Pular para o conteúdo principal

Polêmicas sobre aspectos

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos meus leitores pelas felicitações acerca de minha formatura. Estou me recuperando de uma verdadeira festança que só poderia mesmo ser representada pela quadratura de vênus em trânsito ao Júpiter natal. Ela se tornará exata daqui a alguns dias, o que comprova o raciocínio de os eventos representados pelos aspectos acontecem dias antes do aspecto exato! Mudemos logo para o assunto desse post: os aspectos.

As próximas afirmações a seguir decorrem de conversas entre eu e Steven Birchfield, um dos maiores astrólogos clássicos da atualidade. Esse termo que usei ("astrólogo clássico") é justificado pelo fato de Steven não estudar somente autores medievais: ele recorre a fontes mais antigas do período grego da astrologia, que contém autores como Vettius Valens.

Steven não é um autor maldito. Ele conseguiu respeito e admiração na comunidade astrólogica de um modo até rápido, mas dizer assim seria falta de respeito a sua história: são quase trinta anos de astrologia, começando - segundo ele mesmo - pelos livros da Linda Goodman! Sua fama astrológica, entretanto, foi tardia. Ele se dividia entre seu trabalho de engenheiro naval e astrólogo clássico, até sofrer um grave problema de coluna, quando definitivamente se pôs a estudar com mais afinco ainda os textos de autores antigos. Suas descobertas nesse período foram fascinantes, desconstruindo verdades tomadas por certas até mesmo pelo seu (aliás, nosso) mestre, Robert Zoller.

A trajetória de Steven pela astrologia, iniciando pela moderna até culminar com a "tradicional", é o caminho mais comum de um astrólogo hoje em dia. Eu, Paulo Silva e muitos outros começaram (e os que hão de vir começarão) lendo autores modernos, aos poucos se revoltando com a falta de regras claras, para então finalmente chutar o balde e fazer um curso de astrologia medieval. Por quê? Parece um absurdo, mas os autores modernos detêm grandes partes dos seus livros para explicar conceitos complicados de psicologia analítica e mitologia grega, mas nenhum deles é suficientemente claro na discussão da teoria básica astrológica, um assunto que merce um livro inteiro, antes de se passar avidamente a interpretação. Além disso, as inconsistências teóricas modernas, decorrentes da adulteração das antigas doutrinas, faz o estudante se decepcionar continuamente com a sua interpretação de mapas natais. Fica claro o porquê: regras erradas, interpretação errada!

Se você acha que astrologia medieval é um bando de conhecimento velho e inútil, vá fazer um mapa com Steven. Existe um fórum no site Skycript no qual há uma "brincadeira astrológica" chamada "Mistery Chart". A brincadeira consiste em adivinhar como é o dono do mapa. Entre tantas interpretações feijão com arroz, insossas e inconsistentes, surge Steven, com sua teoria astrológica clara e concisa, dissecando vida e alma do nativo com uma precisão assustadora. Ele acerta coisas importantes e pior: consegue explicar como chegou às suas conclusões!

Passada a indignação inicial desse post, vamos ao que interessa. Os aspectos constituem num dos assuntos mais difíceis da astrologia. Se analisar um planeta já nos é difícil, imagine combinações de dois até cinco planetas! Com um pouco de teoria astrológica que funciona, porém, as coisas ficam simples. À medida em que estudo astrologia clássica, percebo que ela é muito simples e objetiva. Igualmente objetiva será a minha exposição do tema. Preferi reduzir o texto a frases de impacto, com suas explicações ao lado:

