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Filhos no mapa natal - parte 1 - reflexões

A inseminação artificial resolveu muitos problemas de infertilidade no mundo contemporâneo. Para algumas escolas de astrologia, esse desafio às limitações naturais põe em xeque a capacidade do mapa natal de retratar a vida em seu todo, mas esta afirmação parte do princípio de que o mapa representa somente os impulsos comportamentais e biológicos do nativo; seguindo esse viés, portanto, quanto maior a intervenção artificial sobre o que concebemos como "natureza humana", mais incongruente o mapa seria com o nativo. No presente momento, o autor discorda desta idéia e crê que a carta natal representa não somente questões biológicas, sociais, mas compreende também tudo que nós podemos realizar graças aos avanços tecnológicos. Dessa forma, se você tem um filho graças à engenharia genética, provavelmente ele estaria representado no mapa natal. Todo esse nhémnhémnhém do mapa representar a natureza cai por terra graças a um argumento muito utilizado pelos mesmos astrólogos pós-modernos: não existe natureza, tudo é criado pelo homem e dessa forma então o mapa idealmente não deveria representar nada, coisa que não verificamos na prática...

A carta natal representa as possibilidades e impossibilidades de um contexto. Se futuramente o homem conseguir voar com pranchas iguais àquela do Surfista Prateado, poderemos saber se o mapa de alguém promete isso ou não pela análise de sua casa dos transportes, a casa 3. Você pode ser estéril mas engravidar através de inseminação artificial com facilidade, ter até trigêmeos. Será que o seu mapa mostra esterilidade? Se a nossa realidade atual torna possível a gravidez de algumas pessoas e o mapa mostra as possibilidades e impossibilidades, será que isso não seria mostrado no mapa? Os astrólogos modernos usam vários argumentos contra técnicas medievais polêmicas, incluso a técnica dos filhos. A grande maioria aponta crê que o referencial do conceito de realidade da astrologia que faço é estático, medieval como o seu nome, sendo comum o seguinte argumento: "se você nascesse há séculos atrás, seu mapa estaria certo, você não pode ter filhos, mas existe a inseminação artificial".

Será isso mesmo? Será que não adianta mais estudar essas técnicas com o advento da inseminação artificial? Vocês já imaginam qual é a minha opinião, e não tardarei em explicá-la com um exemplo que sempre encontro em minha prática: o estudo da expectativa de vida, com base em regras medievais. Não sou um grande filósofo da astrologia, mas a minha observação me permite fazer interferências a vários postulados que andam fazendo a cabeça de muita gente em certas comunidades de orkut.

Os mesmos astrólogos que criticam a técnica dos filhos criticam quatro vezes mais a técnica do Hyleg, pois é um absurdo saber a data de sua morte. Se querem tapar os olhos a algo que funcione efetivamente, o problema é deles, isso não vem ao caso, o que direi a seguir é mais interessante e cala a boca deles: Com todos os antibióticos, antiretrovirais, cirurgias de última geração, implantes, transplantes, marcapassos, clonagem e células tronco, as pessoas continuam morrendo próximas a data em que seus mapas prometem, um argumento muito palpável a favor do Hyleg... Os profetas pós-modernos crêem no aumento vertiginoso da expectativa de vida, mas essa é uma realidade distante da que eu vejo na população como um todo, incluindo a classe mais abastada.

A era moderna dá um poder excessivo e ilusório ao indivíduo, uma falsa impressão de que morremos quando queremos, bastando "força de vontade" para vencer o mapa natal, mas esta é uma compreensão errônea da arte: a astrologia é um sistema holístico: ela representa (e não influi) a pessoa como um todo, da sua motivação de vida aos hábitos de saúde. Dessa forma, a força de vontade para melhorarmos de uma doença grave pode ser claramente representada pela avaliação do estado cósmico do regente da casa 1, ou seja, isto que é usado para vencer o que o mapa promete também está contido nele! Não podemos fragmentar um sistema de compreensão holística da realidade! Dizer que a astrologia representa somente predisposições inatas é reduzir esse conhecimento a algumas áreas apenas. Cria-se assim uma astrologia tetraplégica!

Uma vez restrita dessa forma, a astrologia só serve para diminuir nossa ansiedade em algumas situações, já que o mapa natal perde em muito a sua capacidade preditiva de coisas desagradáveis ou não, mas inerentes a vida humana! Essa visão seletiva é outra coisa típica da era moderna: Só queremos coisas boas e confortáveis, os resultados sem os esforços, os fins sem os meios, tudo na velocidade do som. .

Imbuído desse espírito, passemos à lição de filhos.

Comentários

  1. Rodolfo, é lúcido e interessante teu artigo. Tenho uma dúvida a respeito do Hyleg: é o mesmo que está naquela carta que você me deu, do meu mapa? Aquele do Bonnati ou nada a ver?

    Avisando: não sou médica, vc sabe, mas sou interessada nesses assuntos e tenho ua visão crítica sobre várias coisas que acontecem no mundo e principalmente no Brasil.

    Apesar de até concordar com teu artigo, tem uma coisa que influencia bastante na concepção de nascimento e não é nada disso que você escreveu aí. É que o Brasil é campeão em cesáreas e isso acho que seria uma baita influência (contra, diga-se de passagem) a Astrologia. Evidentemente, o bebê que nasce de parto-normal vai nascer na mesma época mais ou menos que aquele que nasce de cesárea, porque afinal de contas 9 meses são 9 meses, pelo "método César-corte" ou não. No entanto, um parto não tem data marcada, nem hora pra acontecer, mesmo que hoje em dia esteja tudo mais, digamos, organizado e com anestesia até pra parto. Qual sua opinião sobre isso, relacionando, claro, com a Astrologia?

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  2. tudo que disse para a inseminação artificial se aplica a cesárea. Apesar de haver uma escolha para o nascimento do nativo, os mapas de cesárea a meu ver respondem a interpretação da mesma forma que um mapa via parto normal.

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  3. Nossa, Rodolfo, esse assunto muito me interessa...E tb fiquei curiosa para ver sua opinião sobre o comentário da Gi, pois partos, cesarianas,são meus assuntos de mestrado, e apesar de não ter nada do viés astrológico, esse assunto me interessa de qualquer maneira. E eu adoraria ouvir sua opinião.Abraços.

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  4. Nalu, sou bastante enfática em relação a esse assunto, chego a ser chata. Quer ouvir mesmo minha opinião? hehe Bjs

    Rodolfo, vou ler o artigo. ;-)

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