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problemas na pesquisa astrológica

A despeito do método e da escola de astrologia que você siga, a interpretação dos planetas possui uma grande flexibilidade, o que não implica dizer que a astrologia funciona apenas por uma adequação à realidade após a constatação de fatos. O consulente reconhece que a astrologia funciona por ser uma "linguagem do coração": se praticada corretamente, ela intercepta as questões mais importantes que tomam o pensamento do nativo, assim reconhecendo sua autenticidade. Evidentemente, ela também tem a capacidade de reconhecer questões periféricas da sua vida, mas estas perdem prioridade pela urgência dos temas vitais.


Frente à flexibilidade da astrologia, o estabelecimento de uma metodologia de pesquisa torna-se um trabalho de sísifo. Se o astrólogo escolher um método a ser analisado cujos princípios teóricos estejam errados ou incoerentes, mesmo assim ele pode ser capaz de identificar questões verídicas. Alguém pode dizer que isso é mais um argumento contra a astrologia, que o astrólogo não passa de uma pessoa com algum dom paranormal, mas no momento eu refuto estas teses a favor da ampla experiência que tenho ao constatar que a astrologia funciona por ser capaz de relatar coisas ocultas sobre alguém.


Com muito cuidado, baseando-me em tudo que foi dito acima, pouco a pouco investigo o zodíaco sideral e seus achados. A pesquisa do zodíaco sideral gera várias reações dos tropicalistas: uns respondem com serenidade, seguros de que o zodíaco tropical funciona; outros sentem seus fundamentos ameaçados e reagem com agressividade e dogmatismo. Talvez porque esse tipo de pesquisa tem a tradição de ser maniqueísta: os pesquisadores pioneiros do zodíaco sideral, como Ciryl Fagan, costumavam execrar o zodíaco Tropical em detrimento do Sideral. Numa era de bipolaridade, na qual duas idéias opostas entravam em conflito, a "guerra fria" entre os dois zodíacos era até compreensível, mas pouco a pouco o homem ocidental muda o seu Zeitgeist, criando uma postura inclusiva e tolerante às diferenças. Frente a isso, o autor não pretende destruir tudo que foi produzido no ocidente baseado no zodíaco tropical, para "reerguer das cinzas" a astrologia pelo uso do sideralismo.


Tenho a minha frente dois caminhos astrológicos, claramente distintos. Um deles possui milênios de tradição ininterrupta, sofrendo transformações que a tornaram sofisticada, ultradetalhista: é a astrologia védica, que usa o zodíaco sideral. O outro caminho, nesses últimos dois mil anos sofreu readaptações, simplificações, foi reprimido, tolhido, e hoje reúne uma miríade de interpretações, incorporando novas posturas filosóficas a cada século que se aproxima. Evidentemente, falo da astrologia tropicalista ocidental. Ignorar toda a construção do oriente ou do ocidente em detrimento da oposta resume-se na perda de uma oportunidade excelente para melhorar a capacidade preditiva do astrólogo, pois os dois braços podem se ajudar, fornecendo elementos que necessitam de pesquisa e adequação.


Como os dois braços do mesmo rio produzem coisas belas e verídicas, o estabelecimento de uma metodologia de pesquisa não visa perceber qual zodíaco é mentiroso, mas sim qual deles produz os resultados mais dramáticos, aqueles que mais penetram no coração e na mente do cliente com precisão assustadora. Digo isto porque é inegável que o zodíaco tropical produza resultados verídicos, mas eu introduzo aqui a pergunta que não quer calar há alguns meses na minha cabeça: como seriam os nossos achados no zodíaco sideral, usando técnicas astrológicas medievais? teríamos maior acurácia?


Daqui a alguns meses eu poderei responder a essa pergunta negativamente ou não. No presente momento eu não concluo nada, mas me dou o direito de pesquisar.

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