Pular para o conteúdo principal

Leis básicas da Astrologia Medieval

Seguindo os mandamentos abaixo, associados ao seu entendimento dos significados das Casas e dos planetas, poderá começar sua prática astrológicas em fundamentos firmes.

  1. Ao contrário do que se pensa hoje em dia, cada grau dos 360 contidos no zodíaco tem mais de um planeta Regente. Geralmente se usa cinco regentes para cada grau, em ordem decrescente de importância para aquele grau: Domicílio > Exaltação > Triplicidade > Termo > Face. Como na Astrologia Clássica são usados apenas sete planetas (Lua, Mercúrio, Venus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), evidentemente eles se repetirão em vários graus analisados, mas as regras abaixo trarão o entendimento de que esse detalhe não é muito importante e não prejudicará o estudo.
  2. O planeta regente será responsável pelo grau zodiacal se entrar em conjunção com ele, o aspectar (sextil, quadratura, trígono ou oposição) ou entrar em alguma forma de contato alternativo (antiscia e contra-antiscia). Quanto mais próximo o aspecto ou contato, mais envolvimento com o grau e com as coisas que estão contidas no grau, como Casas e Partes árabes.
  3. O planeta regente que aspectar o grau zodiacal por ele regido em um dos cinco níveis (domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face) apresenta um determinado estado terrestre e outro determinado estado celeste. Quanto melhor estiver quanto a esses dois estados, melhor realizará as coisas representadas pela Casa ou Parte árabe que estiver naquele grau. Quanto pior estiver, pior realizará.
  4. Estado terrestre é a posição do planeta em relação as Casas. Planetas em Casas Angulares (1>10>7>4) tem estado terrestre poderoso e realizam as coisas por eles representadas com muito poder, de um modo mais precoce e com longa duração, principalmente se estiver ao mesmo tempo em signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); planetas em Casas Sucedentes (11>5>2>8) realizam medianamente em duração e poder; planetas em Casas Cadentes (9>3>12>6) realizam com pouco tempo de duração.
  5. A exceção para um planeta Cadente ou Sucedente realizar por muito tempo e com muita força (como um planeta angular) é ele aspectar um planeta angular (vide Paulus Alexandrinus). Quanto mais próximo o aspecto, melhor será a ajuda.
  6. Estado Celeste é a posição do planeta em relação ao Zodíaco e em relação aos outros planetas (aspectos e outras formas de contato, como a conjunção e a antiscia). Se o planeta está no signo do seu domicílio (exemplo: Lua em câncer) ou da sua exaltação (como por exemplo a Lua em Touro), ele tem grande qualidade - ou seja, expressa sua natureza na hora e lugar certos, trazendo ganhos para a Casa ou Parte analisada. Ele tende a funcionar melhor, de uma forma mais nobre, serena e socialmente adequada, mesmo se for maléfico (como marte e Saturno). Caso contrário, o planeta pode estar no signo do seu detrimento (Lua em Capricórnio) ou do signo da sua queda (Lua em Escorpião) e representar condições difíceis, nas quais as pessoas ou coisas por ele representadas sofram, tenham pouco controle sobre as circunstancias, ou seja, funcionem num ambiente contrário a sua natureza. Planetas em detrimento são como uma pessoa numa terra onde não tem poder nenhum, um país estrangeiro, por exemplo, como Abu Mashar aponta no seu estudo sobre as Partes.
  7. O planeta que for aspectado por maléficos (marte e Saturno) pelos aspectos tensos (quadratura ou oposição) sem que seja recebido por eles nos seus signos possui um estado celeste ruim e se enquadram nas condições apontadas no item 6.
  8. Importante ressaltar que o estado celeste indica a qualidade da manifestação de um planeta, mas não a força e a duração da sua manifestação: esses itens ficam a cargo do estado terrestre.
  9. Um planeta que represente algo ruim para o nativo, se for maléfico e possuir um estado terrestre forte e simultaneamente um estado celeste péssimo, pode representar grandes desgraças na vida do indivíduo, principalmente se esse maléfico reger Casas ou Partes com significados ruins.
  10. Se os estados celeste e terrestre de um planeta forem péssimos, ele pode contribuir para destruir os assuntos representados pela Casa ou Parte que se encontra no grau do zodíaco analisado. Pelo contrário, se o estado terrestre e celeste de um planeta for excelente, ele indica que a casa ou parte por ele regida tem grande poder e qualidade na vida no nativo. Na maioria das vezes, contudo, os planetas terão estado celeste medíocre e o estudante deverá dizer tudo o que ele representa - as coisas boas e ruins. Ao contrário do que se pensa, elas não se neutralizam e acontecem todas ao mesmo tempo.
  11. Eventualmente, o mesmo grau pode ser aspectado ou contactado por mais de um regente dos sete acima listados. Prefere-se aquele que possua a dignidade mais importante do grau analisado (exemplo: o domicílio é preferível a exaltação, etc.) e ao mesmo tempo possua o melhor estado terrestre e celeste dentre todos os regentes do grau no mapa analisado. Pode acontecer que o melhor planeta que aspecte o grau analisado tenha o menor grau de dignidade essencial nele, enquanto os outros sejam muito mais fracos. Nesse caso, esse planeta será o melhor realizador dos assuntos representados pela Casa ou Parte analisada, embora os planetas principais (regente do domicílio ou da exaltação) do grau analisado não percam sua importância para ele e continuem a indicar eventos para qualquer ponto que esteja nesse grau - seja uma Casa ou Parte.
  12. Um grau pode ser aspectado por um planeta que não tenha dignidade nenhuma nele. Nesse caso, seu testemunho é mais fraco e deve ser deixado por último.
Evidentemente existem inúmeros outros detalhes no estudo da Astrologia Medieval, porém estas 12 regras são suficientes para se iniciar qualquer estudo de qualquer área da vida que se deseja analisar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

o melhor livro de astrologia dos últimos tempos.

Você, leitor que começa a se interessar em astrologia, está diante de uma chance única de começar a aprender a arte da melhor forma possível. Nesse artigo, eu apresento um link com o download para o melhor livro de astrologia medieval com o qual eu me deparei nos últimos tempos.

Acho que não estou exagerando. Invejo quem começaria a estudar astrologia pelo que vou apresentar nesse artigo. Se em 2003, ano em que comecei a me interessar por astrologia, alguém me oferecesse esse livro, teria poupado minhas retinas de uma colossal quantidade de lixo.

Talvez, por ainda não ter visto tanto lixo, eu não saberia valorizar o momento em que me deparo com uma obra como essa. Valorizando ou não, se tivesse essa obra nas minhas mãos inexperientes em 2003, teria começado a estudar astrologia em alicerces sólidos o bastante para que deles eu não saísse nunca mais.

Livros bons, trabalho árduo (para obtê-los)  A astrologia praticada de forma mais aprofundada é um saber não tão popular quanto se pen…