Pular para o conteúdo principal

Dúvidas sobre a aversão e a ativação de casas.


Existem signos que não se aspectam. Quaisquer planetas ou casas dentro deles não se relacionam, não adianta. Se uma casa estiver em libra, e vênus em escorpião, você pode fazer até reza braba, que eles não estão se vendo e, dessa forma, o planeta não pode zelar pelos assuntos da casa. Aspecto significa "ver", e esse verbo na astrologia tem uma importância muito maior do que simplesmente o passivo sentido da visão. "Ver" alguma coisa no mapa implica em você ter alguma relação com o assunto, maior ainda se você rege o ponto que vê. É com se você fosse um cuidador do assunto.



Até aí tudo bem, mas isso serve pra quê? Minha primeira impressão é que esse conhecimento facilita (e muito!) a interpretação medieval de uma casa. Eu tenho cerca de sete regentes por casa, mas muitos deles podem ser ignorados pelo simples fato de não aspectarem a casa em questão!



Vejamos um exemplo. No meu mapa, a casa oito está em escorpião, mas seu regente e Almuten, marte, está em libra, que não aspecta escorpião. Dessa forma, como os dois não podem se ver, marte tem pouca representação na casa oito. O signo da casa oito contém Júpiter, mas se ele não tem alguma relação de regência sobre a casa, não a ativa. Isso é um outro tópico muito interessante que é ligado a idéia de aversão: a ativação de um ponto no mapa...



O que vou dizer deve ser aplicado em qualquer ponto analisado em astrologia medieval. Quando nós escolhemos o lumiar que representa o doador da vida (o Hyleg), é preciso que um dos regentes do seu signo o aspecte. Por exemplo, alguém com o sol em escorpião precisa que marte o aspecte para então pensarmos no sol em atividade como Hyleg. Esse raciocínio, contudo, serve para qualquer ponto do mapa que desejarmos analisar! Mal sabia eu que a lição do Hyleg é uma lição para aprendermos toda a astrologia medieval!



Se eu tenho a parte da Fortuna em Gêmeos, mercúrio precisa aspectá-la. Caso não consiga, veja se o mesmo é feito por Saturno, Júpiter ou planetas que tenham autoridade no grau da parte. Lembre-se de que existem sete regentes e você deve proceder com o mesmo raciocínio do Hyleg!



Agora, a questão prática: como encontrar esses regentes? Eu não sei de cor, e sempre recorro a uma tabela de dignidades, que você acha no site do meu amigo Paulo Silva. Se a sua parte da Fortuna estiver em 06 de áries, ela terá os seguintes regentes:

Domicílio: marte
Exaltação: Sol
Triplicidade: Sol, Júpiter e Saturno (de dia)
Termo: Vênus
Face: Marte
Confirme o que digo observando a tabela do Paulo. Se você quer adentrar no mundo da astrologia medieval, vai ter de se acostumar a usá-la.



Agora, apesar dessa penca de regentes ser responsável por um planeta, parte árabe ou casa no seu mapa, você tem de levar em conta se eles aspectam o ponto que você analisa. Para esse tipo de análise, o melhor regente é aquele que aspecta o ponto analisado com mais proximidade. Se a parte da fortuna está em 06 de áries, mas o sol está em 26 de leão, eles ainda se aspectam por signo, mas estão muito longes um do outro. Se ao mesmo tempo Vênus, regente dos termos da parte, estiver em 04 de Sagitário, isso fala mais a favor dela do que do Sol, pois o aspecto tende à exatidão.



Se você quer saber quais signos não se aspectam, é simples. Um signo não faz aspecto com o segundo a partir dele, sexto, oitavo e décimo segundo. Basta lembrar das casas maléficas e contar esse número a partir do planeta. A única exceção é a casa 2, que não é maléfica e não aspecta o ascendente. Assim, se casa analisada estiver em Áries, seus regentes que estiverem em Touro, Virgem, Escorpião e Peixes serão de pouca ajuda nos seus assuntos.



Taí o tipo de conhecimento que nos ajuda a priorizar as coisas.

Comentários

  1. Rodolfo,
    Seu material é fantástico. Parabéns.

    ResponderExcluir
  2. Sou estudante de Astrologia, gostaria de conversar com você meu MSN é rcavassana@hotmail.com.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

As Casas da Morte.

Quando se pensa em morte na Astrologia Moderna, após uma série de desculpas e desembaraços para se lidar com o tema, vem a nossa mente a Casa VIII. Na Astrologia Medieval, essa também é a Casa usada para a questão, porém existem mais duas que tem participação na delineação da morte: As Casas IV e VII. Como muitas coisas dos livros antigos, elas são citadas porém não são explicadas. Tal qual um rabino dedicado ao estudo do Torá, temos de buscar algum sentido para aquilo se quisermos "digerir" os aforismos. Caso contrário, estes passarão incompreensíveis ao nosso entendimento.

A Casa VII é o lugar onde os planetas se põem, e portanto guardam uma representação simbólica de morte. Autores gregos também consideram planetas na VII como representantes de eventos que acontecerão no fim da vida do nativo.

A Casa IV marca o fim de um ciclo, pois a partir dela o planeta volta a "subir" rumo ao Ascendente. Muitos autores usam a Casa IV para simbolizar as coisas que acontecem ao …