadentes do ascendente ou em Signos que não os aspectam. Nesta figura, o Sol seria o planeta menos pior para ser regente do ano. Venus está na sua Exaltação (Peixes) mas não consigo encontrar para ela uma relação clara com um fator que a tornaria regente do ano.

Se eu concluir algo diferente, volto nesse post e o edito, mas no momento sou levado a crer que o Sol é o Regente do Ano. E o que isso representa? O ano, para o Brasil, não será bom porque o Regente do Ano está aflito e numa Casa fraca, embora esteja em sua exaltação. A recepção entre o Sol e Marte tornam as coisas mais suaves, mas pode-se esperar esse ano conflito entre figuras de autoridade (Sol) e os seus aliados, representados por (Marte). Estas figuras de autoridade podem ter de lidar com problemas financeiros (Casa 2) e problemas de aplicação da lei (terceiro signo) e de relação com seus correligionários, também um tema do terceiro signo. Os aliados do presidente (marte) podem adoecer e terem o seu poder enfraquecido esse ano.

Agora que já analisamos os significados essenciais, vamos analisar as Casas que Marte e o Sol regem, bem como as casas dos significadores que eles representam. O Sol rege a Casa VII, que representa vizinhos e adversários do país. Marte rege a Casa III e a Casa X, a lei em prática, partidos políticos e o governante. Todas essas áreas sofrem demasiadamente devido a sua posição em Casas adversas. Os aliados do Rei sofrem mais ainda pois o regente da Casa XI (que os representa) está em queda na Casa XII - que representa inimigos secretos do país - e recebe uma quadratura de marte. Mercúrio - significador dos intelectuais e de assuntos referentes a Casa III - está em detrimento e em queda na Casa II, mas conjunto a Vênus, o que melhora seu estado, ainda mais que Vênus o recebe em sua exaltação e triplicidade.

Diante do quadro exposto, o presidente Lula pode ter um grande baque, oriundo da base governista, porque aliados (regente da Casa XI) podem virar inimigos (Casa XII). Os aliados do presidente podem contrair muitas dívidas - outro significado da Casa XII - para o país. Esses aliados não representariam grandes problemas porque estão cadentes, mas como Lula está no mapa em Casa igualmente fraca, talvez isso represente uma queda. Além dos aliados do governante, Júpiter também representa os empresários, que estão em mal estado nesse ano, o que indica um retrocesso no crescimento econômico brasileiro.

A possibilidade de conflitos está levantada porque Marte se separa de Saturno e se aplica a Júpiter. Essa configuração não indica uma guerra, mas adversários insignificantes do país. De qualquer forma, conflitos são esperados, mais do que nos anos em que marte não faz contatos com Júpiter e Saturno.

Podemos saber as razões das viagens do presidente analisando o regente da Casa IX. Estando na Casa II, Lula viajará no último ano do seu mandato devido para resolver problemas financeiros. Provavelmente viajará para assinar acordos comerciais com outros países.

Finalmente, a população. Esse ano, o povo em geral experimentará angústia devido a posição do Regente da Casa I na VIII. Por conta disso, a taxa de mortalidade também aumentará. Esses temas são corroborados pela presença da Lua - significadora geral do povo - na mesma Casa VIII. O signo de Virgem representa de onde virão os maiores problemas para o povo. Como esse assunto me é demasiadamente novo, me abstenho de publicar algo sobre o papel dos signos em astrologia mundial. As casas VIII e VI, quando determinadas ao povo, falam de epidemias.

Conclusões - o ano não será bom para o PT, comprometendo a corrida presidencial do partido. Lula terá suas propostas impedidas como nunca antes pela oposição. Rivalidades se revelarão com maior intensidade entre o Brasil e países vizinhos. O país terá seu crescimento diminuído e Lula poderá viajar para fazer acordos comerciais com outros países.