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Reflexões

Nossa cabeça não é um disco rígido que assimila informações e meramente as aplica. Depois de um longo período colecionando informações sobre algum tema, precisamos parar e refletir sobre o que realmente importa nisso tudo.

No presente momento, aguardo alguns títulos novos para a minha coleção que me serão úteis para saber como os astrólogos do período medieval tardio analisavam uma Revolução Solar combinada às profecções. Já visitei esse tópico antes com relativo domínio e confesso tê-la desaprendido. As razões para tal "regressão" se devem a quantidade absurdamente conflituosa de informações que recebo das mais variadas fontes. Seria salutar que eu deixasse de estudar e começasse a praticar para separar o joio do trigo, mas numa época onde o tempo é escasso, a interpretação de mapas perde para olhadelas ocasionais na literatura.

Além de me indagar sobre a combinação de técnicas acima, fico a pensar sobre o zodíaco sideral. Até que ponto ele seria efetivo? Como poderíamos resolver esse dilema? Ouso me situar entre dois extremos, um no qual considero a questão extremamente complexa: as variáveis são muitas. No outro, considero a questão extremamente fácil: é preciso dominar uma técnica na sua inteireza para então testar outro zodíaco ou forma de Astrologia. Fica difícil analisar um zodíaco se o próprio astrólogo não domina ainda princípios básicos da Astrologia, principalmente a falta de domínio em técnicas preditivas, que seriam a grande "profissão de fé" de um zodíaco: se as técnicas conseguem prever com exatidão um evento, então o zodíaco na qual ela se baseou é coerente.

As técnicas preditivas medievais se valem demasiadamente do conceito de regência e dos significados das casas, porém à medida em que analisamos a obra de Astrólogos mais antigos como Vettius Valens (contemporâneo a Ptolomeu), percebemos que as técnicas preditivas se fiavam muito nos significados essenciais dos planetas e menos na atribuição de regência destes à áreas da vida. Por exemplo, quando queria saber sobre a condição dos filhos, o Astrólogo Medieval primeiramente analisava a casa 5, planetas encontrados ali, a Parte dos Filhos e seu Regente, analisando paralelamente o planeta júpiter, que é significador essencial de crianças. Vettius Valens aproxima sua abordagem do modo védico de se analisar o mapa, que lida com os significadores essenciais de um modo bastante simples, corpo do próximo parágrafo.

Significador essencial é o planeta que possui grande afinidade com um evento, objeto ou ser, a ponto de representá-lo. Júpiter é significador de crianças, Vênus de casamento, Marte de irmãos de meia idade, Mercúrio de irmãos mais novos. Na Índia, o significador essencial é chamado de karaka. Por ser uma palavra muito atípica, será usada aqui para se referir aos significadores essenciais, embora isso não seja expediente comum.

Muitos astrólogos medievais consideram nos seus livros a análise do significador essencial como um recurso acessado em paralelo à análise das casas. Aqui o estudante novato encontra grande dificuldade, pois se o karaka estiver em mal estado cósmico, mas o regente da casa referida ao assunto estiver excelente, nosso raciocínio (errôneo) quer fazer um saldo dos dois posicionamentos, quando na verdade os dois coexistem sem se anularem.

Astrólogos hindus, notadamente aqueles que estudam a linha Jaimini, como K. N. Rao, usam os karakas de um modo simples e eficaz em suas técnicas preditivas. Algumas delas envolvem a rotação do mapa de um modo similar à profecção, e assim as casas com o passar dos anos aspectam planetas natais. Neste sistema, quando uma casa aspecta o seu karaka, é muito provável que um evento com a natureza em comum dos dois pontos aconteça. Parece que este sistema reforça a similaridade entre dois pontos como produtora de um evento, contrariando o raciocínio ocidental mais comum, que visa buscar arduamente um significado para tudo que se vê a nossa frente.

Como exemplo do raciocínio hindu, por diversas vezes N. K. Rao em seu livro "Predicting through Mandook Dasha" lança mão de exemplos nos quais pela técnica preditiva o significador essencial de crianças entrou em contato com a casa 11 ou 5, sincronizando-se com o período no qual o nativo estudado teve uma criança. É verdade que a Astrologia Jaimini encontra maneiras diferentes de escolher o significador para um assunto, mas em todas as interpretações de Rao vemos a mesma lógica implícita: dois pontos em comum, quando se encontram num determinado espaço-tempo, "produzem" um evento com a característica de ambos.

Esta é mais uma pérola Astrológica que apenas nos serve para confundir, na pergunta que não quer calar: qual zodíaco oferece os melhores resultados? Como poderemos saber qual deles é o melhor se nem sabemos como fazer Astrologia? Só a experiência dirá...

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