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A determinação local dos planetas em trânsito

Um planeta nunca se esquece das suas raízes. Ele pode alcançar os píncaros da glória, mas sempre há de se lembrar que no início de tudo ele ocupava uma casa e um signo natais. Com especial afeto, o planeta sempre será conforme a sua origem, o seu radix, sua casa natal.


Vejamos o exemplo da minha lua natal. Ela está em Touro, signo de sua exaltação, e na casa 1, o Ascendente, mas também na casa 2 (dinheiro). A Lua também rege a casa 4 (família e lar). Como esse planeta é o astro mais rápido, ela é um exemplo claro de como misturamos as casas em trânsito com o que representa no mapa natal.


Quando a lua passava por Sagitário, que é o meu nono signo, tive idéias e conversas com um amigo sobre como adquirir livros de astrologia. Entramos num site, escolhemos os livros que faltavam para nossa coleção e calculamos o preço no câmbio. Isso é uma mistura clara de duas casas: dinheiro (casa 2) e astrologia (casa 9). Quando a mesma lua passou pela casa 10, pensei em comprar itens que tinham relação com a minha carreira. São coisas corriqueiras, mas com a lua devemos pensar dessa forma, afinal de contas ela dá a volta no zodíaco em aproximadamente 28 dias. 'Bombas nucleares' em nossas vidas só acontecem de vez em quando, e a lua só servirá para mostrar o dia em que isso acontecerá, a ser confirmado por outras técnicas preditivas.


Robert Zoller diz que os 'efeitos' de um planeta em trânsito são mais evidentes quando o planeta é angular (casas 1, 10, 7 e 4) ou sucedente (casas 11, 5, 2 e 8) no mapa natal. Segundo ele, os planetas cadentes têm menor força de expressão no trânsito. Acho essa idéia elegante, mas existem vários tipos de angularidades (em relação ao sol, a lua e a parte da fortuna) e discordo que um mapa com vários planetas cadentes em relação ao ascendente não produzam trânsitos evidentes. Não é isso que a prática confirma.


Essa idéia de 'angularidades em relação ao sol ou a lua' vem dos indianos. Ela é aplicada de um modo rudimentar na astrologia ocidental tradicional. Os hindus dão importância a um planeta que está no primeiro, décimo, sétimo e quarto signos a partir da lua. Na astrologia medieval, o único exemplo que já vi está no livro de Abu 'Ali al-Khayyat, O Julgamento das Natividades, quando ele usa o regente do oitavo signo a partir do sol para calcular o planeta assassino.


Voltando ao assunto, o que importa é dissipar as dúvidas teóricas vendo você mesmo como os trânsitos funcionam com os princípios que eu dei neste artigo. Lembre-se que existem as casas que um planeta rege e aquela que ele ocupa. Nos trânsitos, todas podem ser ativadas ao mesmo tempo, ou apenas uma. Quando será qual? A única maneira que encontrei de responder a esse mistério é aplicando o que Morin chama de 'analogia entre o planeta e a casa', que já falei aqui em alguns artigos.


O planeta tem mais a ver com algum assunto. Ele até funciona em casas contrárias a sua natureza, mas seu poder é muito maior em casas com as quais mantém analogia. Marte tem a ver com violência, então quando ele passa pela casa oito, é muito provável que ele manifeste algum significado mórbido. Saturno idem. Da mesma forma, às vezes um planeta não tem nada a ver com a morte (exemplo: vênus), mas quando ele aspecta a Marte ou a Saturno em aspecto tenso, isso reforça o significado da morte.


Para terminar, um exemplo de que um planeta pode representar duas coisas ao mesmo tempo, em instâncias completamente diferentes e dissociadas. Certa vez, vi um exemplo no qual marte trasitava pela casa 10 e fazia quadratura a saturno na casa 12. A cliente teve ao mesmo tempo um volume de trabalho enorme (coisa típica de um maléfico em casas de trabalho) e a notícia de que sua filha precisava de uma cirurgia ginecológica para retirada de um tumor. A casa 12 é a sexta casa (saúde) a partir da sétima, que no caso representa a segunda filha (terceira casa a partir da cinco).

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