A astrologia árabe foi a técnica mais sofisticada que já existiu nos ramos oraculares... Ela foi reformada pelo ódio Europeu aos "mouros islâmicos", e pela descoberta do que atribuíram ser "o verdadeiro Ptolomeu", uma tradução do Tetrabiblos grega que circulou na Europa a partir do século XVI. A reforma da astrologia desde então foi tão grande, que séculos depois a técnica moderna é uma brisa fresca de verão, se comparada à complexidade medieval. Atualmente, como se não bastasse todo o estupro astrológico, acham que é essencial estudar mitologia grega e psicologia analítica para se interpretar um mapa...
Porque se debruçar sobre um tema tão complexo? Para alguns, isso parece um hobby de gente sem ter o que fazer, complicado e minucioso, como montar um kit Revell. De fato, tenho prazer em dissecar coisas complexas, e a astrologia árabe é um bom desafio. O segundo desafio é ensiná-la ao leitor, construir um caminho que ninguém tinha me ensinado outrora. Quanto a ser vagabundo, isso deixo para o leitor meditar a respeito...
É minuciosa e aparentemente dantesca a tarefa de analisar quais são os cinco regentes de cada cúspide das casas de um mapa natal. Igualmente extenuante é observar todas as partes árabes concernentes a um tema. Triplamente massacrante é analisar os regentes da triplicidade de cada casa, e o que eles representam. Depois de todas essas tarefas, contudo, nasce a síntese mais completa que você pode ter acerca de um indivíduo, tudo derivado de uma simples folha de papel.
É preciso desmistificar a complexidade árabe, fomentada no parágrafo anterior: os programas de computador fazem instantaneamente por nós o que os grandes astrólogos demoravam dias para completar. Além disso, com um pouco de programação a nível de usuário, você programa mais técnicas ainda, que automaticamente saem impressas numa folha. Eu mesmo, com nível de usuário em informática, criei uma lista de partes árabes que o Solar Fire mostra para mim em qualquer mapa que eu disponha na tela. Já basta ser astrólogo, não é mesmo? Hacker seria demais!!!
Depois que você respirou de alívio ao saber que muitas coisas são feitas no computador, e por ele mesmo, não você, saiba que o mais difícil é "botar a cuca pra funcionar", e chegar ao objeto de desejo de onze em dez astrólogos: a síntese do mapa natal. Para o astrólogo medieval chegar à tão cobiçada síntese quanto a um tema da vida do nativo, ele usava de significadores.
Se você quisesse saber como seria sua vida financeira, e qual a melhor fonte de renda, o astrólogo procuraria dentre os planetas relacionados a dinheiro no seu mapa aquele que estivesse com melhor analogia em relação aos assuntos da casa. Se ele estivesse em mal estado, você podia chorar que ele acertou... Mostro aqui quais são os significadores mais comuns de dinheiro:
- Os sete regentes da casa 2 (por domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face).
- Parte da Fortuna;
- Parte da Substância;
- Regentes da Triplicidade da casa 2 (mas ao contrário do primeiro item, aqui eles são usados de uma forma diferente, para descobrir em qual terço de vida o nativo terá mais dinheiro);
- Júpiter, o significador geral de substância (dinheiro, apra os modernos).
- Em alguns casos, o desempate do significador ideal pode ser dado pelas partes árabes ligadas à casa oito, ou a casa 4, pois são partes ligadas a heranças (casa 8) ou terras (casa 4), itens frequentemente ligados ao sustento de uma pessoa.
Você se assustou, nunca faria tudo isso que está acima e me acha um doido? Você pode desistir, pagar para que eu ou outro astrólogo faça o seu mapa natal, ou esperar os próximos posts, nos quais ensinarei como sintetizar toda a informação acima. Aguarde!
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