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Analogia - parte 2 - como perceber?

Perceber analogias requer atenção cuidadosa sobre o mapa. A interpretação de uma natividade é "binária": exige a capacidade de relacionar dois símbolos de uma só vez, o que ambos têm em comum. No primeiro instante em que vislumbramos a figura, contudo, ela se apresenta caótica.

Os professores que ensinam os primeiros passos da nossa arte querem ser simples, mas certos posicionamentos planetários não o são. Isso é muito recorrente em aulas de iniciantes: "professor, eu não sou assim". Não adianta dizer mais nada, pois a partir dessa negativa o aluno acha que você o está enrolando. O ensino da analogia poderia ser matéria nos cursos astrológicos, para libertar o pensamento e ensinar ao aluno que o mapa é tão coerente quanto ele, neófito, mas perceber isso requer experiência...

'Coerência' em astrologia é a capacidade de um planeta mostrar efetivamente uma realidade terrestre. Se uma pessoa tem saturno em escorpião na casa seis, isso indica uma doença de natureza melancólica, pois saturno é inclinado a doenças e morte, porém o seu dispositor, marte, se encontra na casa onze, indicando sua causa. Ora, é raro alguém se deprimir (saturno na casa 6) por causa de brigas entre grupos ou amigos (marte na casa 11). Pode até ser, mas seja coerente: procure, por derivação ou aspecto, uma casa que tenha mais a ver com marte. No exemplo acima, a casa 11 é a morte do pai, e foi exatamente isso que desencadeou uma síndrome depressiva na paciente.

Os planetas sempre são ativos nas nossas vidas. Desconfie se um lhe parece inativo no mapa, pois ele já foi ativado nalguma época de sua vida, você percebeu mas não atribuiu o evento a "causa primordial", como diria Morin. Ele está ali, existe e pode ser muito palpável. Se a sua vênus de casa 3 em detrimento nunca lhe proporcionou uma vizinhança agradável, ou um relacionamento tórrido com sua priminha, você pode procurar coerência nela observando as casas que ela rege e aquelas que aspecta. Se essa vênus mandar um trígono com a casa sete, aí está a solução para entender a traição de sua ex-mulher quando viajou para a Europa, pois vênus em escorpião é sexo sem dignidade, a casa sete é casamento, e a casa três são viagens ao exterior da parceira. Ou seja, o mais importante é a traição, e não a viagem ao exterior, esta se submetendo ao tema principal pelo fato de vênus estar na casa três.

Sobre o exemplo acima: um planeta pode, ao mesmo tempo, representar duas coisas que não se relacionam entre si. É por isso que os autores recomendam analisar casas ou assuntos, e não um planeta, pois este é interceptado simultaneamente por várias questões. Lua na casa sete pode mostrar que a parceira é lunar (carinhosa, mutável, maternal), mas ao mesmo tempo representa que o indivíduo fará muitas viagens. O que tem a ver uma coisa com a outra? Ás vezes têm, às vezes não tem... Irritante, não?

Os símbolos celestes não são apáticos. Quando efetivamente correlacionados aos eventos terrestres, eles pulsam, respiram, ganham vida. Eis a melhor maneira de sentir a astrologia.

Comentários

  1. Só pra dizer que gostei. ;-) Estava precisando de um post assim.

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  2. Oi, Rodolfo,
    os artigos sobre analogias estão muito bons! Tenho aprendido (na medida em q consigo rs) com seus textos!!
    Abç

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