18 de jan de 2008

qual é o papel do Astrólogo Tradicional?

Não é novo o post de Pedro Sette Camara, mas ele é continuamente citado pelas pessoas que lamentam a perda de um grande cérebro astrológico. Para quem não sabe do que se trata ainda: Pedro é um brasileiro católico (praticante mesmo) que também praticava astrologia tradicional. Teve aulas pessoais com John Frawley, o novo papa seguidor das encíclicas de William Lilly, astrólogo ingles do século XVII. Um belo dia, ele proclamou oficialmente que pararia de dar aulas e consultas.

Por que Pedro desistiu de praticar Astrologia? Leia o post do seu blog. Se for pelas razões que ele apontou, talvez eu mesmo um dia haverei de desistir. Não tenho nenhuma identificação com a trupe esotérica que abunda em feirinhas com cheiro de incenso; não leio Jung, não acredito em evolução, teosofia, não pertenço a nenhuma ordem secreta, não sou vidente, telepata, místico; não dou abraço, beijo, nem cafungo o cangote de yogis, não sou bruxo, wiccan, mesmerista, filósofo; finalmente - e não menos importante - não faço terapia com meus consulentes.

Muitas pessoas ficam inconsoláveis com o Astrólogo medieval, porque ele dá uma resposta seca sobre o que elas perguntam, e as questões são as mais variadas possíveis. Depois de dada a resposta definitiva, é comum a pergunta: "mas isso que voce disse é para sempre?" A minha réplica não pode ser mais adequada: "bem, como voce não estipulou um quantum de tempo, eu diria que sim".

O grande benefício da Astrologia é dar a oportunidade do homem ser tolerante e misericordioso consigo mesmo; isso consiste em fornecer a ele apenas o que deseja; nem mais, nem menos. A desesperança é obtida pelo próprio homem, em seu estado frequentemente ansioso, perturbador, quando ele pergunta coisas sem estipular um tempo, sem resevar a si mesmo a surpresa de viver. Porque não ser tolerante consigo mesmo e perguntar coisas temporárias? Porque, ao invés de perguntar "eu me casarei um dia?" não perguntar "eu me casarei com fulano?" ou então "eu me casarei ano que vem?"

Configurações astrológicas são sempre donas da verdade e do destino? Não. Crer dessa forma é uma concepção distorcida. Os astros apenas apontam o tempo como os ponteiros de um relógio; destruir um planeta não há de alterar alguma coisa em nossas vidas, somente o campo gravitacional e o arranjo natural da galáxia, coisa que qualquer astronomo cético diria. Apesar dessa verdade, alguns ramos da Astrologia tem a capacidade de prognosticar coisas que podem ser bem amargas para o homem, como percebo na minha prática. A Astrologia natal não fornece respostas exatas porque depende de uma série de mapas além da natividade, porém a Astrologia Horária, se devidamente praticada, fornece respostas definitivas para questões pontuais.

Uma coisa difícil de lidar é consolar os clientes que fazem perguntas drásticas e que obtém respostas igualmente fatais. Não temos preparo para isso, mas e o cliente? Se ele não tem preparo, então porque pergunta? Não existe um curso preparatório para consulentes, então temos de lidar com pessoas dos mais variados graus de imaturidade emocional: dos que assumem tudo que perguntam como sendo de responsabilidade própria até aqueles que hão de culpar o astrólogo pelo desfecho final da questão. A todos estes, contudo, resta o benefício do erro de interpretação.

é triste de se admitir, mas muitos astrólogos lucram com psicopatologias. O ansioso há de procurar vários profissionais, mesmo obtendo a resposta que deseja. Uma amiga minha, não satisfeita com o meu prognóstico de que passaria na prova de resiodencia médica, procurou uma mãe de santo para confirmar. Ela não percebeu também que fez a mesma pergunta para mim mais de cinco vezes em meses diferentes. Ela passou na prova. Temos ainda o esquizofrenico, o psicótico, etc.

Felizmente todos os meus clientes que pagam pelos meus serviços desfrutam de inteligencia emocional o bastante para consultas esporádicas sobre assuntos importantes. Para evitar pessoas com grande dependencia é que estipulei o serviço pago.

O papel do Astrólogo Tradicional é dar uma resposta consistente sobre o que há de acontecer quanto ao assunto interrogado pela pessoa. O grande problema é que as pessoas depositam no profissional um status de semideus. O ato oracular muitas vezes é confundido com um ato religioso, mas não o é e eu enquanto protestante refuto com veemencia esse vício. Ao final de uma consulta, algumas pessoas apelam ao Astrólogo, insistem como se ele fosse capaz de alterar o que viu. Isto é impossível. Que esteja claro: consular um astrólogo não há de alterar o rumo de sua vida. Voce apenas verá o que pode acontecer, isto é, se o Astrólogo estiver num bom dia e acertar.

4 comentários:

  1. grande cerebro ?
    está mais para idiota convencido... qualquer pessoa que saia da astrologia por motivos tao estupidos e reacionarios quanto "o papa mandou" nao merece respeito nem por sua capacidade intelectual

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  2. hahahha...

    Bem eu disse que ele era um grande cérebro por ser respeitado por muita gente, além de ser aluno do Frawley... Mas agora vejo que foi impulso meu. Nunca vi esse cara dando aula...

    Mas que foi uma grande perda, foi sim... Sem ele estou praticamente sozinho no Rio. Snif.

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  3. Ah, mas rodolfo, no brasil a astrologia morre de inanicao de for depender de gente como o bola, concorda ?
    dai ate alguem que aprendeu astrologia com o frawley (e pelo visto só lendo o livro dele, pq a unica mencao é essa) consegue ser tratado como se fosse especialista

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  4. Oi Rodolfo , só agora li essa postagem sobre o Pedro Sette ; ele é ótimo na Horária , teve aulas sim com o Frawley, 'ao vivo e a cores' e não só por leitura de livros, é muitíssimo culto MAS não é unanimidade quanto ao seu posicionamento ideológico ; eu gostava demais das aulas dele mas sou totalmente contrária às suas idéias, posições políticas , opiniões pessoais e religiosas !!
    abraços , Marilda

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