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Brincando com o Local Space

Esse blog fala de técnicas medievais na sua maioria, mas é inevitável que algumas técnicas criadas recentemente despertem a atenção do autor. Uma delas é o Local Space. Mas isso serve para que?

Alguns astrólogos tiveram uma idéia: projetar em mapas terrestres as localizações dos planetas. Isso começou mais a fundo com Jim Lewis e sua Astrocartografia, na qual procurava-se no mapa-mundi a exata localização da posição dos planetas. O Local Space é um pouco diferente: ao invés de se usar o zodíaco, usamos o horizonte local e suas coordenadas. O mapa pode ser montado nos programas Solar Fire 5/Deluxe e em outros.

O mais interessente é montar o mapa do Local Space em cima do mapa onde a pessoa vive, colocando como ponto central a rua onde ela passará a maior parte do tempo. Nesse, caso, a cidade escolhida foi a natal. Parece que o mapa do Local Space montado sobre cidade natal revela a localização de outras cidades onde a pessoa morará ao longo da vida.


A ilustração acima foi montada no Adobe Photoshop CS: trata-se de uma montagem com duas camadas: na primeira, temos a janela do Google maps; a segunda, mais superior, o mapa Local Space fornecido pelo Solar Fire Deluxe, editado em Photoshop para ter um pano de fundo transparente, obviamente a fim de mostrar o mapa territorial que há abaixo.

Perceba que a linha de Saturno liga três cidades: Passos, Uberaba e Rio de Janeiro. A nativa morou nas três cidades em épocas diferentes da sua vida. Ela nasceu em Passos, fez faculdade em Uberaba e mora hoje no Rio de Janeiro para fazer residencia médica. Saturno está na terceira casa (viagens e estudos) no signo de Virgem, e rege as Casas VII (relacionamentos) e VII (angústia, morte); Saturno também rege a Casa IV (habitação, imóveis, terras) por exaltação.

Certas linhas do Local Space não tem significância nenhuma para a nativa, outras um pouco mais, mas Saturno desponta como uma linha muito ativada, e nos perguntamos o porque. Talvez o Local Space seja interessante apenas para localizar no mapa o regente da Casa III ou planetas que se posicionem no eixo III-IX, a indicar para onde a nativa viajará. No caso em questão, Saturno indica também onde ela morará por ser almuten da IV. Sendo assim, pergunto-me se teria utilidade sabermos em outros mapas onde se encontram os regentes da Casa III e IV no mapa territorial visualizado pelo Local Space.

Meus estudos em Local Space ainda são muito escassos e somente o tempo dirá se essa técnica é útil ou não. Uma coisa é certa: em mapas de pessoas que nunca viajarão, ele só serve para explorar a cidade onde o nativo vive. Nesses casos, devemos pegar o mapa do Google maps e reduzí-lo a ponto dele mostrar as ruas ao redor da Casa do nativo. Saber se o nativo viajará muito ou não é coisa típica da Astrologia Medieval, então vemos aqui um elo interessante entre as duas disciplinas.


Limitações do Local Space

Segundo Steve Cozzi, autor do livro "Planets in Locality" (Llewellyn, 1988), veja o que acontece com o LS quando o aplicamos para distancias grandes do ponto de partida das linhas:

"(...)Como as linhas estão viajando na superfície arredondada da Terra, elas formam um um movimento de curvas onduladas. Uma linha planetária projetada para o oeste começará a se curvar em direção ao sul até que ela tenha ultrapassado cerca de seis mil milhas. Então ela começará a se encurvar para o norte novamente. As linhas planetárias somente parecem viajar em linhas retas no seu lar ou comunidade. Esse efeito de encurvamento já é notado em cerca de 50 milhas de distancia. Devido a esse fenômeno, as linhas para distancias acima de 50 milhas devem ser projetadas, criou-se programas para plotar gráficos (veja a Figura 14a(...)." (Planets in Locality, primeira edição, página 64, último parágrafo).

Abaixo temos a figura 14a, digitalizada do livro de Steve Cozzi, para o entendimento do leitor.

50 milhas equivalem a aproximadamente 80 quilômetros e 450 metros. Essa distancia é bem inferior aquelas encontradas entre Passos e Rio de Janeiro, como no exemplo do autor; ainda no mesmo exemplo, percebemos que entre Passos e Uberaba há cerca de 160 quilômetros em linha reta, o que faz com que a linha reta aparece comece a apresentar uma leve curvatura. Essa curvatura não nos é dada pelo programa, assim sendo, deve-se ter cautela e não considerar essa ferramenta para propósitos de retificação de horário.



Comentários

  1. Oi Rodolfo,

    Achei curiosa a técnica descrita.

    Acabei de seguir seus passos no Adobe Photoshop, Solar Fire e Google Map com um mapa de uma pessoa nascida em Goiânia e estabelecida no RJ há mais de 7 anos.

    Mas nenhuma das linhas sequer passou perto do Rio. A mais próxima aproxima-se de Campos.

    Seria interessante termos outros exemplos em Posts futuros.

    Parabéns pelo Blog

    ResponderExcluir
  2. olá anonimo

    o problema que eu não descrevi com essa técnica é que a medida em que as linhas se afastam do lugar de origem elas ficam CURVAS - dessa forma, acho que uma linha que parta de Goiania com certeza há de encostar no Rio de Janeiro, porque ela vai encurvando...

    Infelizmente o programa Solar Fire não curva as linhas como o antigo programa Matriz, sendo assim estamos restritos a uma margem de aplicação de cerca de 200 milhas - segundo o autor Steven Cozzi.

    Eu farei essas adições ao artigo para que as pessoas não cheguem a conclusões erradas.

    Rodolfo

    ResponderExcluir
  3. Olá Rodolfo,

    gostei de conhecer seu blog...
    estava procurando sobre local space e eis aqui uma técnica interessante...
    Agora ... será que dá para ampliar para países...?

    Gostaria de saber se tem haver com os "planetas" colocados no mapa, meio que pelo que entendi, Saturno seria o Guia e as casas 3/9, será que jupíter também não entra nessa balada?
    Grata pela partilha,
    vou tentar "registrar" o meu...para ver o que que dá...

    Grata pela partilha

    Hanah

    ResponderExcluir
  4. Dá para adaptar a países sim, Hanah. No artigo tem o mapa dos Estados Unidos com um mapa, mas as linhas vão ficando senoidais (curvas) à medida em que se afastam da origem.

    E não, não tem a ver com os planetas colocados no mapa. Tem a ver com o horizonte. O Ascendente sempre é o Leste, o Meio do Céu o Sul. Simplesmente alinhamos esses pontos com o sul e o leste geográficos do local onde vivemos.

    O Janus (software de astrologia) fornece o local space de qualquer mapa que você criar nele. Basta fuçar dentro do programa.

    Rodolfo.

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