  • Planetas em aspecto não misturam suas naturezas, mas sim seus assuntos: Vênus sempre será venusiana, e Saturno sempre Saturnino. Não existe um significador vênus-Saturno. Todavia, quando vênus aspecta Saturno e o aspecto é levado a perfeição, o grande maléfico dirá qual é o fim dos assuntos de vênus, de acordo com sua natureza (impedimentos, melancolia, inativação, preguiça, etc.).
  • A aplicação ocorre sempre que um planeta mais rápido antecede em graus a um planeta mais lento, em signos que se aspectam. Se vênus está em 20 de libra, e Saturno a 26 de Aquário, então há uma aplicação. Se, contudo, ela estivesse em 27 de libra, haveria uma separação.Quando um planeta se aplica a um mais lento, ele entrega seus assuntos. Vênus rege amor naturalmente, mas considere também as casas que ela rege e onde se encontra. Saturno nunca se aplica a ninguém por ser o planeta mais lento de todos. Ele dirá o veredicto dos assuntos que vênus rege! Se o planeta ao qual vênus se aplicasse fosse marte, deveríamos tomar cuidado pois ele pode se aplicar a um planeta mais lento (júpiter ou Saturno). Quando isso acontece, não será marte que dirá o veredicto sobre Vênus, mas sim aquele ao qual marte se aplicar, de acordo com os critérios acima!
  • Separação versus aplicação: A separação significa que o planeta mais lento deixa de concluir os assuntos do planeta mais rápido com o tempo. A aplicação é mais forte por ser o seu oposto: com o tempo, o planeta mais lento assume cada vez mais os assuntos do mais rápido.
  • Não existe aspecto fora de signo! Essa frase é polêmica... Todos dizem que os aspectos fora de signo acontecem, mas são mais fracos. Vamos citar um exemplo. Eu não uso netuno, mas aqui vem a calhar (pense que ele é Júpiter, sei lá...). No meu mapa, a lua se aplica a Netuno por trígono, mas ela está em Touro e ele em Sagitário. Ora, os signos mencionados não se aspectam, tampouco mantém alguma outra relação (como antiscia). Conclusão: de acordo com dezenas de astrólogos clássicos, incluindo Abu Ma'Shar, esse trígono não existe! Vamos citar um outro exemplo, deveras didático: Marte está no início de Capricórnio, Saturno está em Virgem. Os programas de astrologia erroneamente computarão esse aspecto como uma "quadratura separativa fora de signo". Errado! Entrando em Capricórnio, Marte mudou de relação com Saturno: Capricórnio mantém um trígono com Virgem! Marte quadrava Saturno enquanto estava em Sagitário, mas isso não existe mais! A relação entre os dois é um trígono aplicativo distante e que pode ou não ser levada a perfeição.

São três itens simples mas fundamentais ao entendimento. Se você não entendeu, mande suas perguntas. O assunto não se esgotou, e os leitores terão a oportunidade de vê-lo na prática nos próximos posts. Nem mencionei a questão dos orbes porque isso merece um post a parte. No presente momento, ao aplicar as regras acima, desconsidere a questão das orbes: se um planeta está longe do outro mas ambos estão em signos que se aspectam, então considere que eles estão se aplicando ou se separando. A perfeição desse aspecto depende se um terceiro planeta não entrar em contato exato com um deles primeiro, mas isso é uma outra longa história.

Comentários

  1. Rodolfo,
    Você se formou? Meus parabéns.
    Se você fôr ser um medico dedicado como é astrologo, realmente a medicina está de parabéns e não só você.
    Tudo de bom.
    Helena

    ResponderExcluir
  2. Rodolfo, sei que vocês não levam em conta Urano, nem Plutão nem Netuno (o trio afastado) mas eles fazem aspectos aos meus planetas pessoais. A Lua com Urano, Marte idem, Mercúrio e Sol. Com Netuno, entram no balaio Vênus e Marte; já Plutão é com a Vênus. Eu levo em conta, porque tem a ver à beça com minha vida pelo menos.

    Tô anotando tudinho. ;-)) E quero ver esse teste do "mistery" no site da Sky.

    ResponderExcluir
  3. Ei, uma das contribuicoes feijao com arroz e insossas foi a minha ! :-(
    buaaaaaaah !!!!
    Nao vale, quando a gente tá competindo contra profissionais :-)
    É como me colocar no ringue com o Mike tyson
    Yu

    ResponderExcluir
  4. Yuzuru, eu também contribuí, o que vc acha? rsrsrs

    ResponderExcluir
  5. Gi,

    vou escrever um artigo sobre os transpessoais.

    ResponderExcluir
  6. Helena,

    Muito obrigado. Ainda não sou esse médico tão dedicado assim, mas com certeza isso ocupará grande parte do meu tempo daqui a alguns meses e seu desejo se realizará, se Deus quiser! Obrigado.

    ResponderExcluir
  7. Eitcha! É hoje e "sempre" que "nunca" vou sair desse blog. hehe Bjs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

o melhor livro de astrologia dos últimos tempos.

Você, leitor que começa a se interessar em astrologia, está diante de uma chance única de começar a aprender a arte da melhor forma possível. Nesse artigo, eu apresento um link com o download para o melhor livro de astrologia medieval com o qual eu me deparei nos últimos tempos.

Acho que não estou exagerando. Invejo quem começaria a estudar astrologia pelo que vou apresentar nesse artigo. Se em 2003, ano em que comecei a me interessar por astrologia, alguém me oferecesse esse livro, teria poupado minhas retinas de uma colossal quantidade de lixo.

Talvez, por ainda não ter visto tanto lixo, eu não saberia valorizar o momento em que me deparo com uma obra como essa. Valorizando ou não, se tivesse essa obra nas minhas mãos inexperientes em 2003, teria começado a estudar astrologia em alicerces sólidos o bastante para que deles eu não saísse nunca mais.

Livros bons, trabalho árduo (para obtê-los)  A astrologia praticada de forma mais aprofundada é um saber não tão popular quanto se pen…