Pular para o conteúdo principal

Urano, Netuno, Plutão, asteróides & etc.

Algumas pessoas acham retrocesso estudar astrologia medieval por não se usar as "inovações" representadas pelos planetas descobertos a partir do século XVIII. O astrólogo Antônio Harres, o Bola, afirma que a presença de Netuno na casa IV explica a rejeição que Morin sentia de sua mãe. Bola afirma que Morin de Villefranche, astrólogo do século XVI, período no qual ainda se desconhecia Urano, Netuno e Plutão, não conseguia explicar isso usando os planetas além de Saturno, todavia quem ler o livro "minha vida perante os astros" da editora Espaço do Céu, perceberá que Morin encontrou maneiras bem plausíveis desse evento ser representado. Não obstante às polêmicas, fica o desafio: porque não usar todos aqueles corpos celestes de glifos bonitinhos embebidos de mitologemas que descrevem as inúmeras facetas sombrias da existência humana?



Sou um tipo de escritor que se dá melhor com exemplos. E vamos aqui postar o mapa de um dos seres mais polêmicos que a humanidade já presenciou. (Aproveite a única chance que você terá do autor postar um mapa com os planetas transpessoais e aspectos como o quincunce e semi-sextil, pois aqui você nunca mais os verá.)




Esta é a carta natal de Adolf Hitler. Estive lendo uma biografia astrológica do ditador alemão. Detive-me numa faceta perversa da vida do ditador: sua vida sexual. Preferi ler primeiro quais sinais astrológicos a autora utilizou para representar essa dimensão obscura. Muitas amantes de Hitler eram atrizes e musicistas, e a maioria se matou depois de se relacionar com o Fuhrer. Há testemunhos pessoais de algumas delas que confessaram a "sujeira moral" que o ditador era na sua vida privada.


Pois bem, a autora admitiu que a lua está em quincunce (um aspecto de 150 graus) com Plutão, e isso representa que suas emoções e vida sentimental (lua) precisava de ajustes (quincunce) para moderar seu ímpeto obcessivo (Plutão). Confesso que teria raiva dessa interpretação mesmo se fosse um astrólogo moderno. Nunca me simpatizei com o quincunce, mas essa é uma outra história. Mais importante é perceber como a astrologia medieval explicaria isso sem Plutão, o planeta da segunda divisão do futebol astrosideral.


Acredite se quiser, mas a astrologia medieval nos dá de bandeja que a vida sexual do Chanceler era bizarra, sem recorrer a nenhum corpo celeste do cinturão de Kuiper. Em primeiro lugar, Vênus está em Touro, um signo quadrúpede. Ao mesmo tempo, vênus está aflita por Saturno em Leão e em conjunção com Marte em Touro! Soma-se a isso que toda essa configuração se encontra na casa VII, das parcerias. Os astrólogos antigos diziam que vênus em signo quadrúpede (Áries, Touro, Leão e Capricórnio) e aflita por Saturno era um sinal claro de promiscuidade.


O autor hoje não chamaria esses hábitos de imundos, como os astrólogos medievais os taxavam, mas há uma relação muito forte entre esses signos e práticas hoje taxadas de "perversas".


Esse foi apenas um exemplo de que os transpessoais podem ser excluídos da interpretação, mas existe outra razão muito importante. Grande parte das técnicas astrológicas medievais dependem de um elaborado esquema de dignidades. Você já deve ter ouvido falar aqui, pois eu as repito incessantemente: além dos domicílios zodiacais, existem os termos, as exaltações, triplicidades, faces, dodecatemórias e novenárias! Cada um desses nomes representam maneiras diferentes de se dividir o círculo zodiacal. Cada pedacinho das divisões é atribuído a um planeta. Todas essas divisões foram elaboradas quando não se conheciam Urano, Netuno e Plutão. Se você quiser implantar esses planetas nas técnicas medievais, basta descobrir como os autores antigos atribuíam territórios do zodíaco a cada planeta, e isso é mais difícil do que parece. Você precisa conhecer quais são os critérios de divisão para cada dignidade. Alguns desses critérios envolve o conhecimento das qualidades elementais de cada planeta. Até hoje há controvérsias sobre as qualidades elementais de Urano, Netuno e Plutão. Como você pode ver, o desafio é imenso e não há registro de algum astrólogo que tenha criado "termos de plutão", "novenárias de Netuno" ou "dodecatemórias do asteróide XPTO-14"!


Eu deixei de usar os transpessoais porque eles não fazem parte do esquema medieval de dignidades, e não fazem falta mesmo. , enquanto astrólogos modernos citam suas interpretações insossas com vários corpos celestes e mapas harmônicos, Steven Birchfield consegue delinear muitas coisas importantes do nativo usando apenas sete planetas e algumas partes árabes.

Eu não tenho nada contra os planetas "transaturninos", apenas percebi que eles são desnecessários para mim. Já é extremamente trabalhoso usar 7 corpos celestes visíveis.

Comentários

  1. ahahah Antes de tudo, mas além de astrólogo, vc é um baita de um sarcástico, comediante. ;-) Olha, está explicado então porque muitas mulheres com esses aspectos viram evangélicas ou feministas depois de muuuuuito terem "provado do esporte". Aliás, falar em esporte, adorei o "segunda divisão do futebol sideral". ;-))

    ResponderExcluir
  2. Vocês são os responsáveis por eu estar quase "going bananas". ;-)) Mas é aquela coisa, sempre acho q tudo q vcs falam faz o maior sentido e não tem a ver com "desprezar conhecimento moderno" e não seguir o grupo. Eu também não agüento ver "cauda do dragão" sendo chamada de "sua missão"; cada hora eles inventam uma coisa diferente pra vender livro. É cada porcaria.. que vou te dizer. Alguns até valem e eu não desprezo. Sou daquelas que penso: em tudo, todos os estudos o ideal é e sempre será olhar para o passado.

    A questão de Urano, Netuno e Plutão é porque os meus planetas pessoais parecem ficar "meio bambos" se não levar em conta os aspectos, mas sei que ao mesmo tempo há as diversas dignidades esquecidas pela Astrologia atual.

    ResponderExcluir
  3. Rodolfo, uma pergunta, os transaturninos não são considerados nem mesmo estando em conjunção estreita com planetas ou angulos?

    Aproveito para parabeniza-lo pelo blog... tenho tirado muitas dúvidas aqui...

    Beijinhos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

o melhor livro de astrologia dos últimos tempos.

Você, leitor que começa a se interessar em astrologia, está diante de uma chance única de começar a aprender a arte da melhor forma possível. Nesse artigo, eu apresento um link com o download para o melhor livro de astrologia medieval com o qual eu me deparei nos últimos tempos.

Acho que não estou exagerando. Invejo quem começaria a estudar astrologia pelo que vou apresentar nesse artigo. Se em 2003, ano em que comecei a me interessar por astrologia, alguém me oferecesse esse livro, teria poupado minhas retinas de uma colossal quantidade de lixo.

Talvez, por ainda não ter visto tanto lixo, eu não saberia valorizar o momento em que me deparo com uma obra como essa. Valorizando ou não, se tivesse essa obra nas minhas mãos inexperientes em 2003, teria começado a estudar astrologia em alicerces sólidos o bastante para que deles eu não saísse nunca mais.

Livros bons, trabalho árduo (para obtê-los)  A astrologia praticada de forma mais aprofundada é um saber não tão popular quanto se pen…