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o regente do ano em 2008


Como é tradicional no final de março, publico aqui a carta de ingresso do Brasil. Graças aos estudos da obra de Bonatti, começo a me familiarizar com Astrologia Mundial e posso dizer sem sombra de dúvida que se trata do ramo mais difícil e gratificante da Astrologia. Difícil porque a maioria dos Astrólogos erram muito; sem contar aqueles que só falam depois que acontece alguma coisa no país ou no mundo. Longe de ser uma crítica pesada (porque volta e meia procedo da mesma forma), creio que não devamos nos limitar a fazer constatações após o fato. Quanto ao segundo adjetivo atribuído a Astrologia Mundial - Gratificante - é notável que possuir algum mínimo conhecimento desse ramo já nos possibilita fazer algumas previsões certeiras. Igualmente notável - e gratificante - é perceber o quanto os posicionamentos dos planetas no zodíaco tropical correspondem a eventos mundiais, como o que vem acontecendo com Saturno no signo de Virgem e o aumento do preço do trigo e de outros generos alimentícios no Brasil e no mundo. Evidentemente, a Astrologia Mundial nos permite fazer muito mais previsões do que essa, mas graça no seio da Astrologia contemporânea uma quase total ignorância dos métodos antigos, que proporcionam resultados excelentes nas minhas poucas tentativas e observações. Infelizmente, a Astrologia Mundial Medieval consegue ser mais elitizada do que a Natal do mesmo período.

Começando pela Carta de ingresso brasileira - o método mais usado em Astrologia Medieval - a tradição nos recomenda escolher um regente do ano. Este planeta não deve ser confundido com o Regente do Ano da Profecção - conhecido entre os árabes por Salkhudah. Embora seus critérios de escolha sejam diferentes, ambos os "regentes do ano" tem uma função bem parecida - representar o estado geral do nativo ou nação no período estudado.

Idealmente, o regente do ano deve ser isento de aflições - retrogradação, combustão principalmente, seguido de detrimento ou queda e aspectos de maléficos. Eventualmente - como no mapa acima - a possibilidade de se encontrar um planeta nessas condições é quase nula. Sendo assim, temos de escolher o "menos pior". Tudo não passa de uma questão de conjuntura ou contexto.

O procedimento de escolha do regente do ano na Carta de Ingresso é o mais complexo com o qual lidei, mas segue diretrizes simples. Sua complexidade é justificada pela enorme lista de pretendentes. Quando um pretendente não se encaixa nos requisitos, passa-se ao seguinte. Há mais de cinqüenta! Seguindo as diretrizes, entretanto, percebe-se uma simplicidade que permite um resumo, a ser publicado aqui. Siga a ordem abaixo e encontrará o regente do ano:
  1. Veja se há algum planeta conjunto a cúspide do Ascendente - 4 graus atrás deste ou 3 a frente. Perceba se esse planeta tem alguma dignidade no Ascendente. A dignidade de domicílio é preferida a de exaltação, ou seja: havendo um caso excepcional de dois planetas conjuntos ao Ascendente e que possuam ali dignidade de domicílio e exaltação, escolha o planeta com dignidade de domicílio. Este planeta deve estar em movimento direto e livre dos raios do Sol, preferencialmente - Bonatti não ressalta que eles devem estar isentos de aspectos de maléficos, entretanto ele cita a expressão "isentos de qualquer impedimento";
  2. Não havendo planetas nas condições apontadas em "1", perceba se há um luminar do tempo (Sol de dia e Lua de noite) que esteja no Ascendente e tenha dignidade ali. Se ele estiver sem impedimentos, é o regente do ano.
  3. Se não há "2", veja se o regente dos termos do Ascendente está conjunto a ele e isento de aflições.
  4. Caso "3" não seja encontrado, veja se um dos regentes da triplicidade do Ascendente está conjunto a ele e isento de aflições.
  5. Não havendo "4", vá para a Casa X e realize o mesmo procedimento acima, de 1 até 4, mas dessa vez na Casa X.
  6. O procedimento agora pode ser rapidamente resumido. O astrólogo deve procurar planetas na Casa X com as mesmas condições que deveriam estar no Ascendente. Caso não encontre, ele deve proceder para a Casa VII e procurar planetas lá da mesma forma que procurou na Casa I e X. Em seguida a Casa VII, ele deve procurar na Casa IV. O procedimento conta com a seguinte ordem de Casas a procurar o regente do ano: Casa 1>10>7>4>11>9>5>3>2
  7. Se você não encontrar nenhum planeta nas ordem das Casas indicada no passo 6, então tem de procurar planetas sem dignidade que tenham regência sobre o luminar do tempo - Sol de dia, Lua de noite - ou o próprio luminar do tempo em Casas boas da figura, mesmo sem dignidade. Trata-se de um procedimento mais complexo e que recomendo literatura específica, como o Livro de Astronomia do Bonatti.
Tendo em vista as 7 diretrizes acima, voltamo-nos para a figura de ingresso. Não há nenhum planeta nas Casas 1, 10, 7, 4, 11, 9, 5 e 3. O Sol está no terceiro signo a partir do Ascendente, mas na segunda Casa. A quadratura que ele recebe de Marte acontece com recepção, mas marte está cadente e não pode tomar os assuntos do Sol. Os outros planetas estão cadentes do ascendente ou em Signos que não os aspectam. Nesta figura, o Sol seria o planeta menos pior para ser regente do ano. Venus está na sua Exaltação (Peixes) mas não consigo encontrar para ela uma relação clara com um fator que a tornaria regente do ano.

