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o mapa védico (estilo do sul da Índia)

Hoje vamos fazer uma rápida viagem a astrologia da Índia. Imagine que você está de saco cheio de ler o seu mapa sempre da mesma forma e pensa que vai tirar férias de si mesmo se trocar de astrologia. Não se assuste se perceber facetas diferentes de si mesmo, mas na verdade, uma boa astrologia védica não vai contrariar tudo que você aprendeu do seu mapa numa boa astrologia ocidental, apenas no máximo complementar. Prepare-se então para chegar às mesmas conclusões por meios completamente diferentes... A vantagem disso é quando as duas astrologias não se cruzam nos seus achados: você pode enriquecer (e muito!) sua interpretação, desde que NÃO MISTURE AS TÉCNICAS.


Este design de mapa é mais comum no Sul da Índia. Ele é loucão para nossas cabecinhas ocidentais. Vamos nos acostumar com a forma, quadrada e fácil de ser reproduzida. Um jogo da velha de três traços já o cria na areia da praia (não sei pra que você vai querer fazer astrologia à beiramar, mas whatever). Os signos são fixos e lidos no sentido horário: O canto superior esquerdo (onde está o meu sol e o meu ascendente) sempre será peixes. O ascendente é marcado em locais diferentes, a depender do Lagna (signo ascendente natal) da pessoa. Para você se acostumar com as posições: sol e lagna peixes, lua em áries, Rahu (nodo norte) em gêmeos, Ketu (nodo sul) em Sagitário, Vênus em Capricórnio, Marte e Saturno em Virgem na minha casa sete (Jesus me livre), Júpiter em Libra, Mercúrio em Aquário.


Agora, a faceta mais louca (para nós, é claro) da astrologia védica: os aspectos (dhristis). Com exceção de marte, Saturno e Júpiter, o resto dos planetas só fazem oposição ou conjunção! Onde se encontram os graus dos planetas no desenho? Não é necessário, ó brâmane. Os aspectos aqui são por signo inteiro, e não por orbe. Vamos perceber então que Vênus aspecta a casa V, Sol a casa VII, Lua a casa VIII, Mercúrio a casa VI. Marte, Saturno e Júpiter seguem essa regrinha: além da oposição, eles aspectam as seguintes casas a partir da suas:
  • Marte: aspecta a casa 4 e 8 a partir da sua, além da 7 já citada.
  • Saturno: aspecta a casa 3 e 10 a partir da sua, além da 7 já citada
  • Júpiter: aspecta a casa 5 e 9 a partir da sua, além da 7 já citada

Na astrologia védica, as casas são mais importantes do que a natureza do planeta, pois elas deteminam como ele funciona. Isso não difere muito da nossa astrologia. Precisamos saber quais casas são as mais perigosas então:
  • Casa 6 - representa brigas e trabalho pesado, além de doença. Seu regente vai portar, portanto, essa mensagem.
  • Casa 8 - representa a angústia mental, a morte e as ciências ocultas. Uma casa oito torna a pessoa sequiosa de explorar mistérios, como a astrologia.
  • Casa 12 - representa despesas e sofrimento, que leva a liberação do nativo. Também é importante para ver se o nativo terá uma boa vida sexual, os "prazeres de cama".
Se um planeta rege essas casas, ele leva sua energia maléfica para outras, prejudicando as casas que aspecta e onde se encontra por posição. Há também as casas boas, mas fica para outro texto. É tarde, preciso dormir. Já deu pra dar um gostinho do que vem por aí. Esse blog será de astrologia antiga, tanto grega (se eu dispor de textos para isso!), quanto medieval e védica. Assim seja!


OM TAT SAT

Comentários

  1. Rodolfo, nossa, védica é muito interessante. Mas já é demais pra mim que mal estou conseguindo dar conta de aprender tradicional...Mesmo assim continuo acompanhando. Abraços.

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  2. isso é somente um pequeno tour pela védica... Pra mim ela nos oferece insights interessantes, e ponto. Nada para queimar os neurônios.

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