16 de jul de 2007

métodos de pesquisa astrológica

O radicalismo é uma névoa que entorpece os sentidos. Alguns colegas de astrologia defendem um único viés para metodologia de pesquisa das técnicas astrológicas: prever, prever e prever. Para eles, não é bom pegar um mapa e ler o que já aconteceu, pois qualquer teoria pode se encaixar nesse tipo de leitura. Eu concordo com eles quando se trata de amostras isoladas, mas será que descobrir em 200 mapas o mesmo sinal que represente determinada conduta do nativo invalida toda e qualquer pesquisa retroativa?


Como todo radicalismo, esse tem bases bastantes frágeis. É praticamente impossível testar todo o conhecimento contido em livros de astrologia medieval sem que olhemos para um exemplo perto de nós, depois dele ter acontecido. A única consideração desse nazismo astrológico que acho bastante profícua para o estudo da astrologia é evitar usar amostras pequenas. Teste muito, e sempre publique seus relatos iniciando com a frase "é provável que...". Não basta crer que um asteróide funciona só porque você o testou no mapa de George Michael.


Isso entra em choque com outro radicalismo metodológico que paira em outros meios astrológicos, esses com véus mais modernosos. Para eles, não é possível fazer pesquisa astrológica, já que o mapa representa os modos de ação e experimentação da realidade dos corpos terrestres e seres humanos, e não a sua descrição morfológica exata. Ou seja, eu não posso prever pelo mapa se a pessoa será nariguda, mas posso saber como ela ama, odeia, enxerga a vida... Isso segundo a astrologia psicológica, é claro. Para essas pessoas, sugiro que façam um bom curso de astrologia horária e perceberão que os signos também descrevem a forma dos corpos terrestres, mas não em detalhes, claro. Você pode saber como e onde ficará a sua casa estudando a posição do regente da quatro. Uma casa em Touro, por exemplo, pode ser rústica ou ficar ao nível do mar. Se a casa quatro for regida pela lua, é provável que ela fique no litoral ou perto de água. Qualquer pessoa descreverá a localização da minha casa como "perto do mar". não importa o modo como elas a perceberão, qualquer pessoa com alguma sanidade mental reconhecerá que a minha casa fica no litoral.


Basta de verborragia filosófica atrofiante por aqui. Não permitirei que sofismas relativizantes entrem nesse blog. Ao contrário do que muitos autores pós-modernos acham, é possível (e simples) uma metodologia de pesquisa astrológica. Vamos dar um exemplo com marte em signo de vênus.


Ora, Bonatti é explícito ao afirmar que marte em signo de vênus e vênus em signo de marte representam prejuízo social por excesso de atividade venérea. Perceba que ele não diz como o nativo se relaciona sexualmente, mas sim que em qualquer lugar do mundo ele terá prejuízo social ao desrespeitar os códigos de ética e moral específicos do seu local. Isso é mais um daqueles aforismos medievais que todos insistem em criticar. Certo dia, um astrólogo chamado Robert Zoller deixou de considerá-lo pitoresco e resolveu pesquisar em seus bancos de mapas se ele poderia representar aquilo que descreve. O mesmo caminho é realizado até hoje, por centenas de astrólogos que estudam astrologia medieval em todo o mundo. Foi o caminho que escolhi, até que um dia eu percebi a repetição desse aforismo em mapas mais do que a nossa vã aleatoriedade pode pressupor.


Tenho percebido ultimamente que nativos homens portadores de marte em libra e marte em touro tendem de fato a sofrer prejuízo social por conta de sexo, não necessariamente um excesso. Às vezes, basta acontecer uma vez para que as cortinas se abram na frente do público. É o caso de Bill Clinton, que possui marte em libra conjunto ao ascendente. Ou de Michael Jackson, que possui marte em touro.