Se eu concluir algo diferente, volto nesse post e o edito, mas no momento sou levado a crer que o Sol é o Regente do Ano. E o que isso representa? O ano, para o Brasil, não será bom porque o Regente do Ano está aflito e numa Casa fraca, embora esteja em sua exaltação. A recepção entre o Sol e Marte tornam as coisas mais suaves, mas pode-se esperar esse ano conflito entre figuras de autoridade (Sol) e os seus aliados, representados por (Marte). Estas figuras de autoridade podem ter de lidar com problemas financeiros (Casa 2) e problemas de aplicação da lei (terceiro signo) e de relação com seus correligionários, também um tema do terceiro signo. Os aliados do presidente (marte) podem adoecer e terem o seu poder enfraquecido esse ano.

Agora que já analisamos os significados essenciais, vamos analisar as Casas que Marte e o Sol regem, bem como as casas dos significadores que eles representam. O Sol rege a Casa VII, que representa vizinhos e adversários do país. Marte rege a Casa III e a Casa X, a lei em prática, partidos políticos e o governante. Todas essas áreas sofrem demasiadamente devido a sua posição em Casas adversas. Os aliados do Rei sofrem mais ainda pois o regente da Casa XI (que os representa) está em queda na Casa XII - que representa inimigos secretos do país - e recebe uma quadratura de marte. Mercúrio - significador dos intelectuais e de assuntos referentes a Casa III - está em detrimento e em queda na Casa II, mas conjunto a Vênus, o que melhora seu estado, ainda mais que Vênus o recebe em sua exaltação e triplicidade.

Diante do quadro exposto, o presidente Lula pode ter um grande baque, oriundo da base governista, porque aliados (regente da Casa XI) podem virar inimigos (Casa XII). Os aliados do presidente podem contrair muitas dívidas - outro significado da Casa XII - para o país. Esses aliados não representariam grandes problemas porque estão cadentes, mas como Lula está no mapa em Casa igualmente fraca, talvez isso represente uma queda. Além dos aliados do governante, Júpiter também representa os empresários, que estão em mal estado nesse ano, o que indica um retrocesso no crescimento econômico brasileiro.

A possibilidade de conflitos está levantada porque Marte se separa de Saturno e se aplica a Júpiter. Essa configuração não indica uma guerra, mas adversários insignificantes do país. De qualquer forma, conflitos são esperados, mais do que nos anos em que marte não faz contatos com Júpiter e Saturno.

Podemos saber as razões das viagens do presidente analisando o regente da Casa IX. Estando na Casa II, Lula viajará no último ano do seu mandato devido para resolver problemas financeiros. Provavelmente viajará para assinar acordos comerciais com outros países.

Finalmente, a população. Esse ano, o povo em geral experimentará angústia devido a posição do Regente da Casa I na VIII. Por conta disso, a taxa de mortalidade também aumentará. Esses temas são corroborados pela presença da Lua - significadora geral do povo - na mesma Casa VIII. O signo de Virgem representa de onde virão os maiores problemas para o povo. Como esse assunto me é demasiadamente novo, me abstenho de publicar algo sobre o papel dos signos em astrologia mundial. As casas VIII e VI, quando determinadas ao povo, falam de epidemias.

Conclusões - o ano não será bom para o PT, comprometendo a corrida presidencial do partido. Lula terá suas propostas impedidas como nunca antes pela oposição. Rivalidades se revelarão com maior intensidade entre o Brasil e países vizinhos. O país terá seu crescimento diminuído e Lula poderá viajar para fazer acordos comerciais com outros países.

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