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O estado cósmico dos planetas e a interpretação

Observe o fragmento abaixo, extraído do livro "O Julgamento das Natividades", de Johannes Schoener, traduzido por Robert Hand. No contexto, o autor delineia o grande indicador de morte, ou Almuten da morte, no mapa do Imperador Maximiliano I de Hapsburgo:

Quarta conclusão: Todavia, ele morrerá entre seus conhecidos, na sua própria terra, em riquezas e honra. Isto é arguído por que o significador de morte está em sua exaltação.

O significador da morte no mapa do imperador é o sol, que se encontra exaltado no signo de Áries. O sol representa notoriedade, brilho e autoridade. O que Schoener faz é simplesmente seguir os tratados de astrologia à risca. Veja como grande parte dos astrólogos descrevem a condição dos planetas:

Um planeta em exaltação é como um convidado sendo recebido com honras numa casa.

Os astrólogos medievais ensinavam através de metáforas, assim como todo o ethos medieval era metafórico. Enquanto hoje queremos descrições objetivas sobre determinada posição planetária, os astrólogos medievais buscavam a transposição de determinada dinâmica em situações variadas representadas pela mesma posição planetária, ao ponto da comparação ser observada de um modo quase literal. Ou seja, grande parte dos textos de astrologia medievais comparam um planeta em exaltação a um convidado ilustre, ou alguém que será exaltado entre os seus, e na interpretação da morte de Maximiliano o Sol em Áries foi interpretado de um modo similar às descrições de um planeta em exaltação. Isso é motivo de alerta: talvez o nosso raciocínio contemporâneo subestime as descrições medievais, achando-as demasiadamente subjetivas, mas até que ponto elas deixam de ser assim para descreverem objetivamente uma situação?

Tomando como exemplo o extremo oposto ao melhor estado cósmico, o planeta em detrimento: tradicionalmente, a ele é reputado a falta de forças para agir. As descrições clássicas o comparam a "um homem entre inimigos".

Especulando: se as condições da morte do imperador fossem descritas por um planeta em tal situação, provavelmente Schoener delinearia a morte em terra estrangeira, entre os inimigos.

Será que as mesmas transposições tem valor atualmente?



BIBLIOGRAFIA

Schoener, Johannes. Three Books on the Judgement of the Nativities. Book 1. ARHAT, translated by Robert Hand.

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