Outro exempĺo numa comunidade de orkut me chamou atenção. O nativo tinha marte em libra regendo o ascendente Áries e era conhecido entre seus amigos e vizinhos por não parar em nenhum relacionamento, destruindo seu casamento. Aqui o prejuízo social é a infâmia de ser instável. Essa conduta difere da minha, que possuo marte em libra regendo o ascendente da mesma forma. Nos meus tempos de solteirice, gostaria de ser mais dinâmico do que realmente sou, mas Saturno faz uma conjunção com Marte que o inibe um pouco, outro aforismo de Bonatti que se aplica perfeitamente a mim.


Continuando o estudo da configuração marte-Saturno, o grande maléfico tem muita dignidade em Libra, e faz com que marte tenha uma expressão mais salutar, pois ele o recebe em sua exaltação e triplicidade. Todavia marte invariavelmente tenta destruir Saturno por este se encontrar no local da sua ira.


Um aforismo requer inteligência parea ser interpretado e percebido em seu pleomorfismo, coisa que poucas pessoas na contemporaneidade desfrutam. Para que as pessoas entendam ironia, é preciso que o indivíduo tenha uma boa alfabetização.

4 comentários:

  1. Rodolfo, lendo este post me deu curiosidade e eu fui checar alguns mapas que eu tenho por aqui de conhecidos e foi na mosca, em todos os casos (4 para ser mais exata, não é muito, mas mesmo assim, achei muito interessante) realmente houve prejuízo social por causa de atividades de vênus. Abraços. Leio todos os seus posts.

    ResponderExcluir
  2. Eu vejo que o problema nao é de "escola filosofica", o metodo de olhar pra trás nao é, em si, pior que qualquer outro método, qualitativo ou quantitativo. O problema é que as hipoteses criadas pelo método sao muito frágeis, e só podem ser validadas quando sao usadas "vendo pra frente", ou seja, fazendo previsoes.
    De resto, tendo amostras grandes nao vao minimizar esse problema, porque nao é um erro de distribuicao de média. Mesmo que voce tenha 2000 pessoas em sua amostra, voce sempre conseguirá correlacoes substanciais, mas que desaparecerao em outras amostras.
    Outra coisa é que há uma diferenca metodologica entre quem está aplicando uma teoria num caso real (mesmo que "passado"). Isso em si tambem é previsao: voce está prevendo dedutivamente as consequencias de um aforismo ou regra escrita. Isso é muito diferente de "prever depois do fato", ou seja, falar coisas como "oh, veja, o cachorro dele morreu quando mercurio estava em semiquadratura com o ponto médio entre plutao e a lua"

    ResponderExcluir
  3. Outra coisa é que há uma diferenca metodologica entre quem está aplicando uma teoria num caso real (mesmo que "passado"). Isso em si tambem é previsao: voce está prevendo dedutivamente as consequencias de um aforismo ou regra escrita. Isso é muito diferente de "prever depois do fato", ou seja, falar coisas como "oh, veja, o cachorro dele morreu quando mercurio estava em semiquadratura com o ponto médio entre plutao e a lua".

    Yuzuru, acredito que você se refira a analisar mapas de pessoas cujos eventos são conhecidos através de regras bem estabalecidas medievais. Eu concordo com você nesse ponto. Para vc, então, isso seria uma forma de previsão retrógrada?

    ResponderExcluir
  4. "previsao retrograda" parece alguma coisa da TFP :-P
    Acho que há diferencas enormes quando as pessoas estao tentando fazer um teste de hipotese, a partir de uma teoria, e confrontando com dados empiricos, e, por exemplo, pegando um determinado grupo (homossexuais, assassinos, detetives, bailarinas, modelos) e procurando cegamente por algum tipo de correlacao... o último método é bem mais frágil.
    E, para os dois, o valor que a pesquisa traz é de, no futuro, a partir de uma carta "sem rosto" poder fazer previsoes "para frente".

    ResponderExcluir

Contato e Créditos

rtveronese@gmail.com Para dúvidas, reclamações, críticas e consultas.