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Achados da prática - Primeiro Caso - Os aspectos

Minha proposta para o blog consiste em demonstrar a teoria na prática. Assim sendo, sempre que encontrar algum achado interessante e consoante com os textos antigos, publicarei sob o título de "Achados da prática".

No primeiro volume dessa série, vamos aprender uma maneira de aplicar as interpretações dos aspectos contidas nos textos antigos. Se você não tem livros de Astrologia Clássica, sugiro que entre aqui. Também há o site Cielo e Terra, que dispõe as interpretações de quase todos os aspectos dos planetas tradicionais em italiano. Sugiro que você encontre um bom software de tradução e leia todas as interpretações. Aliás, o exemplo abaixo pode ser encontrado no site e foi traduzido por mim...

Certo dia, lia no Cielo e Terra a interpretação de Saturno em Conjunção com Júpiter:

Sendo ambos em movimento direto e orientais, convêm à administração e à tutela para a confiança dos negócios e de substâncias estrangeiras. O nativo será estimado, se Marte não observar a configuração. Segundo Valens, a copresença de Saturno e Júpiter denota vantagens subsequentes a mortes, como também de bens imóveis e da administração.

Qualquer pessoa com o mínimo de experiência astrológica reagiria com críticas a esse trecho. Em primeiro lugar, Júpiter e Saturno são os planetas mais lentos: milhares de pessoas nascerão com ambos no mesmo signo e em orbe de conjunção. Será que todas essas pessoas terão as vantagens supracitadas? Pergunta cuja resposta já se sabe, mas veja o mapa abaixo:



Vê-se uma conjunção Júpiter-Saturno no signo de Libra. Como já vimos, trata-se de uma união de significado bom segundo os textos antigos. Por Júpiter comprometer sua disposição e virtude a Saturno e este recebê-lo no signo da sua exaltação, a bondade da conjunção aumenta ainda mais. A conjunção ocorre na Casa I mas no segundo signo a partir do Ascendente. Ela pode se referir a nativa, portanto, mas não há contato próximo do regente do Asc. com a união citada.

A nativa não faz nada referente a administração de recursos financeiros. Ela é psiquiatra. Todavia, ao me perguntarem sobre o parceiro dela, noto que o regente da Casa 7 é Júpiter, co-presente com Saturno no Oitavo Signo a partir do Sétimo. Interrogado sobre as circunstâncias e escolhas do seu parceiro e baseando-me na interpretação clássica da conjunção, disse que ele fazia administração de empresas. Em seguida, indaguei-me se o mesmo poderia ser dito do pai da nativa, uma vez que Júpiter também regia a Casa IV.

A resposta veio imediatamente. De fato, o namorado dessa moça faz administração de empresas, seu pai não. Este é comerciante e tem seu próprio negócio, mas também administra recursos. Todavia, Para a Casa IV Júpiter se encontra na Décima, então o tema envolve muito mais os negócios e o dinheiro do pai do que propriamente o dinheiro de terceiros.

Como podemos ver, a conjunção repetiu significações contidas em manuscritos de centenas de anos atrás, porém adaptadas à contemporaneidade. As lições dessa constatação nos ajudam a posicionar as diversas opiniões acerca de uma problemática muito comum na Astrologia: o paradigma da quantidade de seres humanos que possuem um mesmo fator no horóscopo, sejam planetas no mesmo signo ou simplesmente aspectos - como a conjunção Júpiter-Saturno. Para resolver essa questão, astrólogos mais recentes tendem a adotar o posicionamento adotado por Morin de Villefranche.

Para Morin, os fatores que tendem a individualizar o mapa são mais importantes do que as configurações que tendem a se repetir em várias natividades. O aspecto entre Júpiter e Saturno constará em milhares de mapas de pessoas nascidas num mesmo mês, quiçá trimestre, logo ele é menos importante e somente deve ser considerado em função da sua posição nas Casas. Como o Ascendente é o ponto mais rápido do mapa e define todas as Casas, um aspecto lento como Júpiter-Saturno só pode ser interpretado se considerarmos a posição dos planetas lentos.

A postura de Morin, contudo, tende a ser radical e a ignorar informação importante, que pode ser usada como no exemplo acima. É comum aspectos de planetas lentos não terem interpretação natal nos livros modernos. Geralmente os autores apenas se referem a fenômenos mundiais que aconteceram na vigência desses aspectos. Tal conduta é simplista, se considerarmos que a Conjunção acima tem uma interpretação natal que pode ser posta em prática com sucesso, mesmo sendo uma união entre planetas lentos.

Como aplicar, então, as interpretações de qualquer aspecto, seja ele de planetas lentos ou rápidos? Em primeiro lugar, é preciso tomar consciência que o aspecto tem um significado a despeito da velocidade dos planetas; esse significado, contudo, deve se restringir às Casas que os planetas regem ou nas quais se posicionam.

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