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como aprender astrologia medieval

Quando você começar a sair por aí interpretando mapas, há de dizer algumas bobagens. Minto: você dirá muitas. Desejo que não sejam graves o bastante para fazer alguém chorar. Pense três vezes antes de dizê-las, ou diga para a pessoa não levá-lo muito a sério. Você perceberá que há clientes especiais, sinceros e que não vão chorar ou se desesperar a cada asseriva sua. Por outro lado, há aqueles que não tem memória boa e insistem em criar uma persona para você, além de demonstrarem clara histeria a cada afirmação. Eles podem ser tudo que você disser. Pior do que ser enganoso, isso com o tempo se torna irritante. isso me lembra da dificuldade que tinha para verificar a veracidade de uma técnica ou interpretação na astrologia psicológica.


Uma das principais razões que me afastaram da astrologia psicológica é a plasticidade do nosso comportamento. Invariavelmente, você ficará nervoso alguma vez na vida. Se aquilo te marcar profundamente e você não for muito sóbrio no julgamento de si mesmo, há de concordar com o astrólogo que disser que você é meio nervosinho, "mas também tem um outro lado assim assado...". Ao consultar um astrólogo medievalista, ele dirá coisas objetivas que ninguém poderá discordar se estiver certo. "Você tem muitos filhos para quem mora num país ocidental, casou-se duas vezes, não herdou nada da família e seu pai morreu quanto você tinha 32 anos".


Voltando à astrologia psicológica: através dela, há muito que ser dito acerca do comportamento humano que pode ajudar às pessoas. Não quero que você, leitor, leve as minhas afirmativas como uma crítica destrutiva contra este saber. Eu, Rodolfo Veronese, não me dou bem com a astrologia de Liz Greene e companhia. Para mim, não dá certo, mas há astrólogos que podem transformar a vida das pessoas com ela. Eu sei de alguns muito bons, e com certeza elas não ficaram nos livros apenas (que são um saco): praticaram e praticaram. Este é o objetivo desse texto: como aprender (praticando) astrologia medieval?


Pegue uma pessoa em quem você possa confiar. Não precisa ser um parente, apenas alguém sério, que diga sua vida sem maiores constrangimentos. De preferência, que tenha vivido mais de sessenta anos, com uma boa estrada para você perceber como os corpos celestes representaram os eventos de sua vida. Porque estou enfatizando a idade? Infelizmente, dependendo da faixa etária do seu grupo, você será constrangido (e às vezes até intimado) para fazer o mapa de pessoas que não viveram muito, de 20 a 30 anos. Apesar da idade, esse tipo de cliente é a última pessoa que alguém novo na astrologia medieval deve procurar. Os mapas delas seriam do nível de dificuldade "Extra Hard". São pessoas que não sabem nem o que comerão amanhã, quanto mais os casamentos desfeitos, mudanças de profissão e nascimentos de filhos.


Você leu o artigo até agora e está pensando: "o Rodolfo quer que eu não me arrisque muito. Quer que eu leia mapas de pessoas que já viveram muito pra que elas me digam tudo e eu procure no mapa os eventos depois de sabê-los". Claro que não, gafanhoto. Vou te propor o seguinte: você se arrisca primeiro, e depois a pessoa te conta o que aconteceu. Simples, não?


Faça em doses homeopáticas para aprender. Mande e-mails para essa pessoa, um tópico de cada vez. Consulte o Tetrabiblos ou outro livro de Astrologia Medieval. Eles são excelentes para isso, pois separam os assuntos em capítulos-estanque. Quanto for interpretar o mapa da pessoa para saber a vida dos pais dela, leia o capítulo dos pais e aplique tudo que foi ensinado, depois escreva sua interpretação e envie à pessoa. Peça para ela corrigí-la, exija isso em troca da sua interpretação.


Por incrível que pareça, o astrólogo não tem um retorno dos seus clientes. A maioria fica calada, esperando que você acerte tudo, testando você como o capeta tentou a Cristo. Se você cobrar dessa pessoa algum dinheiro para ler o mapa dela, vai ter de escrever tudo de uma vez e não terá retorno. Você tem até a possibilidade de cobrar pelo serviço e esperar uma resposta, mas é provável que não o faça com medo de sofrer ao perceber o quanto errou. Astrologia é como medicina: se o médico é ruim, paciente não volta, tampouco te fala nos olhos que você é charlatão, só se o seu paciente sofrer de transtorno bipolar e estiver na fase maníaca.


Estou fazendo isso, e tem gerado excelentes consequências:
  • Agora eu sei que acerto muita coisa, pois antes me sentia completamente inseguro da minha acurária.
  • Posso saber das técnicas que não funcionam.
  • Posso saber como algumas técnicas obscuras, como as partes árabes, funcionam na prática. Basta escrever alguma coisa e pedir para a pessoa responder.


Essa é a maneira que funciona para os iniciantes. Depois disso você vai terá muito mais segurança para ler o mapa da sua sobrinha que nasceu no mês passado.

Comentários

  1. Olá Rodolfo. Escreve de cá Gustavo.
    Frequentemente venho dar uma conferida no seu blog.
    Sobre esse tópico, show!
    Mas abro um espaço pra uma questão: como fica a coisa da retificação de mapa frente isso tudo? Eu me pergunto. Sou bolado porque ao questionar minha queria mãe sobre o meu nascimento, apenas ouço que foi "na hora do jornal nacional". Creio que em 1979 o jornal era no mesmo horário de hj .. mas ajuda pouco. Enfim. Idéia para algum post: como se posiciona frente a essa questão? Análise de mapa .. ok .. mas e a retificação? Necessária? Até que que ponto? Curto seus posts ..
    Sds!

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  2. vou respondê-lo, Gustavo. Obrigado por acompanhar meu blog.

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