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Os elos perdidos na interpretação.



Sempre sinto que posso encontrar mais coisas no mapa natal. Creio na sua limitação, mas acima de tudo acho que sou mais limitado do que ele.

As possibilidades de se encontrar elos entre duas casas estão diante dos meus olhos, mas, tal qual uma camuflagem, não percebo ainda facilmente. Recentemente, contudo, descobri uma maneira de tornar essas ligações mais fáceis.

Vamos pegar um exemplo. Júpiter está no oitavo signo do meu mapa natal, Escorpião. Podemos
encarar que ele, devido a esse posicionamento, também se encontra na oitava casa a partir do meu ascendente, isso se usarmos o sistema de signos inteiros, como demonstrado na figura (pelo sistema de casas quadrantes, meu júpiter seria de casa sete).

Júpiter nesse caso tem relação com a minha casa quatro por exaltação, pois o quarto signo é Câncer. Ele descreve, portanto, alguma atividade do meu pai. Contando-se a partir da casa paterna, a casa oito torna-se a quinta na ordem antihorária. (Para quem não se acostumou com a derivação de casas, esse será um bom exemplo).

Ter Júpiter nessa casa implica dizer que um prazer do meu pai (5 da 4) envolve coisas jupiterianas - que transmitam paz e sabedoria.

Isso é tudo que podemos abstrair da configuração acima? Se você me perguntasse isso há meses atrás, eu lhe diria incerto que sim, e até já acharia suficiente, porém há algo que não foi desbravado, associado ao que está acima, e permeia o mapa inteiro: São os elos entre as casas, dos quais falarei agora.

A regra, se é que podemos chamá-la disso, envolve o seguinte:

"Ao usarmos um planeta para delinear uma casa na qual ele tem alguma dignidade igual ou menor a quatro virtudes (exaltação, triplicidade, termo e face), devemos nos lembrar das casas que ele tem domicílio. A seguir, associamos as duas casas na interpretação."

Parece confuso, mas voltemos ao exemplo.

Já delineamos que os hobbys do pai são jupiterianos. Júpiter se associa a casa do pai por exaltação, mas ele tem relação de domicílio às casas natais 9 (religião do nativo) e 12 (confinamento, auto-negação, inimigos secretos, mas por derivação - a religião do pai. - casa 9 a partir da 4). São essas casas que devemos ligar aos hobbys do pai!

Quando percebi essa relação, uma coisa familiar saltou-me aos olhos com estupenda facilidade: um dos grandes prazeres do meu pai é cantar músicas evangélicas. As músicas são suaves e sempre transmitem uma sensação de paz e fé de que há um Deus que cuida de nós - lembre-se de que Júpiter se determina ao meu mapa pelas casas 9 e 12, e portanto não haveria de ser outra coisa senão como relativa a função espiritual.

Essa pequena lição me valerá para todas as interpretações que se seguirão em minha vida de astrólogo. Foi muito bom perceber que as casas não são dissociadas, e que existem muitos mais elos do que simplesmente a associação encontrada da presença do regente de uma casa em outra.

Olhe para o seu mapa, e encontre os elos! Mais cedo ou mais tarde, descobrirá coisas estranhamente familiares... Essas coisas serão na sua vida mais uma interpretação após o fato, mas quando você aplicar tais associações nos mapas de outras pessoas, elas se espantarão...

Comentários

  1. Esse modelo de mapa pode ser nostaugico, mas é horrível de ser entender.
    Acho que é o mais rápido e bonito para se fazer rápido à mão, contudo para ler é chato.

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  2. é verdade, é bem nostálgico mesmo, rs, prefiro o moderno mas de vez em quando é bom postar um desses pra mostrar que faço medieval...

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  3. Com meu jupiter na casa 10 a partir da 4, nao lembro de nenhuma relacao obvia entre meu pai e os fatores jupiterianos mencionados. Pode ter sido coincidencia.

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  4. Não entendi.
    Se colocar câncer no asc jupiter rege sagitário na 6 e não na doze.
    E peixes a nove.
    Ou estou enganado?

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