21 de jul de 2007

Problemas com Casas Derivadas - Parte 2

Continuando neste post o tópico sobre casas derivadas, vamos entender o sistema mais simples, com aplicações tanto na astrologia natal quanto na horária. Esse sistema consiste em referenciar uma casa como a primeira, e colocar todas na sequência em função desta.


Suponha que eu queira saber da vida do meu pai através do meu mapa. No sistema mais simples de derivação, eu busco a casa quatro e a transformo na primeira casa, que dirá sobre o corpo e temperamento do pai. A segunda casa a partir da casa quatro (ou seja, a casa cinco) seria o dinheiro do pai. Agora que você descobriu a simplicidade do sistema, vamos as controvérsias, que são relativamente simples também.


Existem casas que se referem a mais de uma pessoa, notadamente um grupo. A casa três por exemplo, se refere a irmãos e vizinhos, pois a prática tem confirmado isso. Aflições ao regente da casa três trazem intercorrências aos irmãos, vizinhos e parentes, não me perguntem o porquê. A grande controvérsia é saber a hora de parar de procurar. Como assim?


Já ouvi que é possível saber como é a vida do primeiro irmão, o segundo, o terceiro... Assim como seu irmão é a terceira casa a partir da sua, o segundo irmão pode ser visto pela terceira casa a partir da terceira. Como eu tenho apenas um irmão, fica difícil investigar esse sistema. A grande controvérsia se origina dessa necessidade de se conhecer tudo a fundo (e infelizmente depois do fato...), pois a tradição védica tem uma visão bastante convincente que difere da ocidental.


Os hindus acreditam que a casa três representa o primeiro irmão que nasceu depois de você. Caso haja na família um irmão mais velho que você, ele não é representado pela casa 3, mas sim pela casa imediatamente anterior a sua, respeitando o "pulo" de uma casa, é claro. Dessa forma, a casa 11 representa o irmão mais velho. Se há um irmão mais velho que este, seria representado pela casa 9, duas casas atrás da casa 11. É preciso um exemplo para as coisas ficarem mais claras.


Se você é o terceiro de quatro filhos, as coisas ficariam assim: a casa 3 representaria o irmão que veio depois de você, o caçula. A casa 11 seria o irmão que nasceu imediatamente antes de você. A casa nove seria o irmão mais velho depois desse, o segundo na ordem familiar. Finalmente, o primogênito seria representado pela casa 7! Compare essa ordem com aquela ensinada no ocidente: Independente se você for o primeiro, segundo, terceiro, enésimo irmão, a casa três representa o primeiro irmão, o mais velho. A sequência dos irmãos é dada pelas casas ímpares do mapa: o segundo é a casa cinco, o terceiro a casa sete, e assim sucessivamente.


Já deu para perceber que a visão védica é inclusiva: O ascendente deixa de ser um acidente para ser incluído numa ordem maior numérica. Isso é muito interessante. Temos um outro exemplo desse pensamento inclusivo com o pai. A casa quatro, para os hindus, não pode representar o pai, mas sim coisas familiares, como o local onde você nasceu, suas raízes. Para a astrologia védica, a casa nove representa o pai, pelo simples fato da quinta casa a partir da nove ser o ascendente, o filho do pai, você!


Na verdade, vocês começam a perceber nesses posts a aproximação que o autor realiza nesse momento com a astrologia védica. Ainda não testei muita coisa, mas existem séculos de tradição que deixam o nosso pensamento perplexo. Se algo sobrevive por muito tempo, isso é fruto de uma cultura de preservação da tradição, combinado a experiência. Não podemos ter fé cega e crer que a astrologia védica é melhor pelo simples fato de não ter sofrido a interrupção que a astrologia ocidental sofreu com o iluminismo. Depois dessa reflexão, há a última controvérsia cercando as casas derivadas, da qual eu tratarei agora com um exemplo.


Acredito que a derivação de casas se refira a experiências que não sejam compartilhadas entre o nativo e a pessoa referida. Se eu não vivo a experiência, então a casa pode ser derivada. Tenho o exemplo que abriu esse tópico, a internação do meu irmão.


A internação do meu irmão poderia ser prevista no meu mapa natal, pois o regente da casa 3 está na casa 12, representando internações que os irmãos sofrerão. Mercúrio é significador essencial de irmãos mais novos, como realmente aconteceu. Algumas pessoas não entenderão essa minha conclusão: depois de tudo que falei de casas derivadas aqui, como a minha casa 12 sem derivação poderia se referir a meu irmão. Se a casa 12 é a décima a partir do meu irmão, ela representa a sua honra, e não sua internação! Quem chegou a essa conclusão, acertou, mas se esqueceu de um detalhe, que será discutido no próximo parágrafo.


De fato, meu irmão foi internado num hospital para tratamento de uma gastroenterite e a casa 12 funcionou para ele sem nenhum tipo de derivação. Se você percebeu, a resposta a este mistério teórico está no início do antepenúltimo parágrafo. Eu estava no hospital, participando de tudo. O dono do mapa estava vivenciando tudo. Eu experimentei a vivência hospitalar, junto ao meu irmão. Dessa forma, a casa 12 natal funciona tanto para mim quanto para ele. Se eu estivesse longe do processo, talvez a minha casa 2 seria a melhor indicada para representar o que ocorreu, já que ela é a décima segunda casa a partir da terceira casa natal. No presente momento, me parece que as derivações funcionem para eventos dos quais o dono do mapa não tem participação, que ele saberá através de conversas com as pessoas envolvidas. Há uma outra maneira de perceber as derivações que pode finalmente te libertar do medo de utilizá-las. A solução está nas analogias.


Neste blog, não é novo o exemplo de marte na casa 11 regendo a 6 com saturno. Interpretando essa configuração ao pé da letra, diria que a causa das doenças (saturno na casa seis) tem a ver com amigos e grupos (marte na onze), mas não foi isso que aconteceu. Existe uma coisa muito mais evidente e óbvia. Marte representa a morte do pai, porque a casa 11 representa a oitava casa a partir do pai (casa 4). A nativa entrou desenvolveu um processo depressivo logo após a morte do pai. Como eu poderia imaginar isso sem conhecer a dona do mapa?


Um ou dois erros nos ensinam a interpretar corretamentem, a tirar lições do que vemos. Marte é maléfico, ele tem muito mais a ver com eventos traumáticos do que pessoas amistosas. Um maléfico vai tirar da casa suas piores manifestações, mesmo que ele derive a casa. A pior derivação da casa 11 é o significado da morte do pai. Essa é a grande lição da interpretação de planetas em determinadas casas: se for um maléfico, espere o pior. Se for um benéfico em bom estado, espere o melhor.


Espero que este tópico tenha sido útil para que vocês não se percam na interpretação.

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