Pular para o conteúdo principal

Mais uma vez, Morin.


Se o regente de uma casa estiver em outra, isso significa que as duas casas estarão sempre ligadas? Nem sempre.

O fato de duas casas estarem ligadas por essa relação indica alguns fatos extraoridinários, sem dúvida, contudo, nem todos os eventos relativos a um setor se manifestarão na dependência da outra casa, aquela onde se encontra seu regente. Podemos, então, analisar a condição do regente de uma casa independentemente do significado da casa onde ele se encontra. Por exemplo, se o regente da sete recebe uma quadratura de marte, isso pode implicar em certa agressividade dos parceiros, redundando em conflitos (É importante lembrar que a recepção abate a malícia desses contatos). Aqui se ignora o local onde marte se encontra e as casas que ele rege. Por aspectar o regente da casa sete, marte qualifica os assuntos de casa sete de acordo com sua natureza belicosa. Essa teoria é amparada pela prática e pelos ensinamentos de Morin de Villefranche no livro 21 da Astrologia Gallica. Deixe a determinação local de marte para um detalhamento de alguns eventos, mas não serão todos.

A natividade acima é um bom exemplo. Marte aflige Saturno, o significador do descendente, as parcerias e o público. Apesar de marte estar em condição zodiacal boa (triplicidade de terra) , não há recepção entre ele e Saturno, logo a configuração é tensa. Quanto ao grande maléfico, este se encontra peregrino, a princípio não faz nem mal nem bem a parceira, e pode indicar que o parceiro é de longe (sim, essa dignidade pode ser lida literalmente!). Marte se aproxima de Saturno em conjunção corpórea, qualificando o parceiro como "indomável, agressivo" segundo a leitura das qualidades marcianas. A nativa é médica e pode lidar com pessoas muito agressivas em plantões. Pensa em fazer psiquiatria, e temo que seus pacientes sejam muito agressivos, requerendo controle com medicação pesada.

Ignorando-se a posição de marte, já temos algo que qualifica a casa sete. Os relacionamentos serão marcados por conflito. Numa segunda etapa, vasculhamos a determinação local e por regência de marte: essas casas podem afligir o parceiro. Aqui entramos num terreno de amplas possibilidades, angustiante para o astrólogo, pois a análise combinatória produz muitas probabilidades de eventos e torna a delineação extremamenta trabalhosa. Até mesmo Morin reconhece o problema, e afirma ser essa a grande razão da dificuldade em se realizar astrologia preditiva. Por exemplo, os relacionamentos podem se afligir com todas as casas que marte representa por posição de regência: dinheiro da nativa (2), universidade, religião e viagens (9), e família (4). Nesse caso, o astrólogo pode se despir da condição de adivinho e interrogar a nativa se essas coisas apresentam um papel nocivo em seus relacionamentos ou não.

Quando essas múltiplas possibilidades ocorrem, você pode escolher qual casa será mais importante. De fato, todas as casas que marte representa podem afligir a Saturno, significador específico de parceiras, porém uma delas terá um efeito maior. Morin dá critérios para identificar qual casa será mais influente através do conceito de analogia, mas devo advertir que nem sempre esse conceito é útil.

Vejamos o exemplo. Marte é um planeta agressivo, indomável, e dessa forma não se relacionaria a espiritualidade, embora Abu Ali em sua obra classifique marte como significador de viagens. A casa nove, portanto, ganha um ponto de analogia frente as outras.

Marte é Almuten da casa sete, que representa parceiros, mas também inimigos declarados. A casa sete também poderia ter uma relação de analogia com marte, assim como tem por regência, ratificando que as parcerias, os adversários e o público são agressivos.

A casa dois é a que possui menor relação com o pequeno maléfico, e no entanto ele se encontra ali. Descartar a importância da casa dois é um sacrilégio, pois posição é mais forte que regência.

Marte rege também o ângulo da terra, chamado atualmente de fundo do céu. Nesse caso ele não tem nenhuma analogia com família e residência. Se não há mais nenhuma indicação no mapa, a casa quatro afligirá com uma frequência muito menor a casa sete via marte. Não há analogias muito evidentes.

Conclusão: o conceito de analogia nos ajudou a priorizar duas casas e a reduzir em importância uma. Quanto mais ligações uma casa tem com um planeta, com maior representação ele agirá sobre seus assuntos. Alguns autores dizem que o significador de uma casa inconjunto a essa (sem fazer nenhum aspecto por signo) tira a sua representação, mas o autor do blog apenas conclui que isso é ruim para a casa.

Comentários

  1. Valeria apena citar que o pré domicílio da trigronocracia que é a versão da triplicidade para Morin no caso de marte seria signos de fogo e água.
    Marte em signo de terra estaria perigrino.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

o melhor livro de astrologia dos últimos tempos.

Você, leitor que começa a se interessar em astrologia, está diante de uma chance única de começar a aprender a arte da melhor forma possível. Nesse artigo, eu apresento um link com o download para o melhor livro de astrologia medieval com o qual eu me deparei nos últimos tempos.

Acho que não estou exagerando. Invejo quem começaria a estudar astrologia pelo que vou apresentar nesse artigo. Se em 2003, ano em que comecei a me interessar por astrologia, alguém me oferecesse esse livro, teria poupado minhas retinas de uma colossal quantidade de lixo.

Talvez, por ainda não ter visto tanto lixo, eu não saberia valorizar o momento em que me deparo com uma obra como essa. Valorizando ou não, se tivesse essa obra nas minhas mãos inexperientes em 2003, teria começado a estudar astrologia em alicerces sólidos o bastante para que deles eu não saísse nunca mais.

Livros bons, trabalho árduo (para obtê-los)  A astrologia praticada de forma mais aprofundada é um saber não tão popular quanto se pen…